Mensagens obtidas pela PF revelam interferência de Vorcaro em reportagens do portal Metrópoles
Da redação do Portal O Estopim | Fonte: Estadão Conteúdo, via Diário de Pernambuco
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Conversas entre o ex-controlador do Banco Master e a CEO do veículo mostram envio antecipado de matérias, sugestões de alterações e a suspensão de uma publicação; direção do portal nega relação entre contrato publicitário e cobertura jornalística.
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Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, revelam que ele era consultado pela direção do portal Metrópoles antes da publicação de reportagens relacionadas à instituição financeira. As conversas, divulgadas nesta quinta-feira (15) em reportagens do Estadão e do UOL, mostram pedidos de alterações em textos, sugestões de pautas e a decisão de não publicar uma matéria após manifestação contrária do banqueiro.
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Os diálogos ocorreram principalmente em 2025, período em que o Banco Master enfrentava dificuldades financeiras e era investigado por suspeitas de fraudes bilionárias. A interlocutora de Vorcaro era Lilian Tahan, CEO do Metrópoles, responsável por encaminhar textos e discutir o conteúdo de reportagens com o empresário.
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Segundo a reportagem do Estadão Conteúdo, reproduzida pelo Diário de Pernambuco, Vorcaro chegou a solicitar mudanças em informações, títulos e abordagens jornalísticas. Em diferentes ocasiões, as mensagens mostram que Tahan concordou com alterações sugeridas pelo banqueiro e encaminhou versões posteriormente publicadas.
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Um dos episódios ocorreu em abril de 2025, quando o Metrópoles preparava uma reportagem sobre uma suposta proposta de compra de ativos do Master pelo BTG Pactual por R$ 1. Vorcaro contestou a informação, e a CEO respondeu que o trecho havia sido retirado. Na sequência, o empresário também orientou a maneira como o desmentido deveria ser apresentado.
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Ainda em abril, Tahan encaminhou ao banqueiro uma reportagem que comparava os balanços financeiros do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB). Vorcaro sugeriu alterações nos números utilizados, e o texto foi publicado após as modificações, segundo as mensagens divulgadas.
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Em maio daquele ano, o empresário recebeu antecipadamente uma matéria sobre a venda de ativos do Master ao BTG Pactual. Durante a conversa, solicitou a retirada de uma referência à empresa Hapvida. A CEO concordou, e a reportagem foi publicada sem a informação mencionada.
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A interferência também teria alcançado manchetes. Em julho de 2025, Vorcaro sugeriu modificar o título de uma notícia sobre a análise da compra do Master pelo BRB. A alteração pretendida transmitia a expectativa de aprovação da operação pelo Banco Central nos dias seguintes. A sugestão foi aceita pela direção do veículo.
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Outro episódio envolveu o ex-diretor do Banco Central Renato Gomes, que atuava na análise da operação entre Master e BRB. Em conversas com Lilian Tahan, Vorcaro sugeriu mudanças em reportagens sobre o dirigente, incluindo a retirada de referências à possibilidade de falência do banco e a inclusão de informações sobre supostas divergências internas na autoridade monetária.
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O banqueiro também pediu que o portal reduzisse temporariamente o espaço dedicado a Ricardo Cappelli, político que criticava a negociação entre o Master e o BRB. A resposta de Tahan indicou concordância com o pedido, conforme as mensagens publicadas.
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Em outubro de 2025, uma reportagem sobre uma negociação envolvendo a rede Oncoclínicas e o Banco Master deixou de ser publicada depois que Vorcaro manifestou contrariedade ao conteúdo. A CEO havia encaminhado previamente o material ao empresário e, após receber sua resposta, informou que não daria andamento à publicação.
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Uma investigação jornalística do UOL identificou pelo menos 14 textos encaminhados antecipadamente a Vorcaro, dos quais 11 foram modificados após solicitações do então banqueiro. O levantamento também encontrou registros de reportagens publicadas a pedido dele.
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As mensagens reveladas pela imprensa apontam ainda uma relação comercial entre o Banco Master e o Metrópoles. Segundo o UOL, as empresas fecharam, em 2024, um contrato publicitário de R$ 20 milhões, cujo pagamento ocorreu em 2025.
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Questionada pelo UOL, Lilian Tahan afirmou que costuma consultar fontes de relevância pública para conferir se as reportagens refletem corretamente as informações fornecidas. A executiva negou que o contrato de publicidade tivesse relação com a cobertura jornalística de assuntos de interesse do Banco Master e citou matérias críticas à instituição publicadas pelo portal.
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A operação de compra do Banco Master pelo BRB foi rejeitada pelo Banco Central em setembro de 2025. Dois meses depois, a autoridade monetária determinou a liquidação da instituição financeira.
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A divulgação das conversas levanta questionamentos sobre a independência editorial e os limites da participação de fontes interessadas na produção de notícias. Embora seja procedimento jornalístico consultar pessoas e instituições para verificar informações, as mensagens relatadas apresentam situações em que o empresário participou de decisões sobre a publicação e a abordagem de reportagens.
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Os registros divulgados constituem a base documental das reportagens, mas não representam, por si só, uma decisão judicial que estabeleça responsabilidade criminal dos envolvidos pelas práticas descritas.
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