Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Diário de Pernambuco | sábado (25) de abril de 2026
Campanha segue até a próxima quinta-feira (30) com aplicação de seis tipos de vacinas em crianças e adolescentes
Foto: Reprodução
A Semana de Vacinação nas Escolas tem como meta imunizar cerca de 27 milhões de estudantes da rede pública em todo o Brasil até a próxima quinta-feira (30).
A campanha, iniciada na sexta-feira (24), tem como objetivo atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes com idades entre 9 meses e 15 anos, com a oferta de seis tipos de imunizantes.
Entre as vacinas disponibilizadas estão HPV, febre amarela, tríplice viral, tríplice bacteriana (DTP), meningocócica ACWY e covid-19. A estratégia também contempla a vacinação contra o HPV para jovens de 15 a 19 anos que ainda não se imunizaram.
A ação é realizada por profissionais de saúde, mediante autorização dos pais ou responsáveis, e integra o Programa Saúde na Escola (PSE), desenvolvido em parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação.
O governo federal também reforça o uso da Caderneta Digital de Vacinação da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital. A ferramenta permite acompanhar o histórico vacinal e consultar as próximas doses.
Além disso, o aplicativo passou a enviar lembretes automáticos para pais e responsáveis, de acordo com a faixa etária das crianças, incentivando a atualização da caderneta.
De acordo com o Ministério da Saúde, houve reversão da queda nas coberturas vacinais registrada nos últimos anos. Em 2025, todas as vacinas do calendário infantil apresentaram aumento em relação a 2022.
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou 92,96% de cobertura, ante 80,7% em 2022, mantendo o Brasil livre do sarampo mesmo diante do avanço da doença em outros países.
A vacinação contra o HPV também apresentou crescimento, atingindo 86,11% entre meninas de 9 a 14 anos e 74,46% entre os meninos. No público feminino, o índice é cinco vezes superior à média mundial.
Já a vacina meningocócica ACWY teve aumento na cobertura, passando de 45,8% em 2022 para 67,75% em 2025.
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Por Clara Mendes para O estopim | 3 de Março de 2026
Ação do Programa Saúde na Escola leva equipes do SUS ao ambiente escolar para checar cadernetas e aplicar doses previstas no calendário; objetivo é reduzir o número de crianças e adolescentes com vacinas em atraso.
Vacinação nas escolas: Pernambuco retoma estratégia em março | Foto: Reprodução
A vacinação de rotina está entrando no horário de aula. Redes de saúde e educação vêm ampliando, desde 2024, a estratégia de levar equipes do SUS às escolas para verificar cadernetas e aplicar vacinas em crianças e adolescentes, sempre com autorização de pais ou responsáveis. A iniciativa, associada ao Programa Saúde na Escola, é usada como resposta direta à queda de coberturas registrada nos últimos anos e à dificuldade de levar adolescentes às unidades básicas.
O modelo de funcionamento é padronizado: a escola organiza a checagem da caderneta e coleta um termo de autorização, ou um termo de recusa, antes do dia de vacinação. A aplicação pode ocorrer dentro da escola, por profissionais do SUS, ou por encaminhamento à unidade básica, conforme a logística local.
Quais vacinas entram na conta
A lista de vacinas priorizadas varia conforme a idade e o que estiver faltando no cartão. No material oficial da campanha, o Ministério da Saúde aponta como prioritárias, entre outras, vacinas como tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), febre amarela, DTP (difteria, tétano e coqueluche) e HPV, dentro das faixas etárias indicadas. Além dessas, outras doses do calendário seguem disponíveis nas unidades básicas para atualização fora da escola.
Em 2025, o governo federal anunciou uma mobilização nacional em escolas públicas com participação de milhares de municípios e dezenas de milhões de estudantes, reforçando a checagem de cadernetas e a exigência de autorização formal dos responsáveis para a aplicação no ambiente escolar ou por encaminhamento.
Como a autorização funciona e o que acontece se a família não responde
A estratégia prevê dois caminhos documentais: autorização para vacinar e recusa formal. O manual do Ministério da Saúde sobre vacinação na escola descreve a prática como ação articulada entre saúde e educação e também apresenta modelo de termo de recusa, amarrando a logística ao microplanejamento e à segurança vacinal.
Além da recusa, o processo passa pela checagem da caderneta para identificar quais vacinas estão em atraso e orientar o responsável sobre atualização. A campanha federal também estimula o uso da Caderneta Digital de Saúde da Criança no aplicativo Meu SUS Digital, para consulta do histórico e recebimento de alertas de doses.
De acordo com a repórter, Lilian Dias, da Rádio SEI, nova rotina de imunização na rede pública, orienta responsáveis a enviar a caderneta de vacinação junto da documentação solicitada pela escola e reforça que a aplicação no ambiente escolar depende de autorização prévia e identificação do estudante.
Por que a escola virou o alvo da vacinação
A aposta no ambiente escolar mira um ponto cego do calendário: a adolescência, quando a ida a postos de saúde tende a cair e parte das doses de reforço fica para trás. O Ministério da Saúde afirma ter registrado avanço em coberturas de vacinas do calendário infantil em 2023 e 2024, mas reconhece a necessidade de ações para recuperar atrasos e reduzir o contingente de não vacinados.
Em comunicado sobre o Anuário VacinaBR, o Unicef destaca que o Brasil não atinge a meta de 95% para poliomielite desde 2016 e que, em 2023, menos de 20% da população vivia em municípios que cumpriam a meta para essa vacina.
Dinheiro e metas
A Portaria GM/MS nº 6.715, de março de 2025, instituiu incentivo financeiro temporário para custear a estratégia de vacinação nas escolas e ações de atualização de caderneta em crianças e adolescentes menores de 15 anos, com objetivo explícito de melhorar indicadores de cobertura e reduzir não vacinados. O texto também define a articulação entre redes de saúde e educação em “período específico” e admite extensão da estratégia a escolas privadas, a depender do planejamento local.
A vacinação nas escolas avança como resposta operacional a um problema repetido nas estatísticas: há melhora recente em parte das coberturas, mas ainda existe um contingente grande de crianças e adolescentes com doses em atraso, especialmente quando a rotina depende do deslocamento da família até a unidade de saúde.
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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista do portal O estopim, com foco em serviço, checagem e cobertura urgente do dia a dia.