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Defesa de Flávio Bolsonaro fez quatro pedidos para levar “Dark Horse” a André Mendonça; cronologia inclui encontro com Vorcaro e embate com a PF.


Por Raul Silva para O estopim |

14 de setembro de 2026


Ministro André Mendonça durante sessão do STF, em reportagem sobre pedidos da defesa de Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse.
Quatro pedidos da defesa de Flávio Bolsonaro, um encontro reservado com Daniel Vorcaro e uma disputa que agora atravessa a crise do STF. | Foto: Nelson Jr./SCO/STF

Em julho de 2026, a defesa do senador Flávio Bolsonaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal ao menos quatro pedidos para retirar de Flávio Dino uma frente da investigação sobre o filme Dark Horse e concentrá-la com André Mendonça. Os advogados alegaram prevenção e risco de decisões conflitantes. Os requerimentos foram protocolados antes de se tornar público que Mendonça havia recebido Daniel Vorcaro reservadamente, em março de 2025, no Instituto Iter, em São Paulo.


Depois, já à frente de investigações ligadas ao Banco Master, o gabinete de Mendonça voltou a ouvir Vorcaro, dessa vez sem a presença da Polícia Federal.


A sequência passou a integrar o conflito institucional dentro do próprio Supremo. Em decisão na PET 16.669, Flávio Dino questionou não apenas a competência de atos do colega, mas a possibilidade de Mendonça decidir sobre relatórios policiais que também o mencionavam.


A controvérsia ganhou outro elemento nesta segunda-feira, 14 de setembro. A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Transparência e cumpriu mandados contra Cezinha de Madureira, um dos articuladores do encontro entre Vorcaro e Mendonça.


Quatro pedidos para levar “Dark Horse” a André Mendonça


A Folha de S.Paulo revelou que os advogados de Flávio Bolsonaro apresentaram quatro pedidos ao Supremo em julho para concentrar as investigações sobre o filme nas mãos de André Mendonça, ministro indicado ao STF por Jair Bolsonaro.


Em um dos documentos, a defesa sustentou que, “dos seis processos autuados” relacionados ao caso, apenas um não estava sob a relatoria de Mendonça. Também acusou a distribuição para Dino de “manipulação artificial de competência”.


Os requerimentos foram apresentados antes de se tornar público que Mendonça havia recebido Vorcaro reservadamente em São Paulo.


O encontro fora do Supremo


André Mendonça confirmou que recebeu Daniel Vorcaro em 14 de março de 2025, no Instituto Iter, instituição privada fundada pelo ministro. O encontro não ocorreu no Supremo e não constou de agenda pública.


A reunião foi articulada pelo deputado Cezinha de Madureira e pelo advogado Ciro Rocha Soares, que atuava para Vorcaro.


Segundo Mendonça, a conversa durou entre 20 e 30 minutos e teve como assunto uma disputa sobre precatórios de interesse do Banco Master. O ministro afirmou que se limitou a ouvir o empresário e que, posteriormente, sua posição no processo foi contrária ao interesse defendido por Vorcaro.


O encontro aconteceu cerca de um ano antes de Mendonça assumir papel central nas investigações envolvendo o Master.


A conexão voltou formalmente aos autos em setembro. Na página 9 da decisão da PET 16.669, Flávio Dino registrou a reunião ao discutir a atuação de Mendonça.


“Mais grave se torna essa interferência [...] quando, recentemente, veio a lume a informação de que o Ministro André Mendonça teria recebido [...] o Sr. Daniel Vorcaro.”

Dino não afirmou que o encontro resultou em favorecimento. Colocou, porém, a reunião diretamente dentro da discussão sobre competência e atuação judicial e, na página seguinte, classificou a situação como “complexa”, exigindo da magistratura “moderação, equilíbrio e prudência”.


Vorcaro voltou a ser ouvido pelo gabinete de Mendonça


Em 27 de agosto de 2026, quando Mendonça já comandava investigações ligadas ao Master, Daniel Vorcaro foi ouvido por um juiz auxiliar de seu gabinete.


O depoimento contou com representante do Ministério Público, mas não teve integrantes da Polícia Federal.


O gabinete confirmou o procedimento e afirmou que a própria defesa de Vorcaro havia pedido uma audiência urgente porque o ex-banqueiro relatava “graves intimidações”.


A justificativa apresentada para a ausência da PF foi justamente o teor das acusações. Segundo a versão divulgada pelo gabinete, as intimidações envolviam policiais.


Reportagens posteriores informaram que Vorcaro mencionou Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, durante seus relatos. Fontes ouvidas pela CNN disseram que o ex-banqueiro afirmou que uma tentativa de delação teria encontrado obstáculos porque poderia envolver o chefe da PF.


Poucos dias depois, Mendonça tomou uma das decisões que aprofundaram a crise institucional no Supremo.


Mendonça afastou o diretor-geral da PF


Na PET 16.662, André Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e de Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial.


A decisão também ordenou a suspensão da produção, elaboração ou compartilhamento, inclusive internamente, de relatórios de inteligência destinados à análise de determinados atos praticados por integrantes do Judiciário, da advocacia pública e da própria polícia.


A ordem aparece reproduzida na página 5 da decisão de Flávio Dino na PET 16.669. É nesse ponto que Dark Horse deixa de aparecer apenas como um caso paralelo.


A decisão atingia concretamente a investigação do filme


Andrei Rodrigues recorreu a Flávio Dino e sustentou que sua retirada do comando da PF prejudicava diretamente trabalhos em andamento na própria PET 16.669.


Na página 3 da decisão, Dino registra que a Polícia Federal havia acabado de obter acesso ao material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação sobre empresas relacionadas às emendas parlamentares e ao filme Dark Horse.


Segundo o documento, o afastamento do diretor-geral interferia na organização da equipe responsável pelas investigações, retardava o acesso ao material e comprometia a atuação célere da instituição.


A PF investigava emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, organizações presididas por Karina Ferreira da Gama.


A representação policial relacionava Karina à produção de Dark Horse e descrevia vínculos financeiros e empresariais que estavam sendo aprofundados pela investigação.


Na página 7, Dino reproduziu trechos da investigação policial que identificavam Karina como empresária ligada à produção do filme e registravam que o Instituto Conhecer Brasil recebeu recursos provenientes de emendas parlamentares.


Assim, quando Mendonça afastou integrantes da direção da PF e atingiu a produção de relatórios de inteligência, uma das investigações alcançadas pela crise era justamente a frente de Dark Horse conduzida por Dino.


“Interessa, sobretudo, aos investigados”


Na página 4 da decisão, Dino analisou o efeito objetivo da interrupção das investigações.


“É evidente que, objetivamente, a interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessa, sobretudo, aos investigados.”

Dino separou efeito e intenção. Não atribuiu dolo, mas sustentou que a consequência objetiva da interrupção beneficiava quem estava sendo investigado.


Mais adiante, na página 15, afirmou que a suspensão determinada por Mendonça poderia atingir “quiçá centenas de investigações” e destacou a importância das funções exercidas por Andrei Rodrigues e Leandro Almada para a continuidade dos trabalhos de inteligência da PF.


Dino questiona se Mendonça poderia decidir sobre relatórios que o mencionavam


Nas páginas 8 e 9 da PET 16.669 está um dos pontos mais sensíveis da controvérsia.

Dino lembrou que a Presidência do STF havia aberto a PET 16.704 para examinar relatórios da Polícia Federal que mencionavam, entre outras autoridades, o próprio André Mendonça.

Em seguida, questionou:


“Uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?”

Dino também escreveu que direitos eventualmente invocados por Mendonça não poderiam fundamentar uma “decisão em causa própria” com efeito de paralisar investigações e trabalhos policiais.


É nesse mesmo bloco argumentativo que aparece a referência ao encontro particular entre Mendonça e Vorcaro.


A discussão, portanto, deixou de existir apenas no campo da interpretação jornalística. Um ministro do Supremo registrou formalmente nos autos a questão sobre a possibilidade de Mendonça decidir a respeito de material que também o mencionava.


O celular de Vorcaro abriu outra frente de conflito


No domingo, 13 de setembro, Mendonça se posicionou contra a abertura indiscriminada da íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro naquele momento.


Argumentou que a medida poderia tumultuar o julgamento, desviar o foco e prejudicar investigações em andamento.


Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes passaram a cobrar acesso integral ao material.


Zanin ressaltou que não existe hierarquia entre os ministros do STF. Gilmar Mendes criticou a disponibilização apenas de “recortes de diálogos”.


O aparelho de Vorcaro é uma das fontes dos registros que revelaram contatos do ex-banqueiro com diferentes autoridades, entre eles o encontro de 2025 envolvendo Mendonça.


Os quatro pedidos de Flávio reaparecem no centro da cronologia


Quando os advogados de Flávio Bolsonaro tentaram concentrar Dark Horse em Mendonça, o encontro reservado com Vorcaro ainda não era de conhecimento público.


Também não havia ocorrido a crise que terminaria com Mendonça afastando o diretor-geral da Polícia Federal e suspendendo relatórios de inteligência.


A defesa sustentava uma questão processual: prevenção e risco de decisões conflitantes. A cronologia, porém, coloca uma pergunta de interesse público: por que houve quatro tentativas para retirar de Dino justamente a frente das emendas parlamentares e colocá-la sob o ministro que já concentrava os demais procedimentos relativos ao filme?


Os quatro requerimentos, isoladamente, não respondem à pergunta. Agora, entretanto, eles fazem parte de uma sequência que reúne o encontro reservado entre Mendonça e Vorcaro, a oitiva extraordinária do ex-banqueiro sem a PF, a posterior ordem contra a cúpula policial e a constatação formal de Dino de que a medida atingia trabalhos ligados ao caso Dark Horse.



Cezinha de Madureira vira alvo da PF


Nesta segunda-feira, 14 de setembro, a Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Transparência e cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo.


Cezinha de Madureira, um dos articuladores do encontro entre Vorcaro e Mendonça, está entre os alvos.


Segundo a PF, a investigação apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro relacionados à suspeita de negociação de valores para influenciar resultados de processos.


A operação foi autorizada por Flávio Dino. A Polícia Federal ressaltou que, até agora, não há elementos indicando participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos investigados.

A operação não transforma o encontro de 2025 em crime.


Acrescenta, porém, um novo fato objetivo à cronologia: um dos responsáveis por aproximar Vorcaro de Mendonça passou a ser investigado pela PF por suspeitas relacionadas a tráfico de influência e processos judiciais.


O que acontece agora?


O Plenário do STF tem sessão extraordinária marcada para 15 de setembro para examinar a crise aberta em torno da PET 16.662 e das decisões conflitantes envolvendo a direção da Polícia Federal.


No caso Dark Horse, permanecem em discussão a competência sobre as diferentes frentes, o acesso ao material investigativo e a continuidade das apurações.


Há ainda duas perguntas centrais deixadas pela cronologia.


A primeira é institucional: depois do encontro privado com Vorcaro, da nova oitiva do ex-banqueiro, das decisões envolvendo a direção da PF e da existência de relatórios que também mencionam o ministro, quais são as condições objetivas para André Mendonça continuar conduzindo frentes relacionadas ao mesmo núcleo investigativo?


A segunda está diretamente ligada a Dark Horse: por que a defesa de Flávio Bolsonaro insistiu quatro vezes para que justamente essa investigação saísse das mãos de Flávio Dino e fosse concentrada em André Mendonça?


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na produção de reportagens, análises e conteúdos de interesse público para as plataformas do portal.

Bia Kicis, Marcos Pollon, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem direcionaram emendas para projetos da Academia Nacional de Cultura, presidida por Karina Gama, empresária que controla a produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Documentos do STF, da Polícia Federal e da CGU reconstroem uma teia de relações políticas, empresariais e financeiras em torno das entidades ligadas à empresária.


Por Raul Silva para O estopim |

13 de setembro de 2026


Quatro nomes do PL, R$ 3,6 milhões e a produtora de Dark Horse: documentos expõem o mesmo núcleo
Quatro nomes do PL, R$ 3,6 milhões e a produtora de Dark Horse: documentos expõem o mesmo núcleo | Foto: Reprodução

A investigação sobre o ecossistema de entidades e empresas comandado por Karina Ferreira da Gama abriu uma frente que ultrapassa a discussão sobre a origem dos recursos empregados na produção de Dark Horse. Documentos do Supremo Tribunal Federal, relatórios da Controladoria-Geral da União e peças incorporadas ao inquérito policial mostram que quatro parlamentares do PL, Bia Kicis, Marcos Pollon, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem, direcionaram emendas para projetos que tinham como beneficiária a Academia Nacional de Cultura, a ANC, presidida pela mesma empresária que controla a Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia de Jair Bolsonaro.


Os documentos também mostram que os quatro nomes aparecem em diferentes etapas da apuração e por caminhos administrativos distintos.


Na PET 16.669, que concentra a etapa mais recente da investigação sob relatoria do ministro Flávio Dino, Bia Kicis e Marcos Pollon aparecem nominalmente na descrição da chamada “plataforma indiciária”.


A decisão reproduz a informação de que o inquérito instaurado pela Polícia Federal tinha entre seus objetos as emendas nº 202444200010, de Pollon, e nº 202439190003, de Kicis, além de duas emendas apresentadas por Mário Frias.


Na página 5, o documento identifica também os valores e o projeto escolhido pelos parlamentares. Marcos Pollon destinou R$ 1 milhão e Bia Kicis, R$ 150 mil, por intermédio do Governo de São Paulo, para o projeto Heróis Nacionais.


O documento registra:


“não tendo havido, até a presente data, repasse de qualquer valor a essa entidade, em razão de óbices normativos e técnicos”

A entidade mencionada é a Academia Nacional de Cultura.


Na sequência, a Polícia Federal destaca outro elemento da operação das emendas. Pollon foi eleito por Mato Grosso do Sul e Kicis pelo Distrito Federal, enquanto as duas indicações foram direcionadas para São Paulo.


Segundo a representação reproduzida pelo STF, a situação “revela aparente desconformidade com a exigência de absoluta vinculação federativa”.


A ANC, o Instituto Conhecer Brasil e a Go Up aparecem na mesma investigação dark horse


A PET 16.669 detalha a estrutura empresarial e institucional analisada pelos investigadores.

Na página 17, a Academia Nacional de Cultura é descrita como organização presidida por Karina Gama e beneficiária das emendas apresentadas por Pollon e Kicis.


O documento registra que essas emendas “não tiveram execução financeira” e acrescenta uma informação central para compreender por que a Polícia Federal passou a examinar diferentes pessoas jurídicas em conjunto.


Segundo a decisão, a ANC:


“Compartilha integrantes, procuradores e administradores com o Instituto Conhecer Brasil, integrando a mesma estrutura de gestão e execução dos projetos financiados com recursos públicos.”

Logo depois, a documentação começa a descrever a Go Up Entertainment.


Na página seguinte, a empresa aparece vinculada diretamente a Karina Gama e é identificada de maneira explícita como “Produtora do filme Dark Horse”.


A representação policial também sustenta que a Go Up recebeu recursos de pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado, circunstância apontada pelos investigadores como indicativo de “possível integração patrimonial e operacional com as entidades beneficiárias das emendas parlamentares”.


A documentação policial estabelece, portanto, a ponte que passou a ser rastreada entre as entidades escolhidas para executar projetos financiados com recursos públicos e a empresa responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro.


No caso específico das emendas de Pollon e Kicis, os autos registram que os valores não foram transferidos à ANC.


O dinheiro chegou ao Governo de São Paulo, mas a contratação da ANC não avançou


A sequência documental ajuda a compreender a diferença entre cifras e informações que apareceram em diferentes momentos da investigação.


Peças mais antigas incorporadas ao inquérito paulista reproduzem reportagem segundo a qual a ANC “já havia recebido R$ 2,6 milhões em emendas Pix” apresentadas por Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon para a série Heróis Nacionais.


O trecho foi incorporado ao Inquérito Policial nº 2104062-06.2026.900842 e cita nominalmente os quatro parlamentares.


A documentação oficial produzida posteriormente detalhou o caminho administrativo desses recursos.


A PET 16.669 registra a inexistência de repasse das emendas de Pollon e Kicis à Academia Nacional de Cultura. A auditoria da CGU, divulgada em setembro, mostra que as verbas foram transferidas para o Governo de São Paulo, mas que a contratação da ANC não chegou a ser concluída.


O governo paulista informou a existência de “impedimentos técnico-jurídicos” e abandonou a execução dos projetos.


Assim, as emendas foram destinadas a projetos que tinham a ANC como entidade executora, os recursos chegaram ao Estado de São Paulo e a parceria não se concretizou.


Zambelli e Ramagem aparecem em outra camada da documentação


Carla Zambelli e Alexandre Ramagem aparecem em uma trajetória documental diferente daquela registrada para Kicis e Pollon na PET 16.669.


Os dois já surgiam em março na ADPF 854, quando Flávio Dino reproduziu uma representação apresentada pela deputada Tabata Amaral.


A peça mencionava aproximadamente R$ 2,6 milhões em emendas Pix destinadas à ANC por Ramagem, Zambelli, Kicis e Pollon.


O documento afirmava que a concentração das indicações na mesma organização evidenciava uma “convergência de interesses que demanda análise cautelosa”.


Naquele despacho, Dino determinou a intimação nominal de Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon, além da Câmara dos Deputados. Ramagem e Zambelli apareciam no histórico das emendas citado na documentação.


Meses depois, a posição dos dois ganhou uma dimensão documental mais ampla. Em relatório produzido em julho e encaminhado ao ministro Flávio Dino, a Controladoria-Geral da União identificou seis repasses de emendas de cinco deputados para entidades vinculadas a Karina Gama.


No recorte específico da Academia Nacional de Cultura, o órgão consolidou aproximadamente R$ 3,6 milhões provenientes de quatro parlamentares, destinados a dois projetos: Heróis Nacionais: Filhos do Brasil que não se rende e o espetáculo musical Amor Ainda É Tudo.


Segundo a auditoria, Carla Zambelli respondeu por R$ 2 milhões e Alexandre Ramagem por R$ 500 mil.


O restante correspondia às indicações de Marcos Pollon e Bia Kicis. Também nesses casos, os recursos foram encaminhados ao Governo de São Paulo e a parceria com a ANC não foi concluída.


A CGU classificou os planos de trabalho como insuficientemente elaborados, enquanto o governo estadual apontou obstáculos técnico-jurídicos para a execução.


Os números diferentes presentes nos documentos correspondem a recortes distintos. Os R$ 2,6 milhões divulgados inicialmente estavam associados ao conjunto de indicações para Heróis Nacionais. A auditoria posterior da CGU ampliou o universo analisado, reuniu dois projetos vinculados à ANC e chegou ao montante aproximado de R$ 3,6 milhões.


Quatro gabinetes e uma mesma entidade


É nesse ponto que a investigação passa da análise individual das emendas para uma questão política mais ampla.


Em um intervalo próximo, quatro parlamentares do mesmo campo político escolheram a mesma organização presidida por Karina Gama para projetos culturais que somavam milhões de reais.


Ao mesmo tempo, outra empresa controlada pela empresária produzia Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.


Dentro dos autos, a Academia Nacional de Cultura não aparece isoladamente. A Polícia Federal situa a ANC em uma estrutura de gestão compartilhada com o Instituto Conhecer Brasil, ICB.


A Go Up Entertainment também aparece vinculada a Karina Gama e é descrita na representação como empresa com possível integração patrimonial e operacional com as entidades beneficiárias das emendas parlamentares.


A própria PET registra que a investigação federal passou a aprofundar vínculos societários, doações eleitorais e relações entre fornecedores, empresas e personagens políticos.


A pergunta que emerge dos documentos é direta: como quatro gabinetes chegaram à mesma entidade?


Quem apresentou a Academia Nacional de Cultura aos parlamentares? Quem encaminhou o projeto Heróis Nacionais? Quem solicitou as emendas? Quais reuniões ocorreram antes das indicações? Houve uma apresentação comum do projeto aos gabinetes?


Essas perguntas passaram a ocupar o centro da apuração porque a convergência não envolve apenas parlamentares de um mesmo partido. Ela ocorre em torno de uma organização comandada por uma empresária que também controla a produtora responsável por uma obra cinematográfica sobre a principal liderança política desse mesmo campo.


A relação de Mário Frias com Karina Gama


A documentação também registra uma relação mais extensa entre Mário Frias e Karina Gama.


Karina participou da campanha de Frias. Empresa ligada à empresária prestou serviços eleitorais ao parlamentar e entidades sob seu comando receberam emendas apresentadas por ele.


Essa conexão aparece de maneira detalhada nos autos e integra a frente de apuração sobre vínculos societários, eleitorais, empresariais e políticos relacionados às entidades investigadas.


O avanço sobre comunicações, documentos eletrônicos, registros de reuniões e materiais apreendidos pela Polícia Federal pode determinar se as indicações feitas por diferentes gabinetes resultaram de decisões independentes ou de algum mecanismo comum de apresentação e captação de recursos. É essa resposta que pode definir a dimensão política do caso.


O que dizem os citados


Marcos Pollon afirma que sua emenda era destinada exclusivamente ao projeto Heróis Nacionais e que, diante da impossibilidade de execução, solicitou o cancelamento e o redirecionamento do valor para uma instituição oncológica.


Bia Kicis nega relação entre sua emenda e a produção de Dark Horse e afirma que o recurso tinha como destino o projeto cultural.


Reportagem do UOL também registra que Kicis, Pollon e Zambelli negaram ao STF irregularidades ou intenção de direcionar os recursos para o filme.


Karina Gama nega que dinheiro proveniente de emendas parlamentares tenha financiado Dark Horse.


Em entrevista divulgada neste domingo, 13 de setembro, afirmou que a produção cinematográfica não recebeu recursos públicos.


O que já está documentado é a convergência: quatro nomes do PL direcionaram emendas para projetos ligados à Academia Nacional de Cultura, presidida pela mesma empresária que controla a produtora responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro.


O próximo capítulo depende de uma pergunta que vai além dos valores individuais de cada emenda: quem construiu a ponte entre esses gabinetes e a ANC?


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Raul Silva é jornalista político sênior de O estopim e especialista em Ciências Políticas. Atua na cobertura do poder, das instituições brasileiras, das relações entre política e sociedade e dos mecanismos de financiamento e articulação que atravessam o Estado.

PGR mandou rastrear propostas apresentadas ou apoiadas pelo senador que poderiam beneficiar o Banco Master e Daniel Vorcaro. A Polícia Federal documenta Flávio Bolsonaro como interlocutor direto na negociação do financiamento de Dark Horse. Em outro relatório, investigadores descrevem Vorcaro monitorando autoridades, obtendo informações sigilosas e tentando influenciar agentes públicos. Agora, uma pergunta pode mudar definitivamente o tamanho do caso: houve contrapartida política aos milhões destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro?


Por Raul Silva para O estopim |

13 de setembro de 2026


R$ 134 milhões e Dark Horse: o que Vorcaro esperava de Flávio Bolsonaro?
R$ 134 milhões e Dark Horse: o que Vorcaro esperava de Flávio Bolsonaro? | Reprodução/Brasil 247

Há um ponto em que o caso Dark Horse deixa de ser apenas uma investigação sobre dinheiro e passa a atingir diretamente o exercício do poder político.


A existência da negociação financeira entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro já ultrapassou o terreno da revelação jornalística. Documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal, registram Flávio como interlocutor direto nas tratativas para um aporte previsto de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões pela cotação utilizada quando o caso veio a público.


A apuração aponta que pelo menos US$ 12,3 milhões foram efetivamente enviados. Mas o estopim político da investigação está em outra pergunta.


Não se trata mais apenas de saber quem pediu o dinheiro, quanto foi negociado ou por quais estruturas financeiras os recursos circularam. A própria PGR passou a procurar a outra ponta da relação: o que Daniel Vorcaro poderia receber da atividade parlamentar de Flávio Bolsonaro?


Em manifestação apresentada em julho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o levantamento das proposições legislativas apresentadas ou apoiadas por Flávio e pelo deputado Mário Frias que pudessem interessar ao Banco Master, a empresas vinculadas à instituição ou aos seus controladores, especialmente Vorcaro.


O documento afirma que era necessário aprofundar a apuração sobre eventual “prática de ato típico da função parlamentar” relacionada, numa lógica de causa e efeito, ao negócio cinematográfico.


Traduzido do vocabulário jurídico para a linguagem política, a investigação procura saber se existiu contrapartida.



Flávio Bolsonaro aparece como interlocutor direto


O relatório da Polícia Federal coloca Flávio Bolsonaro no centro das tratativas financeiras relacionadas ao filme. Segundo os investigadores:

“Tais elementos indicam que o senador Flávio Nantes Bolsonaro não aparece apenas como terceiro mencionado [...] mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro.”

A PF registra cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das filmagens pelo senador.


A cronologia documentada começa em dezembro de 2024. Thiago Miranda organizou uma reunião entre Vorcaro e Flávio, em Brasília, para discutir o chamado “filme do presidente”. Mário Frias participaria do encontro.


Em janeiro de 2025, segundo os documentos, Flávio já pressionava, por intermédio de Miranda, para que o primeiro aporte fosse liberado. Posteriormente, a interlocução passou a ocorrer diretamente entre o senador e o banqueiro.


Em setembro, Flávio enviou um áudio cobrando pagamentos atrasados e mencionando o risco de inadimplência com integrantes norte-americanos da produção.


Em novembro, pouco antes da primeira prisão de Vorcaro, escreveu:


“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”

Na sequência, pediu que o banqueiro lhe desse “uma luz”.


O Intercept Brasil revelou inicialmente que o compromisso financeiro poderia chegar a US$ 24 milhões. Documentos divulgados posteriormente pela investigação confirmaram o valor previsto no acordo e a existência de remessas milionárias destinadas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.


Flávio também reconheceu ter se encontrado com Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro, afirmando que a reunião teve como objetivo encerrar a participação dele no projeto cinematográfico.


O modo de atuação atribuído a Vorcaro pela PF


É neste ponto que outra peça da investigação envolvendo o Banco Master amplia o peso da pergunta feita pela PGR.


A Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 1020625/2026, produzida pela Polícia Federal a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, não trata especificamente da negociação de Dark Horse. O relatório, porém, descreve a forma como o banqueiro e pessoas de seu entorno teriam atuado em outras frentes.


Nas considerações finais, à página 122, a PF registra:


“As mensagens evidenciam que havia acesso recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central.”

O documento acrescenta que informações eram obtidas por meio de acessos funcionais de terceiros e consultas não autorizadas.


Nas páginas seguintes, a análise policial avança sobre outro terreno. A PF afirma ter identificado “tentativas de influenciar agentes públicos” e registra que Vorcaro monitorava autoridades, possuía informações internas atribuídas a servidores do Banco Central e, antes de uma operação policial, já sabia qual juiz e qual vara estavam responsáveis pelo procedimento, informação que ainda não era pública.


Na síntese dedicada ao banqueiro, a PF afirma que Vorcaro “monitorava autoridades”, “manipulava imprensa” e “tentava influenciar agentes públicos”.


Esse conjunto probatório não estabelece, por si só, que Flávio Bolsonaro tenha realizado atos desse tipo em benefício de Vorcaro. Ele explica, contudo, por que descobrir a existência ou não de uma contrapartida parlamentar se tornou uma diligência central.


Em outro braço da investigação, a própria Polícia Federal atribui a Vorcaro uma estratégia de obtenção de influência, informações e acesso a estruturas públicas.


Banco Central e BRB estavam entre os interesses do Master


Os interesses institucionais e regulatórios de Vorcaro também aparecem explicitamente nos documentos.


A página 97 da IPJ-A descreve mensagens relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília, o BRB.


Segundo a PF, Vorcaro ordenou a publicação de comentários em massa para produzir a percepção pública de que a operação havia sido bem-sucedida. Na página 99, surge nova ordem para produzir comentários favoráveis à negociação.


A partir da página 100, o relatório abre um capítulo intitulado “Monitoramento de autoridades, tentativa de influência sobre agentes públicos, obstrução à Justiça e plano de fuga”.


A Polícia Federal relata que Vorcaro mantinha registros sobre uma reunião sigilosa entre policiais federais e servidores do Banco Central envolvendo o Master.


BRB, Banco Central, decisões judiciais e autoridades responsáveis pelas investigações estavam, portanto, entre os temas acompanhados pelo banqueiro.


O ponto que a investigação precisa estabelecer é se algum pedido relacionado a esses interesses foi dirigido a Flávio Bolsonaro e se houve alguma ação funcional do senador ligada a essa eventual solicitação.


É exatamente esse espaço que a PGR decidiu investigar ao determinar o levantamento dos atos parlamentares.


Thiago Miranda liga dois circuitos


Há ainda uma personagem que atravessa dois núcleos importantes da história. Thiago Miranda foi o intermediário que aproximou Flávio Bolsonaro de Daniel Vorcaro e participou das cobranças e da operacionalização do financiamento de Dark Horse.



As mensagens registram Miranda organizando a primeira reunião e transmitindo cobranças feitas por Flávio.


Meses depois, seu nome apareceu em outra frente da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal passou a investigá-lo por participação no chamado “Projeto DV”, uma operação de comunicação que teria contratado influenciadores para defender o Banco Master, atacar o Banco Central e pressionar críticos da instituição.


Miranda admitiu à polícia a contratação de influenciadores, embora tenha negado que existisse orientação para atacar dirigentes do BC.


O ponto de conexão é objetivo: o homem que participou da ponte financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro também apareceu na estrutura montada para defender os interesses do Master diante da crise envolvendo o Banco Central.


A relação entre esses dois circuitos é uma das peças que ajudam a explicar por que o caso deixou de ser apenas uma controvérsia sobre patrocínio cinematográfico.


Vorcaro também buscava interlocução no Supremo


Outra decisão juntada aos autos acrescenta uma dimensão institucional à rede de relações do banqueiro.


Na PET 16.669, página 9, o ministro Flávio Dino registrou a informação de que André Mendonça teria recebido Vorcaro para uma reunião nas dependências de uma empresa privada quando o banqueiro já figurava em investigação submetida ao ministro. Dino escreveu:


“o Ministro André Mendonça teria recebido [...] o Sr. Daniel Vorcaro, investigado em autos de sua própria competência.”

A decisão acrescenta que o encontro teria sido intermediado por pessoas também mencionadas em investigações judiciais.


O documento não relaciona aquela reunião diretamente a Flávio Bolsonaro. O episódio, porém, acrescenta mais um elemento ao retrato institucional de um banqueiro que mantinha interlocução em centros onde decisões relevantes para seus negócios poderiam ser tomadas.


Uma segunda investigação alcança o próprio filme


O problema de Dark Horse não se limita ao dinheiro atribuído a Vorcaro. Paralelamente, a PET 16.669 reúne investigação envolvendo emendas parlamentares, o Instituto Conhecer Brasil e empresas relacionadas à produção do filme.



Na página 7 de uma decisão de 150 páginas, o STF registra que Karina Gama é ligada à produção de Dark Horse, mantinha proximidade política com Mário Frias e que uma empresa de sua propriedade prestou serviços à campanha do parlamentar antes de o ICB receber recursos provenientes de emendas de sua autoria.


O inquérito paulista incorporado à PET contém ainda referência à reportagem intitulada “ÁUDIO: Mario Frias agradeceu Daniel Vorcaro por apoio a filme sobre Jair Bolsonaro”, nas folhas 157.



"SÓ TE AGRADECER, MEU IRMÃO": Mario Frias agradeceu Vorcaro por apoio a filme sobre Jair Bolsonaro | Fonte: YouTube/The Intercept Brasil

O documento informa que a mensagem de voz foi enviada em 11 de dezembro de 2024, na mesma data da reunião marcada entre Vorcaro e Flávio.


Nas folhas 159, o mesmo caderno policial registra a reportagem sobre “Os áudios de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro”.


O material referente à relação entre o banqueiro e o núcleo político da produção cinematográfica terminou, assim, incorporado formalmente aos autos de uma investigação hoje submetida ao Supremo.


A pergunta de R$ 134 milhões


Até aqui, a documentação pública avançou muito mais sobre o circuito financeiro do que sobre uma eventual contrapartida política.


  • Há reuniões.

  • Há mensagens.

  • Há cobranças.

  • Há um compromisso financeiro de até US$ 24 milhões.

  • Há milhões de dólares efetivamente remetidos aos Estados Unidos.

  • Há um intermediário comum.

  • Há manifestações pessoais de proximidade.

  • Há, em outro relatório da Polícia Federal, a descrição de Vorcaro como alguém que buscava informações internas, monitorava autoridades e tentava exercer influência sobre agentes públicos.


Agora falta esclarecer a outra ponta.


  • Daniel Vorcaro pediu alguma coisa a Flávio Bolsonaro?

  • Contato com o Banco Central?

  • Interlocução sobre o BRB?

  • Reunião com alguma autoridade?

  • Atuação no Senado?

  • Proposta legislativa?

  • Pressão política?

  • Acesso a ministro?

  • Intervenção diante de investigadores?

  • Manifestação pública capaz de favorecer o banco?


A PGR transformou essas perguntas em diligência investigativa quando pediu o levantamento das propostas legislativas de Flávio Bolsonaro e Mário Frias que poderiam interessar ao Master, às empresas vinculadas ao banco ou a Daniel Vorcaro.


É neste ponto que está o verdadeiro divisor de águas. Se os milhões destinados a Dark Horse forem documentalmente conectados a algum pedido de Vorcaro e a um ato funcional praticado por Flávio Bolsonaro em benefício do banqueiro ou do Banco Master, o caso deixará de estar restrito à origem e à circulação do dinheiro.


Passará a alcançar diretamente uma das fronteiras mais sensíveis do exercício de um mandato: a relação entre vantagem privada e poder público.


Flávio sustenta que os recursos correspondiam a investimento privado no filme, nega irregularidades e passou a defender a divulgação integral dos documentos. Depois da publicação dos áudios, também apoiou a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.


Essas posições integram o contraditório. Não encerram a pergunta aberta pela própria investigação.


Porque, diante de R$ 134 milhões previstos para um filme ligado à família de um senador e candidato à Presidência, a questão de maior peso continua sem resposta definitiva: por que Daniel Vorcaro considerava tão importante financiar esse projeto e o que esperava obter da relação construída em torno dele?


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Raul Silva é jornalista políticode O estopim atua na cobertura do poder, das instituições e das disputas que conectam política, economia e sociedade, com foco na análise dos mecanismos de influência e das consequências concretas das decisões públicas.

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