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Governadora apresenta obras como marca da gestão durante sabatina; Hospital Mestre Dominguinhos segue em construção, enquanto Hospital da Mulher do Agreste e Nossa Senhora Aparecida já funcionam


Por Clara Mendes para O estopim |

7 de Setembro de 2026

Cobertura das Eleições


Raquel cita hospitais na TV Tribuna, mas obras seguem até 2027
Raquel cita hospitais na TV Tribuna, mas obras seguem até 2027 | Foto: Miva Filho

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra, do PSD, apresentou a ampliação da rede hospitalar como uma das principais ações de sua gestão durante sabatina da TV Tribuna nesta segunda-feira, 7. Parte das unidades citadas, porém, ainda está em construção. O Hospital Mestre Dominguinhos, em Garanhuns, tem conclusão prevista para junho de 2027, enquanto maternidades anunciadas para diferentes regiões do estado seguem em estágios distintos de execução.


A própria TV Tribuna registrou que Raquel foi questionada pelo apresentador Artur Tigre sobre hospitais prometidos e ainda não entregues. A governadora respondeu citando reformas na rede existente, novas maternidades e equipamentos abertos nos últimos anos.


“Pegamos a saúde de Pernambuco sucateada. E isso é resultado de um descaso de muito tempo”, afirmou Raquel durante a entrevista.

A declaração sobre a situação encontrada em 2023 é uma avaliação política da candidata. Já os investimentos citados podem ser confrontados com registros públicos.


Reforma do Hospital da Restauração chega a R$ 168 milhões


Raquel afirmou durante a sabatina que aproximadamente R$ 160 milhões estão sendo investidos na reforma e requalificação do Hospital da Restauração, no Recife.


O valor mais recente divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde é ligeiramente superior. Em junho, o governo informou investimento de aproximadamente R$ 168 milhões na ampliação e recuperação da unidade, incluindo reformas estruturais e renovação de equipamentos.


A intervenção alcança diferentes setores do hospital, entre eles enfermarias e a Unidade de Cuidados Intermediários. A Secretaria de Saúde classifica as obras em curso como a maior reforma estrutural realizada nos 56 anos de funcionamento do HR.


Raquel também declarou que sua administração está “reformando todos os hospitais de Pernambuco”.


Os documentos oficiais consultados confirmam um programa amplo de manutenção e obras em grandes hospitais e unidades regionais, mas não apresentam, em uma única relação pública, intervenções individualizadas em todos os hospitais estaduais. Por isso, não é possível confirmar literalmente a afirmação de que toda a rede hospitalar esteja simultaneamente em reforma.


No início deste ano, a Secretaria de Saúde informou investimentos superiores a R$ 66 milhões em manutenção de unidades como Agamenon Magalhães, Barão de Lucena, Getúlio Vargas, Otávio de Freitas, Hospital da Restauração e Hospital Regional do Agreste. O governo também informou mais de R$ 41,7 milhões para hospitais regionais e outras intervenções de maior porte.


Mestre Dominguinhos ainda está em construção diz Raquel Lyra


Um dos principais equipamentos usados por Raquel para apresentar a interiorização da saúde é o Hospital Mestre Dominguinhos, em Garanhuns.


A obra foi contratada por R$ 125,8 milhões. A previsão é que o hospital seja concluído em junho de 2027. Há ainda estimativa de aproximadamente R$ 39,6 milhões para aquisição de equipamentos.


A licitação para construção foi concluída depois de um processo que teve suspensão e republicação. Documentos da Companhia Estadual de Habitação e Obras de Pernambuco registram formalmente a contratação da obra em Garanhuns.


Durante a sabatina, Raquel afirmou que o hospital não tinha terreno nem projeto quando sua administração começou a trabalhar no empreendimento.


A documentação consultada confirma que a gestão estadual realizou procedimentos para elaboração e execução do projeto, mas não sustenta, por si só, a afirmação de que a unidade tenha sido prometida “há 20 ou 30 anos”, como declarou a candidata. Em fevereiro de 2025, deputados estaduais ainda cobravam do governo a implantação do hospital.


Hospital da Mulher do Agreste funciona desde 2025


Situação diferente é a do Hospital da Mulher do Agreste Luísa Cavalcanti Maciel, em Caruaru.


A unidade foi inaugurada em 9 de maio de 2025, depois de uma obra iniciada mais de dez anos antes e marcada por sucessivas paralisações. O investimento total informado foi de R$ 84,8 milhões.


O hospital oferece atendimento em obstetrícia e ginecologia, UTIs adulta e neonatal, bloco cirúrgico, internação e ambulatórios especializados. A estrutura foi planejada para realizar mais de 700 partos por mês, ou cerca de 8 mil por ano. O número é uma capacidade projetada da unidade, e não significa que 700 partos sejam efetivamente realizados todos os meses.


A construção havia começado na década passada. Reportagens da época da inauguração registram que o projeto teve previsão inicial de conclusão em 2015, sofreu paralisações e foi retomado durante a atual gestão.


Quatro maternidades seguem em execução


Raquel também citou quatro novas unidades materno-infantis em Garanhuns, Ouricuri, Igarassu e Serra Talhada.


Documentos e registros públicos confirmam que os projetos fazem parte do programa estadual de expansão da assistência materno-infantil. A própria documentação da Cehab inclui as quatro maternidades entre as obras de saúde acompanhadas pelo Estado.


Elas, entretanto, ainda não estão todas concluídas.


No fim de julho, a maternidade de Garanhuns estava com 64,1% de execução física e previsão de entrega em dezembro deste ano. A obra recebe R$ 58,2 milhões, com participação de recursos federais.


Em Ouricuri, o governo informava no mesmo período que a obra já havia ultrapassado 60% de execução, com investimento superior a R$ 51 milhões.


Serra Talhada também integra o programa, com ordem de serviço para uma maternidade cujo investimento informado é de aproximadamente R$ 65 milhões.


Igarassu completa o conjunto de novas unidades previstas pela gestão.


Hospital comprado em Paulista tem 213 leitos


Outro equipamento destacado por Raquel já está em funcionamento.


O Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Paulista, foi inaugurado pela gestão estadual em 15 de junho deste ano. O governo informou investimento de R$ 178 milhões e capacidade total de 213 leitos.


A unidade recebe pacientes regulados e foi incorporada à rede estadual como retaguarda do Hospital da Restauração, permitindo transferências enquanto as obras avançam no HR. Também oferece consultas, exames, internações e cirurgias.


O valor público mais recente, portanto, também é mais preciso que o release da campanha, que informa apenas “mais de R$ 170 milhões”.


Saúde entra no centro da disputa eleitoral


A sabatina durou cerca de 20 minutos e abriu uma série de entrevistas da TV Tribuna com os candidatos ao Governo de Pernambuco. Ivan Moraes, do PSOL, será entrevistado na terça-feira, 8, e João Campos, do PSB, na quarta, 9.


Além da saúde, Raquel foi questionada sobre a situação do metrô do Recife, a promessa de construir 250 creches, segurança pública e denúncias relacionadas a um suposto “gabinete do ódio”.


Na saúde, o balanço apresentado pela candidata reúne obras de naturezas diferentes: hospitais já abertos, equipamentos retomados depois de anos de paralisação e unidades que somente deverão entrar em funcionamento depois da eleição. O Mestre Dominguinhos, um dos maiores projetos citados durante a entrevista, tem entrega prevista para junho de 2027.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre política, saúde pública, eleições, Justiça e os principais acontecimentos do dia.

Unidade atende pacientes do SUS e de convênios de 32 municípios; celebração reuniu colaboradores e voluntárias que participaram da trajetória do serviço


Por Clara Mendes para O estopim |

13 de agosto de 2026

Memorial Onco completa 10 anos em Arcoverde com 40 mil sessões de quimioterapia
Memorial Onco completa 10 anos em Arcoverde com 40 mil sessões de quimioterapia | Foto: Assessoria/Memorial Onco

O Memorial Onco celebrou nesta quarta-feira, 12 de agosto, dez anos de atuação em Arcoverde, no Sertão de Pernambuco. Segundo a instituição, ao longo da década foram realizadas mais de 4 mil cirurgias, 12 mil consultas e 40 mil sessões de quimioterapia. O serviço atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e de convênios e alcança 32 municípios, em uma região com mais de 800 mil habitantes.


A comemoração ocorreu na própria unidade e teve bênção do padre Samuel, além de homenagens a colaboradores e voluntárias que participaram da construção do serviço. Parte desses profissionais acompanha o Memorial Onco desde os primeiros anos de funcionamento.


O diretor médico e mastologista Jarbas Maciel destacou os números acumulados pelo serviço e afirmou que a manutenção do padrão assistencial depende do trabalho cotidiano da equipe. “A excelência é uma escolha diária”, afirmou durante a celebração. Maciel atua como diretor médico do Memorial Onco.


De acordo com os dados apresentados pela direção, o Memorial Onco ultrapassou 4 mil cirurgias, 12 mil consultas e 40 mil sessões de quimioterapia em dez anos. Os números são informados pela própria instituição e representam a produção acumulada divulgada durante a comemoração.


A unidade mantém atendimento oncológico para pacientes encaminhados pelo SUS e também para usuários de convênios. A abrangência informada pelo Memorial Onco inclui 32 municípios das VI, X e XI Gerências Regionais de Saúde, com uma população superior a 800 mil habitantes.


A presença do serviço em Arcoverde permite que pacientes da região realizem etapas do diagnóstico, acompanhamento e tratamento do câncer mais perto de seus municípios de origem. O Hospital Memorial Arcoverde informa que mantém, entre seus serviços, atendimento em oncologia.


Os registros públicos mostram, porém, que a assistência oncológica do Hospital Memorial Arcoverde antecede o marco de dez anos celebrado nesta semana. O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, o CNES, registra o hospital como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON) desde julho de 2014. A comemoração de 2026 é apresentada pela instituição como os dez anos de atuação do Memorial Onco.


Ao completar uma década, o Memorial Onco afirma que pretende manter e ampliar o acesso à assistência oncológica na região, com atendimento multidisciplinar durante as diferentes etapas do tratamento do câncer.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim, com atuação voltada à cobertura factual, checagem de informações e notícias de interesse público.


Sistema depende de recursos da União, estado e municípios; em Arcoverde, debate sobre SAMU expõe disputa por crédito e obrigação pública.


Por Raul Silva para O estopim | 25 de junho de 2026



Infográfico mostra como União, estado e municípios financiam e executam o SUS em Pernambuco
Arte explicativa com União, estado e município conectados ao SUS em Pernambuco | Infográfico: IA Gemini/Dados SUS

A saúde pública em Pernambuco não depende de uma única esfera de governo. O SUS funciona por financiamento tripartite, planejamento regional e execução compartilhada entre União, estado e municípios. A discussão ganhou força em Arcoverde após a chegada de ambulância do SAMU pelo Novo PAC, quando Prefeitura e PT passaram a disputar a narrativa sobre quem garante o avanço do serviço. O ponto central é que o Governo Federal tem protagonismo no financiamento e na política nacional, enquanto a gestão local tem obrigação de transformar recurso, equipamento e proposta em atendimento real.


A Constituição Federal estabelece que as ações e serviços públicos de saúde formam uma rede regionalizada e hierarquizada, organizada com descentralização, atendimento integral e participação da comunidade. Também define que o SUS é financiado com recursos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.


A Lei nº 8.080, que criou a base legal do SUS, reforça que a gestão das ações e serviços de saúde deve ser solidária e participativa entre União, estados e municípios. A rede inclui atenção primária, média e alta complexidade, urgência e emergência, atenção hospitalar, vigilâncias e assistência farmacêutica.


O Fundo Nacional de Saúde explica que os recursos do SUS vêm da União, por meio da seguridade social e impostos, e também de estados, municípios e Distrito Federal, com arrecadação própria e recursos repassados pelo Ministério da Saúde. Esses valores passam por planejamento, transferência, execução e monitoramento.


Na prática, isso significa que uma ambulância, uma UBS, um hospital, uma equipe de saúde da família ou um serviço de urgência podem envolver várias camadas de responsabilidade: orçamento federal, contrapartida estadual, estrutura municipal, equipe local e prestação de contas.


A Lei Complementar nº 141/2012 fixa percentuais mínimos de aplicação em saúde. Estados devem aplicar pelo menos 12% das receitas próprias em ações e serviços públicos de saúde, e municípios devem aplicar pelo menos 15%.


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O repasse federal pode ocorrer por transferência fundo a fundo. Nesse modelo, os depósitos saem do Fundo Nacional de Saúde para fundos estaduais, municipais e do Distrito Federal. Os fundos estaduais também podem transferir recursos para fundos municipais.


O mesmo sistema exige controle. A prestação de contas dos recursos repassados fundo a fundo deve ser encaminhada para apreciação dos Conselhos de Saúde, por meio de instrumentos como o Relatório Anual de Gestão.


Em Pernambuco, a Secretaria Estadual de Saúde organiza parte da rede por meio das Gerências Regionais de Saúde. São 12 Geres para apoiar os 184 municípios do estado e Fernando de Noronha. Cada uma atua de forma mais localizada na atenção básica, na rede hospitalar, nas ações municipais, no combate à mortalidade infantil e em endemias.


Arcoverde é sede da VI Geres, que abrange Arcoverde, Buíque, Custódia, Ibimirim, Inajá, Jatobá, Manari, Pedra, Petrolândia, Sertânia, Tacaratu, Tupanatinga e Venturosa.


Essa regionalização importa porque a saúde de Arcoverde não atende apenas moradores da cidade. O Hospital Regional Ruy de Barros Correia, localizado em Arcoverde, é unidade de média complexidade e atende os 13 municípios da VI Geres, além de municípios vizinhos como Pesqueira e Belo Jardim.


O debate sobre saúde local costuma ganhar contorno político quando uma prefeitura anuncia obra, equipamento ou serviço financiado por programa federal. No caso do Novo PAC Saúde, o Ministério da Saúde informou que Pernambuco tem 865 propostas contempladas, com investimento total de R$ 2,18 bilhões, abrangendo UBS, hospitais, policlínicas, centros especializados, ambulâncias e outras estruturas estratégicas do SUS.


Isso dá ao Governo Federal, no atual ciclo do Governo Lula, papel central na expansão de infraestrutura e equipamentos. A prefeitura pode apresentar proposta e executar etapas locais, mas a política pública, o orçamento e a seleção nacional partem da União.


O SAMU é um exemplo direto dessa divisão. O Ministério da Saúde informa que o serviço é custeado de forma tripartite: o governo federal repassa valores de investimento e custeio a estados e municípios, que complementam os recursos e ficam responsáveis pelo funcionamento local.


Em 2023, o Ministério da Saúde ampliou em 30% os valores repassados ao custeio do SAMU 192, elevando o total de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,7 bilhão. A pasta também informou investimento de R$ 770 milhões até 2026 para ampliar o serviço, com 850 novos veículos e 14 novas centrais de regulação.


Esse dado ajuda a entender Arcoverde. A ambulância pode chegar por meio de uma proposta municipal, mas o programa, a compra, a política nacional e o reforço financeiro vêm do Governo Federal. A gestão local, por sua vez, precisa garantir base, equipe, escala, manutenção e atendimento funcionando pelo 192.


A prefeitura tem papel direto no cotidiano do cidadão. É a gestão municipal que organiza postos, equipes da atenção básica, transporte sanitário local, marcação de serviços, manutenção de unidades, vigilância em saúde municipal e parte da execução de programas federais.


Quando um município recebe recurso ou equipamento, a cobrança correta é: quando começa a funcionar, quem compõe a equipe, qual será a escala, como será feita a regulação, como o dinheiro será aplicado e onde a população pode acompanhar a prestação de contas.


O governo estadual precisa garantir rede regional, hospitais, regulação, pactuação com municípios e apoio técnico por meio das Geres. No caso de Arcoverde, a presença da VI Geres e do Hospital Regional Ruy de Barros Correia reforça que a cidade ocupa papel estratégico no Sertão do Moxotó e não pode ser vista apenas como uma rede municipal isolada.


Quando há fila, falta de especialista, dificuldade de transferência ou sobrecarga hospitalar, a pergunta também deve alcançar o estado: como está a rede regional, qual é a capacidade instalada, quais pactuações foram feitas e como a regulação está funcionando?


O Governo Federal deve ser reconhecido quando financia expansão, compra equipamentos, habilita serviços, amplia custeio e transfere recursos. Também deve ser cobrado quando há atraso, subfinanciamento, falha de habilitação, corte orçamentário ou dificuldade de execução.


No caso de Pernambuco, o volume de investimentos do Novo PAC Saúde mostra que a União voltou a ter papel forte na ampliação da estrutura do SUS no estado. Isso não elimina a gestão local. Mas torna incorreta qualquer comunicação pública que apague a origem federal de obras, ambulâncias e equipamentos.


O que acontece agora


A população precisa acompanhar o caminho completo do dinheiro à entrega. No caso de Arcoverde, isso significa monitorar a chegada das unidades do SAMU, a Base Descentralizada, o processo seletivo, a escala dos profissionais, a integração com a regulação e a prestação de contas.


O SUS só funciona quando cada esfera assume sua parte. A União financia e coordena políticas nacionais. O estado organiza a rede regional. O município executa a porta de entrada e parte dos serviços. A sociedade fiscaliza. Quando um governo tenta ficar sozinho com o crédito ou fugir da cobrança, a transparência perde.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, saúde, cultura e direitos, com foco em contexto, checagem e interesse público.


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