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“Tudo se resume à dancinha”: presidente da Fenaj critica “tiktokização” da campanha eleitoral

há 2 dias
2 min de leitura

Da redação do Portal O Estopim | 15 de setembro de 2026 | Fonte: Agência Brasil

Samira de Castro avalia que busca por audiência imediata, crise institucional e estratégias superficiais de marketing têm reduzido espaço para discussão de propostas nas eleições de 2026.


Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, criticou o que classificou como um processo de “tiktokização” da campanha eleitoral de 2026 e afirmou que propostas e problemas estruturais do país estão perdendo espaço no debate público.

Em entrevista à Agência Brasil, Samira relacionou o cenário à busca dos veículos de comunicação por audiência imediata, ao crescimento do consumo rápido de informações nas redes sociais e à adoção, pelas próprias candidaturas, de estratégias de comunicação voltadas ao engajamento.

“Sofremos um processo violento de ‘tiktokização’ da campanha eleitoral. Tudo se resume à dancinha”, afirmou.

Na avaliação da presidente da Fenaj, poucos candidatos têm apresentado discussões aprofundadas sobre questões consideradas relevantes para o futuro do país. Ela citou mudanças climáticas, exploração de terras raras, atração de data centers e questões econômicas, sociais e geopolíticas entre os assuntos que deveriam receber maior atenção.

Samira também apontou que a atual crise político-institucional envolvendo o caso Banco Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições, como a Polícia Federal, passou a ocupar parte significativa do noticiário durante o período eleitoral.

Para ela, a cobertura desses acontecimentos é necessária, mas não deveria afastar do debate as propostas apresentadas pelos candidatos e as demandas da população.

A presidente da Fenaj também criticou o chamado jornalismo declaratório, caracterizado pela concentração da cobertura nas declarações e repercussões de agentes políticos. Na avaliação dela, o jornalismo deve buscar maior diversidade de fontes e ampliar a presença da população nas reportagens.

“O jornalismo tem que perceber seu papel nesse momento e agir com responsabilidade, cumprindo sua função social de compartilhar informação de relevante interesse público, capaz de gerar cidadania”, disse.

Samira defendeu ainda que os veículos mantenham uma agenda de cobertura sobre questões estruturais mesmo quando crises políticas e institucionais concentram a atenção do público. Segundo ela, a discussão desses temas precisa ultrapassar o período eleitoral e ser realizada com fontes plurais e confiáveis.

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