- Raul Silva

- há 19 horas
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Semicondutores integram o equipamento, mas os programas de votação são assinados digitalmente, certificados e submetidos a auditorias
Por Clara Mendes para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026
4 de agosto de 2026

A alegação de que chips taiwaneses teriam sido usados para manipular as eleições brasileiras de 2022 é falsa. A procedência dos componentes não oferece controle autônomo sobre os votos, e não há evidência de que esses semicondutores tenham alterado resultados eleitorais.
Os componentes foram adquiridos durante a escassez mundial de semicondutores provocada pela pandemia de Covid-19. Eles foram utilizados na fabricação de urnas do modelo UE2020 pela empresa brasileira Positivo Tecnologia. A dificuldade para comprar os chips foi distorcida em publicações que acusavam, sem provas, uma fraude articulada no exterior.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, os programas utilizados nas urnas são assinados digitalmente e lacrados antes da eleição. Caso o equipamento identifique um sistema sem assinatura válida, ele interrompe o funcionamento. A certificação do modelo UE2020 também verifica os processadores de segurança antes da liberação da urna para uso.
Durante a votação, a urna funciona de maneira isolada, sem conexão com a internet. Após o encerramento, o equipamento imprime o Boletim de Urna, documento público com os votos registrados naquela seção. Os arquivos enviados para a totalização são assinados digitalmente, criptografados e conferidos no destino.
A Ordem dos Advogados do Brasil, que fiscalizou as eleições de 2022, informou não ter encontrado fatos que levantassem suspeita de irregularidade na votação. A origem taiwanesa dos chips não comprova fraude nem permite concluir que resultados foram modificados.
O boato surgiu após informações sobre as dificuldades enfrentadas pela fabricante para obter componentes durante a crise mundial de semicondutores. A compra dos chips garantiu a produção dos equipamentos, não o controle dos votos.
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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim, com atuação na cobertura de política, eleições, acontecimentos urgentes e checagem de informações.
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