Campanha de Raquel Lyra reage a denúncias sobre suposto “gabinete do ódio” e anuncia medidas judiciais
- Raul Silva

- há 3 horas
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Nota chama acusações de “denúncia sem provas” após PSB anunciar ações sobre rede de perfis, uso de recursos públicos e atuação de servidor estadual.
Por Raul Silva para O estopim |
27 de agosto de 2026
Cobertura das Eleições 2026

A campanha da governadora de Pernambuco e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) reagiu nesta quinta-feira (27) às denúncias sobre a existência de um suposto “gabinete do ódio” ligado à estrutura estadual e voltado a ataques contra adversários políticos nas redes sociais. Em nota enviada à imprensa, a candidatura classificou as acusações como uma “denúncia sem provas”, confirmou a exoneração de um servidor citado no caso e anunciou medidas judiciais contra responsáveis pelo que chama de mentiras contra a governadora.
A manifestação foi divulgada depois de a Frente Popular de Pernambuco, coligação do candidato João Campos (PSB), realizar uma coletiva e anunciar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, AIJE, no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, além de representações a órgãos de fiscalização e controle.
Campanha chama acusações de “denúncia sem provas”
Na nota, a campanha de Raquel afirma que o PSB estaria substituindo o debate eleitoral por acusações e critica o anúncio das medidas judiciais.
O texto sustenta que a campanha da governadora é realizada “à luz do dia” e afirma que Raquel determinou a exoneração do servidor envolvido e a apuração do episódio.
A campanha também informou que seus advogados estão sendo acionados para buscar a responsabilização judicial de pessoas que, segundo a candidatura, estejam construindo ou propagando informações falsas contra Raquel.
“Difamar é crime, e será tratado como tal”, afirma a nota.
Caso ganhou dimensão após reportagem da Record
O episódio ganhou repercussão nacional depois de uma reportagem exibida pela TV Record na terça-feira (25).
A matéria apresentou gravações de Amisadai Andrade da Silva, servidor da Caixa Econômica Federal cedido ao Governo de Pernambuco, falando sobre uma rede de páginas e perfis utilizada para atingir politicamente João Campos.
Na gravação divulgada pela emissora, Amisadai afirma que o Governo do Estado enxergou o grupo do qual participava como um canal para tentar “desidratar” João Campos. A estrutura teria centenas de perfis atuando nas redes sociais.
Amisadai exercia o cargo de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, estrutura vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer. Ele foi exonerado pelo Governo de Pernambuco depois da divulgação da reportagem.
Registros mostram entradas no Palácio do Campo das Princesas
Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que Amisadai esteve pelo menos duas vezes no Palácio do Campo das Princesas em 2024.
Em 22 de julho daquele ano, o registro de acesso indica como destino a Casa Civil. Na ocasião, ele se apresentou como servidor da Caixa Econômica Federal.
Em 30 de setembro, Amisadai voltou ao Palácio identificado como representante do Portal de Prefeitura.
Depois da divulgação dos registros, a Secretaria de Comunicação de Pernambuco informou que Amisadai e outro representante do portal participaram de uma agenda de atendimento a veículos de comunicação.
Os registros passaram a integrar o material utilizado pela oposição para sustentar o pedido de investigação.
Portal recebeu R$ 642,5 mil em publicidade estadual
A reportagem do Metrópoles também informou que o Portal de Prefeitura recebeu R$ 642,5 mil do Governo de Pernambuco durante a gestão de Raquel Lyra.
Amisadai já integrou a sociedade responsável pelo veículo. O Portal de Prefeitura informou que ele deixou a empresa em 2024 e negou participação em qualquer esquema de ataques políticos.
O veículo também afirmou que os contratos de publicidade pública foram realizados dentro das normas de contratação e veiculação e que está disponível para colaborar com eventual investigação.
Um dos pontos centrais do caso é justamente a suspeita levantada pela reportagem de que contratos de publicidade pública teriam ajudado a financiar uma estrutura digital utilizada politicamente contra adversários.
Frente Popular anuncia ação no TRE-PE e representações a órgãos de controle
O departamento jurídico da Frente Popular anunciou nesta quinta uma AIJE contra Raquel Lyra e informou que levará o caso a diferentes instituições.
Entre os órgãos citados estão o Ministério Público de Pernambuco, Ministério Público Eleitoral, Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco e Caixa Econômica Federal.
O bloco jurídico anunciado pela coligação não trata apenas do suposto “gabinete do ódio”.
A Frente Popular pretende reunir na ação outros episódios que considera indicativos de abuso de poder político e econômico, como acusações envolvendo ônibus públicos, uso de aeronave estadual, publicidade institucional e a chamada “arapongagem” contra integrante da Prefeitura do Recife.
No eixo relacionado às redes sociais, os advogados afirmam reunir documentação sobre aproximadamente 300 perfis associados à estrutura investigada.
Raquel Lyra nega envolvimento e contra-ataca
Desde a divulgação da reportagem, Raquel Lyra nega a existência de uma estrutura comandada por seu governo para atacar João Campos.
Na quarta-feira (26), a governadora afirmou que queria ver provas de que Amisadai tivesse tratado com ela sobre a operação descrita nas gravações e disse que determinaria a apuração do episódio.
Nesta quinta, durante agenda em Igarassu, Raquel voltou ao assunto e afirmou que sua campanha também acionou a Justiça Eleitoral contra uma estrutura que, segundo ela, disseminaria ataques contra sua candidatura.
A disputa sobre o suposto “gabinete do ódio” passou, assim, do campo das redes sociais para a campanha eleitoral e para o terreno jurídico.
O que acontece agora?
A Frente Popular anunciou que apresentará a AIJE ao TRE-PE e encaminhará representações aos órgãos de controle e investigação.
O caso envolve agora a apuração da atuação do ex-servidor estadual, da origem e funcionamento da rede de perfis mencionada nas gravações, dos contratos de publicidade citados nas reportagens e de eventual utilização de estruturas ou recursos públicos para fins político-eleitorais.
A campanha de Raquel afirma que também adotará medidas judiciais contra responsáveis pela divulgação de acusações que considera falsas.
A definição sobre eventuais responsabilidades dependerá das investigações e das decisões dos órgãos acionados.
Leia a nota na integra
NOTA DA CAMPANHA — RAQUEL LYRA GOVERNADORA
A poucas semanas da eleição, o PSB continua usando suas velhas práticas, trocando o debate de propostas por uma coletiva de acusações. Anuncia ações que ainda não existem, baseadas numa denúncia sem provas. Quem tem trabalho a mostrar mostra trabalho; quem não tem convoca a imprensa para anunciar processos.
A campanha de Raquel Lyra é feita à luz do dia, com nome, rosto e assinatura. Foi a governadora quem, diante da conduta de um servidor, determinou sua exoneração imediata e a apuração dos fatos. É assim que age quem não tem nada a esconder: aponta o erro e apura, não terceiriza ataques nas sombras.
A tentativa de transformar acusação em fato, sem prova e no calendário eleitoral, será enfrentada onde deve ser: na Justiça. A campanha já aciona seus advogados para responsabilizar quem constrói e propaga mentiras contra a governadora. Difamar é crime, e será tratado como tal.
Enquanto o adversário fala de ódio, Raquel Lyra segue falando com coração e, acima de tudo, trabalhando para continuar mudando a vida das pessoas.
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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, eleições e fiscalização da administração pública.
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