Pernambuco elege 10 novos Patrimônios Vivos; estado passa a contar com 125 mestres e grupos reconhecidos
- Michael Andrade

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Por Michael Andrade, da redação do Portal O estopim | quinta-feira (6) | Fonte: Secult-PE
Selecionados representam manifestações como maracatu, capoeira, samba, artesanato e medicina tradicional indígena; edição de 2026 teve recorde de 205 inscrições.

Pernambuco escolheu, nesta quinta-feira (6), os 10 novos Patrimônios Vivos do Estado. A seleção foi realizada pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) e contempla mestres, artistas, grupos e espaços ligados a diferentes manifestações e saberes tradicionais. Com os novos escolhidos, o estado passa a contar com 125 Patrimônios Vivos.
Foram eleitos Teco de Agamenon, de Triunfo; Terreiro de Mãe Amara, do Recife; Mestre João Paulo, de Nazaré da Mata; Barracão de Mãe Nadja, do Recife; Gres Preto Velho, de Olinda; Maracatu Cruzeiro do Forte, do Recife; Mestra Di, de Olinda; Família Vitalino, de Caruaru; Mestre Zé Negão, de Camaragibe; e Juliana Pankararu, de Jatobá, no Sertão de Pernambuco.
Os novos Patrimônios Vivos receberão oficialmente os títulos em 17 de agosto, durante a abertura da 19ª Semana Estadual do Patrimônio Cultural de Pernambuco e no Dia do Patrimônio Cultural.
A edição deste ano registrou 205 inscrições, maior número desde a criação da política. Anualmente, até dez novos Patrimônios Vivos podem ser escolhidos pelo estado.
Do Sertão ao Litoral
Entre os selecionados está Teco de Agamenon, que mantém desde a infância a tradição dos Caretas de Triunfo e trabalha na confecção de máscaras, chapéus, relhos e vestimentas, além de transmitir os conhecimentos para novas gerações.
Também do Sertão, Juliana Pankararu, residente no Território Indígena Aldeia Saco dos Barros, em Jatobá, atua como mendeira, raizeira e parteira tradicional. Seus conhecimentos sobre plantas, chás, banhos e outros elementos da medicina tradicional indígena foram transmitidos por sua mãe, avó e tias.
Em Caruaru, a Família Vitalino, formada por descendentes de Mestre Vitalino, mantém no Alto do Moura a tradição da arte figurativa em barro. O saber já alcança a quarta e a quinta gerações da família.
A lista ainda contempla representantes do maracatu, samba, capoeira, coco e das tradições religiosas de matriz africana, ampliando o conjunto de manifestações reconhecidas pela política estadual de preservação do patrimônio imaterial.
Bolsa vitalícia e transmissão dos saberes
Criado em 2002, o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco busca reconhecer mestres e grupos responsáveis pela preservação e transmissão de conhecimentos e manifestações tradicionais.
Os selecionados recebem uma bolsa vitalícia, atualmente no valor de R$ 2.479,41 para indivíduos e R$ 4.958,85 para grupos. Como contrapartida, participam de atividades de ensino e aprendizagem promovidas pelo Governo de Pernambuco por meio de órgãos como a Fundarpe e as secretarias estaduais de Cultura e Educação.
O processo de 2026 também trouxe mudanças para ampliar a acessibilidade. Entre elas, a possibilidade de inscrição em formato semi-oral, permitindo a apresentação da trajetória dos candidatos por vídeo, além da realização da defesa das candidaturas presencialmente ou pela internet.

A eleição cabe ao CEPPC, formado por representantes do Governo de Pernambuco, integrantes eleitos da sociedade civil e pessoas de notório saber. O conselho analisa as candidaturas, acompanha as defesas e realiza a votação responsável pela escolha dos novos Patrimônios Vivos.
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