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Lula em 2026: cinco resultados que fortalecem a defesa de sua reeleição

Emprego em alta, combate à fome, queda do desmatamento, permanência de jovens na escola e crescimento econômico formam o principal conjunto de resultados apresentado pelo governo na disputa de 2026.


Por Raul Silva para O estopim |

Cobertura especial das Eleições 2026

9 de agosto de 2026



Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante agenda no Palácio do Planalto em 2026
Cinco indicadores concentram os argumentos favoráveis à continuidade de Lula em 2026. O estopim checou os números e também os contrapontos. | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Luiz Inácio Lula da Silva chega à eleição presidencial de 2026 com cinco resultados centrais para sustentar a defesa de sua continuidade no Palácio do Planalto: desemprego em patamar historicamente baixo, Brasil fora do Mapa da Fome, redução dos alertas de desmatamento na Amazônia, queda do abandono no ensino médio e crescimento da economia acompanhado pela retomada de grandes investimentos em infraestrutura.


São resultados que atingem áreas diretamente ligadas ao cotidiano da população e ajudam a explicar por que o governo chega à campanha com uma plataforma baseada menos em promessas e mais na comparação entre o cenário encontrado em 2023 e os indicadores registrados no fim do mandato.


1. Desemprego em 5,4% e renda maior


O primeiro argumento está no mercado de trabalho. A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho de 2026. O país chegou a 103,1 milhões de pessoas ocupadas, enquanto o rendimento real habitual alcançou R$ 3.738, crescimento de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025. É um dos dados de maior peso político para Lula.


Emprego significa renda circulando, consumo, pagamento de contas e maior segurança para milhões de famílias. Um governo que chega ao fim do mandato com desemprego baixo entra na disputa eleitoral com um indicador concreto para apresentar ao eleitor.


O dado também reforça um dos pilares históricos do discurso de Lula: crescimento econômico precisa chegar ao trabalhador.


2. Brasil voltou a ficar fora do Mapa da Fome


O segundo resultado está no combate à fome. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, confirmou que o Brasil voltou a ficar abaixo do limite usado para classificar países no chamado Mapa da Fome.


O indicador considera a média entre 2022 e 2024 e aponta que menos de 2,5% da população estava em situação de subalimentação. O resultado devolve ao governo Lula uma bandeira de forte peso político e social.


Desde o início do mandato, o governo retomou programas de segurança alimentar, reformulou o Bolsa Família, ampliou políticas de transferência de renda e manteve a valorização real do salário mínimo.


A saída do Mapa da Fome tornou-se, por isso, um dos principais símbolos sociais apresentados pelo governo nesta eleição.


3. Alertas de desmatamento caíram 37,2% na Amazônia


O terceiro resultado aparece na política ambiental. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, os alertas de desmatamento registrados pelo sistema DETER na Amazônia somaram 2.485,90 quilômetros quadrados, contra 3.959,98 quilômetros quadrados no mesmo intervalo anterior. A queda foi de 37,2%.


Somente em junho, a redução chegou a 35% na comparação com junho de 2025. O resultado fortalece uma área que sofreu forte mudança de direção desde 2023. O governo retomou operações de fiscalização, reforçou a atuação de órgãos ambientais e voltou a tratar a proteção da Amazônia como prioridade nacional e tema central da política externa brasileira.


Para Lula, a redução da pressão sobre a floresta também fortalece a posição do Brasil nas negociações internacionais sobre clima, financiamento ambiental e preservação.


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4. Abandono no ensino médio caiu 61%


O quarto resultado está na educação. Dados do Censo Escolar mostram que o abandono no ensino médio público caiu 61% entre 2022 e 2025.


No mesmo período, a reprovação recuou 62%, a distorção idade-série caiu 28% e a taxa de aprovação aumentou 11%. Nesse cenário, o Pé-de-Meia tornou-se uma das principais vitrines do governo Lula na educação.


Criado em 2024, o programa oferece incentivo financeiro a estudantes de baixa renda matriculados no ensino médio público. O objetivo é simples: impedir que jovens abandonem a escola por necessidade financeira e garantir que concluam essa etapa da educação básica.


A lógica do programa ataca um problema conhecido há décadas no Brasil. Muitos jovens deixam a escola para trabalhar e complementar a renda familiar.


Ao colocar dinheiro diretamente nas mãos desses estudantes, o governo passou a tratar permanência escolar também como política de renda.


5. Economia cresceu e infraestrutura voltou ao centro do governo


O quinto resultado está na atividade econômica. O Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 2,3% em 2025. No primeiro trimestre de 2026, a economia avançou mais 1,1% em relação aos três meses anteriores.


Ao mesmo tempo, o governo retomou uma política nacional de grandes investimentos em infraestrutura por meio do Novo PAC.


A carteira do programa prevê R$ 1,9 trilhão em investimentos, distribuídos entre recursos públicos, empresas estatais, financiamentos e capital privado. São projetos em áreas como habitação, saneamento, rodovias, ferrovias, energia, saúde, educação e infraestrutura urbana.


O movimento recupera uma característica presente nos governos anteriores de Lula: usar investimento público e capacidade de coordenação do Estado para estimular obras, atividade econômica e geração de empregos.


Esse modelo voltou ao centro da agenda federal depois de anos em que grandes projetos nacionais de infraestrutura perderam espaço.


Cinco resultados que estarão no centro da eleição


A campanha de Lula em 2026 tem um conjunto de resultados facilmente identificável.


  • O desemprego caiu.

  • O Brasil voltou a ficar fora do Mapa da Fome.

  • Os alertas de desmatamento na Amazônia recuaram.

  • O abandono no ensino médio diminuiu.

  • A economia cresceu e grandes investimentos em infraestrutura voltaram à agenda federal.


Esses cinco pontos formam uma narrativa política clara: o governo tenta demonstrar que entregou melhora social, geração de emprego, presença do Estado e recuperação de políticas públicas desmontadas ou enfraquecidas nos anos anteriores.


A oposição seguirá concentrando críticas em inflação, endividamento público, carga tributária, ritmo dos investimentos privados e qualidade dos serviços públicos.


É nesse confronto entre resultados apresentados pelo governo e críticas feitas pelos adversários que a eleição será disputada.


O que acontece agora?


Lula foi escolhido pelo PT para disputar mais um mandato presidencial em 2026. Com o início oficial da campanha eleitoral, emprego, renda, combate à fome, educação, meio ambiente e crescimento econômico devem ocupar parte central da comunicação do presidente e de seus aliados.


A oposição terá a tarefa de apresentar outra leitura desses resultados e convencer o eleitor de que existe uma alternativa capaz de entregar desempenho superior.


Até outubro, os brasileiros decidirão qual projeto político deve comandar o país pelos próximos quatro anos.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, políticas públicas e temas de interesse social, com foco em dados, documentos e nos impactos das decisões públicas sobre a população.

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