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Evento reuniu apoiadores na noite de sábado; Ivete concentrou discurso em educação, saúde e estrutura dos serviços públicos, enquanto João colocou disputa estadual no campo da eleição presidencial.


Por Clara Mendes para O estopim |

23 de agosto de 2026

Cobertura das Eleições 2026


Ivete Caetano reúne apoiadores em inauguração de comitê no Recife
Ivete Caetano reúne apoiadores em inauguração de comitê no Recife. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A candidata a deputada estadual Professora Ivete Caetano, do PT, inaugurou na noite deste sábado (22), seu comitê de campanha na região central do Recife diante de um público numeroso e com a participação de João Campos, candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, da senadora Teresa Leitão, do PT, de Marília Arraes, candidata do PDT ao Senado, além de Liana Cirne candidata a Deputada Federal, pelo PT e do Prefeito do Recife Victor Marques do PCdoB. João e Ivete fizeram os discursos de maior confronto político da noite, com críticas ao grupo da governadora Raquel Lyra, do PSD, e defesa do alinhamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


João Campos usou a passagem pelo comitê para colocar a disputa pernambucana dentro da polarização da eleição presidencial. Ao falar dos adversários, declarou que “do outro lado, está a turma do Bolsonaro todinha”. Na sequência, afirmou que seu grupo tem como “prioridade máxima” a reeleição de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin.


O candidato ao governo citou Ivete Caetano e Teresa Leitão ao delimitar o campo político que pretende representar em Pernambuco. João afirmou que as forças reunidas no ato têm diferenças internas, mas integram, segundo ele, um campo “popular e democrático”. O discurso reforçou uma linha adotada pela Frente Popular desde a formação da chapa estadual: vincular a candidatura de João ao palanque de Lula e associar integrantes do grupo de Raquel Lyra a setores do bolsonarismo.


A fala também deu peso estadual à candidatura de Ivete. Em vez de restringir o apoio à disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco, João apresentou a candidata petista como integrante do conjunto político que pretende eleger governador, senadores, deputados e manter Lula na Presidência.


Marília Arraes, candidata ao Senado, posa ao lado da senadora Teresa Leitão durante a inauguração do comitê de Ivete Caetano, no Recife.
Marília Arraes, candidata ao Senado, posa ao lado da senadora Teresa Leitão durante a inauguração do comitê de Ivete Caetano, no Recife. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ivete respondeu com um discurso concentrado em sua principal área de atuação, a educação pública, e ampliou as críticas para a saúde estadual. Em um dos momentos centrais da fala, afirmou:


“Lula trouxe indústrias para Pernambuco. E Raquel Lyra trouxe o quê? Teto de hospital e de escola caindo.”

A candidata relacionou os problemas estruturais dos prédios públicos à falta de manutenção e afirmou que a educação não recebeu prioridade política do governo estadual. Ivete disse que pretende levar essa cobrança para a Alepe caso seja eleita. A professora também recorreu à própria experiência de mais de três décadas no serviço público para sustentar o argumento de que manutenção predial precisa ser permanente.


A crítica feita no palanque ocorre após uma sequência real de problemas estruturais em equipamentos estaduais. Em 7 de julho, parte do teto da Escola Estadual Presidente Arthur da Costa e Silva, na Mustardinha, desabou e deixou seis estudantes e um professor feridos. Em 29 de julho, parte do forro de uma sala de recuperação do Hospital da Restauração caiu sobre uma paciente que havia passado por cirurgia. Em agosto, novos episódios envolvendo coberturas e forros foram registrados em escola e hospital da rede estadual.


O Governo de Pernambuco disse ter adotado providências nos casos. Após o desabamento no Hospital da Restauração, anunciou investigação administrativa, perícia, interdição parcial do setor e auditoria para apurar causas e responsabilidades. No episódio da escola estadual no bairro de São José, a Secretaria de Educação informou que quatro folhas de PVC se desprenderam devido aos fortes ventos e foram recolocadas.


Teresa Leitão também transformou o apoio a Ivete em crítica direta ao governo estadual. A senadora questionou o discurso de neutralidade ideológica na administração pública e argumentou que decisões de governo expressam escolhas políticas. A fala convergiu com a estratégia adotada por João de cobrar de Raquel Lyra uma definição de campo na eleição nacional.


O apoio de Teresa a Ivete antecede a campanha atual e tem origem em uma trajetória política compartilhada. Antes de disputar a Alepe, Ivete trabalhou ao lado de Teresa quando a atual senadora exercia mandato de deputada estadual, com atuação na Comissão de Educação e Cultura da Assembleia. As duas também têm trajetória ligada às lutas de trabalhadores da educação.


Ivete Caetano abriu seu comitê no Recife com grande público e apoio de João Campos, Teresa Leitão e Marília Arraes. Educação e serviços públicos dominaram o discurso da candidata.
Ivete Caetano abriu seu comitê no Recife com grande público e apoio de João Campos, Teresa Leitão e Marília Arraes. Educação e serviços públicos dominaram o discurso da candidata. | Foto: Divulgação.

Marília Arraes também esteve na inauguração e reforçou publicamente o apoio à candidatura. Depois do ato, a candidata ao Senado publicou que participou da abertura do comitê e destacou a trajetória de Ivete na educação, classificando essa luta como “inspiradora”.


A presença conjunta de João Campos, Victor Marques. Teresa Leitão, Liana Cirne e Marília Arraes colocou no mesmo evento representantes de PSB, PT, PCdoB e PDT e reproduziu, na disputa proporcional, a composição política construída em torno da candidatura de João ao Governo de Pernambuco e da reeleição de Lula.


Professora de História, Ivete Caetano tem 60 anos, é presidente licenciada do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação de Pernambuco, o Sintepe, e disputa uma cadeira na Alepe pelo PT com o número 13613. A candidatura integra a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.


A inauguração do comitê marca uma nova etapa da campanha de Ivete, agora com estrutura própria no Recife, presença de dirigentes do campo governista federal e um discurso que coloca educação, valorização dos servidores e fiscalização dos serviços públicos no centro da disputa pela Assembleia.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre política, poder e acontecimentos do dia com foco em apuração, verificação e interesse público.

Deputada estadual leva ao Sertão do Moxotó um discurso de unidade, mobilização de base e enfrentamento à extrema direita durante encontro da Frente Ampla em apoio ao presidente


Por Raul Silva para O estopim | 2 de maio de 2026



Mulher com flor vermelha no cabelo fala ao microfone em uma reunião. Fundo com bandeira colorida e números 13 visíveis. Ambiente sério.
Deputada Dani Portela (PT-PE) durante encontro da Frente Ampla em Arcoverde em apoio a pré-candidatura do presidente Lula | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

O estopim da fala da deputada estadual Dani Portela (PT) em Arcoverde foi a tentativa do campo progressista de transformar apoio eleitoral em organização territorial. Em vídeo analisado por O estopim, a parlamentar aparece durante o Encontro da Frente Ampla em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, defendendo a construção de uma base popular em torno da pré-candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.


A intervenção de Dani não foi apenas uma saudação de presença. A deputada tratou a eleição de 2026 como uma disputa de projeto nacional e cobrou que a defesa de Lula saia do plano simbólico para a prática cotidiana da militância. O eixo da fala foi a necessidade de unir partidos, movimentos sociais, sindicatos, juventudes, lideranças comunitárias e parlamentares em uma frente capaz de disputar votos, narrativas e presença política no interior pernambucano.


No vídeo, a parlamentar fala de pé, microfone em mãos, diante de militantes e lideranças locais. O tom é de convocação. Dani associa a reeleição de Lula à defesa da democracia, das políticas públicas e da participação popular. A mensagem central é simples, mas politicamente densa: 2026 não será vencido apenas com memória afetiva do lulismo no Nordeste, mas com organização de base e presença nos territórios.


Arcoverde ocupa uma posição estratégica na política do interior pernambucano. Porta de entrada do Sertão do Moxotó e cidade de influência regional, o município funciona como ponto de passagem entre agendas do Agreste, do Sertão e da Região Metropolitana. Por isso, um encontro de frente ampla no município tem peso maior do que uma reunião local isolada.


A mobilização em Arcoverde já vinha sendo organizada por lideranças partidárias, movimentos sociais e militantes alinhados ao campo progressista. A iniciativa, articulada em torno da defesa da reeleição de Lula, foi apresentada como espaço de diálogo entre diferentes segmentos políticos e sociais, com participação de partidos como PT, PCdoB e PV, além de lideranças comunitárias e representantes de movimentos populares.


Grupo de pessoas em pé, sorrindo, gesticulando "L" com as mãos em uma sala com fotos na parede. Vestem roupas coloridas. Ambiente alegre.
Encontro da Frente Ampla em apoio à reeleição de Lula, representando partidos como PT, PCdoB e PV, além de líderes comunitários, todos celebrando o espaço de diálogo político. | Foto: Michael Andrade/Agência O estopim+

Esse desenho revela uma estratégia conhecida no presidencialismo brasileiro: a eleição nacional precisa de capilaridade municipal. Não basta que o candidato lidere pesquisas ou tenha recall histórico. É no município que a política se materializa em comitês, rodas de conversa, visitas a bairros, agendas em sindicatos, escuta de trabalhadores e disputa contra a desinformação.


A fala de Dani Portela se encaixa exatamente nesse diagnóstico. A deputada olha para Arcoverde como base de irradiação. Ao participar do encontro, ela ajuda a nacionalizar a pauta local e, ao mesmo tempo, sertanejar a campanha nacional. Esse movimento é decisivo porque o lulismo sempre teve no Nordeste um de seus pilares, mas enfrenta em 2026 um ambiente mais fragmentado, com redes digitais agressivas, disputa religiosa, pressão do bolsonarismo e rearranjos estaduais ainda em curso.


A presença de Dani Portela no ato também carrega um significado interno para o PT. A parlamentar chegou ao partido em 2026 após uma trajetória construída no PSOL, legenda pela qual foi candidata ao Governo de Pernambuco, vereadora do Recife e deputada estadual. Sua filiação ao PT foi abonada por Lula e apresentada pela própria deputada como uma resposta ao chamado do presidente para fortalecer o campo progressista em Pernambuco.


Dani não chega ao petismo como quadro burocrático. Sua identidade pública está ligada aos movimentos sociais, à luta antirracista, ao feminismo, à defesa da população LGBTQIAPN+, à educação pública e à advocacia popular. Essa trajetória a coloca numa posição peculiar dentro da frente lulista: ela fala para a militância tradicional, mas também para setores que muitas vezes cobram do PT mais radicalidade programática, mais presença nas periferias e maior compromisso com pautas de direitos humanos.



Em Arcoverde, essa dupla função apareceu com nitidez. A deputada defendeu Lula, mas não reduziu a fala ao personalismo. Ao insistir na organização popular, deslocou o centro da mensagem para a construção coletiva. É uma diferença relevante. Campanhas personalistas dependem da imagem do líder. Campanhas orgânicas dependem de estrutura, base, militância e pertencimento.


O encontro em Arcoverde se apresenta como Frente Ampla, mas a fala de Dani Portela aproxima o evento de uma ideia de frente popular. A diferença é política. Frente ampla é o arranjo entre forças diversas para conter um adversário comum, geralmente em nome da democracia. Frente popular pressupõe participação social mais intensa, com sindicatos, movimentos, juventudes, coletivos de mulheres, negros, trabalhadores rurais, comunidades religiosas progressistas e lideranças comunitárias.


A deputada parece apostar nessa segunda camada. Sua intervenção sugere que a unidade eleitoral precisa ser acompanhada de disputa de conteúdo. Em outras palavras, não basta reunir siglas para pedir voto em Lula. É necessário explicar o que está em jogo, defender políticas públicas, mostrar obras e programas, organizar a juventude, combater mentiras e construir um palanque que também dialogue com o cotidiano do povo.


Essa é uma leitura coerente com o momento político. O bolsonarismo demonstrou nos últimos anos que não depende apenas de partidos formais. Opera por redes de influência, templos, grupos de WhatsApp, canais digitais, associações profissionais e lideranças locais. Para enfrentá-lo, o campo progressista precisa fazer mais do que costurar cúpulas. Precisa ocupar território social.


Um homem de terno azul e chapéu branco aponta para a câmera em um ambiente interno com cortinas e móveis de madeira, com expressão séria.
Presidente Lula anunciou que Desenrola 2.0 vai ser lançado na próxima segunda-feira (4) | Crédito: Reprodução

Do ponto de vista legal, a candidatura formal de Lula ainda depende dos ritos eleitorais. O calendário do Tribunal Superior Eleitoral prevê que partidos e federações realizem convenções entre julho e agosto para escolher candidatas, candidatos e coligações. Por isso, o termo correto neste momento é pré-candidatura.


Mas, no campo político, a disputa já começou. Encontros como o de Arcoverde servem para testar discursos, alinhar bases, reduzir ruídos entre partidos aliados e construir o clima de mobilização. É nesse intervalo entre a pré-campanha e a campanha oficial que se formam as redes que depois vão pedir voto nas ruas.


A fala de Dani Portela, portanto, deve ser lida como peça de uma engrenagem maior. Ela não apenas declarou apoio a Lula. Ela cobrou método. E método, em política, significa saber quem mobiliza, onde mobiliza, com qual narrativa e para qual projeto.


Pernambuco é central para Lula por razões históricas, afetivas e eleitorais. O presidente nasceu em Garanhuns, no Agreste Meridional, e sempre encontrou no estado uma base expressiva de apoio. Ainda assim, a política pernambucana de 2026 não é linear. Há disputas sobre palanques estaduais, composição para o Senado, fortalecimento da bancada federal e articulações entre PT, PSB, PCdoB, PV, PDT e outros partidos do campo governista.


Dani Portela tem defendido publicamente que o PT evite candidaturas avulsas e priorize unidade em torno do palanque de Lula. Esse ponto reaparece no sentido político da fala em Arcoverde. A deputada sabe que uma eleição presidencial apertada exige mais do que voto para presidente. Exige eleger deputados federais, senadores e governadores alinhados, porque governabilidade não se constrói apenas no Palácio do Planalto. Ela se constrói no Congresso e nas Assembleias Legislativas.


Esse é o ponto que aproxima a fala da deputada de uma leitura mais estrutural. Para o lulismo, vencer a Presidência sem maioria suficiente no Congresso significa repetir parte das dificuldades enfrentadas desde 2023: negociações custosas, pressão do Centrão, derrotas em pautas sensíveis e necessidade permanente de conter ofensivas conservadoras.


Mulher com flor no cabelo fala ao microfone. Veste preto com padrão branco. Ao fundo, bandeira colorida e ambiente claro. Emocional.
Deputada Dani Portela (PT-PE) durante encontro da Frente Ampla em Arcoverde em apoio a pré-candidatura do presidente Lula | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

A força da fala de Dani Portela está menos na novidade formal e mais no recado político. Ela chamou a militância a assumir uma tarefa. A pré-candidatura de Lula, segundo o sentido de sua intervenção, não pode depender apenas de grandes lideranças, ministros, senadores ou prefeitos. Precisa de gente comum defendendo o projeto no chão da cidade.


Isso inclui juventudes que tiram título de eleitor, professoras que discutem educação, trabalhadoras que defendem renda, movimentos de moradia que cobram política urbana, sindicatos que discutem emprego, agricultores familiares que dependem de crédito, mulheres que enfrentam violência e comunidades negras que exigem presença efetiva do Estado.


Ao levar esse discurso para Arcoverde, Dani tenta ampliar o campo de escuta do PT. O partido sabe que o Nordeste é uma fortaleza eleitoral, mas uma fortaleza sem manutenção pode perder muralhas. A manutenção, neste caso, é política de base.


A fala de Dani Portela durante o Encontro da Frente Ampla em Arcoverde funciona como uma fotografia do momento progressista em Pernambuco. Há disposição de unidade, mas também há consciência de que a eleição de 2026 será dura. Há confiança no capital político de Lula, mas também há percepção de que carisma presidencial não substitui organização local.


Em termos práticos, o encontro reforça três movimentos. Primeiro, a interiorização da pré-campanha lulista. Segundo, a tentativa de transformar frente ampla em rede popular. Terceiro, a consolidação de Dani Portela como uma das vozes do PT pernambucano capazes de dialogar com movimentos sociais e militância urbana e interiorana.


No tabuleiro político, Arcoverde não é detalhe. É trincheira de articulação no Sertão. E Dani Portela, ao falar ali, deixou claro que a pré-candidatura de Lula será disputada não apenas nos palanques de capital, mas nas bases municipais onde a política ainda se decide olho no olho.


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Raul Silva é jornalista político sênior de O estopim, especialista em Ciência Política, instituições democráticas e relações entre poder, território e sociedade no Nordeste brasileiro.


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