Brasil terá primeira fábrica do mundo dedicada ao processamento de pele de tilápia para uso médico
Por Michael Andrade, da redação do Portal O estopim | 17 de agosto de 2026 | Fonte: Itapuama FM
Unidade será instalada no Ceará, com investimento inicial previsto de R$ 52 milhões; tecnologia desenvolvida a partir de pesquisas da UFC transforma pele do peixe em curativo biológico.

O Brasil deverá ganhar a primeira fábrica do mundo dedicada ao processamento em larga escala de pele de tilápia para uso médico. A unidade será construída em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial previsto de R$ 52 milhões.
A tecnologia foi desenvolvida a partir de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e permite transformar a pele da tilápia, parte do peixe normalmente descartada pela indústria, em material biológico que pode ser utilizado no tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização.
Atualmente, o laboratório da UFC responsável pelo trabalho consegue preparar, em média, até 600 peles de tilápia por mês. Com a implantação da fábrica, a expectativa é ampliar significativamente a capacidade de processamento.
A previsão é que a nova unidade alcance 4,3 mil peles processadas por dia durante o primeiro ano de operação comercial. Em uma segunda etapa, a capacidade poderá chegar a 12 mil unidades diariamente.
Antes de ser utilizada, a pele da tilápia passa por etapas de preparação e esterilização para ser transformada em curativo biológico. O material pode ser aplicado sobre áreas lesionadas e adere à superfície da ferida, podendo ser empregado no tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus.
Entre as vantagens apontadas pelos responsáveis pela tecnologia está a possibilidade de reduzir a frequência das trocas de curativos durante o tratamento. Além do potencial médico, a técnica permite dar uma nova finalidade a um material que normalmente seria descartado pela cadeia produtiva do pescado.
Apesar dos avanços da pesquisa e dos planos para produção em maior escala, a utilização comercial do produto ainda dependerá do cumprimento das exigências regulatórias e sanitárias estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A implantação da fábrica representa uma nova etapa para uma tecnologia desenvolvida pela pesquisa científica brasileira, ao ampliar a capacidade de processamento de um material biológico que vem sendo estudado para diferentes aplicações médicas.
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