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Segurança

Por Michael Andrade, da redação de O Estopim | Fonte: Diário de Pernambuco/Fórum Brasileiro de Segurança Pública | quinta-feira (23)


Estado reduziu em 9,3% as mortes violentas intencionais em 2025, mas continua entre os cinco mais violentos do Brasil.


Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Pernambuco registrou a quinta maior taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) do Brasil em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).


De acordo com o levantamento, o estado contabilizou 33 mortes violentas para cada 100 mil habitantes, índice inferior ao registrado em 2024, quando a taxa foi de 36,4 por 100 mil habitantes, representando uma redução de 9,3%.


Apesar da queda, Pernambuco permanece entre os estados com os maiores índices de violência letal do país. À frente aparecem Amapá (42,5), Bahia (36,8), Ceará (34,7) e Alagoas (33,1).


O indicador de Mortes Violentas Intencionais reúne casos de homicídio doloso, latrocínio, feminicídio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.


Segundo o anuário, a taxa registrada em Pernambuco é a menor desde o início da série histórica, em 2012.

Brasil registra menor taxa de homicídios da série histórica


O levantamento aponta que o Brasil atingiu, pela primeira vez, a meta nacional de redução de homicídios prevista para 2027.


Em 2025, foram registrados 32.914 homicídios dolosos, o equivalente a uma taxa de 15,4 mortes por 100 mil habitantes, redução de 10% em comparação com o ano anterior.


Considerando todas as Mortes Violentas Intencionais, o país contabilizou 40.775 ocorrências, com taxa de 19,1 por 100 mil habitantes, uma queda de 8,2% em relação a 2024 e de 31% na comparação com 2012.

Apesar da redução dos homicídios, o Fórum alerta para o aumento dos casos de feminicídio e das mortes provocadas por intervenções policiais, considerados os principais desafios para a segurança pública brasileira.


Feminicídios aumentam em Pernambuco

O anuário também aponta crescimento da violência contra a mulher no estado.


Em 2025, Pernambuco registrou 88 feminicídios, contra 78 casos no ano anterior, aumento de 12,5%.

Já as tentativas de feminicídio apresentaram leve redução, passando de 156 registros em 2024 para 151 em 2025.


Confira a lista das 10 cidades com maior número de mortes violentas


  1. Maranguape (CE) - (100,3)

  2. Eunápolis (BA) - (85,1)

  3. Maracanaú (CE) - (80,7)

  4. Porto Seguro (BA) - (71,2)

  5. Simões Filho (BA) - (58,1)

  6. Jequié (BA) - (57,4)

  7. Caucaia (CE) - (56,6)

  8. Cabo de Santo Agostinho (PE) - (55,1)

  9. Santa Rita (PB) - (50,9)

  10. Juazeiro (BA) - (55,8)


Tráfico de drogas cresce


Outro dado destacado pelo levantamento é o aumento das ocorrências de tráfico de drogas em Pernambuco.


Foram 9.773 registros em 2025, contra 9.090 no ano anterior, crescimento de 7,3%.

Em contrapartida, os casos de posse e uso de drogas caíram 26,4%, passando de 15.823 ocorrências em 2024 para 11.678 em 2025.


Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essa redução pode estar relacionada às mudanças ocorridas após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o porte de maconha para uso pessoal.


Cabo de Santo Agostinho permanece entre os mais violentos


O município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, aparece como o oitavo mais violento do Brasil entre as cidades com mais de 100 mil habitantes.


A taxa registrada foi de 65,1 mortes violentas por 100 mil habitantes. Apesar disso, houve melhora em relação ao levantamento anterior, quando o município ocupava a quinta posição nacional.


O estudo aponta ainda que as dez cidades mais violentas do país estão localizadas na região Nordeste.


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Pesquisa ouviu 2.000 pessoas entre 13 e 17 de junho; decisão do governo Trump sobre PCC e CV divide opiniões no Brasil.



Por Raul Silva para O estopim | 26 de junho de 2026


Pesquisa Ipsos-Ipec mostra percepção dos brasileiros sobre decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas
Pesquisa Ipsos-Ipec mostra percepção dos brasileiros sobre decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas | Foto: IA Gemini

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta semana mostra que 54% dos brasileiros concordam, totalmente ou em parte, que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump de classificar as facções PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas representa uma intromissão em assuntos que dizem respeito apenas ao Brasil. Outros 35% discordam da afirmação, 4% não concordam nem discordam e 8% não sabem ou não responderam. O levantamento ouviu 2.000 pessoas entre 13 e 17 de junho, em 130 municípios, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.


O levantamento avaliou a percepção da população sobre os impactos da decisão norte-americana de enquadrar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas. A pesquisa indica que a preocupação com soberania nacional aparece ao lado de receios concretos sobre segurança pública, comunidades dominadas por facções e possíveis efeitos econômicos.


O maior percentual de preocupação aparece quando os entrevistados são questionados sobre moradores de áreas dominadas pelo PCC e pelo CV. Segundo a Ipsos-Ipec, 56% concordam que a medida coloca em risco a população dessas comunidades, enquanto 33% discordam, 2% não concordam nem discordam e 8% não sabem ou não responderam.


A pesquisa mostra um país dividido sobre a eficácia da medida. Para 48% dos entrevistados, a classificação das facções como organizações terroristas pode melhorar a segurança pública no Brasil. Outros 41% discordam, 3% não concordam nem discordam e 8% não opinaram.


Esse dado revela uma tensão no debate público. Parte da população vê a medida como pressão internacional contra o crime organizado. Outra parte teme que o enquadramento abra espaço para interferência externa, sanções, deslocamento de investigações e aumento do risco para comunidades onde o Estado já atua com dificuldade.


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O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou em 28 de maio a designação do PCC e do Comando Vermelho como Terroristas Globais Especialmente Designados e informou a intenção de classificá-los como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. O aviso formal entrou no Federal Register em 5 de junho.


A decisão integra a estratégia do governo Trump para ampliar o enquadramento de organizações criminosas latino-americanas como ameaças terroristas. Para Washington, a medida permite sanções financeiras e maior pressão sobre redes associadas às facções. Para Brasília, o ponto sensível é outro: quem define como o crime organizado brasileiro deve ser combatido dentro do território nacional.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu à decisão dos Estados Unidos e cobrou respeito à soberania brasileira. Segundo a Agência Brasil, Lula afirmou que o Brasil combate o PCC e o CV internamente, mas rejeita interferência estrangeira sobre temas nacionais.


A percepção registrada pela Ipsos-Ipec indica que a posição de defesa da soberania encontrou eco em parte majoritária da população. O dado de 54% não significa apoio automático ao governo Lula, mas mostra que a maioria dos entrevistados vê problema quando uma potência estrangeira classifica grupos criminosos brasileiros de modo unilateral.


A Ipsos-Ipec também perguntou sobre impactos econômicos. Segundo o instituto, 48% concordam que a medida representa ameaça aos recursos nacionais, enquanto 39% discordam. Sobre prejuízos à economia brasileira, 47% concordam e 41% discordam.


O Pix, porém, aparece com percepção menos alarmada. A CNN Brasil informou que 52% discordam que a decisão norte-americana possa ameaçar o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, enquanto 33% concordam com algum grau de risco.


Outro ponto delicado é a cooperação entre forças de segurança. A Ipsos-Ipec registrou divisão exata: 43% concordam que a medida pode atrapalhar o trabalho conjunto das polícias do Brasil e dos Estados Unidos, e 43% discordam.


O que acontece agora


A preocupação não é apenas teórica. A Reuters informou, no início de junho, que fontes brasileiras viam risco de a classificação como terrorismo dificultar a cooperação policial tradicional, deslocando parte das informações para estruturas de inteligência mais fechadas dos Estados Unidos.


A pesquisa reforça que o tema deve continuar no centro da disputa política e diplomática. O governo Lula tende a sustentar a defesa da soberania nacional e a cooperação internacional contra o crime, sem aceitar medidas unilaterais de Washington sobre a política interna brasileira.


No Congresso, o tema deve alimentar debates sobre segurança pública, relações exteriores, sanções financeiras, atuação de facções e limites da cooperação com os Estados Unidos.

Para a população, a pergunta central é menos ideológica e mais prática: a medida ajuda a combater o crime organizado ou aumenta riscos para o Brasil sem resolver o problema da segurança?


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, segurança, cultura e direitos, com foco em contexto, checagem e interesse público.

Ação no caso Americanas cumpre nove mandados no Rio e em São Paulo; Justiça autorizou sequestro de bens dos investigados.


Por Raul Silva para O estopim | 25 de junho de 2026



Fachada da Americanas em meio à investigação da Polícia Federal sobre suposta fraude contábil de R$ 54 bilhões
Lojas Americanas de Arcoverde PE - Praça da Bandeira, 10 - Centro, Arcoverde - PE, 56506-590 | Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga supostas fraudes contábeis na Americanas estimadas em aproximadamente R$ 54 bilhões. A ação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e cumpre nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.


Segundo a PF, os mandados incluem buscas pessoais. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.


A investigação aponta que os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos. Os fatos investigados envolvem operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada, conhecidos como VPC, supostamente contabilizados sem lastro econômico.


As apurações indicam, em tese, crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. Até a última atualização desta matéria, a nota oficial da PF não divulgava os nomes dos alvos da segunda fase.


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Embora a PF não tenha identificado os investigados na nota oficial, a Gazeta do Povo informou que Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira estão entre os alvos da ação. O ICL Notícias também publicou que Lemann e Sicupira foram alvos de busca e apreensão nesta fase.


Esse ponto exige cautela. A identificação feita por veículos de imprensa não substitui a manifestação oficial dos órgãos de investigação nem equivale a condenação. A apuração segue em andamento, e os citados têm direito ao contraditório e à presunção de inocência.


A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada em 27 de junho de 2024 para apurar a participação de ex-diretores da Americanas em fraudes contábeis que, segundo fato relevante divulgado pela própria companhia, chegavam a R$ 25,3 bilhões. Naquela etapa, a PF cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão no Rio de Janeiro.


Na primeira fase, a Justiça Federal também determinou o sequestro de bens e valores de ex-diretores que somavam mais de R$ 500 milhões. A investigação contou com apoio técnico da Comissão de Valores Mobiliários.


A PF afirmou, em 2024, que o caso envolvia suspeitas de risco sacado, VPCs inexistentes, manipulação de mercado, uso de informação privilegiada, associação criminosa e lavagem de dinheiro.


Risco sacado é uma operação financeira em que a varejista antecipa o pagamento a fornecedores por meio de bancos. O problema investigado pela PF é se essas operações teriam sido usadas de forma irregular na contabilidade da companhia.


VPC é a sigla para verba de propaganda cooperada, um incentivo comercial comum no varejo. No caso Americanas, a PF investiga se contratos de VPC teriam sido registrados sem lastro econômico, ou seja, sem correspondência real com operações comerciais válidas.


A Americanas afirmou anteriormente que foi vítima de fraude praticada pela antiga diretoria e que confiava nas autoridades para responsabilizar judicialmente os envolvidos.


Em manifestações anteriores, acionistas de referência negaram envolvimento na fraude e disseram confiar nas autoridades. Até a conclusão desta matéria, O estopim não havia localizado manifestação pública específica dos citados sobre a segunda fase deflagrada nesta quinta-feira.


A segunda fase eleva a pressão sobre um dos maiores escândalos corporativos do país. O salto da estimativa investigada, de R$ 25,3 bilhões na primeira fase para cerca de R$ 54 bilhões agora, amplia as dúvidas sobre a governança da companhia, a atuação de auditorias, a fiscalização do mercado e o papel de bancos e administradores no período investigado.


O caso também expõe uma questão de interesse público: como uma companhia listada em Bolsa, com auditoria, conselho, bancos credores e obrigação de transparência ao mercado, acumulou suspeitas desse tamanho sem que o problema fosse detectado antes.


O que acontece agora


A PF deve analisar documentos, celulares, computadores e demais materiais apreendidos. O MPF poderá pedir novas diligências, oferecer denúncia ou arquivar partes da apuração, conforme o conjunto de provas.


Os bens sequestrados permanecem vinculados ao processo, dentro do limite autorizado pela Justiça. A medida não significa condenação, mas busca preservar valores para eventual reparação futura, caso a responsabilidade criminal seja comprovada.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, economia, poder público e interesse social, com foco em contexto, checagem e responsabilidade editorial.

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