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Mobilização na Avenida Coronel Antônio Japiassú reúne grupo reduzido; fontes da rede estadual citam desgaste com concurso de 2022 e encerramento de contratos temporários


Por Clara Mendes para O estopim |

17 de Setembro de 2026

Cobertura das Eleições


Caminhada e carreata na Avenida Coronel Antônio Japiassú reúnem grupo reduzido; fontes citam concurso de 2022 e fim de 1.500 contratos temporários.
Ato da Educação de Arcoverde em Prol de Raquel Lyra nesta quinta-feira (17) | Foto: Michael Andrade/Agência O estopim+

Uma caminhada com carreata em apoio à governadora de Pernambuco e candidata à reeleição Raquel Lyra, do PSD, reuniu um grupo reduzido de apoiadores no fim da tarde desta quinta-feira (17), na Avenida Coronel Antônio Japiassú, no Centro de Arcoverde. A presença de profissionais da educação, público ao qual a mobilização teria sido dirigida, não foi expressiva. Raquel disputa formalmente a reeleição ao Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. Fontes da rede estadual atribuem a convocação do ato à Gerência Regional de Educação do Sertão do Moxotó-Ipanema, sediada em Arcoverde. A GRE integra a estrutura regional da educação estadual.


Não houve divulgação de contagem oficial de público. Pelos registros da mobilização e pelos relatos recebidos pela redação, entretanto, o ato permaneceu esvaziado em todo do percurso pela principal área comercial da cidade.


Profissionais da educação ouvidos pela reportagem relacionaram a baixa adesão ao desgaste acumulado entre servidores da educação e o Governo Raquel Lyra. Entre os assuntos mencionados estão, a desvalorização profissional e da carreira, a falta de estrutura e material de apoio, uma formação continuada quase inesistente, a disputa pela convocação de aprovados no concurso público da Secretaria de Educação realizado em 2022 e, mais recentemente, o encerramento de aproximadamente 1.500 (dados não oficiais estimam que sejam em torno de 5.000) contratos temporários de professores em pleno ano letivo.


A controvérsia sobre o concurso não começou agora. Em 2024, a Segunda Câmara do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco determinou que a Secretaria de Educação nomeasse, até dezembro daquele ano, 4.951 professores aprovados no concurso de 2022. O TCE-PE também determinou que a pasta não celebrasse nem renovasse contratos temporários enquanto houvesse profissionais aprovados no cadastro de reserva. A decisão foi aprovada por unanimidade e posteriormente entrou em fase de recursos.



No vídeo, alguns carros e apoiadores com bandeiras seguem em direção a Praça da Bandeira vindos da antiga Estação Ferroviária de Arcoverde | Vídeo: Michael Andrade/Agência O estopim+

O conflito continuou em 2026. Em abril, o Ministério Público de Pernambuco recorreu à Justiça para tentar garantir novas nomeações de candidatos do cadastro de reserva. Naquele momento, cerca de 1.500 professores ainda aguardavam convocação, segundo informações reunidas no processo. O Estado sustenta que o concurso perdeu a validade e afirma ter convocado mais de 9 mil docentes ao longo do período, número superior às vagas inicialmente previstas no edital.


A defesa apresentada pela Procuradoria-Geral do Estado no processo também provocou reação entre os profissionais. Em uma das manifestações judiciais, candidatos foram chamados de “Enzos das liminares”. O documento ainda relacionou as ações movidas pelos aprovados a um “insucesso pessoal”. O Sintepe publicou nota de repúdio à linguagem utilizada pela PGE.


Neste mês, outro conflito ampliou a tensão na rede estadual. A Secretaria de Educação confirmou o encerramento de aproximadamente 1.500 contratos temporários de professores que, segundo a pasta, haviam atingido o limite legal de seis anos. A SEE negou que tenha ocorrido uma demissão em massa e informou que 700 postos já haviam sido preenchidos por profissionais de uma nova seleção simplificada, enquanto outras 800 vagas passavam por reorganização para substituição dos docentes.


Professores e o Sintepe contestam a forma como os desligamentos foram conduzidos. A entidade afirma que escolas ficaram com lacunas no quadro docente em pleno segundo semestre e alerta para prejuízos aos estudantes, inclusive aos que se preparam para o Enem, marcado para novembro. O sindicato apresentou representação ao MPPE e ao TCE-PE pedindo uma solução para os contratos.


A redação também recebeu relatos de profissionais que disseram ter sofrido pressão e ameaças relacionadas ao comparecimento ao ato desta quinta-feira em Arcoverde. Não foram apresentados documentos públicos que permitam identificar formalmente os responsáveis pelas cobranças. Por essa razão, a informação é registrada como denúncia das fontes, sem atribuição direta da conduta à direção da GRE, à Secretaria Estadual de Educação.


Até o fechamento desta matéria, não havia posicionamento público localizado da GRE Sertão do Moxotó-Ipanema ou sobre as denúncias de pressão para participação na atividade.


O ato na Avenida Coronel Antônio Japiassú não deve ser confundido com outra mobilização política realizada em Arcoverde e divulgada nesta quinta-feira. No bairro São Geraldo, uma caminhada comandada pelo prefeito Zeca Cavalcanti em apoio a Raquel Lyra e a candidatos aliados foi descrita por veículos locais como numerosa. As duas agendas ocorreram em locais e contextos diferentes.


O episódio desta quinta acontece enquanto a política de pessoal da educação estadual permanece sob disputa administrativa, judicial e sindical. Desde a determinação do TCE-PE sobre o concurso de 2022 até o encerramento dos contratos temporários em setembro de 2026, a composição do quadro de professores segue como um dos pontos de conflito entre o Governo de Pernambuco, profissionais da rede e órgãos de controle.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Atua na cobertura factual de política, cidades, educação e acontecimentos de interesse público, com foco em apuração, documentação e verificação.

Inquérito apura pagamentos a médicos, questões previdenciárias, condições de trabalho e falhas na estrutura da unidade; autos também serão enviados ao TCE-PE.


Por Raul Silva para O estopim |

10 de setembro de 2026


Fachada da Policlínica Dr. José Cavalcanti Alves, alvo do Inquérito Civil nº 02291.000.174/2025 do MPPE em Arcoverde
Fachada da Policlínica Dr. José Cavalcanti Alves, alvo do Inquérito Civil nº 02291.000.174/2025 do MPPE em Arcoverde | Foto: Reprodução/Google Maps

O Ministério Público de Pernambuco abriu o Inquérito Civil nº 02291.000.174/2025 para investigar a gestão administrativa, financeira e estrutural da Policlínica Dr. José Cavalcanti Alves, em Arcoverde. A portaria foi assinada pelo promotor Edson de Miranda Cunha Filho em 3 de setembro de 2026 e publicada no Diário Oficial do MPPE no dia 8.


A investigação reúne denúncias sobre pagamentos classificados como “extra” a médicos temporários, possíveis irregularidades previdenciárias e fiscais, condições de trabalho, demissões de profissionais, pressão para emissão de atestados de óbito sem exame prévio do corpo e problemas estruturais já identificados pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, o Cremepe.


A Prefeitura de Arcoverde está diretamente envolvida porque mantém a Policlínica e contrata os médicos que trabalham na unidade. O prefeito Zeca Cavalcanti e a Secretaria Municipal de Saúde foram formalmente acionados pelo Ministério Público para apresentar documentos e comprovar a correção das irregularidades apontadas.


Pagamentos a médicos entram na mira do MPPE


Um dos principais pontos do inquérito é a forma como médicos temporários da Policlínica vinham sendo remunerados.


O MPPE investiga complementos salariais chamados de “extra” e determinou que a Diretoria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde apresente documentos referentes aos médicos plantonistas contratados temporariamente nos últimos 12 meses.


A requisição inclui folhas de pagamento, planilhas de evolução salarial, notas de empenho, ordens bancárias e contracheques.


A Prefeitura também terá de identificar a origem e a rubrica orçamentária utilizada para eventuais pagamentos adicionais.


A documentação permitirá confrontar os valores previstos nos contratos com aquilo que foi efetivamente empenhado, pago e registrado pela administração municipal.


O inquérito também alcança possíveis repercussões previdenciárias desses pagamentos.


Prefeitura já havia respondido ao Ministério Público


A portaria mostra que as cobranças do MPPE começaram antes da abertura do inquérito civil.


Durante o procedimento preparatório, a gestão municipal apresentou respostas por meio dos Ofícios nº 604/2025, 71/2025 e 72/2025, ligados à Diretoria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde e à Secretaria Municipal de Saúde.


Segundo o Ministério Público, o Município informou que havia realizado adequações estruturais na Policlínica.


A portaria registra, porém, novas cobranças para que a Prefeitura apresente comprovação da regularização definitiva das falhas identificadas pelo Cremepe e documentos detalhados sobre os pagamentos realizados aos médicos.


Cremepe encontrou problemas na Policlínica


Parte dos problemas analisados pelo Ministério Público foi registrada durante fiscalização realizada pelo Cremepe em 10 de setembro de 2025.


A Vistoria nº 967/2025 ocorreu sem aviso prévio.


O relatório identificou a Policlínica como unidade pública municipal com atendimento de urgência durante 24 horas e médicos contratados diretamente pela Prefeitura de Arcoverde.


Na Sala de Reanimação e Estabilização de Pacientes Graves, conhecida como Sala Vermelha, os fiscais encontraram apenas um leito. O roteiro utilizado pelo conselho previa pelo menos dois.


Também foram registradas ausência de ventilador mecânico por leito, falta de médico exclusivo para a Sala Vermelha, ausência de materiais para traqueostomia e cricotireoidostomia, falta de alguns tamanhos de tubos endotraqueais e ausência de máscara laríngea.


Os cilindros de oxigênio não estavam fixados à parede nem acondicionados em carrinho apropriado.


O Cremepe apontou ainda ausência de inscrição da unidade no Conselho Regional de Medicina e indisponibilidade integral de equipamentos ou insumos de suporte à vida.



Unidade estava sem alvará do Corpo de Bombeiros e medicamentos estavam indisponíveis


A fiscalização também constatou que a Policlínica não possuía, naquele momento, Alvará de Prevenção e Combate a Incêndios emitido pelo Corpo de Bombeiros.


A regularização desse documento está entre as providências que o MPPE agora exige da Prefeitura.


A gestão também deverá comprovar a inscrição regular da Policlínica no conselho profissional e a adequação da Sala Vermelha.


O relatório do Cremepe registrou ainda falta de medicamentos e insumos no momento da fiscalização.


Entre os itens relacionados aparecem Enoxaparina, Tobramicina em colírio, Digoxina, Codeína, Naloxona, Carbamazepina, Ampicilina, Amitriptilina, Deslanosídeo e Biperideno.


A portaria do Ministério Público também menciona Noradrenalina ao tratar das deficiências identificadas na unidade.


Médico plantonista acompanhava transferência de pacientes graves e plantões de 24 horas também são investigados


Outro problema registrado pelo Cremepe estava relacionado ao transporte de pacientes.


A Policlínica não dispunha de médico exclusivo para acompanhar transferências de pacientes graves.


Quando havia necessidade de transferência, o próprio médico que estava no plantão acompanhava o paciente, deixando temporariamente a unidade sem aquele profissional.


Os pacientes graves eram encaminhados principalmente ao Hospital Regional Ruy de Barros Correia. A unidade possuía uma ambulância básica.


A fiscalização também registrou médicos trabalhando em plantões de 24 horas consecutivas.


Durante a visita, foi informado ao Cremepe que esse formato havia sido adotado pelo próprio corpo clínico. O relatório também registrou que não havia atrasos salariais desde janeiro de 2025.


A investigação do MPPE vai além da existência ou não de atraso salarial. O foco está na forma de contratação, composição da remuneração, pagamentos adicionais, recolhimentos e condições de trabalho.


O inquérito também apura relatos de pressão institucional para que médicos emitissem atestados de óbito sem a realização prévia do exame do corpo.


O MPPE deverá identificar quem teria feito as cobranças, em quais circunstâncias elas ocorreram e se existem documentos, mensagens ou depoimentos que permitam reconstruir os episódios.


A apuração também reúne relatos sobre demissões de profissionais temporários e a forma como esses desligamentos foram realizados.


Prefeito Zeca Cavalcanti terá de responder ao MPPE e o TCE-PE também receberá a íntegra do inquérito


A portaria determina o envio de ofício ao prefeito Zeca Cavalcanti e à secretária municipal de Saúde.


A Prefeitura terá de apresentar documentação comprovando a regularização das principais falhas encontradas pelo Cremepe, entre elas a inscrição da Policlínica no CRM, o alvará do Corpo de Bombeiros e as adequações da Sala Vermelha.


Zeca Cavalcanti ocupa a chefia do Executivo desde 1º de janeiro de 2025, período que alcança a fiscalização realizada pelo Cremepe e os 12 meses de documentos financeiros requisitados pelo Ministério Público.


A resposta da gestão será importante para esclarecer quando o prefeito e a Secretaria de Saúde tomaram conhecimento dos problemas, quais providências foram determinadas e em quais datas as correções foram executadas.


O Ministério Público também determinou o envio de cópia eletrônica integral dos autos ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco.


O objetivo é permitir que o TCE-PE avalie as questões fiscais e previdenciárias levantadas durante a investigação e adote as medidas de fiscalização que considerar necessárias.


A entrada do Tribunal de Contas amplia o alcance da apuração sobre a folha de pagamento e os gastos municipais relacionados aos médicos temporários.


Perguntas que Arcoverde precisa ver respondidas


A investigação abre uma série de questões sobre a administração da Policlínica.


A Prefeitura precisa esclarecer se existiram pagamentos além dos valores previstos nos contratos, quem autorizou esses valores, quais rubricas foram utilizadas e se todos os pagamentos tiveram empenho, liquidação, ordem bancária e recolhimento previdenciário correspondente.


Também precisa informar quando a Policlínica conseguiu sua inscrição regular no Cremepe, quando obteve o alvará do Corpo de Bombeiros e em que data a Sala Vermelha passou a atender integralmente às exigências apontadas na fiscalização.


Outro ponto é saber se a unidade continua utilizando o próprio médico plantonista para acompanhar transferências de pacientes graves.


No campo trabalhista, será necessário esclarecer quem definiu os plantões de 24 horas, quantos profissionais temporários foram desligados e qual foi a motivação administrativa de cada demissão analisada pelo MPPE.


Também precisam ser esclarecidas as denúncias sobre pressão para emissão de atestados de óbito.


A população precisa saber ainda quando o prefeito Zeca Cavalcanti tomou conhecimento das irregularidades, quais providências determinou e por que o Ministério Público precisou reiterar pedidos de documentos e comprovação das correções.



O que acontece agora?


A Prefeitura de Arcoverde, a Secretaria Municipal de Saúde e a Diretoria de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde terão de entregar ao MPPE os documentos requisitados.


Depois da análise desse material, o Ministério Público poderá realizar novas diligências, convocar profissionais para prestar depoimento, requisitar outras informações e aprofundar a análise financeira, previdenciária e administrativa.


O TCE-PE também receberá a íntegra dos autos para avaliar a necessidade de fiscalização própria.


As respostas da Prefeitura e os documentos sobre a remuneração dos médicos serão decisivos para os próximos desdobramentos do Inquérito Civil nº 02291.000.174/2025.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, fiscalização e temas de interesse coletivo, com foco em documentos, dados e seus impactos para a população.

Auditoria apura documentos, medições, pagamentos e responsabilidades antes de eventual multa, débito ou correção administrativa


Por Raul Silva para O estopim | 8 de julho de 2026



Fachada do Tribunal de Contas de Pernambuco, órgão responsável por auditorias de controle externo
Fachada do Tribunal de Contas de Pernambuco, órgão responsável por auditorias de controle externo | Foto: Reprodução/TCE-PE

Uma auditoria do Tribunal de Contas começa quando há indício de falha, desperdício, ilegalidade ou dano em contrato, obra, compra ou serviço pago com dinheiro público. Nesses casos, o tribunal analisa documentos, ouve gestores e empresas, confronta medições com pagamentos e decide se houve erro formal, falha administrativa, irregularidade grave ou prejuízo ao erário.


A auditoria não é uma condenação antecipada. É um procedimento técnico de controle externo. No caso de contratos públicos, ela costuma verificar o planejamento da contratação, o edital ou a ata usada, os pareceres jurídicos, os aditivos, as notas fiscais, as medições, os pagamentos e a execução real do serviço. No TCE-PE, a Lei Orgânica prevê auditorias ordinárias e especiais como formas de exercício do controle externo.


O Tribunal de Contas é um órgão de controle externo. Em Pernambuco, o Regimento Interno do TCE-PE define o tribunal como órgão constitucional de controle externo e prevê competência para atuar conforme a Constituição do Estado e a Lei Orgânica.


Na prática, isso significa que o TCE fiscaliza a aplicação do dinheiro público. Ele não substitui a Polícia, o Ministério Público ou o Judiciário, mas pode julgar contas, determinar correções, aplicar multas, apontar débito e encaminhar informações a outros órgãos quando identificar indícios de crime ou improbidade.


A auditoria pode nascer de uma denúncia, representação, provocação do Ministério Público de Contas, fiscalização de rotina ou achado técnico identificado pelos auditores.


Em casos envolvendo contratos, o primeiro passo costuma ser a análise de risco: valor contratado, urgência, tipo de serviço, histórico do fornecedor, aditivos, forma de contratação, pagamentos já feitos e impacto para a população.


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Quando há risco de continuidade de dano, o relator pode decidir sobre medida cautelar. A cautelar é uma decisão preventiva. Ela pode suspender pagamentos, impedir prorrogação, determinar envio de documentos ou limitar atos administrativos até que o mérito seja analisado.


Em contratos públicos, a equipe técnica costuma examinar:


  1. Planejamento da contratação

  2. Justificativa da necessidade do serviço

  3. Pesquisa de preços

  4. Edital, ata ou processo de adesão

  5. Pareceres técnicos e jurídicos

  6. Contrato e aditivos

  7. Ordens de serviço

  8. Boletins de medição

  9. Notas fiscais

  10. Comprovantes de pagamento

  11. Fotos, laudos e relatórios de execução

  12. Compatibilidade entre o que foi pago e o que foi entregue


Em uma auditoria especial sobre contrato público, o TCE pode aprofundar a análise sobre edital, contrato e execução dos serviços. Em caso recente divulgado pelo próprio TCE-PE, a Corte informou que a auditoria avaliaria justamente essas etapas e até a necessidade de refazer licitação.


O achado é o ponto técnico que indica possível problema. Pode ser uma medição sem comprovação, pagamento acima do preço de mercado, ausência de parecer jurídico, serviço não executado, aditivo sem justificativa, liquidação irregular ou contratação sem planejamento suficiente.


Um achado precisa ser sustentado por evidência. Por isso, uma auditoria séria não se baseia apenas em opinião política, denúncia pública ou repercussão nas redes sociais. Ela cruza documentos, valores, datas, responsáveis e provas materiais.


Depois dos apontamentos técnicos, os responsáveis são chamados a apresentar explicações. Isso inclui gestores públicos, fiscais de contrato, ordenadores de despesa e, quando necessário, empresas contratadas.


Essa etapa é essencial porque uma falha pode ter explicação documental, correção posterior ou justificativa administrativa. Também pode ocorrer o contrário: a defesa pode não afastar os indícios e o caso avançar para responsabilização.


Ao final, o Tribunal pode considerar que não houve irregularidade, apontar ressalvas, determinar correções, aplicar multa, imputar débito, exigir ressarcimento ou recomendar a abertura de tomada de contas especial.


A Lei Orgânica do TCE-PE prevê tomada de contas especial quando há omissão no dever de prestar contas, não comprovação de recursos, desfalque, desvio de bens ou valores, ato ilegal, ilegítimo ou antieconômico com dano ao erário. O objetivo é apurar os fatos, identificar responsáveis e quantificar o dano.


Se houver débito ou multa e o valor não for recolhido, o Tribunal pode emitir certidão de débito e encaminhar o caso ao órgão titular do crédito para inscrição em dívida ativa e cobrança, inclusive judicial.


Uma auditoria não significa, por si só, condenação. Também não prova automaticamente corrupção, crime ou improbidade. Ela significa que há elementos suficientes para fiscalização técnica.


Mas o contrário também é verdadeiro: dizer que “é só uma auditoria” não encerra o problema. Quando o contrato envolve milhões de reais, escola pública, saúde, transporte, obra ou serviço essencial, a auditoria é um instrumento de proteção do interesse público.


O que acontece agora


Em casos como o contrato da Cetus na educação de Pernambuco, o caminho natural é a coleta de documentos, análise técnica, manifestação dos citados, eventual parecer do Ministério Público de Contas e julgamento pela Câmara ou pelo Pleno competente.


Se o TCE confirmar irregularidades, podem vir multas, determinações de correção, cobrança de valores, comunicação a outros órgãos e impactos em futuras contratações. Se as defesas afastarem os indícios, o processo pode ser arquivado ou julgado regular com ou sem ressalvas.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do portal O estopim. Atua na cobertura de política, fiscalização pública, educação e temas de interesse social, com foco em contexto, documentos e responsabilidade editorial.

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