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Literatura

Coletivo de poetisas do Sertão do Pajeú prevê apresentações em Lisboa, Porto e Óbidos em outubro; campanha complementa recursos destinados à circulação internacional


Por Clara Mendes para O estopim |

13 de Agosto de 2026



Coletivo Mulheres de Repente, do Sertão do Pajeú, lança vaquinha de R$ 25 mil para primeira turnê internacional em Portugal, prevista para outubro de 2026.
Coletivo Mulheres de Repente, do Sertão do Pajeú, lança vaquinha de R$ 25 mil para primeira turnê internacional em Portugal, prevista para outubro de 2026. | Foto:Taciana Enes/Acervo pessoal

O coletivo Mulheres de Repente, formado por seis poetisas do Sertão do Pajeú, lançou uma campanha de financiamento coletivo para ajudar a custear sua primeira turnê internacional, prevista para outubro de 2026 em Portugal. A vaquinha tem meta de R$ 25 mil e aceita contribuições por Pix, boleto e cartão de crédito.


Integram o grupo Elenilda Amaral, Erivoneide Amaral, Dayane da Rocha Lira, Thaynnara Queiroz, Francisca Araújo e Milene Augusto. A idealização e coordenação são de Luna Vitrolira, e a produção é de Taciana Enes.


Segundo a organização, a agenda em Portugal prevê apresentações no Festival de Poesia de Lisboa e na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, no Instituto Pernambuco, no Porto, e no Festival Fólio, em Óbidos. Antes da viagem internacional, o Mulheres de Repente já circulou por cidades como Recife, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro e participou de eventos literários como a Flip e a Flup.


A maior parte das despesas da circulação será financiada por recursos de um edital de internacionalização da Política Nacional Aldir Blanc em Pernambuco, segundo informações divulgadas pelo coletivo. A campanha foi criada para ampliar o orçamento diante de despesas da viagem e do impacto da cotação do euro.


“Com a alta do Euro, a gente precisou complementar a estratégia de arrecadação para que possamos viajar com segurança”, afirmou Taciana Enes, produtora do grupo.

Na página da campanha, o coletivo informa que os recursos arrecadados serão destinados a despesas como passagens aéreas, hospedagem, alimentação, transporte, seguro-viagem e outros gastos relacionados à primeira circulação internacional. A meta publicada é de R$ 25 mil.


As contribuições podem ser feitas na plataforma Apoio Amigo. A campanha permanece aberta até outubro.


Glosa do Pajeú atravessa o Atlântico


A Mesa de Glosas é uma das principais marcas do Mulheres de Repente e uma modalidade da poesia oral de improviso ligada à tradição do Sertão do Pajeú. Sem acompanhamento de viola, as participantes recebem um mote no momento da apresentação e precisam construir os versos seguindo regras de métrica, ritmo e rima.


O site do coletivo aponta 20 de julho de 2013, em São José do Egito, como um marco para a entrada das mulheres nesse espaço. Segundo o registro do grupo, Elenilda Amaral e Dayane Rocha participaram naquela data de uma mesa idealizada pelo poeta Marcos Passos. Uma reportagem publicada pela Revista Continente em 2020 também situa em 2013 a primeira mesa com presença feminina e cita Mariana Teles ao lado de Elenilda e Dayane entre as primeiras participantes.


O Mulheres de Repente surgiu posteriormente como projeto voltado à presença feminina na poesia de improviso. O site oficial informa que a iniciativa começou em 2018 e passou a desenvolver apresentações, oficinas, pesquisas e outras ações de preservação e circulação da glosa.


Agora, a primeira turnê internacional do coletivo deve levar essa tradição do Pajeú a públicos de três cidades portuguesas. A campanha pode ser acompanhada pelo Apoio Amigo e as informações sobre a circulação são divulgadas pelo perfil @mulheres_de_repente.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Atua na cobertura factual do noticiário, com foco em apuração, checagem de informações e interesse público.

Por Michael Andrade, da redação do Portal O estopim | quinta-feira (6) | Fonte: Agência Brasil


Legislação amplia punições para produção, armazenamento e divulgação de conteúdo sexual envolvendo crianças e adolescentes e prevê agravantes para uso de IA, deepfakes e perfis falsos.


Foto:Bruno Peres
Foto:Bruno Peres

Uma nova lei sancionada nesta quinta-feira (6) amplia as penas para crimes relacionados à produção, divulgação e armazenamento de conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes e estabelece punições mais severas quando houver utilização de inteligência artificial (IA), deepfakes, perfis falsos, jogos online ou redes sociais. O texto havia concluído sua tramitação no Congresso Nacional em julho.


A legislação busca enfrentar novas formas de aliciamento e exploração sexual no ambiente digital, incluindo situações em que recursos tecnológicos são utilizados para enganar crianças e adolescentes ou produzir conteúdos manipulados.


Nos crimes de produção, reprodução, direção, fotografia, filmagem ou registro de conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes, assim como na venda ou exposição desse material, a pena, anteriormente de quatro a oito anos de reclusão, passa para quatro a dez anos.


Quando a venda ou exposição ocorrer pela internet ou por redes sociais, a punição poderá ser aumentada em um terço.


A lei também eleva de três a seis anos para quatro a dez anos a pena para quem oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar esse tipo de material.


Para quem adquirir, possuir ou armazenar conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes, a pena passa dos atuais um a quatro anos para três a seis anos de reclusão. A aplicação de multa, já prevista, foi mantida.


Uso de inteligência artificial agrava pena


Quando houver utilização de inteligência artificial na prática dos crimes, a pena poderá ser aumentada de um terço a dois terços. O mesmo agravamento será aplicado quando forem utilizados deepfakes, perfis falsos, jogos online ou redes sociais para o aliciamento de crianças e adolescentes.


O aumento também será aplicado quando o criminoso se aproveitar de uma relação de autoridade, cuidado, convivência pessoal ou familiar com a vítima.

Além do endurecimento das punições, a legislação estabelece medidas de assistência às vítimas. Crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência sexual terão direito a atendimento

psicológico e psicossocial individual, especializado, contínuo e integral.


Durante a sanção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que cabe ao Estado estabelecer mecanismos para responsabilizar quem utiliza recursos digitais e tecnológicos para cometer crimes.


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Por Murilo Alencar

20 de junho de 2026


O podcast Teoria Literária desta semana entra em uma das discussões mais inflamadas do mercado editorial contemporâneo: afinal, o BookTok está salvando ou destruindo a literatura?



Homem com óculos em fundo amarelo em HQ; texto: O Booktok está destruindo os livros e a literatura? Episódio 40
Capa do episódio 40 do Podcast Teoria Literária | Fonte: Reprodução/YouTube

Com o episódio “BookTok está destruindo a literatura? A verdade sobre livros virais, romantasy e algoritmo”, Raul Silva, jornalista, escritor e professor, analisa o fenômeno que transformou recomendações literárias em vídeos curtos, vendas expressivas, novas comunidades leitoras e também em alvo de críticas severas de professores, críticos literários e leitores mais tradicionais.


O ponto de partida do episódio é uma provocação: “E se a maior revolução literária do século XXI não veio da universidade, mas de vídeos de 30 segundos?”


A pergunta resume a tensão central da pauta. De um lado, o BookTok se consolidou como uma das maiores forças de descoberta de livros no mundo. De outro, cresce a preocupação de que a lógica algorítmica esteja reduzindo a experiência literária a fórmulas emocionais de consumo rápido.


Segundo divulgação do TikTok baseada em dados da NielsenIQ BookData e da Media Control, mais de 50 milhões de livros recomendados pela comunidade #BookTok foram vendidos na Europa em 2025, movimentando €800 milhões. A plataforma também afirma que mais de um terço dos leitores entre 16 e 39 anos descobre novos livros por meio do BookTok.


No Brasil, o fenômeno também ganhou escala. Levantamento publicado pelo PublishNews informou que publicações com as hashtags #BookTok e #BookTokBrasil cresceram 39% no primeiro semestre de 2025, com mais de 6 bilhões de visualizações no período e cerca de 12 mil vídeos semanais.


Assista ao episódio completo | Fonte: O estopim no YouTube

O episódio discute esse crescimento sem cair em respostas simplistas. A análise parte da ideia de que o BookTok não pode ser visto apenas como uma ameaça à leitura tradicional, mas também não deve ser romantizado como uma revolução neutra. O fenômeno amplia o acesso ao livro, mas ocorre dentro de uma plataforma orientada por retenção, engajamento e recomendação algorítmica.


A reflexão se apoia em três lentes teóricas. A primeira é a indústria cultural, conceito associado a Theodor Adorno e Max Horkheimer, usado para pensar como produtos culturais podem ser padronizados para consumo em massa. A segunda é a estética da recepção, especialmente a noção de horizonte de expectativas de Hans Robert Jauss, segundo a qual o leitor chega à obra com repertórios prévios que orientam sua interpretação. A terceira é a teoria de Pierre Bourdieu sobre capital simbólico, isto é, a disputa por autoridade cultural: quem tem poder para legitimar o que deve ser lido?


No episódio, Raul Silva argumenta que o BookTok desloca o poder da mediação literária. Antes, a recomendação passava principalmente pela escola, pela universidade, pela crítica especializada, pelas editoras, por livrarias e suplementos culturais. Agora, um vídeo emocional pode ter mais impacto sobre a venda de um livro do que uma resenha publicada em veículo tradicional.


Essa mudança, porém, não elimina hierarquias. Apenas desloca o centro da disputa. A autoridade do crítico perde espaço para a autoridade afetiva do influenciador; e a curadoria humana passa a conviver com a curadoria algorítmica.


O episódio também dedica atenção especial à romantasy, gênero híbrido entre romance e fantasia que se tornou um dos grandes símbolos do BookTok. A explosão de obras marcadas por dragões, reinos mágicos, casais intensos, cenas sensuais e estruturas de fantasia épica revela uma força de renovação do mercado, mas também uma tendência à repetição de fórmulas de sucesso.


O veredito do episódio é direto: o BookTok salva a circulação da literatura, mas pode destruir a complexidade da leitura se virar o único critério de valor.


A tese não é condenar livros virais nem ridicularizar jovens leitores. Pelo contrário: o episódio reconhece que a leitura também nasce do afeto, da identificação, do prazer, da catarse e da comunidade. A crítica se volta ao empobrecimento da experiência quando todo livro passa a ser julgado apenas pela capacidade de viralizar.



A abordagem segue os princípios editoriais do Grupo O estopim, que defendem método, transparência, distinção entre fato, análise e opinião, além do compromisso de evitar sensacionalismo e deformação da realidade para explorar medo, ódio ou preconceitos. O próprio documento editorial do grupo reforça que conteúdos opinativos preservam liberdade crítica, mas devem se apoiar em dados corretos, contextualizados e checados.


No encerramento, o episódio convida o público a participar do debate com uma pergunta simples e provocadora: qual livro viral do BookTok realmente valeu a pena — e qual foi pura propaganda algorítmica?


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Murilo Alencar é editor e crítico literário, com atuação em literatura comparada e sociologia da cultura. No O estopim, escreve sobre o que a vida literária revela do país: seus mecanismos de consagração, suas ausências e suas disputas por voz.

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