Ivete Caetano leva demandas da escola pública a João Campos, que assume compromissos com educação
- Raul Silva

- há 22 horas
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Candidata do PT leva bandeiras da escola pública ao centro da campanha e obtém de João Campos compromissos com professores e expansão do ensino.
Por Raul Silva para O estopim |
24 de agosto de 2026
Cobertura das Eleições 2026

A professora Ivete Caetano (PT) transformou a inauguração de seu comitê de campanha, no sábado (22), no Recife, em um ato de cobrança por compromissos com a educação pública. Diante de professores, sindicalistas, lideranças políticas e movimentos sociais, a candidata a deputada estadual defendeu que as demandas das escolas e dos trabalhadores da educação tenham representação direta na Assembleia Legislativa de Pernambuco. No mesmo palanque, o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB) assumiu compromissos com algumas das principais bandeiras apresentadas por Ivete.
Segundo a organização do evento, mais de 2 mil pessoas participaram da inauguração. Também estiveram presentes Marília Arraes, candidata ao Senado, e a senadora Teresa Leitão. O senador Humberto Costa participou por meio de uma mensagem em vídeo. A presença de João no lançamento da candidatura de Ivete estava prevista na agenda oficial de campanha daquele sábado.
Mais do que reunir aliados, o ato colocou a educação no centro de uma relação política que Ivete tenta construir entre as reivindicações acumuladas dentro das escolas e as decisões tomadas no Executivo e no Legislativo.
Ivete Caetano leva experiência das escolas para a disputa pela Alepe
Ivete Caetano defendeu que a Assembleia Legislativa precisa de uma professora capaz de levar para dentro do Parlamento questões que normalmente aparecem primeiro na sala de aula, nas reuniões de professores, nos sindicatos e nas comunidades escolares.
“Nós dependemos das decisões políticas. Por isso preciso estar na Alepe, para ser uma voz que defenda a educação, as mulheres, os jovens e tantas outras pautas sociais”, afirmou.
A defesa da educação não aparece de forma isolada em sua trajetória. Ivete chegou ao Recife em 1984 para estudar e trabalhar na rede estadual de ensino. No início da década de 1990, participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação de Pernambuco, o Sintepe, e integrou sua primeira direção. Em agosto deste ano, a Câmara Municipal do Recife concedeu a ela o Título de Cidadã do Recife em reconhecimento também à atuação na defesa da escola pública e dos profissionais da educação.
É essa experiência que a candidatura tenta converter em representação parlamentar. Para Ivete, uma cadeira na Alepe permitiria não apenas apresentar projetos, mas fiscalizar o orçamento estadual, cobrar condições adequadas nas escolas e acompanhar políticas de valorização dos profissionais da educação.
João Campos assume compromissos diante de Ivete e dos educadores
Foi nesse ambiente que João Campos apresentou compromissos para a educação estadual caso seja eleito governador.
“Nós temos o compromisso de investir muito na educação”, afirmou o candidato.
Campos citou entre suas prioridades a valorização dos professores, a expansão da educação técnica e profissional e a ampliação do acesso ao ensino superior, especialmente no interior de Pernambuco.
O candidato também afirmou que pretende ampliar oportunidades para mulheres, moradores das periferias, pessoas pretas e pardas e povos indígenas.
A presença de Ivete no ato dá um significado específico a essas declarações. Ela não aparece apenas como candidata apoiada pelo grupo político de João. Ao colocar reivindicações de profissionais da educação diante do candidato ao governo, Ivete se apresenta como interlocutora entre quem executa a política educacional na ponta e quem poderá comandar o orçamento e a estrutura administrativa do Estado. Do ponto de vista político, o evento registra um compromisso público.
Educação vira compromisso político a ser cobrado
A principal consequência política do ato de Ivete Caetano foi colocar algumas das reivindicações históricas da categoria diante de um candidato competitivo ao Governo de Pernambuco e obter dele uma manifestação pública.
Essa posição também aumenta a responsabilidade da própria candidatura de Ivete. Ao defender uma professora na Alepe, ela sustenta que educação exige representação política capaz de fiscalizar governos, inclusive governos aliados, acompanhar orçamento e transformar reivindicações em legislação.
A candidata também declarou que pretende atuar na defesa do Sistema Único de Saúde, da agricultura familiar, dos direitos das mulheres, da juventude, da população idosa, de crianças e adolescentes, do combate ao racismo e da justiça socioambiental.
Teresa Leitão, primeira professora eleita para o Senado por Pernambuco, associou a candidatura de Ivete a essa busca por representação.
“A gente disse muito há quatro anos: ‘vai ter professora no Senado’. Agora, eu quero que a gente possa dizer: ‘vai ter professora na Assembleia Legislativa de Pernambuco’”, declarou.
O que acontece agora?
O próximo passo é verificar como os compromissos apresentados por João Campos no ato aparecerão em seu programa de governo e quais metas, prazos e recursos serão vinculados à valorização docente, à educação profissional, à infraestrutura escolar e à expansão do ensino superior.
Para Ivete Caetano, a campanha também terá de mostrar como sua experiência nas escolas e no movimento sindical será convertida em propostas legislativas concretas para a Alepe.
A partir de agora, compromisso de palanque pode ser confrontado com documento, orçamento e prazo.
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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, políticas públicas e temas de interesse social, com foco em apuração, contexto e fiscalização do poder.
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