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Presidente do STF dá 24 horas a André Mendonça para abrir peças vinculadas à PET 15.556; apenas diligências em curso ficam sob sigilo.


Por Mateus Ayres para O estopim |

11 de setembro de 2026


Edson Fachin, presidente do STF, determinou ampliação da abertura dos documentos do Caso Master.
Edson Fachin, presidente do STF, determinou ampliação da abertura dos documentos do Caso Master. | Foto: Reuters

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou nesta sexta (11) que o ministro André Mendonça providencie, em até 24 horas, a retirada do sigilo de todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, processo central das investigações do Banco Master e da Operação Compliance Zero no STF.


A decisão atende a pedido da Procuradoria-Geral da República, assinado pelo vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand, que considerou incompleto o conjunto de documentos tornado público na noite de quinta (10). Fachin também recebeu pedidos de Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin pela ampliação do acesso aos autos.


A ordem preserva apenas documentos relacionados a diligências em andamento ou futuras quando a divulgação puder comprometer a execução das medidas. O restante do material deverá ser aberto e encaminhado à Presidência do Supremo e aos gabinetes dos ministros da Corte.


A nova determinação amplia a abertura promovida menos de 24 horas antes por Mendonça. Na quinta (10), o relator havia retirado o sigilo da PET 15.556 e de outros 14 procedimentos vinculados ao Caso Master.


PGR diz que primeira abertura deixou documentos de fora


A manifestação da Procuradoria-Geral da República foi decisiva para a nova intervenção de Fachin.


No pedido encaminhado à Presidência do STF, Hindemburgo Chateaubriand afirmou que a relação apresentada após a primeira quebra de sigilo não abrangia grande parte dos procedimentos relacionados à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero.


A PGR sustentou que a abertura precisava alcançar todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, mantendo reservadas apenas as diligências cuja eficácia dependesse do sigilo.


A manifestação alterou o alcance da abertura determinada na noite anterior.


Até então, estavam públicos a PET 15.556, os Inquéritos 5.026 e 5.035, a Reclamação 88.121 e as Petições 15.198, 15.478, 15.504, 15.562, 15.563, 15.693, 15.976, 15.977, 15.978, 16.019 e 16.662. A ordem desta sexta (11) não fica limitada a essa lista.


Moraes afirma que 180 documentos permaneceram sob sigilo


Alexandre de Moraes também procurou Fachin para pedir a abertura integral dos autos.


Segundo Moraes, a providência adotada por Mendonça na quinta (10) manteve 180 documentos fora do conjunto disponibilizado. O ministro afirmou que houve uma escolha seletiva das peças liberadas e pediu o levantamento de todo o material relacionado ao Caso Master.


Moraes também pediu que o plenário analise conjuntamente a PET 16.662, que reúne o relatório da Polícia Federal com referências a ele encontradas no material de Daniel Vorcaro, e a PET 16.704, que contém questionamentos sobre a condução das investigações por André Mendonça.


A sessão extraordinária inicialmente convocada por Fachin para terça (15) tinha como foco a PET 16.662.


Zanin quer acesso ao conteúdo completo do celular de Vorcaro


Cristiano Zanin fez outro pedido à Presidência do Supremo.


O ministro solicitou acesso completo às mídias extraídas do celular de Daniel Vorcaro, e não apenas aos relatórios produzidos a partir do aparelho.


Zanin pediu que os dados sejam encaminhados em um HD específico para permitir a análise direta do conteúdo antes da sessão do plenário.


O movimento amplia a discussão sobre a diferença entre os relatórios elaborados pela Polícia Federal e o conjunto bruto de informações apreendidas no telefone do ex-controlador do Banco Master.


Da abertura parcial à ordem de Fachin para liberar todos os autos


A decisão desta sexta é a segunda intervenção de Fachin sobre o sigilo do Caso Master em menos de um dia.


Na noite de quinta (10), Fachin pediu a Mendonça que retirasse o sigilo da PET 15.556 e dos procedimentos relacionados, além de determinar o compartilhamento integral dos processos com os ministros do Supremo.


Mendonça respondeu retirando o segredo de Justiça de 15 procedimentos.


Horas depois, a PGR afirmou que a relação continuava incompleta. Moraes apontou a permanência de 180 documentos protegidos e Zanin pediu acesso direto às mídias do celular de Vorcaro.


Fachin então fixou o prazo de 24 horas para uma nova abertura, agora abrangendo todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556.


Por que a PET 15.556 é central


A PET 15.556 ocupa posição central na estrutura processual das investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo.


Foi a partir desse conjunto de autos que surgiram desdobramentos e novos procedimentos hoje distribuídos na Corte.


A PET 16.662, incluída por Fachin na sessão extraordinária de terça (15), foi formada a partir de material relacionado à PET 15.556. Nela está o relatório da Polícia Federal produzido a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro e que levou ao STF mensagens, documentos e referências a autoridades.


A abertura completa dos documentos vinculados à petição pode, portanto, expor peças que não apareceram na primeira leva tornada pública por Mendonça.


Decisão amplia acesso antes do julgamento no plenário


A medida ocorre quatro dias antes da sessão extraordinária convocada para terça (15), às 10h.


Os ministros deverão analisar os desdobramentos do relatório produzido pela Polícia Federal e a crise aberta dentro do próprio Supremo depois da divulgação de mensagens e referências envolvendo Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e outros integrantes de instituições federais.


A abertura dos autos também permitirá que os ministros trabalhem sobre um conjunto documental mais amplo do que aquele inicialmente disponibilizado.


Esse é um dos pontos centrais do pedido da PGR. A Procuradoria defendeu tratamento uniforme para documentos ligados à mesma investigação e questionou a manutenção de uma abertura fragmentada dos autos.


Mais documentos podem revelar novas frentes do Caso Master


A primeira leva aberta pelo STF já expôs investigações que ultrapassam o núcleo originalmente conhecido das suspeitas envolvendo o Banco Master.


Os documentos mostram apurações sobre vazamento de informações do Banco Central, núcleos identificados pela PF como “A Turma” e “Os Meninos”, contratação de influenciadores, operações com fundos, relações com autoridades e diferentes estruturas usadas por Daniel Vorcaro e seus interlocutores.


A ordem desta sexta amplia o universo documental disponível.


A diferença agora é que a referência deixa de ser a lista escolhida na primeira abertura e passa a ser o conjunto de peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, descontadas as diligências que ainda dependem de reserva.


Para O estopim, a nova abertura permitirá comparar documentos, datas, decisões, relatórios policiais e movimentações processuais que até esta sexta permaneciam fora do acesso público.


Impacto institucional


A decisão também reforça a atuação de Fachin na condução da crise aberta dentro do Supremo.


Desde o início da semana, o presidente da Corte passou a centralizar decisões envolvendo ministros, suspendeu determinações conflitantes e convocou uma sessão extraordinária para que o plenário enfrente coletivamente a disputa.


A abertura ampla dos autos acrescenta outro elemento a essa estratégia: os ministros terão acesso ao mesmo conjunto documental antes de analisar o caso.


A medida atende à cobrança da PGR por uniformidade e responde diretamente às críticas de Moraes de que documentos estavam sendo liberados de forma seletiva.


O que acontece agora


André Mendonça tem até sábado (12) para cumprir a determinação e providenciar o levantamento do sigilo das peças e procedimentos vinculados à PET 15.556.


Diligências em andamento ou futuras poderão permanecer protegidas quando a publicidade comprometer sua execução.


Os documentos também deverão ser encaminhados à Presidência do STF e aos gabinetes dos ministros.


Na terça (15), às 10h, o Supremo realizará a sessão extraordinária convocada por Fachin para analisar a crise relacionada ao relatório da Polícia Federal e seus desdobramentos.


O estopim acompanhará a liberação dos novos documentos e fará a leitura das peças à medida que forem disponibilizadas no sistema do Supremo.


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Mateus Ayres é jornalista de O estopim, com atuação em política nacional, internacional e análise de conjuntura. Seu trabalho acompanha as relações entre poder, instituições e justiça social com rigor documental e compromisso com o interesse público.

Documento de 218 páginas e ofício de remessa foram assinados por sete servidores e quatro delegados; direção-geral não aparece nas duas peças.


Por Mateus Ayres para O estopim |

11 de setembro de 2026


Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, citado em relatório do Caso Master enviado ao STF.
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, citado em relatório do Caso Master enviado ao STF. | Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O relatório da Polícia Federal que levou ao Supremo Tribunal Federal as referências a Andrei Rodrigues encontradas no celular de Daniel Vorcaro foi produzido e remetido por unidades da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, a DICOR, sem assinatura ou despacho da direção-geral da corporação nas duas peças centrais analisadas por O estopim.


A Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 3298613/2026 tem 218 páginas e identifica como unidade responsável o NADIP/DFIN/CGRC/DICOR/PF. O documento é subscrito por três agentes e quatro delegados federais. Andrei Rodrigues não está entre os signatários.


O envio formal ao ministro André Mendonça foi feito pelo Ofício nº 3305795/2026-CINQ/CGRC/DICOR/PF, datado de 27 de agosto. A folha de remessa foi assinada por quatro delegados: Daniel Mostardeiro Cola, Wedson Cajé Lopes, Victor Arruda de Oliveira e Guilherme Alves de Siqueira. Também não há assinatura ou despacho do Gabinete do Diretor-Geral nessa peça.


A cadeia documental mostra como uma análise que terminaria por projetar o nome do próprio chefe da PF para o centro da crise institucional entre a corporação e o STF circulou formalmente até o gabinete do relator.


Ordem de Mendonça foi dirigida diretamente à CINQ


A rota administrativa começa na própria decisão de André Mendonça.


Ao reproduzir a ordem judicial que deu origem ao trabalho, o relatório registra que o ministro determinou diretamente ao coordenador de Inquéritos nos Tribunais Superiores, a CINQ/DICOR/PF, que acionasse os delegados responsáveis pela Operação Compliance Zero.


A requisição estabeleceu prazo de 72 horas para que a equipe apresentasse informações atualizadas sobre a suposta rede de influência e monitoramento de Daniel Vorcaro e identificasse pessoas mencionadas nas mensagens apreendidas, inclusive autoridades com foro no Supremo.


A estrutura oficial da PF coloca a CINQ e a Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros dentro da Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro, subordinada à DICOR. A direção-geral aparece como estrutura distinta no organograma da corporação.


A análise foi produzida pelo Núcleo de Análise de Dados de Inteligência Policial da divisão de crimes financeiros, o NADIP/DFIN/CGRC/DICOR.


Quem assinou o relatório


Na página 217, o relatório identifica os sete servidores responsáveis pelo trabalho.


Os agentes são Bruno Cavalcanti Teixeira, Lucas Daniel de Sá Soares de Matos e Paulo Danilo Batista Diniz Leite.


Os delegados são Guilherme Alves de Siqueira, Wedson Cajé Lopes, Victor Arruda de Oliveira e Daniel Mostardeiro Cola.


Daniel Mostardeiro Cola ocupa a Coordenação-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro. A própria PF registra essa função em sua página oficial de composição institucional.


No ofício de remessa ao STF, os mesmos quatro delegados aparecem novamente como signatários. Victor Arruda assina como coordenador de Inquéritos nos Tribunais Superiores. Wedson Cajé aparece como coordenador de Repressão à Corrupção e Guilherme Siqueira como chefe da Divisão de Repressão aos Crimes Financeiros.


A documentação disponível não traz uma etapa intermediária assinada por Andrei Rodrigues entre a produção do relatório e sua entrega ao gabinete de Mendonça.


O que a PF pesquisou sobre Andrei Rodrigues


O nome do diretor-geral aparece na parte final do relatório, em uma seção específica intitulada “Das Pesquisas Por Termos Relacionados Com ‘Andrei Passos’”.


A equipe registrou que não encontrou no aparelho de Vorcaro um contato salvo como “Andrei Passos” ou “Andrei”. A busca nos demais chats localizou referências feitas por terceiros a uma pessoa que os investigadores relacionaram ao diretor-geral.


Um dos episódios remonta a abril de 2024.


Mensagens encaminhadas por Fábio Faria a Daniel Vorcaro tratavam de um convite ao “DPF Andrei” para um evento em Londres. Pouco depois, outra mensagem dizia que ele havia aceitado. O relatório também reproduz uma conversa na qual Vorcaro informa que um “Ministro fez convite ao andrei PF”.


Na sequência, um interlocutor encaminha mensagem atribuída a uma assistente do diretor-geral da PF perguntando sobre passagem e hospedagem. A resposta registrada foi de que as despesas seriam bancadas pelos organizadores.


Em outra passagem, relacionada a outubro de 2025, Vorcaro escreveu em uma nota que seria importante reforçar com “Andrei e Paulo” para impedir uma ação de pessoas hierarquicamente inferiores. A PF registrou que os nomes poderiam corresponder a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.


Relatório foi produzido em 72 horas


O documento chegou ao STF em 27 de agosto, três dias depois da requisição.


Reportagem do UOL revelou que integrantes da PF foram chamados para uma reunião com Mendonça em 24 de agosto e receberam ali a ordem de produzir o material em 72 horas. Segundo o veículo, investigadores reagiram internamente ao formato da requisição e à possibilidade de o trabalho alcançar autoridades com prerrogativa de foro.


O próprio IPJ-A registra no final que o trabalho foi produzido dentro do prazo de 72 horas fixado judicialmente.


Mendonça retirou o sigilo da peça em 1º de setembro. A divulgação das 218 páginas levou para o centro do debate as mensagens e documentos encontrados no celular de Vorcaro envolvendo Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.


Dois relatórios diferentes atravessam a crise


A crise institucional passou posteriormente a envolver um segundo conjunto de documentos da Polícia Federal.


O IPJ-A nº 3298613/2026, de 218 páginas, é um relatório de polícia judiciária assinado por sete servidores e encaminhado formalmente ao STF.


Outro material, produzido por uma unidade de inteligência da PF e utilizado por Alexandre de Moraes para pedir providências contra André Mendonça, foi posteriormente classificado pelo próprio Mendonça como “apócrifo”. Esse segundo conjunto foi o centro da decisão de 8 de setembro que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.


As duas peças tiveram origens e funções diferentes dentro da Polícia Federal, embora ambas tenham passado a integrar o mesmo conflito entre a cúpula da corporação e ministros do Supremo.


A crise chegou ao comando da PF


A divulgação do primeiro relatório foi seguida por uma sequência de decisões e acusações cruzadas.


A PGR questionou a investigação conduzida sob relatoria de Mendonça. Alexandre de Moraes pediu providências contra o colega. Mendonça, dias depois, determinou o afastamento de Andrei e Almada. A direção da PF reagiu e, segundo apuração do UOL, classificou a decisão como política.


Flávio Dino posteriormente determinou a reintegração dos dois dirigentes. Edson Fachin entrou no conflito, suspendeu decisões concorrentes, manteve Andrei no comando da PF e convocou o plenário para analisar a crise na segunda (15).


A análise das peças de 27 de agosto acrescenta um dado à reconstrução desse conflito: o documento que levou ao STF as referências a Andrei foi produzido, assinado e formalmente encaminhado por unidades da DICOR sem que a direção-geral apareça como signatária nas duas peças que formam a cadeia de produção e remessa.


Por que isso importa


A cadeia de assinaturas mostra onde estava formalmente concentrada a produção do documento que desencadeou uma das fases mais graves da crise entre PF, PGR e Supremo.


O relatório saiu de uma unidade especializada em análise de dados vinculada à repressão a crimes financeiros. O encaminhamento ao STF partiu da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores. A ordem de Mendonça havia sido dirigida diretamente a essa coordenação.


Ao mesmo tempo, o material continha uma seção dedicada ao próprio diretor-geral da instituição e passou a ser utilizado no debate político e judicial sobre sua atuação.


A abertura dos autos permite agora reconstruir não apenas o conteúdo das mensagens de Vorcaro, mas também quem produziu, assinou e transmitiu cada documento que alimentou a crise institucional.


O que acontece agora?


O plenário do STF está convocado para segunda (15) para discutir os desdobramentos da crise, incluindo questionamentos sobre a validade e o uso de documentos produzidos pela Polícia Federal.


A cadeia administrativa do IPJ-A nº 3298613/2026 também abre novas questões de apuração dentro da PF: quais unidades receberam formalmente a ordem, como foi montada a equipe de sete servidores, quais superiores foram comunicados durante as 72 horas de trabalho e quais registros administrativos existem entre a determinação de Mendonça e a entrega do ofício ao STF.


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Mateus Ayres é jornalista de O estopim, com atuação em política nacional, internacional e análise de conjuntura. Seu trabalho acompanha poder, instituições e justiça social com rigor documental e compromisso com o interesse público.

PF apura recursos de Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro; documentos do INQ 5.026 tornados públicos pelo STF ajudam a reconstruir a origem da investigação.


Por Mateus Ayres para O estopim |

11 de setembro de 2026


Flávio Bolsonaro, investigado em procedimento ligado ao financiamento de Dark Horse e ao Caso Master.
Flávio Bolsonaro, investigado em procedimento ligado ao financiamento de Dark Horse e ao Caso Master. | Foto: Diego Vara/Reuters

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pelo Supremo Tribunal Federal em um procedimento que apura sua atuação na captação e no fluxo de recursos destinados a Dark Horse, cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.


A investigação foi autorizada em julho pelo ministro André Mendonça, após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República.


A apuração está ligada ao Caso Master pela participação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no financiamento da produção. A PF busca identificar a origem, a circulação e a destinação dos recursos, além da atuação dos envolvidos nas negociações.


A decisão de 2 de março de 2026 sobre Roberto Campos Neto, hoje disponível nos autos do INQ 5.026, integra o conjunto de documentos que se tornou acessível ao público após a atuação do presidente do STF, Edson Fachin, na noite de quinta (10), para ampliar a publicidade dos procedimentos relacionados ao Caso Master.


Na sequência, André Mendonça formalizou o levantamento do sigilo de 15 procedimentos, entre eles o INQ 5.026.


A decisão de março não menciona Flávio Bolsonaro nem Dark Horse. A frente específica sobre o financiamento do filme surgiu posteriormente.


O que está sendo investigado no caso Dark Horse


A Polícia Federal investiga a origem, a rota e a finalidade dos recursos mobilizados para financiar o filme.


Mensagens, documentos e áudios divulgados desde maio mostram Flávio Bolsonaro participando de tratativas relacionadas à obtenção de recursos com Daniel Vorcaro.


Os registros apontaram uma negociação de até US$ 24 milhões para a produção. Os repasses conhecidos chegaram a aproximadamente US$ 12,3 milhões.


A investigação reconstrói quem forneceu os recursos, por quais empresas e fundos eles circularam, quem participou das operações e qual foi a destinação final dos valores.


Documentos públicos ajudam a reconstruir o Caso Master


O levantamento do sigilo ocorrido na noite de quinta (10) abriu uma nova etapa de acesso aos autos do Caso Master.


Edson Fachin atuou para que procedimentos relacionados ao caso fossem submetidos à Presidência do STF e para ampliar a publicidade dos autos.


André Mendonça retirou formalmente o sigilo de 15 procedimentos, entre eles os inquéritos 5.026 e 5.035.


É nesse conjunto documental, agora disponível no portal do Supremo, que está a decisão de 2 de março analisada por O estopim.


O documento trata de pedido apresentado pelo ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto contra sua convocação pela CPI do Crime Organizado.


Campos Neto argumentava que a convocação utilizava fatos da Operação Compliance Zero sem demonstrar relação suficiente entre sua atuação e o objeto formal da CPI.


O que a decisão sobre Roberto Campos Neto mostra


Mendonça analisou se havia base para obrigar Campos Neto a comparecer à comissão parlamentar como convocado.


O ex-presidente do Banco Central alegava desvio de finalidade e sustentava que sua oitiva poderia ampliar a investigação sem demonstração prévia de vínculo com os fatos.


A decisão ajuda a reconstruir os limites e as diferentes fases da investigação sobre o Banco Master.


Os documentos públicos dessa etapa não mostram Flávio Bolsonaro como alvo do INQ 5.026 em fevereiro ou março.


A frente envolvendo Flávio surgiu depois


A investigação sobre Dark Horse apareceu posteriormente.


Em julho, André Mendonça autorizou uma apuração específica sobre os recursos destinados à produção depois de pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da PGR.


A cronologia dos autos mostra que a investigação envolvendo Flávio Bolsonaro não aparece na fase inicial dos documentos hoje públicos do INQ 5.026.


A conexão surgiu a partir das tratativas envolvendo Daniel Vorcaro e o financiamento do filme.


O papel de Daniel Vorcaro


A ligação entre Dark Horse e o Caso Master passa por Daniel Vorcaro.


O ex-controlador do Banco Master aparece como financiador da produção e interlocutor de Flávio Bolsonaro nas tratativas reveladas publicamente.


A PF tenta reconstruir como o dinheiro saiu de estruturas vinculadas ao empresário, passou por empresas e fundos e chegou aos responsáveis pelo financiamento da produção.


Parte das movimentações envolveu estruturas no exterior, incluindo o Havengate Development Fund.


Colaboração premiada abre nova frente de apuração


Nesta semana, André Mendonça homologou acordo de colaboração premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.


Freixo é citado nas apurações como participante de movimentações financeiras relacionadas aos repasses destinados ao financiamento de Dark Horse.


A colaboração acrescenta uma nova fonte de informação à investigação sobre o caminho dos recursos.


Há outra investigação sobre Dark Horse


O filme aparece também em outra investigação no STF, sob relatoria do ministro Flávio Dino.


Esse procedimento trata de suspeitas relacionadas à utilização ou ao direcionamento de emendas parlamentares e recursos públicos em projetos associados à produção.


A frente sob André Mendonça acompanha os recursos ligados a Daniel Vorcaro e às ramificações do Caso Master.


A investigação sob Flávio Dino examina o uso de recursos públicos e emendas parlamentares.


O que diz Flávio Bolsonaro


Flávio Bolsonaro reconheceu que procurou Daniel Vorcaro em busca de financiamento para o projeto cinematográfico.


O senador afirma que o financiamento foi privado e que os valores foram destinados à produção do filme.


A produtora responsável por Dark Horse também afirmou que os repasses recebidos foram informados à Justiça e aplicados na produção audiovisual.


Por que isso importa


O caso coloca no mesmo eixo um senador da República, um empresário investigado no Caso Master, milhões de dólares em transferências e um projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro.


A abertura dos autos permite reconstruir como a investigação se expandiu ao longo de 2026.


Os documentos de março mostram uma fase ainda concentrada na Operação Compliance Zero e em personagens ligados ao sistema financeiro.


Meses depois, a apuração alcançou o financiamento de Dark Horse e a atuação de Flávio Bolsonaro nas negociações com Daniel Vorcaro.


O que acontece agora?


A Polícia Federal deve continuar analisando contratos, transferências, mensagens, registros bancários e movimentações internacionais relacionadas ao financiamento do filme.


A colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior também poderá fornecer novos elementos sobre o caminho do dinheiro.


A PGR acompanhará os resultados das diligências e decidirá quais medidas solicitar ao STF.


A investigação específica sobre Dark Horse ainda preserva documentos sob sigilo, enquanto o levantamento promovido nesta semana abriu ao público parte relevante da estrutura do Caso Master.


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Mateus Ayres é jornalista de O estopim, com atuação em política nacional, internacional e análise de conjuntura. Seu trabalho acompanha as relações entre poder, democracia e justiça social com rigor documental e compromisso com o interesse público.

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