Ivete Caetano usa 7 de Setembro para defender soberania e ecoa pronunciamento de Lula
Candidata do PT a deputada estadual em Pernambuco cita lutas libertárias do estado e relaciona independência a riquezas nacionais, democracia e justiça social
Por Clara Mendes para O estopim |
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7 de Setembro

A professora Ivete Caetano, candidata a deputada estadual pelo PT em Pernambuco e presidenta licenciada do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação de Pernambuco, o Sintepe, publicou neste 7 de Setembro um vídeo em que associa a Independência do Brasil à defesa da soberania nacional e repercute o pronunciamento feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de domingo, 6. Ivete concorre à Assembleia Legislativa e está com o registro de candidatura deferido.
A gravação, com cerca de 70 segundos, começa com um trecho do pronunciamento presidencial em que Lula afirma que o Brasil não aceitará retornar à condição de colônia. Logo depois, Ivete retoma a declaração.
“Não somos colônia de ninguém, nem seremos colônia de nenhum país”, afirma a candidata.
A frase reproduz o eixo central do discurso transmitido por Lula em cadeia nacional de rádio e televisão. O presidente declarou que o país não deve “baixar a cabeça” diante de potências estrangeiras e afirmou: “Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”. Lula também disse que nenhum governante de outro país deve determinar de quem o Brasil pode comprar ou para quem pode vender.
Ivete Caetano relaciona soberania à história de Pernambuco
No vídeo, Ivete também recorre à história pernambucana para sustentar a defesa da independência.
“Pernambuco foi um dos estados que teve muitas lutas libertárias para que a gente fosse um país independente”, afirma.
A referência encontra respaldo no histórico de movimentos políticos ocorridos no estado. A Revolução Pernambucana de 1817 chegou a instalar um governo republicano durante 74 dias e influenciou movimentos posteriores, como a Convenção de Beberibe, em 1821, e a Confederação do Equador, em 1824.
A sequência histórica exige uma distinção. A Revolução de 1817 ocorreu antes da declaração formal da Independência do Brasil, em 1822. A Confederação do Equador ocorreu dois anos depois e se insurgiu contra a centralização política do Império. Os episódios integram a tradição de movimentos emancipacionistas e republicanos de Pernambuco, mas ocorreram em momentos distintos do processo de formação do Estado brasileiro.
Ivete afirma ainda que a soberania precisa ser exercida continuamente.
“O Brasil tem condições de ser um país soberano e andar com suas próprias pernas”, diz no vídeo.
Na sequência, a candidata aponta recursos naturais como parte dessa capacidade.
“Nós temos petróleo, nós temos terra, nós temos a Amazônia. Essa é a nossa força”, afirma.
A fala acompanha uma das principais linhas do pronunciamento de Lula. O presidente citou petróleo, água doce, minerais críticos e terras raras e defendeu que esses recursos sejam usados para desenvolvimento tecnológico e geração de empregos dentro do país.
Publicação amplia independência para direitos sociais
No texto que acompanha o vídeo, Ivete afirma que soberania não se resume à defesa territorial.
“Um Brasil soberano é um Brasil que protege seu povo, suas riquezas, sua democracia e o direito de decidir o próprio futuro”, diz a publicação.
A mensagem acrescenta que a bandeira pertence ao povo brasileiro e relaciona “verdadeira independência” a justiça social, redução das desigualdades, educação, trabalho, democracia e dignidade.
Esse ponto também aparece no pronunciamento presidencial. Lula relacionou soberania à possibilidade de acesso a educação, emprego, saúde pública e a uma vida sem fome, pobreza e desigualdade.
Pronunciamento precisou de autorização do TSE
O discurso presidencial ocorreu durante o período eleitoral. Lula disputa a reeleição em outubro, e a legislação impõe restrições a pronunciamentos de agentes públicos em cadeia nacional de rádio e televisão nos meses que antecedem o pleito.
Por isso, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência pediu autorização ao Tribunal Superior Eleitoral. O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, autorizou a transmissão em decisão tomada na sexta-feira, 4. O pronunciamento teve duração prevista de três minutos e 43 segundos.
O conteúdo divulgado por Ivete, por outro lado, é material político de uma candidata em campanha. O próprio vídeo exibe o nome “Professora Ivete Caetano”, o número eleitoral 13613 e a identificação como candidata a deputada estadual.
Dados eleitorais consultados nesta segunda-feira mostram que Ivete Caetano de Oliveira disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco pelo PT, integrante da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.
Soberania também domina desfile em Brasília
O mesmo conceito escolhido por Lula e retomado por Ivete apareceu na cerimônia oficial realizada nesta segunda-feira na Esplanada dos Ministérios.
“Soberania, a força que une o Brasil” foi um dos três eixos do desfile de 7 de Setembro em Brasília. Os outros foram o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027.
O desfile reuniu Lula e os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A organização estimou público de aproximadamente 70 mil pessoas na Esplanada.
A soberania tornou-se, portanto, ponto de convergência entre o pronunciamento institucional de Lula, o desfile oficial e a comunicação eleitoral de aliados do presidente neste 7 de Setembro. No caso de Ivete, a candidata acrescentou ao tema a história política de Pernambuco e pautas sociais como educação, trabalho e redução das desigualdades.
O vídeo termina com duas frases: “Viva a nossa soberania” e “Viva o nosso presidente Lula”.
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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre política, poder, eleições, Justiça e acontecimentos do dia com foco em apuração, verificação e interesse público.
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