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Fachin manda levantar sigilo do caso Banco Master no STF

há 7 dias
4 min de leitura

Presidente do Supremo determina abertura da Petição 15.556 e de procedimentos relacionados antes de julgamento extraordinário marcado para 15 de setembro.


Por Raul Silva para O estopim |

10 de setembro de 2026


Edson Fachin determina levantamento do sigilo de processos relacionados ao caso Banco Master no STF
Edson Fachin determina levantamento do sigilo de processos relacionados ao caso Banco Master no STF | Foto: Gustavo Moreno/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, mandou nesta quinta-feira (10) avançar sobre o sigilo das investigações do caso Banco Master. Em despacho na Petição 16.704, Fachin solicitou ao ministro André Mendonça, relator da Petição 15.556, o levantamento do sigilo do processo e dos procedimentos contidos ou relacionados a ele.


A decisão também determina que Mendonça encaminhe, em HD próprio, à Presidência do STF e aos gabinetes dos demais ministros todos os procedimentos vinculados à Petição 15.556. Permanecem sob sigilo apenas diligências cuja reserva seja necessária para sua execução.


A abertura antecede a sessão extraordinária do plenário marcada para 15 de setembro, quando os 11 ministros do Supremo deverão analisar a Petição 16.662, derivada justamente da investigação principal do Banco Master.


Fachin amplia acesso aos autos antes do plenário


No despacho assinado nesta quinta-feira, Fachin relaciona diretamente a retirada do sigilo à necessidade de preparar o julgamento da próxima terça-feira.


A Petição 16.662 foi formada a partir da Petição 15.556. Por isso, o presidente do Supremo quer que os ministros tenham acesso ao conjunto dos procedimentos que deram origem ao processo que será submetido ao plenário.


O documento determina o “levantamento do sigilo da Pet 15.556” e estende a medida aos procedimentos contidos ou relacionados à investigação.



Petição 15.556 está no centro da Operação Compliance Zero


A Petição 15.556 é um dos principais processos do caso Banco Master no Supremo e está sob relatoria de André Mendonça.


Foi nesse procedimento que, em 4 de março, Mendonça determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro e de outros investigados durante nova fase da Operação Compliance Zero. Segundo o STF, a investigação apura um esquema de fraudes bilionárias no mercado financeiro relacionado ao Banco Master.


A Segunda Turma do Supremo manteve posteriormente as prisões e outras medidas cautelares determinadas no âmbito da Petição 15.556.


A investigação reúne material apreendido pela Polícia Federal, relatórios de análise, documentos, comunicações e elementos obtidos em diferentes fases da Compliance Zero.


Petição 16.662 abriu nova frente da crise


A Petição 16.662 surgiu depois que a Polícia Federal apresentou novas informações produzidas a partir do material apreendido nas investigações.


André Mendonça determinou em 1º de setembro o levantamento do sigilo desse procedimento. O processo reúne relatório da PF relacionado ao celular de Daniel Vorcaro e a uma suposta rede de influência e obtenção de informações atribuída ao ex-controlador do Banco Master.


O relatório passou a ocupar o centro da crise no STF por trazer mensagens enviadas por Vorcaro a um contato atribuído ao ministro Alexandre de Moraes e referências a outras autoridades.


Mendonça considerou que o conteúdo deveria ser analisado pelo plenário do Supremo.


A Procuradoria-Geral da República reagiu e pediu a nulidade e a extinção da Petição 16.662. A discussão sobre a validade do material e seus desdobramentos será analisada na sessão extraordinária de 15 de setembro.


Caso provocou confronto dentro do Supremo


A divulgação dos relatórios abriu uma disputa pública entre André Mendonça e Alexandre de Moraes.


Moraes encaminhou à Presidência do STF acusações contra Mendonça relacionadas à condução das investigações. Fachin retirou esse material do Inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news, e o incorporou à Petição 16.704, criada para concentrar os questionamentos relacionados à atuação da Polícia Federal e das autoridades envolvidas.


A crise ganhou novo capítulo quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.


Na quarta-feira (9), Fachin suspendeu decisões conflitantes sobre o comando da PF, paralisou temporariamente a Petição 16.662 e convocou o plenário para resolver a controvérsia em sessão extraordinária.


Agora, o presidente do Supremo avança sobre outra frente: o acesso ao conteúdo completo da investigação que originou a Petição 16.662.


Ministros receberão procedimentos em HD


A determinação para que André Mendonça envie os procedimentos em HD próprio aos gabinetes mostra a dimensão do material que deverá ser disponibilizado antes do julgamento.


Fachin pediu a remessa de “todos os procedimentos contidos ou relacionados à Pet 15.556” tanto para a Presidência quanto para os demais ministros do Supremo.


O objetivo é permitir que o plenário examine a Petição 16.662 com acesso ao conjunto de documentos que deu origem à nova frente do caso Master.


O sigilo será mantido somente sobre diligências cuja divulgação possa comprometer a execução da própria medida investigativa.


Decisão ocorre após pressão pela abertura dos processos


A medida de Fachin foi tomada um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender publicamente a retirada do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master.


Na quarta-feira (9), Lula afirmou que era necessária a “quebra completa do sigilo” e criticou vazamentos seletivos de informações durante a campanha eleitoral.


A abertura determinada nesta quinta-feira amplia o acesso institucional aos autos e permite que parte maior do caso deixe de tramitar sob reserva no Supremo.


O que acontece agora?


André Mendonça deverá encaminhar à Presidência e aos gabinetes dos ministros os procedimentos relacionados à Petição 15.556 e providenciar o levantamento do sigilo determinado no despacho.


Na próxima terça-feira, 15 de setembro, o plenário do STF se reunirá extraordinariamente para analisar a Petição 16.662.


Os ministros deverão examinar o relatório produzido pela Polícia Federal, o pedido de nulidade apresentado pela Procuradoria-Geral da República e os desdobramentos que levaram a investigação do Banco Master ao centro de uma das maiores crises internas recentes do Supremo.


A abertura da Petição 15.556 amplia o volume de documentos disponível antes dessa sessão e coloca o conjunto da investigação sob análise dos 11 ministros da Corte.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, Justiça, investigações, poder e acontecimentos de interesse público.

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