Violência doméstica contra mulheres cresce 28,9% em dias de jogos de futebol, aponta estudo
- Michael Andrade

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Por Michael Andrade, da redação de O Estopim Fonte: Agência Brasil | 11 de agosto de 2026
Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública identificou aumento também nas ameaças; mulheres entre 15 e 29 anos são as mais afetadas.

Os registros de lesão corporal dolosa decorrentes de violência doméstica contra mulheres aumentam 28,9% em dias de jogos de futebol, segundo a segunda edição do estudo Futebol e violência contra a mulher, divulgado nesta terça-feira (11) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
O levantamento também identificou crescimento de 27,4% nos registros de ameaça contra mulheres nos dias em que ocorrem partidas. O impacto é ainda maior entre as mais jovens. Na faixa dos 15 aos 29 anos, o aumento chega a 44,4% tanto para ameaças quanto para lesões corporais dolosas.
A pesquisa analisou a relação entre registros de ocorrências e jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores da América e Copa Sul-Americana entre 2023 e 2025. Foram consideradas cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Segundo Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do FBSP, os resultados indicam que os dias de partidas devem ser considerados no planejamento de políticas de prevenção e enfrentamento à violência doméstica. Para a pesquisadora, unidades especializadas, como Delegacias da Mulher e patrulhas responsáveis pela fiscalização de medidas protetivas, podem considerar o calendário esportivo no planejamento das ações.
O estudo também defende maior participação dos clubes de futebol na prevenção da violência contra as mulheres. De acordo com Brandão, essas instituições possuem capacidade de influenciar comportamentos por meio de atletas, torcidas e de suas próprias marcas, especialmente em partidas de maior rivalidade.
Indicadores aumentaram em relação ao estudo anterior
Esta é a segunda edição do levantamento. Em 2022, o FBSP divulgou pesquisa baseada em dados referentes ao período entre 2015 e 2018. Naquele estudo, os registros de ameaça contra mulheres aumentavam 23,7% em dias de partidas, enquanto os de lesão corporal dolosa cresciam 20,8%.
No levantamento divulgado agora, os índices passaram para 27,4% e 28,9%, respectivamente. A diferença corresponde a um crescimento de 3,7 pontos percentuais no indicador de ameaças e de 8,1 pontos percentuais no de lesões corporais em comparação com os resultados da pesquisa anterior.
O estudo parte da hipótese de que o calendário do futebol funciona como um marcador temporal de risco para episódios de violência doméstica. Os dados apontam uma associação entre os dias de jogos e o aumento dos registros, sem significar, por si só, que o futebol seja a causa direta das agressões.
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