top of page

Checagem: queda de homicídios é real, mas dados de violência contra mulheres contam outra parte da história

9 de set.
13 min de leitura

Propaganda de Raquel Lyra usa mínimos de MVI e roubos; séries mostram alta em 2023, recorde de violência doméstica em 2024 e 88 feminicídios em 2025.


Por Raul Silva para O estopim |

9 de setembro de 2026

Cobertura das Eleições


Banner de Campanha Raquel Lyra | Imagem: Reprodução
Banner de Campanha Raquel Lyra | Imagem: Reprodução

A campanha de Raquel Lyra, candidata à reeleição ao Governo de Pernambuco, passou a usar os números da segurança pública para estabelecer um contraste com a administração de Paulo Câmara. Uma peça eleitoral veiculada em setembro relembra que Pernambuco passou de 5 mil homicídios em 2017, durante o governo do PSB. Paralelamente, a comunicação da atual gestão e do PSD destaca que o Estado alcançou em 2026 os menores números das séries de Mortes Violentas Intencionais e Crimes Violentos contra o Patrimônio. Os dados existem e mostram reduções importantes. Mas eles não descrevem, sozinhos, toda a violência registrada em Pernambuco.


A série oficial mostra também que a redução não começou imediatamente com a posse de Raquel Lyra. Em 2023, primeiro ano do atual governo, as mortes violentas aumentaram em relação a 2022. Além disso, indicadores diretamente relacionados à violência contra as mulheres seguiram trajetória diferente: os registros de violência doméstica cresceram fortemente em 2023 e chegaram ao maior número da série em 2024, enquanto os feminicídios alcançaram 88 vítimas em 2025. Em 2026, os feminicídios estão em queda, mas o indicador mais amplo de violência contra a mulher voltou a registrar crescimento no primeiro semestre.


Por isso, os dados permitem afirmar que Pernambuco alcançou mínimos históricos de séries específicas, sobretudo MVI e CVP. Eles não permitem transformar esses dois indicadores em sinônimo de todas as formas de violência nem afirmar, sem delimitação, que todos os índices de violência são os menores da história do Estado.


Checagem: A propaganda volta a 2017, o pior ano da série de mortes violentas


Uma das peças eleitorais da campanha de Raquel Lyra resgata a passagem de João Campos pelo governo Paulo Câmara e cita o “recorde de mais de 5.000 homicídios em um ano”. O dado se refere a 2017.


Naquele ano, Pernambuco registrou 5.428 Mortes Violentas Intencionais, o maior total de toda a série da Secretaria de Defesa Social iniciada em 2004. O número é correto.


Mas 2017 não representa a situação encontrada por Raquel Lyra quando assumiu o governo seis anos depois.


A própria série da SDS mostra o que aconteceu após aquele pico: foram 4.173 MVIs em 2018, 3.468 em 2019, 3.760 em 2020, 3.373 em 2021 e 3.427 em 2022, último ano completo da administração Paulo Câmara.


Portanto, a série precisa ser observada inteira. O pico de 2017 ocorreu durante o governo anterior, mas as mortes violentas já haviam recuado substancialmente antes da mudança de administração em janeiro de 2023.


Em 2023, primeiro ano de Raquel, as mortes violentas aumentaram


A troca de governo não foi acompanhada por uma queda imediata dos assassinatos.


Pernambuco encerrou 2022 com 3.427 Mortes Violentas Intencionais. Em 2023 foram 3.638, segundo a SDS.


Isso representa crescimento de aproximadamente 6,2% no primeiro ano da administração Raquel Lyra.


O dado é relevante porque impede que toda a trajetória entre 2022 e 2026 seja apresentada como uma linha contínua de redução. Ela não foi.


Em 2024, o número caiu para 3.441 mortes violentas, uma redução de 5,4% em relação a 2023. Mesmo assim, o total daquele ano permanecia praticamente no mesmo nível de 2022, com diferença de apenas 14 vítimas. Foi a partir desse período que a curva passou a mostrar uma redução mais consistente.


2025 marcou um mínimo da série da SDS


Pernambuco encerrou 2025 com taxa de 32,7 Mortes Violentas Intencionais por 100 mil habitantes, segundo a Secretaria de Defesa Social.


Foi a menor taxa da série estadual iniciada em 2004. Até então, o menor valor havia sido registrado em 2013, com 34,1 mortes por 100 mil habitantes. O pico de 2017 foi de 57,1. Esse é um resultado histórico dentro da série disponível.


A precisão é importante: trata-se do menor indicador desde 2004, quando começa a série da SDS, e não de uma comparação estatística com toda a história de Pernambuco.


Não há uma série homogênea e diretamente comparável cobrindo todos os períodos anteriores.


Em 2026, os homicídios chegaram ao menor acumulado para janeiro a agosto


Os dados mais recentes reforçam a tendência de redução. Entre janeiro e agosto de 2026, Pernambuco registrou 1.853 Mortes Violentas Intencionais. No mesmo período de 2025 haviam sido 2.127.


O total de 2026 é o menor já registrado para os oito primeiros meses do ano na série iniciada em 2004. Quando se utiliza 2022, último ano anterior à gestão Raquel Lyra, como referência equivalente, foram 2.324 mortes entre janeiro e agosto daquele ano.


Em 2026, são 1.853. A diferença corresponde a uma redução de 20,3%. Portanto, existe base estatística para afirmar que o atual acumulado de mortes violentas está abaixo daquele registrado no mesmo período de 2022.


Isso não altera o fato de que houve aumento em 2023. Os dois dados fazem parte da mesma trajetória.


A própria meta do Juntos pela Segurança é mais ambiciosa


O programa Juntos pela Segurança estabeleceu como meta reduzir em 30%, até 2026, os homicídios, crimes contra o patrimônio e ocorrências de violência contra a mulher, usando 2022 como referência.


No caso das Mortes Violentas Intencionais, a redução acumulada de janeiro a agosto de 2026 diante do mesmo período de 2022 estava em 20,3%.


Como 2026 ainda não terminou, o cumprimento da meta só poderá ser determinado quando os dados anuais forem consolidados.


Os roubos apresentam uma redução ainda maior


O desempenho dos Crimes Violentos contra o Patrimônio também mudou significativamente.


Entre janeiro e maio de 2026, a SDS registrou 8.070 CVPs. No mesmo período de 2022 haviam sido 17.070.


A diferença corresponde a 52,7% menos registros. O dado continuou recuando ao longo do ano. De janeiro a agosto de 2026, Pernambuco registrou 12.199 CVPs, contra 20.937 nos mesmos oito meses de 2025. A redução foi de 42%.


Assim como ocorre com as mortes violentas, o acumulado de janeiro a agosto de 2026 foi o menor para esse período na série estadual, que começa em 2011.


É nesse sentido específico que as expressões “menor da série histórica” ou “recorde de redução” possuem respaldo nos dados.


Mas homicídio e roubo não significam toda a violência


O problema aparece quando “MVI” e “CVP” são convertidos em uma afirmação geral sobre “violência”.


Segurança pública possui dezenas de indicadores. Homicídio é um. Roubo é outro. Feminicídio, violência doméstica, estupro, violência sexual, ameaça, lesão corporal, descumprimento de medida protetiva e outros crimes possuem séries e comportamentos próprios.


A própria política estadual reconhece essa diferença. O Juntos pela Segurança estabeleceu metas separadas para mortes violentas, crimes patrimoniais e violência contra a mulher.


E é justamente quando a violência contra mulheres entra na análise que o quadro deixa de acompanhar integralmente a curva dos homicídios gerais.


Violência doméstica cresceu 19,5% no primeiro ano da atual gestão


Em 2022, Pernambuco registrou 43.838 mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, segundo a Gerência Geral de Análise Criminal e Estatística da SDS.


Em 2023, primeiro ano do governo Raquel Lyra, foram 52.375. A elevação foi de aproximadamente 19,5%. A alta ocorreu em praticamente todas as grandes divisões territoriais utilizadas pela secretaria.


Na Região Metropolitana, excluindo a capital na organização da tabela, os registros passaram de 11.269 em 2022 para 15.228 em 2023. No interior, passaram de 23.233 para 27.101. No Recife, foram de 9.336 para 10.046.


Em 2024, violência doméstica atingiu o maior número da série


No ano seguinte houve novo crescimento. Pernambuco registrou 54.222 mulheres vítimas de violência doméstica e familiar em 2024. Foi o maior número de toda a série da SDS, iniciada em 2012.


Diante das 43.838 vítimas registradas em 2022, o total de 2024 era aproximadamente 23,7% maior. Esse dado convive no mesmo ano com a redução de homicídios registrada pela SDS. Não há contradição estatística. São fenômenos diferentes.


Uma queda das mortes violentas em geral pode ocorrer simultaneamente a um crescimento da violência doméstica. É justamente por isso que a expressão ampla “violência” precisa indicar qual indicador está sendo utilizado.


Em 2025, violência doméstica caiu


Também não seria correto afirmar que os registros de violência doméstica aumentaram durante todos os anos da atual gestão. Em 2025 houve uma queda expressiva.


A SDS contabilizou 42.506 vítimas de violência doméstica e familiar, contra 54.222 no ano anterior. A redução foi de 21,7%. O resultado de 2025 também ficou ligeiramente abaixo das 43.838 vítimas registradas em 2022.


Portanto, a série anual apresenta três movimentos distintos durante a administração atual:

2023 teve forte alta. 2024 alcançou recorde. 2025 teve forte queda.


Essa sequência é mais precisa do que dizer simplesmente que o indicador “subiu” ou “caiu” durante todo o governo.


Em 2026, indicador mais amplo de violência contra a mulher voltou a crescer


Os dados parciais deste ano acrescentam outro elemento. Entre janeiro e junho de 2026, Pernambuco registrou 36.095 ocorrências de violência contra a mulher, contra 33.021 no mesmo período de 2025. O crescimento foi de 9,3%.


São aproximadamente 199 registros por dia no primeiro semestre. Aqui é necessário um cuidado metodológico.


O indicador de 36.095 casos divulgado para 2026 é apresentado como Violência Contra a Mulher, VCM, enquanto a série anual anteriormente citada contabiliza especificamente mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.


As categorias não devem ser misturadas como se fossem exatamente a mesma série. A comparação válida para o indicador de 2026 é com o mesmo indicador e o mesmo intervalo de 2025: 36.095 contra 33.021 no primeiro semestre.


Feminicídios aumentaram entre 2022 e 2025


A violência letal de gênero apresenta outra trajetória. Segundo os dados da SDS divulgados no início de 2026, Pernambuco registrou:


Ano

Feminicídios

2022

72

2023

83

2024

76

2025

88


A série mostra que os feminicídios passaram de 72 em 2022 para 88 em 2025, uma diferença de aproximadamente 22,2%. O comportamento não foi linear. Houve aumento em 2023, redução em 2024 e nova elevação em 2025.


Os 88 feminicídios de 2025 representaram o maior número dos anos recentes apresentados pela SDS e ficaram 15,7% acima dos 76 contabilizados pela própria secretaria em 2024.


Fórum Brasileiro de Segurança Pública usa número ligeiramente diferente para 2024


O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 também contabilizou 88 feminicídios em Pernambuco em 2025.


Para 2024, porém, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública consolidou 78 casos, e não os 76 apresentados na série da SDS utilizada no balanço estadual. A partir dessa base, o crescimento entre 2024 e 2025 foi de 12,5%.


A diferença de dois casos entre as bases reforça a necessidade de identificar a fonte de cada comparação. Não é metodologicamente correto utilizar o número de 2024 de uma base e o de 2025 de outra para calcular uma variação. Nesta matéria, os percentuais são apresentados dentro de cada série.


Onze mulheres assassinadas tinham medida protetiva ativa


O Anuário de 2026 traz ainda outro dado relacionado à violência de gênero. Dos 88 feminicídios registrados em Pernambuco em 2025, 11 vítimas possuíam medida protetiva de urgência ativa contra o autor do crime.


Isso significa que elas já haviam recorrido ao sistema de proteção antes de serem assassinadas. O número de registros de descumprimento de medidas protetivas também aumentou.


Foram 3.789 casos em 2024 e 4.358 em 2025, crescimento de 14,7%, segundo os dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.


Esses indicadores fazem parte do quadro da segurança pública e não aparecem quando o debate é resumido apenas à queda geral das mortes violentas.


Em 2026, feminicídios recuaram


Os números mais recentes mostram uma mudança positiva nesse indicador específico.


No primeiro semestre de 2026, a SDS contabilizou 37 feminicídios, contra 51 no mesmo período de 2025, redução de aproximadamente 27,5%.


Dados posteriores do Ministério da Justiça, já incorporando julho, mostram 45 feminicídios em Pernambuco entre janeiro e julho de 2026, contra 57 no mesmo período de 2025. Portanto, os dados atuais indicam queda do feminicídio em 2026.


Ao mesmo tempo, o indicador mais abrangente de violência contra a mulher cresceu 9,3% no primeiro semestre. Mais uma vez, indicadores distintos podem caminhar em sentidos diferentes.


Registros policiais não equivalem automaticamente à incidência real


Os números de violência contra a mulher também exigem uma ressalva estatística. Registros administrativos contabilizam os casos que chegam ao sistema público. Alterações na disposição das vítimas para denunciar, ampliação de canais de atendimento, mudanças na classificação policial e acesso à rede de proteção podem influenciar as estatísticas.


Além disso, determinados crimes sofrem forte subnotificação. O próprio Plano Estadual de Segurança Pública reconhece esse problema ao tratar da violência sexual e registrar que muitos estupros não chegam às autoridades, fazendo com que as estatísticas oficiais subestimem a extensão do fenômeno.


Por isso, aumento de registros não deve ser automaticamente interpretado como crescimento equivalente da incidência real, assim como uma redução de boletins não prova, isoladamente, que a violência diminuiu na mesma proporção.


Ainda assim, são os dados oficiais utilizados pelo próprio Estado para planejamento e monitoramento de suas políticas.


Pernambuco melhorou sua própria série de MVI, mas segue acima da taxa nacional


Outro contexto importante aparece no Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Pela metodologia do Fórum, Pernambuco registrou 33 Mortes Violentas Intencionais por 100 mil habitantes em 2025. A taxa brasileira foi de 19,1 por 100 mil habitantes.


O Fórum também registra que a taxa pernambucana de 2025 é a menor de sua própria série, iniciada em 2012.


Assim, duas informações coexistem: Pernambuco apresentou sua menor taxa nessa série e, ao mesmo tempo, permanece acima do indicador nacional de mortes violentas. Uma informação não anula a outra.


A propaganda usa um dado verdadeiro de 2017, mas a série começa antes e continua depois


A peça eleitoral que resgata a administração Paulo Câmara utiliza 2017 como referência. O ano foi, de fato, o pior da série estadual de MVI: 5.428 mortes.


Mas a mesma série registra 3.427 em 2022, último ano do governo anterior, 3.638 em 2023 e 3.441 em 2024.


Assim, comparar o presente exclusivamente ao pico de 2017 responde a uma pergunta específica: quanto os números atuais se distanciaram do pior momento da série.


Para saber o que mudou depois da troca de governo, 2022 é a referência temporal imediatamente anterior.


É inclusive o ano-base escolhido pelo próprio programa Juntos pela Segurança para suas metas.


O que os dados permitem afirmar


Os números oficiais sustentam que Pernambuco atravessa em 2025 e 2026 uma redução importante das Mortes Violentas Intencionais e dos Crimes Violentos contra o Patrimônio.


A taxa de MVI de 2025 foi a menor da série estadual iniciada em 2004. O acumulado de janeiro a agosto de 2026 também é o menor para esse período.


Os CVPs chegaram ao menor acumulado de janeiro a agosto da série iniciada em 2011.


No mesmo período de janeiro a agosto, as MVIs de 2026 estão 20,3% abaixo do registrado em 2022.


Mas a expressão “menores índices de violência da história” precisa ser delimitada. O que existe são menores números ou taxas dentro de séries específicas e com datas de início definidas.


A série de MVI começa em 2004. A de CVP começa em 2011. E outros indicadores não seguiram a mesma trajetória.


A violência contra mulheres impede que todos os indicadores sejam colocados no mesmo pacote


Os registros anuais de violência doméstica passaram de 43.838 em 2022 para 52.375 em 2023 e 54.222 em 2024, quando atingiram o maior valor da série iniciada em 2012. Depois caíram para 42.506 em 2025.


Os feminicídios passaram de 72 em 2022 para 83 em 2023, recuaram para 76 em 2024 na série da SDS e chegaram a 88 em 2025.


Em 2026, os feminicídios apresentam redução parcial, enquanto as ocorrências do indicador mais amplo de violência contra a mulher cresceram 9,3% no primeiro semestre.


Por isso, não existe uma única curva capaz de resumir toda a segurança pública de Pernambuco.


A queda também não pode ser atribuída automaticamente a uma única causa


O Governo de Pernambuco atribui os resultados recentes ao programa Juntos pela Segurança, à contratação de profissionais, renovação de equipamentos, tecnologia, inteligência e integração das forças policiais. Raquel Lyra tem reiterado publicamente essa relação.


Os dados comprovam que determinados indicadores diminuíram durante a execução dessas políticas.


Estatísticas agregadas, porém, não estabelecem sozinhas uma relação causal exclusiva entre uma ação governamental e toda a variação da criminalidade.


Mudanças demográficas, dinâmicas criminais, políticas federais e municipais, atuação policial, sistema de Justiça, economia, conflitos entre grupos criminosos e outros fatores podem influenciar os números.


A formulação mais precisa é registrar que a redução ocorreu durante a gestão e durante a execução do Juntos pela Segurança, enquanto a atribuição de causalidade apresentada pelo governo é a avaliação da própria administração.


Raquel cita a queda de feminicídios em 2026


A atual gestão tem destacado também os dados mais recentes relacionados às mulheres.


Durante sabatina realizada em setembro, Raquel Lyra apontou a redução dos feminicídios em 2026 e defendeu a ampliação da rede de atendimento às vítimas. A governadora também citou contratação de profissionais e investimentos na segurança pública.


A queda dos feminicídios neste ano é confirmada pelas estatísticas parciais. Ela não elimina os 88 feminicídios registrados em 2025 nem o crescimento de outros registros de violência contra a mulher no primeiro semestre de 2026. Uma análise completa precisa apresentar os dois movimentos.


A frase muda conforme a palavra escolhida


Se a afirmação for:


“Pernambuco tem hoje os menores números de MVI e CVP das respectivas séries históricas para o período de janeiro a agosto”, os dados da SDS sustentam essa descrição.

Se a afirmação for:


“Pernambuco tem os menores índices de violência de toda a sua história”, os dados disponíveis não oferecem uma série única que sustente essa generalização.

  • Primeiro porque as séries começam em datas diferentes.

  • Segundo porque “violência” reúne indicadores distintos.

  • Terceiro porque violência doméstica e feminicídio apresentaram aumentos importantes durante períodos da atual administração.

  • Quarto porque o primeiro ano da gestão Raquel Lyra registrou aumento das Mortes Violentas Intencionais diante de 2022.


A precisão da informação, portanto, depende de dizer qual crime, qual indicador, qual período e qual série histórica estão sendo utilizados.


Transparência e contraditório


Esta checagem foi produzida a partir da série histórica e dos boletins da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, do Plano Estadual Juntos pela Segurança, do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, de dados do Ministério da Justiça e de registros públicos da propaganda eleitoral.


O Governo de Pernambuco atribui as reduções recentes ao Juntos pela Segurança e destaca investimentos em efetivo, equipamentos, inteligência e tecnologia. A gestão também ressalta a redução dos feminicídios observada em 2026.


Os dados sobre violência contra as mulheres apresentados nesta matéria são igualmente provenientes de fontes oficiais ou de levantamentos que utilizam registros das secretarias estaduais.


Leia também


O que acontece agora?


Os números de 2026 ainda são preliminares.


O fechamento do ano permitirá verificar se Pernambuco atingirá a meta do Juntos pela Segurança de redução de 30% nas Mortes Violentas Intencionais diante da base de 2022.


Também será necessário acompanhar separadamente os indicadores de violência contra a mulher, feminicídios, estupros e violência doméstica.


Até agosto, o dado mais consistente é que as mortes violentas e os crimes patrimoniais atingiram mínimos de suas respectivas séries para o período analisado.


Ao mesmo tempo, a trajetória desde 2023 mostra que a redução não foi contínua e que outros fenômenos de violência, especialmente aqueles que atingem mulheres, tiveram comportamentos diferentes.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder e temas de interesse público, com foco em documentação, dados e contexto.

Comentários


Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
Comemorando 15 anos de resiliência e paixão pela leitura — Livraria Lira Cultural a sua re
bottom of page