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PF aponta coincidência entre gastos de Mário Frias durante gravações de “Dark Horse” e transferências para produtora

10 de set.
2 min de leitura

Por Michael Andrade, da redação do Portal O Estopim | 10 de setembro de 2026 | Fonte: g1, com informações da Polícia Federal

Investigação apura movimentações financeiras do deputado e possível relação entre emendas parlamentares, despesas durante as filmagens e repasses à empresa responsável pelo longa sobre Jair Bolsonaro.


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A Polícia Federal identificou o que classificou como coincidências entre gastos realizados pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) durante o período de gravações do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, e transferências de recursos para a produtora Go Up Entertainment.

As informações fazem parte de uma investigação que apura suspeitas envolvendo recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares. Frias também atuou como produtor-executivo e roteirista do longa.

Segundo a PF, o parlamentar transferiu R$ 645,4 mil para a Go Up Entertainment. Os investigadores consideraram o montante incompatível com a renda mensal declarada do deputado e com os créditos identificados em suas contas bancárias.

A investigação também analisa uma emenda de R$ 1 milhão destinada por Frias ao Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, que também está à frente da produtora responsável por “Dark Horse”. O recurso deveria financiar um projeto de empreendedorismo para jovens em Pirassununga, no interior de São Paulo. Segundo os investigadores, o projeto não teria sido executado.

A PF passou a confrontar as datas das movimentações financeiras com o período de produção do filme para verificar se existe conexão entre os recursos públicos e os gastos relacionados ao longa. A coincidência temporal, isoladamente, não comprova desvio de dinheiro, mas integra o conjunto de elementos que está sendo apurado.

A produtora Go Up já apresentou uma perícia privada segundo a qual “Dark Horse” custou cerca de R$ 75 milhões, com recursos que teriam origem privada. O documento aponta que mais de R$ 54 milhões foram gastos nos Estados Unidos e cerca de R$ 20,9 milhões no Brasil. O laudo, no entanto, não identifica nominalmente todos os destinatários finais dos pagamentos.

A investigação sobre Mário Frias faz parte de uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de desvio de recursos públicos por meio de entidades e empresas subcontratadas. Nesta quinta-feira (10), foram cumpridos mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo a PF, há suspeita de atuação de uma organização envolvendo agentes públicos e privados para direcionar recursos a empresas sem comprovação suficiente da efetiva prestação dos serviços. As conclusões ainda dependem do avanço das investigações, e os elementos reunidos até agora não representam condenação dos envolvidos.

Mário Frias já negou irregularidades relacionadas às emendas e afirmou anteriormente que os recursos destinados às entidades tinham finalidade social. A Go Up também sustenta que os valores utilizados no filme têm origem privada e que vem colaborando com as autoridades.

As apurações sobre “Dark Horse” também alcançam outra frente: a Polícia Federal investiga recursos privados enviados para a produção, inclusive valores negociados entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação busca esclarecer a origem e o destino final do dinheiro destinado ao projeto.

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