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Governadora candidata à reeleição relaciona Independência a democracia, liberdade e segurança; referência histórica remete às lutas pernambucanas de 1817 e 1821


Por Clara Mendes para O estopim |

7 de Setembro de 2026


Raquel Lyra exalta Pernambuco no 7 de Setembro e fala em “onde a pátria nasceu”
Raquel Lyra exalta Pernambuco no 7 de Setembro e fala em “onde a pátria nasceu” | Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra, do PSD, participou na manhã desta segunda-feira, 7, do desfile cívico-militar da Independência do Brasil, na Avenida Mascarenhas de Morais, no bairro da Imbiribeira, no Recife. Durante a cerimônia, Raquel exaltou a participação de Pernambuco na formação política do país e definiu o estado como “onde a pátria nasceu”.


Ao lado de representantes das Forças Armadas e das corporações estaduais de segurança, a governadora associou o 7 de Setembro à defesa da democracia, da liberdade e da soberania nacional. Também afirmou que liberdade deve significar condições para que os pernambucanos possam permanecer no estado com acesso a serviços públicos e qualidade de vida.


A expressão usada por Raquel resume uma leitura política de episódios históricos que antecederam a proclamação formal da Independência, em 7 de setembro de 1822.


Pernambuco foi palco da Revolução de 1817, movimento que rompeu com o governo português e instalou uma experiência republicana. Quatro anos depois, a Convenção de Beberibe encerrou o governo de Luís do Rego e abriu caminho para a retirada das tropas portuguesas da província. Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, os últimos contingentes portugueses deixaram Pernambuco em dezembro de 1821, antes da Independência proclamada no ano seguinte.


O Arquivo Nacional também registra que os movimentos ocorridos no Recife entre 1817 e 1822 fizeram parte das disputas políticas e constitucionais que antecederam a consolidação do Brasil independente. A Convenção de Beberibe, portanto, ajuda a explicar o simbolismo reivindicado por Raquel, sem alterar o marco oficial de 7 de setembro de 1822.


Raquel Lyra associa liberdade a ações da gestão


Raquel aproveitou a presença das forças estaduais no desfile para destacar investimentos do governo na segurança pública.


A governadora afirmou que sua administração nomeou mais de 8 mil agentes e mencionou a compra de equipamentos destinados às polícias Militar, Civil e Penal e ao Corpo de Bombeiros. O mesmo número já havia sido usado por ela durante atos de campanha nos dias anteriores.


O dado, porém, exige atribuição.


Uma publicação oficial da Casa Militar de Pernambuco, de junho deste ano, informava que quase 7 mil profissionais haviam sido incorporados às forças estaduais desde o início da atual gestão. Outro balanço divulgado naquele período apontava 6.565 profissionais formados e previa chegar a 7 mil agentes nas ruas até o fim de 2026.


Até a publicação desta matéria, não foi localizado nas fontes oficiais consultadas um balanço atualizado e detalhado que discrimine as nomeações e permita conferir a composição dos mais de 8 mil agentes citados pela governadora neste 7 de Setembro. O número, portanto, permanece atribuído a Raquel Lyra.


Desfile reúne militares, estudantes e moradores


O desfile marcou os 204 anos da Independência do Brasil e foi realizado na Avenida Mascarenhas de Morais, na Zona Sul do Recife. A programação reuniu integrantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, forças estaduais de segurança, instituições civis e escolas.


Mais de 2,4 mil integrantes da rede estadual de ensino, entre estudantes, professores e participantes de corporações musicais de 36 escolas, estiveram na cerimônia, segundo levantamento divulgado após o evento.


Raquel também apresentou uma dimensão pessoal para a participação no desfile. A governadora disse que acompanha comemorações do 7 de Setembro desde a infância, quando era levada pelos pais, e lembrou que também participou das cerimônias enquanto prefeita de Caruaru.


Ato ocorre durante campanha pela reeleição


Raquel participa das eleições deste ano como candidata a um segundo mandato no Governo de Pernambuco pelo PSD. A Justiça Eleitoral registra a estrutura partidária estadual do PSD presidida pela própria governadora, e o TRE de Pernambuco disponibiliza os registros das candidaturas ao governo estadual no sistema eleitoral de 2026.


A governadora participou do desfile no exercício do cargo, mas a cerimônia ocorre em plena campanha eleitoral. Nos últimos dias, Raquel tem usado agendas públicas e entrevistas para apresentar números e projetos da administração estadual enquanto disputa a permanência no Palácio do Campo das Princesas.


O uso da história pernambucana no discurso de 7 de Setembro acrescenta um componente regional à disputa de narrativas sobre independência e soberania. Pernambuco não foi o local da proclamação formal de 1822, mas protagonizou movimentos que romperam com estruturas portuguesas antes daquele marco e que permanecem centrais na memória política do estado.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre política, poder, eleições, Justiça, segurança pública e os principais acontecimentos do dia.

Coligação de João Campos leva cinco eixos ao TRE-PE e a órgãos de controle; campanha de Raquel nega irregularidades e cobra provas.


Por Raul Silva para O estopim |

27 de agosto de 2026

Cobertura das Eleições 2026

Advogado Rafael Carneiro fala à imprensa durante coletiva da Frente Popular sobre ação no TRE-PE contra Raquel Lyra.
Advogado Rafael Carneiro fala à imprensa durante coletiva da Frente Popular sobre ação no TRE-PE contra Raquel Lyra. | Foto: Reprodução

A Frente Popular de Pernambuco, coligação do candidato ao Governo do Estado João Campos (PSB), anunciou nesta quinta-feira, 27, no Recife, que pretende apresentar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, a AIJE, ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco contra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD). A ofensiva reúne cinco frentes de acusação sobre eventual uso da estrutura pública e de recursos estaduais para favorecer politicamente a candidatura governista, com destaque para a denúncia de um suposto “gabinete do ódio” direcionado a adversários nas redes sociais.


A denúncia mais grave se apoia em gravações divulgadas pela Record envolvendo Amisadai Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal que estava cedido ao Governo de Pernambuco. Nas imagens reveladas pela emissora, ele afirma ter participado de uma estrutura digital destinada a desgastar politicamente João Campos e relata contatos com o Palácio do Campo das Princesas. Amisadai foi exonerado do cargo de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco na quarta-feira, 26, um dia depois da repercussão da reportagem.


Cinco eixos serão levados à Justiça Eleitoral pela Frente Popular


Segundo o advogado Rafael Carneiro, representante do PSB nacional e integrante da equipe jurídica da Frente Popular, a AIJE deverá reunir cinco conjuntos de fatos que a coligação considera capazes de caracterizar abuso de poder político ou econômico, uso indevido dos meios de comunicação e condutas vedadas a agentes públicos.


Os pontos anunciados são:

  1. suposto uso de ônibus escolares para transportar militantes à convenção do PSD, realizada em 2 de agosto;

  2. o monitoramento de Gustavo Monteiro, então secretário de Articulação Política e Social do Recife, e de seu irmão por agentes da Polícia Civil em 2025;

  3. suposto uso de aeronave do Governo de Pernambuco em compromissos político-partidários;

  4. alegação de que os gastos estaduais com publicidade institucional teriam superado em cerca de R$ 5 milhões o limite eleitoral;

  5. a existência de uma suposta rede digital financiada ou favorecida por recursos públicos para atacar João Campos e outros adversários.


Os cinco eixos foram detalhados pela equipe jurídica durante a coletiva desta quinta-feira.


Além do TRE-PE, Rafael Carneiro anunciou representações ao Ministério Público de Pernambuco, Ministério Público Eleitoral, Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco e Controladoria-Geral da União. O Jornal do Commercio informou ainda que a Caixa Econômica Federal deverá ser comunicada em razão da situação funcional de Amisadai.


Vídeo coloca relato de Amisadai no centro da acusação


No vídeo enviado a O estopim, Rafael Carneiro aparece falando a jornalistas durante a coletiva e sustenta que a principal novidade do caso é a declaração atribuída ao próprio ex-servidor.


“Há um vídeo com reconhecimento de um servidor, que diz que foi chamado pela governadora do estado para estruturar um grupo de ataques à honra do candidato João Campos”, afirmou o advogado.

A reportagem original da Record mostra Amisadai dizendo que o Governo de Pernambuco teria identificado o grupo ao qual estava ligado como um canal para tentar “desidratar” João Campos. Segundo a emissora, ele também relatou atuar numa rede com mais de 300 perfis. A Record informou que a estrutura investigada distribuía conteúdos por meio de diferentes páginas e que o caso foi levado à Polícia Federal.


O termo “desidratar”, nesse contexto, é utilizado pelo próprio Amisadai para descrever uma estratégia de redução de apoio e desgaste político do adversário.


O que os registros do Palácio realmente comprovam


Documentos obtidos pelo Metrópoles confirmam que Amisadai esteve no Palácio do Campo das Princesas em pelo menos duas oportunidades em 2024.


Em 22 de julho, o registro indica uma entrada relacionada à Casa Civil, quando ele se identificou como servidor da Caixa Econômica Federal. Em 30 de setembro, voltou ao Palácio como representante do Portal de Prefeitura.


Esses documentos confirmam a presença física de Amisadai na sede do Governo de Pernambuco. Eles não informam, entretanto, o conteúdo das reuniões nem comprovam, por si mesmos, que ele tenha se encontrado pessoalmente com Raquel Lyra.


A afirmação de que houve conversa direta com a governadora está nas gravações atribuídas ao próprio Amisadai. É justamente a combinação entre esse relato e os registros de acesso que a Frente Popular pretende apresentar à Justiça como indício de participação do núcleo político do governo.


Essa distinção é decisiva. Presença no Palácio é fato documentado. O conteúdo do encontro e a eventual participação da governadora ainda dependem de investigação e produção de prova.


Portal de Prefeitura recebeu publicidade do Estado


Outro ponto apresentado na denúncia envolve o Portal de Prefeitura, veículo ao qual Amisadai esteve ligado.


O Metrópoles informou, com base em dados levantados sobre os contratos, que o portal recebeu R$ 642,5 mil em publicidade do Governo de Pernambuco durante a gestão de Raquel Lyra. A Record aponta valor superior a R$ 600 mil desde 2023 e mais de R$ 180 mil pagos em 2026.


Esses pagamentos confirmam a existência de despesas públicas de publicidade com o veículo, mas não demonstram, isoladamente, que o dinheiro tenha sido destinado a financiar uma operação ilegal de ataques políticos. É essa conexão que deverá ser provada, ou afastada, numa eventual investigação.


O Portal de Prefeitura negou participar de qualquer “gabinete do ódio”, afirmou que seus contratos com órgãos públicos seguem critérios legais e informou que Amisadai não integra seu quadro societário desde 2024 nem representa atualmente a empresa.


Publicidade, aeronave e ônibus entram na ofensiva


No quarto eixo, a Frente Popular afirma possuir documentos segundo os quais o Governo de Pernambuco teria gasto aproximadamente R$ 5 milhões além do teto previsto para publicidade institucional no primeiro semestre do ano eleitoral.


A legislação estabelece limites específicos para esse tipo de despesa em ano de eleição. A alegação dos advogados, contudo, ainda precisa ser analisada pela Justiça. Em junho, numa representação anterior apresentada pelo MDB sobre gastos publicitários, o TRE-PE negou uma liminar para suspender as despesas, decisão que não corresponde a julgamento definitivo do mérito da controvérsia.


A coligação também afirma ter registros de ônibus escolares utilizados no transporte de militantes à convenção do PSD e pretende questionar deslocamentos de Raquel Lyra em aeronave estadual que, segundo a oposição, teriam ocorrido em atividades político-partidárias. Esses pontos foram apresentados pela Frente Popular como acusações que deverão ser instruídas com documentos na AIJE.


Caso Gustavo Monteiro volta à disputa eleitoral


Outro episódio incorporado pela oposição ocorreu entre agosto e outubro de 2025. A Polícia Civil de Pernambuco monitorou o então secretário de Articulação Política e Social do Recife, Gustavo Monteiro, e o veículo usado também pelo irmão dele, Eduardo. Um rastreador foi instalado no automóvel sem autorização judicial.


A Secretaria de Defesa Social afirmou à época que a ação fazia parte de uma averiguação preliminar iniciada após denúncia anônima sobre possível corrupção e sustentou que o procedimento ocorreu dentro da legalidade. Como nenhum ilícito foi encontrado, não houve abertura de inquérito policial. A Prefeitura do Recife e aliados de João Campos classificaram a operação como perseguição política.


Agora, a Frente Popular pretende utilizar o episódio como parte de uma tese mais ampla de instrumentalização de estruturas do Estado contra adversários políticos.


O que acontece agora?


A AIJE anunciada pela Frente Popular ainda deverá ser protocolada, recebida e instruída pelo TRE-PE. Pela Lei Complementar nº 64 de 1990, partidos, coligações, candidatos e o Ministério Público Eleitoral podem pedir investigação judicial para apurar abuso do poder econômico ou de autoridade e uso indevido dos meios de comunicação em benefício de candidatura.


Caso uma representação desse tipo seja julgada procedente, a legislação prevê, conforme as circunstâncias e a responsabilidade reconhecida pela Justiça, inelegibilidade e cassação do registro ou diploma do candidato diretamente beneficiado. Nenhuma dessas sanções é automática e nenhuma condenação foi proferida neste caso até agora.


As representações anunciadas ao Ministério Público e aos órgãos de controle poderão abrir frentes independentes para apurar aspectos administrativos, eleitorais, funcionais e eventualmente criminais.


O caso, portanto, saiu definitivamente do terreno exclusivo da disputa de narrativas e caminha para uma fase em que gravações, contratos, registros de acesso, gastos públicos e responsabilidades individuais terão de ser submetidos ao exame das instituições.


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Raul Silva é jornalista, escritor e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, sociedade e cultura, com foco em contexto, interesse público, apuração documental e verificação dos fatos.

Nota chama acusações de “denúncia sem provas” após PSB anunciar ações sobre rede de perfis, uso de recursos públicos e atuação de servidor estadual.


Por Raul Silva para O estopim |

27 de agosto de 2026

Cobertura das Eleições 2026



Campanha de Raquel reage ao caso do “gabinete do ódio”
Campanha de Raquel reage a denúncias sobre suposto “gabinete do ódio” e anuncia medidas judiciais | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A campanha da governadora de Pernambuco e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) reagiu nesta quinta-feira (27) às denúncias sobre a existência de um suposto “gabinete do ódio” ligado à estrutura estadual e voltado a ataques contra adversários políticos nas redes sociais. Em nota enviada à imprensa, a candidatura classificou as acusações como uma “denúncia sem provas”, confirmou a exoneração de um servidor citado no caso e anunciou medidas judiciais contra responsáveis pelo que chama de mentiras contra a governadora.


A manifestação foi divulgada depois de a Frente Popular de Pernambuco, coligação do candidato João Campos (PSB), realizar uma coletiva e anunciar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, AIJE, no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, além de representações a órgãos de fiscalização e controle.


Campanha chama acusações de “denúncia sem provas”


Na nota, a campanha de Raquel afirma que o PSB estaria substituindo o debate eleitoral por acusações e critica o anúncio das medidas judiciais.


O texto sustenta que a campanha da governadora é realizada “à luz do dia” e afirma que Raquel determinou a exoneração do servidor envolvido e a apuração do episódio.


A campanha também informou que seus advogados estão sendo acionados para buscar a responsabilização judicial de pessoas que, segundo a candidatura, estejam construindo ou propagando informações falsas contra Raquel.


“Difamar é crime, e será tratado como tal”, afirma a nota.


Caso ganhou dimensão após reportagem da Record


O episódio ganhou repercussão nacional depois de uma reportagem exibida pela TV Record na terça-feira (25).


A matéria apresentou gravações de Amisadai Andrade da Silva, servidor da Caixa Econômica Federal cedido ao Governo de Pernambuco, falando sobre uma rede de páginas e perfis utilizada para atingir politicamente João Campos.


Na gravação divulgada pela emissora, Amisadai afirma que o Governo do Estado enxergou o grupo do qual participava como um canal para tentar “desidratar” João Campos. A estrutura teria centenas de perfis atuando nas redes sociais.


Amisadai exercia o cargo de superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, estrutura vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer. Ele foi exonerado pelo Governo de Pernambuco depois da divulgação da reportagem.


Registros mostram entradas no Palácio do Campo das Princesas


Documentos obtidos pelo Metrópoles mostram que Amisadai esteve pelo menos duas vezes no Palácio do Campo das Princesas em 2024.


Em 22 de julho daquele ano, o registro de acesso indica como destino a Casa Civil. Na ocasião, ele se apresentou como servidor da Caixa Econômica Federal.


Em 30 de setembro, Amisadai voltou ao Palácio identificado como representante do Portal de Prefeitura.


Depois da divulgação dos registros, a Secretaria de Comunicação de Pernambuco informou que Amisadai e outro representante do portal participaram de uma agenda de atendimento a veículos de comunicação.


Os registros passaram a integrar o material utilizado pela oposição para sustentar o pedido de investigação.


Portal recebeu R$ 642,5 mil em publicidade estadual


A reportagem do Metrópoles também informou que o Portal de Prefeitura recebeu R$ 642,5 mil do Governo de Pernambuco durante a gestão de Raquel Lyra.


Amisadai já integrou a sociedade responsável pelo veículo. O Portal de Prefeitura informou que ele deixou a empresa em 2024 e negou participação em qualquer esquema de ataques políticos.


O veículo também afirmou que os contratos de publicidade pública foram realizados dentro das normas de contratação e veiculação e que está disponível para colaborar com eventual investigação.


Um dos pontos centrais do caso é justamente a suspeita levantada pela reportagem de que contratos de publicidade pública teriam ajudado a financiar uma estrutura digital utilizada politicamente contra adversários.


Frente Popular anuncia ação no TRE-PE e representações a órgãos de controle


O departamento jurídico da Frente Popular anunciou nesta quinta uma AIJE contra Raquel Lyra e informou que levará o caso a diferentes instituições.


Entre os órgãos citados estão o Ministério Público de Pernambuco, Ministério Público Eleitoral, Controladoria-Geral da União, Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco e Caixa Econômica Federal.


O bloco jurídico anunciado pela coligação não trata apenas do suposto “gabinete do ódio”.


A Frente Popular pretende reunir na ação outros episódios que considera indicativos de abuso de poder político e econômico, como acusações envolvendo ônibus públicos, uso de aeronave estadual, publicidade institucional e a chamada “arapongagem” contra integrante da Prefeitura do Recife.


No eixo relacionado às redes sociais, os advogados afirmam reunir documentação sobre aproximadamente 300 perfis associados à estrutura investigada.


Raquel Lyra nega envolvimento e contra-ataca


Desde a divulgação da reportagem, Raquel Lyra nega a existência de uma estrutura comandada por seu governo para atacar João Campos.


Na quarta-feira (26), a governadora afirmou que queria ver provas de que Amisadai tivesse tratado com ela sobre a operação descrita nas gravações e disse que determinaria a apuração do episódio.


Nesta quinta, durante agenda em Igarassu, Raquel voltou ao assunto e afirmou que sua campanha também acionou a Justiça Eleitoral contra uma estrutura que, segundo ela, disseminaria ataques contra sua candidatura.


A disputa sobre o suposto “gabinete do ódio” passou, assim, do campo das redes sociais para a campanha eleitoral e para o terreno jurídico.


O que acontece agora?


A Frente Popular anunciou que apresentará a AIJE ao TRE-PE e encaminhará representações aos órgãos de controle e investigação.


O caso envolve agora a apuração da atuação do ex-servidor estadual, da origem e funcionamento da rede de perfis mencionada nas gravações, dos contratos de publicidade citados nas reportagens e de eventual utilização de estruturas ou recursos públicos para fins político-eleitorais.


A campanha de Raquel afirma que também adotará medidas judiciais contra responsáveis pela divulgação de acusações que considera falsas.


A definição sobre eventuais responsabilidades dependerá das investigações e das decisões dos órgãos acionados.


Leia a nota na integra

NOTA DA CAMPANHA — RAQUEL LYRA GOVERNADORA


A poucas semanas da eleição, o PSB continua usando suas velhas práticas, trocando o debate de propostas por uma coletiva de acusações. Anuncia ações que ainda não existem, baseadas numa denúncia sem provas. Quem tem trabalho a mostrar mostra trabalho; quem não tem convoca a imprensa para anunciar processos.


A campanha de Raquel Lyra é feita à luz do dia, com nome, rosto e assinatura. Foi a governadora quem, diante da conduta de um servidor, determinou sua exoneração imediata e a apuração dos fatos. É assim que age quem não tem nada a esconder: aponta o erro e apura, não terceiriza ataques nas sombras.


A tentativa de transformar acusação em fato, sem prova e no calendário eleitoral, será enfrentada onde deve ser: na Justiça. A campanha já aciona seus advogados para responsabilizar quem constrói e propaga mentiras contra a governadora. Difamar é crime, e será tratado como tal.


Enquanto o adversário fala de ódio, Raquel Lyra segue falando com coração e, acima de tudo, trabalhando para continuar mudando a vida das pessoas.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, eleições e fiscalização da administração pública.

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