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Candidata do PT a deputada estadual em Pernambuco cita lutas libertárias do estado e relaciona independência a riquezas nacionais, democracia e justiça social


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

7 de Setembro


Ivete Caetano defende soberania no 7 de Setembro e repercute fala de Lula
Ivete Caetano defende soberania no 7 de Setembro e repercute fala de Lula | Foto: Reprodução/Frame vídeo Ivete Caetano

A professora Ivete Caetano, candidata a deputada estadual pelo PT em Pernambuco e presidenta licenciada do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação de Pernambuco, o Sintepe, publicou neste 7 de Setembro um vídeo em que associa a Independência do Brasil à defesa da soberania nacional e repercute o pronunciamento feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de domingo, 6. Ivete concorre à Assembleia Legislativa e está com o registro de candidatura deferido.


A gravação, com cerca de 70 segundos, começa com um trecho do pronunciamento presidencial em que Lula afirma que o Brasil não aceitará retornar à condição de colônia. Logo depois, Ivete retoma a declaração.


“Não somos colônia de ninguém, nem seremos colônia de nenhum país”, afirma a candidata.

A frase reproduz o eixo central do discurso transmitido por Lula em cadeia nacional de rádio e televisão. O presidente declarou que o país não deve “baixar a cabeça” diante de potências estrangeiras e afirmou: “Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém”. Lula também disse que nenhum governante de outro país deve determinar de quem o Brasil pode comprar ou para quem pode vender.


Ivete Caetano relaciona soberania à história de Pernambuco


No vídeo, Ivete também recorre à história pernambucana para sustentar a defesa da independência.


“Pernambuco foi um dos estados que teve muitas lutas libertárias para que a gente fosse um país independente”, afirma.

A referência encontra respaldo no histórico de movimentos políticos ocorridos no estado. A Revolução Pernambucana de 1817 chegou a instalar um governo republicano durante 74 dias e influenciou movimentos posteriores, como a Convenção de Beberibe, em 1821, e a Confederação do Equador, em 1824.


A sequência histórica exige uma distinção. A Revolução de 1817 ocorreu antes da declaração formal da Independência do Brasil, em 1822. A Confederação do Equador ocorreu dois anos depois e se insurgiu contra a centralização política do Império. Os episódios integram a tradição de movimentos emancipacionistas e republicanos de Pernambuco, mas ocorreram em momentos distintos do processo de formação do Estado brasileiro.


Ivete afirma ainda que a soberania precisa ser exercida continuamente.


“O Brasil tem condições de ser um país soberano e andar com suas próprias pernas”, diz no vídeo.

Na sequência, a candidata aponta recursos naturais como parte dessa capacidade.


“Nós temos petróleo, nós temos terra, nós temos a Amazônia. Essa é a nossa força”, afirma.

A fala acompanha uma das principais linhas do pronunciamento de Lula. O presidente citou petróleo, água doce, minerais críticos e terras raras e defendeu que esses recursos sejam usados para desenvolvimento tecnológico e geração de empregos dentro do país.


Publicação amplia independência para direitos sociais


No texto que acompanha o vídeo, Ivete afirma que soberania não se resume à defesa territorial.


“Um Brasil soberano é um Brasil que protege seu povo, suas riquezas, sua democracia e o direito de decidir o próprio futuro”, diz a publicação.

A mensagem acrescenta que a bandeira pertence ao povo brasileiro e relaciona “verdadeira independência” a justiça social, redução das desigualdades, educação, trabalho, democracia e dignidade.


Esse ponto também aparece no pronunciamento presidencial. Lula relacionou soberania à possibilidade de acesso a educação, emprego, saúde pública e a uma vida sem fome, pobreza e desigualdade.


Pronunciamento precisou de autorização do TSE


O discurso presidencial ocorreu durante o período eleitoral. Lula disputa a reeleição em outubro, e a legislação impõe restrições a pronunciamentos de agentes públicos em cadeia nacional de rádio e televisão nos meses que antecedem o pleito.


Por isso, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência pediu autorização ao Tribunal Superior Eleitoral. O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, autorizou a transmissão em decisão tomada na sexta-feira, 4. O pronunciamento teve duração prevista de três minutos e 43 segundos.


O conteúdo divulgado por Ivete, por outro lado, é material político de uma candidata em campanha. O próprio vídeo exibe o nome “Professora Ivete Caetano”, o número eleitoral 13613 e a identificação como candidata a deputada estadual.


Dados eleitorais consultados nesta segunda-feira mostram que Ivete Caetano de Oliveira disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco pelo PT, integrante da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.


Soberania também domina desfile em Brasília


O mesmo conceito escolhido por Lula e retomado por Ivete apareceu na cerimônia oficial realizada nesta segunda-feira na Esplanada dos Ministérios.


“Soberania, a força que une o Brasil” foi um dos três eixos do desfile de 7 de Setembro em Brasília. Os outros foram o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027.


O desfile reuniu Lula e os presidentes do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. A organização estimou público de aproximadamente 70 mil pessoas na Esplanada.


A soberania tornou-se, portanto, ponto de convergência entre o pronunciamento institucional de Lula, o desfile oficial e a comunicação eleitoral de aliados do presidente neste 7 de Setembro. No caso de Ivete, a candidata acrescentou ao tema a história política de Pernambuco e pautas sociais como educação, trabalho e redução das desigualdades.


O vídeo termina com duas frases: “Viva a nossa soberania” e “Viva o nosso presidente Lula”.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre política, poder, eleições, Justiça e acontecimentos do dia com foco em apuração, verificação e interesse público.

Vereadora do Recife e candidata a deputada federal contesta defesa da negociação individual entre patrão e empregado e cita caso de trabalhadora impedida de ir ao banheiro no Grande Recife


Por Clara Mendes para O estopim |

23 de agosto de 2026

Cobertura das Eleições 2026



Liana Cirne critica equipe de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6x1.
Liana Cirne critica equipe de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6x1. | Foto: Reprodução

A vereadora do Recife e candidata a deputada federal Liana Cirne (PT) criticou, em vídeo compartilhado em seu perfil nas redes sociais, declarações de Daniella Marques, coordenadora da pauta econômica do plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL), que classificou como “populista” e “inócuo” o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Liana questionou a defesa de que empregados e patrões definam individualmente as condições da jornada de trabalho.


Daniella Marques afirmou na sexta-feira (21), durante o 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, que trabalhadores deveriam ter liberdade para negociar diretamente com empregadores, sem interferência do Estado. A economista também defendeu que diferentes modelos de jornada permaneçam permitidos e disse que a redução da carga horária precisa considerar os custos para as empresas.


No vídeo, Liana Cirne contesta a premissa de igualdade entre as duas partes de uma relação de emprego.


“Patrão não negocia. A única negociação que existe é: quer ou não quer”, afirma a candidata.

Liana sustenta que o empregado está em posição diferente daquela ocupada pelo empregador no momento da contratação e questiona a possibilidade de uma negociação individual ocorrer em condições equivalentes.


A parlamentar também cita um caso recente ocorrido na Região Metropolitana do Recife para exemplificar a relação de poder no ambiente de trabalho.


Uma operadora de caixa de 31 anos relatou ter sido impedida de usar o banheiro durante uma jornada de 18 horas em uma unidade do Novo Atacarejo em São Lourenço da Mata. Segundo o processo trabalhista, a funcionária solicitou autorização para deixar o caixa, aguardou cerca de 40 minutos pela substituição e urinou nas próprias roupas. A Justiça do Trabalho manteve em segunda instância a condenação da empresa ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais.


O Novo Atacarejo afirmou que não admite práticas de abuso, constrangimento, discriminação, violência ou assédio e informou que pretende utilizar os recursos previstos em lei por considerar que a sentença não representa integralmente o contexto discutido no processo.


Ao mencionar o episódio, Liana argumenta que situações desse tipo demonstram os limites da negociação individual entre trabalhadores e empregadores.


A declaração da vereadora ocorre no momento em que o Congresso Nacional discute mudanças constitucionais na jornada de trabalho.


A Câmara dos Deputados aprovou em 27 de maio, em dois turnos, a PEC 221/2019. O texto estabelece jornada máxima de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno.


Pela regra de transição aprovada pelos deputados, a jornada passaria para 42 horas semanais 60 dias após a eventual promulgação da emenda, já com dois dias de repouso. Doze meses depois, o limite cairia para 40 horas. O texto também prevê regras específicas para determinadas categorias e mantém espaço para acordos e convenções coletivas.


A proposta chegou à Comissão de Constituição e Justiça do Senado na sexta-feira (21), dois dias antes da publicação do vídeo de Liana. O senador Omar Aziz (PSD-AM) foi designado relator. Caso seja aprovada na comissão, a PEC ainda terá de passar por dois turnos no plenário do Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada votação.


No encerramento do vídeo, Liana leva o debate para a disputa presidencial. A candidata associa a defesa da redução da jornada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contrapõe essa posição à proposta defendida pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro.


Daniella Marques foi presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro e atualmente coordena a área econômica da campanha presidencial de Flávio. Sua posição é que o Estado deve reduzir a interferência na definição das jornadas e permitir maior liberdade contratual entre trabalhadores e empresas.


Liana Cirne está no segundo mandato como vereadora do Recife pelo PT e atualmente disputa uma vaga de deputada federal por Pernambuco com o número 1310.


O debate sobre a escala 6x1 passou, assim, a integrar também a campanha presidencial de 2026. Enquanto a equipe econômica de Flávio Bolsonaro questiona a mudança e defende negociação individual sobre jornadas, Lula e aliados defendem a redução da carga horária e o texto aprovado pela Câmara segue em análise no Senado.


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Candidata do PT à Alepe abrirá espaço de campanha na Boa Vista em 22 de agosto; número 13613 aparece registrado na Justiça Eleitoral, com pedido ainda em análise


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

18 de agosto de 2026



Ivete Caetano, candidata do PT à Alepe com o número 13613, anuncia inauguração de comitê de campanha na Boa Vista, no Recife, em 22 de agosto.
Carde do anúncio do evento da inauguração | Foto: Reprodução/Instagram

A candidata a deputada estadual Professora Ivete Caetano, do PT, marcou para sábado, 22 de agosto, a inauguração de seu comitê de campanha no Recife. Segundo a peça de divulgação da campanha, o ato começa às 16h, na Rua General José Semeão, 116, no bairro da Boa Vista. O perfil oficial da candidata também passou a divulgar a abertura do espaço de campanha.


A inauguração ocorre na primeira semana da campanha eleitoral de 2026. O Tribunal Superior Eleitoral autorizou a propaganda nas ruas e na internet a partir de domingo, 16 de agosto, um dia depois do encerramento do prazo para registro das candidaturas.



Ivete Caetano de Oliveira, de 60 anos, disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco com o número 13613. O registro foi apresentado pelo PT dentro da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Nesta terça-feira, 18, o pedido ainda aparecia como aguardando julgamento da Justiça Eleitoral.


A propaganda do comitê coloca Ivete ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva e adota o slogan “Tô com a professora”. A presença de Lula na inauguração, no entanto, não é anunciada na peça. A agenda pública da campanha presidencial registra para o mesmo sábado, às 14h30, um compromisso de Lula no Palácio do Planalto, em Brasília.


Professora de História, Ivete construiu sua trajetória profissional na educação pública e atualmente está licenciada da presidência do Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação de Pernambuco, o Sintepe. A entidade e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação registraram a licença durante o congresso estadual do sindicato, realizado em maio.


Natural de Parnaíba, no Piauí, Ivete mudou-se para o Recife aos 18 anos para estudar. Formou-se em História e atuou por mais de três décadas no magistério, com passagem pelas redes estadual de Pernambuco e municipal do Cabo de Santo Agostinho.


Cinco dias antes desta publicação, em 13 de agosto, Ivete recebeu o Título de Cidadã do Recife em sessão solene na Câmara Municipal. A homenagem foi concedida por iniciativa da vereadora Liana Cirne, do PT.


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