Terremoto de magnitude 7,4 mata ao menos 224 e Colômbia amplia buscas por desaparecidos
- Clara Mendes

- há 3 horas
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Equipes entram no segundo dia de resgates no oeste do país; OCHA registrava 1.495 feridos, enquanto mais de 3.000 pessoas apareciam em registros de desaparecidos
Por Clara Mendes para O estopim |
11 de Agosto de 2026

A Colômbia entrou nesta terça-feira (11) no segundo dia de buscas por sobreviventes após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na manhã de segunda-feira (10). Estimativas reunidas por autoridades locais elevaram o número de mortos para cerca de 224. O tremor ocorreu às 7h34, no horário local, com epicentro na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó. O Serviço Geológico dos Estados Unidos calculou profundidade de 107 quilômetros.
O balanço continua mudando à medida que equipes chegam a áreas isoladas e as comunicações são restabelecidas. O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, OCHA, contabilizava 126 mortes confirmadas e 1.495 feridos até a noite de segunda-feira. Na manhã de terça, autoridades locais ouvidas pela Reuters já apontavam cerca de 224 mortes, acima do último número nacional consolidado divulgado anteriormente.
A Associated Press informou que mais de 3.000 pessoas apareciam como desaparecidas em dezenas de cidades e localidades. Parte desses registros foi reunida em plataformas mantidas por cidadãos e familiares. Como redes de telefone, internet e energia foram interrompidas em áreas atingidas, o total não representa uma confirmação de que todas essas pessoas estejam presas sob os escombros.
Pereira e Cali estão entre os pontos mais atingidos. Resgatistas trabalharam durante a madrugada com guindastes, escavadeiras e ferramentas manuais para abrir passagem entre placas de concreto e estruturas metálicas. Em Pereira, moradores e voluntários formaram correntes humanas para retirar entulho enquanto familiares aguardavam notícias de pessoas desaparecidas.
Em Cali, partes dos andares superiores de um hospital desabaram, deixando pacientes presos. Segundo o diretor da unidade, cerca de 600 pessoas precisaram receber atendimento na rua enquanto equipes de emergência avaliavam os danos. Vídeos verificados pela Reuters também mostraram equipes retirando moradores de edifícios e trabalhando durante a noite entre estruturas destruídas.
O impacto vai além dos edifícios que desabaram. Segundo dados da OCHA citados pela Reuters, quase 5 mil casas sofreram danos, dezenas de construções colapsaram e centenas de residências foram destruídas. Escolas, unidades de saúde e outras estruturas públicas também foram atingidas.
Seis aeroportos regionais tiveram as operações suspensas para inspeções: Quibdó, Pereira, Manizales, Armenia, Cartago e Buenaventura. Estradas também sofreram danos. Energia elétrica, abastecimento de água, atendimento de saúde e telefonia continuavam interrompidos em diferentes localidades, principalmente em Chocó, departamento onde fica o epicentro e onde o acesso terrestre é limitado em várias áreas.
O presidente Abelardo de la Espriella declarou estado de emergência nacional para acelerar a liberação de recursos. O governo mobilizou militares, policiais, engenheiros, equipes especializadas de busca e cães farejadores. Centros de comando foram ativados para coordenar resgates, atendimento médico e distribuição de água, alimentos, material de higiene e abrigos.
De la Espriella assumiu a Presidência na sexta-feira (7), três dias antes do terremoto. Ele substituiu Gustavo Petro após vencer a eleição presidencial de junho e enfrenta na primeira semana de mandato a resposta a uma emergência de escala nacional.
A ajuda internacional começou a ser mobilizada. Os Estados Unidos anunciaram US$ 15,5 milhões para abrigo emergencial, alimentação, proteção e avaliação de danos. O Banco Interamericano de Desenvolvimento informou que colocou US$ 50 milhões à disposição para apoiar a reconstrução, caso os recursos sejam solicitados pelo governo colombiano.
O Serviço Geológico Colombiano havia contabilizado pelo menos 21 réplicas até o fim de segunda-feira e alertou para a possibilidade de novos tremores. O órgão classificou o terremoto de segunda como o mais forte registrado no país no século XXI.
A Colômbia está em uma região de intensa atividade sísmica. Em janeiro de 1999, um terremoto de magnitude 6,2 atingiu a região cafeeira e matou mais de mil pessoas, com forte impacto em Armenia e Pereira. Vinte e sete anos depois, parte da mesma região volta a concentrar operações de busca entre prédios destruídos.
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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Atua na cobertura de acontecimentos urgentes, política, cidades e temas de interesse público, com foco em apuração e precisão factual.
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