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Flávio Bolsonaro é investigado por repasses a Dark Horse em frente ligada ao Caso Master

há 7 dias
5 min de leitura

PF apura recursos de Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro; documentos do INQ 5.026 tornados públicos pelo STF ajudam a reconstruir a origem da investigação.


Por Mateus Ayres para O estopim |

11 de setembro de 2026


Flávio Bolsonaro, investigado em procedimento ligado ao financiamento de Dark Horse e ao Caso Master.
Flávio Bolsonaro, investigado em procedimento ligado ao financiamento de Dark Horse e ao Caso Master. | Foto: Diego Vara/Reuters

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pelo Supremo Tribunal Federal em um procedimento que apura sua atuação na captação e no fluxo de recursos destinados a Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.


A investigação foi autorizada em julho pelo ministro André Mendonça, após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.


A apuração está ligada ao Caso Master pela participação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no financiamento da produção. A PF busca identificar a origem, a circulação e a destinação dos recursos, além da atuação dos envolvidos nas negociações.


A decisão de 2 de março de 2026 sobre Roberto Campos Neto, hoje disponível nos autos do INQ 5.026, integra o conjunto de documentos que se tornou acessível ao público após a atuação do presidente do STF, Edson Fachin, na noite de quinta (10), para ampliar a publicidade dos procedimentos relacionados ao Caso Master.


Na sequência, André Mendonça formalizou o levantamento do sigilo de 15 procedimentos, entre eles o INQ 5.026.


A decisão de março não menciona Flávio Bolsonaro nem Dark Horse. A frente específica sobre o financiamento do filme surgiu posteriormente.


O que está sendo investigado no caso Dark Horse


A Polícia Federal investiga a origem, a rota e a finalidade dos recursos mobilizados para financiar o filme.


Mensagens, documentos e áudios divulgados desde maio mostram Flávio Bolsonaro participando de tratativas relacionadas à obtenção de recursos com Daniel Vorcaro.


Os registros apontaram uma negociação de até US$ 24 milhões para a produção. Os repasses conhecidos chegaram a aproximadamente US$ 12,3 milhões.


A investigação reconstrói quem forneceu os recursos, por quais empresas e fundos eles circularam, quem participou das operações e qual foi a destinação final dos valores.


Documentos públicos ajudam a reconstruir o Caso Master


O levantamento do sigilo ocorrido na noite de quinta (10) abriu uma nova etapa de acesso aos autos do Caso Master.


Edson Fachin atuou para que procedimentos relacionados ao caso fossem submetidos à Presidência do STF e para ampliar a publicidade dos autos.


André Mendonça retirou formalmente o sigilo de 15 procedimentos, entre eles os inquéritos 5.026 e 5.035.


É nesse conjunto documental, agora disponível no portal do Supremo, que está a decisão de 2 de março analisada por O estopim.


O documento trata de pedido apresentado pelo ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto contra sua convocação pela CPI do Crime Organizado.


Campos Neto argumentava que a convocação utilizava fatos da Operação Compliance Zero sem demonstrar relação suficiente entre sua atuação e o objeto formal da CPI.


O que a decisão sobre Roberto Campos Neto mostra


Mendonça analisou se havia base para obrigar Campos Neto a comparecer à comissão parlamentar como convocado.


O ex-presidente do Banco Central alegava desvio de finalidade e sustentava que sua oitiva poderia ampliar a investigação sem demonstração prévia de vínculo com os fatos.


A decisão ajuda a reconstruir os limites e as diferentes fases da investigação sobre o Banco Master.


Os documentos públicos dessa etapa não mostram Flávio Bolsonaro como alvo do INQ 5.026 em fevereiro ou março.


A frente envolvendo Flávio surgiu depois


A investigação sobre Dark Horse apareceu posteriormente.


Em julho, André Mendonça autorizou uma apuração específica sobre os recursos destinados à produção depois de pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da PGR.


A cronologia dos autos mostra que a investigação envolvendo Flávio Bolsonaro não aparece na fase inicial dos documentos hoje públicos do INQ 5.026.


A conexão surgiu a partir das tratativas envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme.


O papel de Daniel Vorcaro


A ligação entre Dark Horse e o Caso Master passa por Daniel Vorcaro.


O ex-controlador do Banco Master aparece como financiador da produção e interlocutor de Flávio Bolsonaro nas tratativas reveladas publicamente.


A PF tenta reconstruir como o dinheiro saiu de estruturas vinculadas ao empresário, passou por empresas e fundos e chegou aos responsáveis pelo financiamento da produção.


Parte das movimentações envolveu estruturas no exterior, incluindo o Havengate Development Fund.


Colaboração premiada abre nova frente de apuração


Nesta semana, André Mendonça homologou acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.


Freixo é citado nas apurações como participante de movimentações financeiras relacionadas aos repasses destinados ao financiamento de Dark Horse.


A colaboração acrescenta uma nova fonte de informação à investigação sobre o caminho dos recursos.


Há outra investigação sobre Dark Horse


O filme aparece também em outra investigação no STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino.


Esse procedimento trata de suspeitas relacionadas à utilização ou ao direcionamento de emendas parlamentares e recursos públicos em projetos associados à produção.


A frente sob André Mendonça acompanha os recursos ligados a Daniel Vorcaro e às ramificações do Caso Master.


A investigação sob Flávio Dino examina o uso de recursos públicos e emendas parlamentares.


O que diz Flávio Bolsonaro


Flávio Bolsonaro reconheceu que procurou Daniel Vorcaro em busca de financiamento para o projeto cinematográfico.


O senador afirma que o financiamento foi privado e que os valores foram destinados à produção do filme.


A produtora responsável por Dark Horse também afirmou que os repasses recebidos foram informados à Justiça e aplicados na produção audiovisual.


Por que isso importa


O caso coloca no mesmo eixo um senador da República, um empresário investigado no Caso Master, milhões de dólares em transferências e um projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro.


A abertura dos autos permite reconstruir como a investigação se expandiu ao longo de 2026.


Os documentos de março mostram uma fase ainda concentrada na Operação Compliance Zero e em personagens ligados ao sistema financeiro.


Meses depois, a apuração alcançou o financiamento de Dark Horse e a atuação de Flávio Bolsonaro nas negociações com Daniel Vorcaro.


O que acontece agora?


A Polícia Federal deve continuar analisando contratos, transferências, mensagens, registros bancários e movimentações internacionais relacionadas ao financiamento do filme.


A colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior também poderá fornecer novos elementos sobre o caminho do dinheiro.


A PGR acompanhará os resultados das diligências e decidirá quais medidas solicitar ao STF.


A investigação específica sobre Dark Horse ainda preserva documentos sob sigilo, enquanto o levantamento promovido nesta semana abriu ao público parte relevante da estrutura do Caso Master.


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Mateus Ayres é jornalista de O estopim, com atuação em política nacional, internacional e análise de conjuntura. Seu trabalho acompanha as relações entre poder, democracia e justiça social com rigor documental e compromisso com o interesse público.

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