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Candidato ao Governo diz que denúncias feitas há mais de um ano ganharam novos elementos após reportagem da Record e anuncia medidas jurídicas.


Por Raul Silva para O estopim |

26 de agosto de 2026

Cobertura das Eleições 2026



João Campos falando diretamente à câmera, de camisa azul, durante o pronunciamento sobre o suposto gabinete do ódio.
João Campos fala em vídeo sobre denúncia de suposto gabinete do ódio ligado ao Governo de Pernambuco. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) reagiu nesta quarta-feira, 26 de agosto, à reportagem da Record que apresentou novos elementos sobre uma suposta rede coordenada de ataques digitais contra adversários da governadora Raquel Lyra (PSD). Em vídeo enviado à redação e analisado por O estopim, Campos afirma que denuncia a existência de um “gabinete do ódio” há mais de um ano, acusa uma estrutura ligada ao poder estadual de atacar sua família e aliados e diz que seus advogados adotarão as medidas cabíveis.


A manifestação foi publicada horas depois de a Record mostrar Amisadai Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal cedido ao Governo de Pernambuco, descrevendo uma rede de páginas e perfis usada, segundo ele, para tentar “desidratar” politicamente João Campos. A emissora afirma que a Polícia Federal investiga uma empresa relacionada ao caso e que parte da receita dos canais apontados na reportagem veio de publicidade do Governo do Estado.


No vídeo, João abandona por alguns minutos o tom predominantemente leve de sua campanha e afirma que decidiu falar porque considera o episódio grave.


“Eu nunca imaginei que precisasse gravar esse vídeo”, inicia.

Segundo Campos, os ataques não estariam restritos à sua atuação política.


“Há mais de um ano eu venho denunciando a existência de um gabinete do ódio que tem atacado a mim, meus aliados, minha família, minha esposa”, afirma.

João Campos diz que reportagem reforça denúncia feita há mais de um ano


A parte mais dura da declaração aparece quando João Campos relaciona a reportagem nacional às acusações que já vinha apresentando publicamente.


Ele afirma que a matéria “revela e comprova a existência desse gabinete do ódio” e destaca o relato de um servidor sobre reuniões no Palácio do Campo das Princesas.


“Isso é criminoso, isso é absurdo. Não vale tudo na política ou numa eleição”, declarou

.

A afirmação de que a reportagem comprovaria a existência do gabinete é uma avaliação de João Campos. Jornalisticamente, o material divulgado pela Record apresenta indícios, depoimentos e relações que agora precisam ser confrontados com documentos, dados financeiros e as investigações das autoridades.


A reportagem da emissora afirma que Amisadai Andrade controla ou participa de uma rede com mais de 300 perfis e que o Portal de Prefeitura ocuparia posição central na distribuição dos conteúdos. Segundo a Record, o servidor teria afirmado também que foi chamado pela governadora Raquel Lyra para realizar um trabalho voltado à redução da força política de Campos.


O vínculo funcional de Amisadai com o Estado é documentado. Ele é funcionário da Caixa Econômica Federal e foi cedido ao Governo de Pernambuco em 2025 para atuar na área de turismo. O fato de ocupar função pública, porém, não comprova isoladamente que suas atividades digitais tenham sido ordenadas pelo Governo ou pela governadora.


“Quem senta na cadeira para governar Pernambuco não pode estar coordenando uma milícia digital”


No trecho politicamente mais forte do vídeo, João Campos responsabiliza quem ocupa o comando do Estado pela necessidade de esclarecer o caso.


“Quem senta na cadeira para governar Pernambuco não pode estar coordenando uma milícia digital, estar criando uma rede do ódio”, disse.

Campos não apresenta no vídeo documentos novos além dos fatos divulgados pela reportagem. Sua fala funciona sobretudo como uma reação política ao material publicado e como anúncio de que a campanha levará o caso adiante no campo jurídico.


“Nossos advogados vão tomar todas as medidas necessárias”, afirmou.

A campanha de João já havia procurado o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco neste mês. Uma representação pediu a preservação de dados de pessoas e perfis apontados como possíveis participantes de uma rede organizada de ataques. A medida busca impedir a perda de registros digitais que poderiam ser utilizados em eventual ação de investigação eleitoral. A campanha de Raquel Lyra respondeu que a preservação de dados não comprova crime e declarou confiar na Justiça Eleitoral.


João tenta separar campanha eleitoral de “guerra digital”


Depois das acusações, Campos muda o eixo do pronunciamento. Afirma que continuará fazendo campanha nas ruas e tenta apresentar o confronto digital como algo contrário ao tipo de disputa que pretende conduzir.


“As pessoas não querem uma guerra digital”, disse.

Na sequência, cita hospitais, duplicação de estradas, creches, geração de empregos e atração de indústrias como temas que, segundo ele, deveriam ocupar o centro da eleição.


O movimento tem significado político. João tenta simultaneamente endurecer a responsabilização sobre o episódio e preservar a imagem de campanha associada a otimismo, contato com eleitores e discurso de futuro.


“Ninguém vai tirar o sorriso do meu rosto”, afirma no vídeo.

A resposta termina com a promessa de que as medidas sobre o caso serão coordenadas pelos advogados e com um apelo para que a disputa eleitoral não seja construída pelo ódio.


As acusações sobre uma possível rede antecedem a eleição de 2026


O episódio revelado pela Record não surgiu isoladamente. Em agosto de 2025, o presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto, acusou o então assessor do gabinete da governadora Manoel Pires Medeiros Neto de integrar uma “milícia digital” voltada contra deputados e instituições.


Porto afirmou que uma apuração da Superintendência de Inteligência Legislativa havia identificado Manoel como autor de uma denúncia anônima apresentada contra a então deputada Dani Portela, autora do pedido de instalação da CPI da Publicidade.


Manoel Medeiros confirmou que encaminhou a denúncia anonimamente, mas rejeitou a caracterização de sua atuação como parte de uma milícia. Disse que agiu como cidadão, fora do horário de expediente, para solicitar a investigação de possíveis irregularidades. Dani Portela negou as acusações contra seu gabinete e classificou o episódio como uma “denunciação caluniosa”.


Portanto, não é correto afirmar como fato comprovado que o Governo de Pernambuco produziu uma denúncia falsa contra a parlamentar. O que está documentado é que um assessor ligado ao gabinete da governadora admitiu ter apresentado anonimamente a denúncia, enquanto Dani sustentou que o conteúdo era falso e politicamente motivado.


Monitoramento de auxiliar do Recife aumentou suspeitas de perseguição


Outro episódio usado por João Campos e seus aliados para sustentar a narrativa de perseguição ocorreu entre agosto e outubro de 2025 e veio a público em janeiro deste ano.


A Record revelou que agentes da Polícia Civil de Pernambuco monitoraram Gustavo Monteiro, secretário de Articulação Política e Social do Recife, e seu irmão. A operação envolveu acompanhamento de rotina, troca de informações em um grupo de WhatsApp e instalação de um rastreador em um veículo.


A própria Secretaria de Defesa Social confirmou que houve acompanhamento e uso de rastreador, mas rejeitou a palavra “espionagem”. Segundo a SDS, tratava-se de uma verificação preliminar desencadeada por uma denúncia anônima sobre possível pagamento de propina. O Governo afirmou que as diligências foram legais. Como nenhum ilícito foi constatado, o procedimento foi arquivado sem abertura de inquérito sobre a acusação original.


A Prefeitura do Recife classificou o episódio como perseguição política.


Até o momento, não há prova pública de que esse monitoramento, a denúncia contra Dani Portela e a rede descrita agora pela Record façam parte de uma única cadeia de comando. A associação entre os episódios é uma acusação política que depende de investigação.


O que diz o outro lado


Antes da reportagem da Record desta terça-feira, a campanha de Raquel Lyra já havia respondido à ação de João Campos no TRE-PE. Disse receber com tranquilidade o pedido de preservação de dados, afirmou confiar no trabalho da Justiça Eleitoral e sustentou que manifestações espontâneas de apoio nas redes sociais não podem ser tratadas automaticamente como atuação criminosa.


Na reportagem exibida em 25 de agosto, a Portal Comunicação e Marketing afirmou que Amisadai Andrade deixou formalmente a sociedade da empresa em setembro de 2024 e que não participa atualmente da administração, de contratos ou de publicações da empresa.


Até o fechamento desta versão, O estopim não localizou nova manifestação pública específica de Raquel Lyra ou do Governo de Pernambuco respondendo às declarações de João Campos e aos trechos mais recentes apresentados pela Record.


O espaço permanece aberto para atualização e inclusão do posicionamento oficial.


O que acontece agora?


A reação de João Campos deve deslocar parte da disputa para três frentes.


  • A primeira é criminal. A Record afirma que o material sobre a empresa e a rede de perfis foi encaminhado à Polícia Federal, que investiga o caso.

  • A segunda é eleitoral. A campanha de João já buscou a Justiça Eleitoral para preservar registros digitais que poderão ser utilizados em futuras ações.

  • A terceira é política. O candidato deixou claro que pretende incorporar o episódio ao debate da campanha e sustentar que existe uma estrutura organizada para atacá-lo.

  • A investigação terá de responder questões que a disputa eleitoral, sozinha, não resolve: quem administrava os perfis, quem definia os conteúdos, de onde vinha o dinheiro, qual era a finalidade dos pagamentos de publicidade e quem participava das reuniões mencionadas nas gravações.


É também necessário determinar se houve ordem de agentes públicos para produzir ou ampliar ataques contra adversários.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na apuração de política, poder público, eleições, fiscalização e temas de interesse coletivo, com foco na origem dos acontecimentos e em suas consequências.

Reportagem mostra servidor cedido ao Estado descrevendo rede com mais de 300 perfis; PF e Justiça Eleitoral apuram suspeitas, ainda sem conclusão.


Por Raul Silva para O estopim |

25 de agosto de 2026

Cobertura das Eleições 2026



Raquel Lyra e representação de rede de perfis investigada por possíveis ataques políticos financiados com publicidade pública em Pernambuco.
Record detalha suspeito gabinete do ódio de Raquel Lyra | Foto: Matheus Ribeiro/ Folha de Pernambuco

Uma reportagem exibida pela Record na noite desta terça-feira (25), acrescentou novos elementos às suspeitas sobre uma rede digital de ataques a adversários políticos em Pernambuco. O material mostra Amisadai Andrade da Silva, funcionário da Caixa Econômica Federal cedido ao Governo do Estado, descrevendo uma estrutura formada por páginas, portais e perfis que atuariam de maneira articulada para atingir politicamente João Campos (PSB), candidato ao Governo de Pernambuco e principal adversário da governadora Raquel Lyra (PSD) na eleição de 2026. A emissora afirma que parte da estrutura recebe recursos provenientes da publicidade pública estadual.


A expressão “gabinete do ódio” aparece em denúncias apresentadas desde 2025 relacionadas do Governo Raquel Lyra. No vídeo analisado por O estopim, Amisadai afirma que houve reunião no Palácio do Campo das Princesas e explica uma dinâmica baseada em veículo próprio, perfis parceiros e publicações conjuntas nas redes sociais. Em um dos trechos, diz:


“A gente conversa com o pessoal das redes para fazer ‘collab’.”

A Record afirma que a rede alcançaria mais de 300 perfis.



Como a rede descrita na reportagem funcionaria


O modelo apresentado pela reportagem não depende de uma única página. Segundo o relato de Amisadai, existe um veículo de comunicação que publica conteúdo político e mantém relação com diferentes páginas e perfis. Essas contas podem compartilhar a mesma publicação por meio da ferramenta de colaboração das redes sociais, ampliando simultaneamente o alcance de determinado conteúdo.


Na gravação, ele também relata que o Governo do Estado teria enxergado o grupo como um canal capaz de “desidratar” João Campos.


Em outro momento, Amisadai menciona uma reunião no Palácio do Campo das Princesas.


Esses trechos são relevantes porque indicam três componentes de uma operação digital: produção de conteúdo, distribuição coordenada por vários perfis e objetivo político de reduzir a força de um adversário.


O vídeo disponível, sozinho, não permite saber quem participou da reunião citada, quais orientações teriam sido dadas nem comprovar que Raquel Lyra pessoalmente comandou ou autorizou a estrutura.


O texto publicado pelo R7 após a exibição da reportagem afirma que Amisadai teria dito que foi chamado pela governadora para realizar o trabalho contra Campos.


Quem é Amisadai Andrade e qual sua ligação com o governo


A relação funcional de Amisadai com o Governo de Pernambuco é confirmada por documentos públicos.


Portaria da Caixa Econômica Federal publicada no Diário Oficial da União em abril de 2025 autorizou sua cessão ao Governo de Pernambuco para atuação como superintendente do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo, o Prodetur. O documento estabeleceu que o ônus da remuneração seria do órgão cessionário.


Em maio de 2025, atos publicados no Diário Oficial de Pernambuco registraram Amisadai em funções comissionadas da Secretaria de Turismo e Lazer, inclusive como superintendente de Operações da Arena de Pernambuco.


O sistema Tome Conta, do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, também registra despesas relacionadas ao ressarcimento à Caixa pela cessão do servidor. Um empenho de fevereiro de 2026, por exemplo, registra R$ 12.193,52 referentes à competência de dezembro de 2025.


Portanto, é fato documentado que Amisadai mantém vínculo funcional com a estrutura estadual.


Isso, por si só, não comprova que atividades políticas ou digitais eventualmente realizadas por ele tenham sido determinadas pelo governo.


Portal de Prefeitura aparece no centro da distribuição


A reportagem identifica o Portal de Prefeitura, pertencente à Portal Comunicação e Marketing Ltda., como um dos principais pontos de distribuição de conteúdo da rede.


A Record afirma que Amisadai já integrou a sociedade da empresa e que continua ligado ao domínio eletrônico do portal. O site possui centenas de milhares de seguidores e, segundo a emissora, participa de publicações compartilhadas com outras contas.


O cadastro empresarial atualmente disponível para a Portal Comunicação e Marketing Ltda., CNPJ 33.470.439/0001-37, não apresenta Amisadai entre os sócios atuais.


Esse ponto também foi contestado pela própria empresa.


Em nota exibida na reportagem da Record, a Portal Comunicação e Marketing afirmou que Amisadai deixou formalmente a sociedade em setembro de 2024, não integra a administração e não responde por contratos, publicações ou outros atos praticados posteriormente à sua saída. Porém, fica claro que a extensão dessa relação precisa ser esclarecida pelas investigações.


Como entraria o dinheiro público


A parte central da reportagem está no financiamento. Na reportagem a Record mostra uma tela de ordens bancárias referentes a 2026 cuja soma destacada chega a R$ 186.413,04.


No conteúdo publicado no R7, a emissora afirma que a Portal Comunicação e Marketing recebe recursos vinculados à publicidade do Governo de Pernambuco desde 2023 e que o total acumulado já ultrapassou meio milhão de reais.


A hipótese apresentada pela reportagem é que a publicidade institucional funcionaria como a origem financeira de veículos que, paralelamente, participariam da rede de conteúdo político.


O mecanismo seria, em linhas gerais, este: o governo contrata agências de publicidade; as agências administram campanhas e veiculações; veículos e páginas recebem recursos pela publicação de publicidade institucional; alguns desses mesmos veículos ou operadores participariam da produção ou amplificação de conteúdos contra adversários.


O ponto que ainda precisa ser demonstrado é se os pagamentos foram realizados especificamente como contrapartida pela produção de ataques políticos, ou se correspondem a veiculações institucionais regulares contratadas segundo critérios técnicos. Essa diferença é decisiva.


Contrato de publicidade de até R$ 1,2 bilhão virou foco de disputa


A discussão ocorre dentro de uma estrutura de publicidade estadual muito maior. Em 2025, o Governo de Pernambuco realizou licitação para contratar quatro agências de propaganda para atender a Secretaria de Comunicação. Documentação oficial registra entre as concorrentes a E3 Comunicação Integrada, posteriormente contratada ao lado de outras três agências.


O modelo prevê até R$ 120 milhões por ano, com valor potencial de R$ 1,2 bilhão ao longo de dez anos, considerando as prorrogações possíveis. A dimensão do contrato levou a oposição na Assembleia Legislativa a propor a chamada CPI da Publicidade.


A Record também retomou questionamentos envolvendo a instalação da E3 em Pernambuco e um imóvel relacionado a Waldemiro Ferreira Teixeira, conhecido como Dodi, primo da governadora.


Uma auditoria do TCE-PE sobre o processo de contratação apontou problemas e fez recomendações relacionadas à documentação e à transparência, mas não encontrou indícios de direcionamento do certame.


CPI foi aberta, travou e acabou extinta


A CPI da Publicidade surgiu na Assembleia Legislativa em agosto de 2025 após requerimento da então deputada Dani Portela e apoio de outros parlamentares.


A comissão, entretanto, enfrentou sucessivas disputas políticas e judiciais, praticamente não funcionou e foi oficialmente extinta em maio de 2026.


Antes disso, o presidente da Alepe, Álvaro Porto, havia acusado um assessor do gabinete da governadora de atuar em uma “milícia digital” contra parlamentares e instituições.


O assessor citado, Manoel Medeiros, rejeitou a acusação e afirmou ter atuado no exercício da cidadania ao encaminhar denúncias a órgãos de controle. O episódio mostra que a suspeita de uma estrutura digital ligada ao governo antecede a reportagem exibida agora pela Record.


Polícia Federal e Justiça Eleitoral entraram no caso


A Record afirma que a Polícia Federal investiga a empresa e que o material gravado foi levado à corporação. Outras reportagens publicadas desde abril informam a existência de inquérito para investigar uma suposta estrutura digital ligada ao Governo de Pernambuco.


Ainda, não é possível afirmar que Raquel Lyra seja formalmente investigada pessoalmente nesse procedimento apenas com as informações disponíveis.


Na Justiça Eleitoral, a campanha de João Campos apresentou neste mês um pedido ao TRE-PE para que plataformas digitais preservem dados relacionados a 13 pessoas identificadas e outros 40 perfis cujos responsáveis ainda precisariam ser determinados.


A finalidade declarada é preservar registros para eventual investigação eleitoral posterior sobre uma possível rede coordenada e seu financiamento.


O que diz a campanha de Raquel Lyra


Em resposta à iniciativa de João Campos no TRE-PE, a campanha de Raquel Lyra afirmou que o pedido de preservação de dados não comprova irregularidade.


A campanha disse receber a medida com tranquilidade, afirmou confiar na Justiça Eleitoral e sustentou que manifestações espontâneas de apoio nas redes sociais não podem ser automaticamente tratadas como participação em atividade ilegal.


Esse posicionamento foi apresentado antes da nova reportagem da Record. O texto publicado pelo R7 sobre a gravação desta terça-feira não reproduz uma nova manifestação específica da governadora sobre as declarações de Amisadai.


O que acontece agora


O caso passa a ter três frentes principais.


  • A Polícia Federal poderá aprofundar a análise das relações entre servidores, empresas, pagamentos e administradores dos perfis apontados nas denúncias.

  • O TRE-PE poderá receber dados preservados pelas plataformas e avaliar, em eventual ação eleitoral, se existiu atividade coordenada, quem a financiou e se houve participação de agentes ou recursos públicos.

  • Politicamente, a nova gravação deverá ampliar o confronto entre Raquel Lyra e João Campos durante a campanha para o Governo de Pernambuco. Mas a disputa eleitoral não elimina a necessidade de distinguir acusação de prova.


A questão central agora é documental: quem pagou, quem recebeu, quem produziu, quem distribuiu e quem deu as ordens.


São essas respostas que determinarão se a rede apresentada pela Record corresponde apenas a um ecossistema de páginas politicamente alinhadas ou a uma estrutura financiada com dinheiro público para interferir na disputa eleitoral.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na apuração e produção de reportagens sobre política, poder público, fiscalização e temas de interesse coletivo.


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