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IPEC mostra só 14% de confiança nos vereadores; Luciano lidera lembrança e atuação, enquanto Câmara falha em representação, fiscalização e sintonia.


Por Mateus Ayres para O estopim |

8 de agosto de 2026

Análise política



Câmara de vereadores de Arcoverde, em Pernambuco | Foto: Reprodução/Google Street View
Câmara de vereadores de Arcoverde, em Pernambuco | Foto: Reprodução/Google Street View

A pesquisa institucional do IPEC sobre Arcoverde entrega à Câmara de Vereadores um diagnóstico bem mais duro do que o registrado para a Prefeitura. A avaliação positiva do Legislativo chega a apenas 26%, enquanto 35% consideram seu trabalho regular e 32% o classificam como ruim ou péssimo. Outros 7% não souberam ou não responderam.


Mas a avaliação geral nem sequer é o dado mais preocupante.


Quando o levantamento entra em confiança, representação dos interesses da população, fiscalização da Prefeitura e contribuição para o desenvolvimento da cidade, aparece uma instituição com baixo crédito político perante o eleitorado.


Nesse cenário, um vereador se descola claramente dos demais: Luciano Pacheco.


O presidente da Câmara é lembrado espontaneamente por 32% dos entrevistados e apontado por 31% como o vereador mais atuante. Na pergunta sobre atuação, o segundo colocado, Célia, aparece com apenas 5%. Todos os outros vereadores citados, somados, chegam a 21%, abaixo dos 31% de Luciano sozinho.


Isso não significa que 31% aprovem Luciano, pretendam votar nele ou concordem com suas posições. A pesquisa não perguntou isso.


Significa algo politicamente muito importante:


entre os atuais integrantes da Câmara, Luciano Pacheco conseguiu construir uma percepção de presença pública que os demais vereadores, individualmente, estão muito longe de alcançar.

A outra metade dessa história é ainda mais incômoda para a Casa.


A Câmara tem mais avaliação negativa do que positiva


O IPEC perguntou como os eleitores avaliam o trabalho da Câmara, lembrando aos entrevistados que compete ao Legislativo produzir leis e fiscalizar a Prefeitura.


Apenas 5% responderam excelente e 21% bom. A avaliação positiva consolidada é de 26%.


Outros 35% classificaram o trabalho como regular. Ruim aparece com 12% e péssimo com 20%, levando a avaliação negativa a 32%. Sete por cento não souberam ou não responderam.


Numericamente, a avaliação negativa supera a positiva em seis pontos percentuais. Mas o dado politicamente mais robusto está no conjunto: 67% dos entrevistados colocam o trabalho da Câmara entre regular, ruim ou péssimo, contra 26% que o avaliam como excelente ou bom.


A mensagem é difícil de ignorar. A maioria não enxerga no Legislativo municipal um desempenho claramente positivo.


O indicador mais grave talvez seja a confiança. Quando o IPEC perguntou diretamente se o eleitor confia na atuação dos vereadores de Arcoverde, apenas 3% responderam "confio muito" e 11% "confio". São 14% de confiança mais firme.


No sentido oposto, 37% disseram confiar pouco e 46% afirmaram não confiar. Somadas, essas duas categorias representam 83% da amostra. Outros 3% não souberam ou não responderam.


É difícil interpretar esse resultado como simples problema de comunicação. Quando mais de oito em cada dez entrevistados ficam entre pouca confiança e nenhuma confiança, a questão passa a atingir a própria legitimidade política da representação.


A Câmara existe para representar interesses diversos, controlar o Executivo, legislar e abrir espaço institucional para o conflito democrático. Se o cidadão não confia em quem ocupa as cadeiras, a instituição continua funcionando juridicamente, mas perde capacidade de representar politicamente.


Outro resultado reforça o problema. Apenas 8% dizem que os vereadores representam os interesses da população "sempre". Outros 9% respondem "na maioria das vezes". São apenas 17% que percebem representação de maneira frequente.


Para 28%, isso ocorre apenas às vezes. Outros 23% dizem raramente e 28% nunca. Quatro por cento não souberam ou não responderam. O dado permite uma leitura particularmente dura: 51% dizem que os interesses da população são representados raramente ou nunca.


Se acrescentados os 28% que respondem "às vezes", chega-se a 79% que não percebem representação de maneira contínua. A pesquisa não diz quais interesses esses entrevistados esperavam ver defendidos. Também não permite concluir que todo vereador esteja desconectado de sua própria base eleitoral. Mas mostra uma sensação coletiva de distância entre a Câmara e a cidade.


Luciano Pacheco virou exceção dentro de uma Câmara apagada


É nesse ambiente de baixa confiança que o desempenho espontâneo de Luciano Pacheco ganha dimensão.


Quando o entrevistado precisa citar, sem receber uma lista de nomes, um vereador ou vereadora que conhece ou de quem se lembra, Luciano aparece com 32%. Célia registra 13%, João Taxista 8%, Luiza Margarida 6%, Wellington Siqueira 5%, Heriberto do Sacolão, João Marcos e Paulinho Galindo aparecem com 4% cada, Rodrigo Roa com 2% e Sargento Brito abaixo de 0,5%. Dez por cento respondem "nenhum" e 12% não sabem ou não respondem.


A diferença fica ainda maior quando a pergunta muda de simples lembrança para quem é o vereador mais atuante de Arcoverde. Luciano Pacheco aparece com 31%. Célia vem muito atrás, com 5%. Luiza Margarida tem 4%, Wellington Siqueira 3%, Heriberto do Sacolão, João Marcos, João Taxista e Rodrigo Roa aparecem com 2% cada, Paulinho Galindo com 1% e Sargento Brito não registra percentual significativo.


Há um detalhe decisivo: os demais vereadores nominalmente citados somam 21%. Luciano, sozinho, tem 31%. A distância é grande demais para ser tratada apenas como uma diferença marginal.


Existe, porém, um número que impede que o resultado de Luciano seja confundido com uma percepção positiva sobre a Câmara como um todo. Na pergunta sobre o vereador mais atuante, 19% dizem "nenhum". Outros 29% não souberam ou não responderam. Somadas, as duas respostas chegam a 48%.


Ou seja, quase metade da amostra não consegue apontar espontaneamente uma atuação parlamentar que mereça destaque, seja porque considera que nenhum vereador se sobressai, seja porque não consegue ou não deseja citar alguém.


A Câmara vive, portanto, uma contradição. Luciano Pacheco alcançou uma visibilidade individual relevante, enquanto o Legislativo, coletivamente, enfrenta baixa confiança, baixo reconhecimento de sua capacidade fiscalizadora e dificuldade de demonstrar que representa a população.


Também seria equivocado transformar os 31% em um atestado irrestrito sobre Luciano Pacheco. O presidente da Câmara esteve no centro das maiores crises políticas do Legislativo em 2026.


Em fevereiro, os dez vereadores eram apresentados publicamente como integrantes da base do governo Zeca Cavalcanti. A ruptura política entre o prefeito e Luciano, anunciada em março, modificou completamente essa configuração.


Luciano depois se tornou alvo de um pedido de cassação relacionado a questionamentos sobre o exercício da advocacia enquanto presidia a Casa. Ele negou irregularidade.


A OAB-PE arquivou a denúncia administrativa relacionada ao caso, após o MPPE também não identificar ilícito penal naquela questão específica. Em 28 de maio, a própria Câmara arquivou o pedido de cassação após parecer pelo encerramento do processo.


Portanto, a pesquisa não deve ser usada para absolver ou condenar politicamente nenhum dos lados da crise. O que ela registra é percepção de atuação. E nesse quesito Luciano aparece muito à frente dos pares.


Parte dessa lembrança pode decorrer justamente de sua exposição como presidente e protagonista de conflitos que dominaram a agenda política local. Ainda assim, visibilidade também é um elemento da representação política. Um mandato que não é lembrado enfrenta dificuldade até para fazer seu trabalho ser reconhecido.


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A falta de senso institucional dos demais vereadores


Os acontecimentos recentes permitem falar de algo mais preciso: falta de senso institucional em determinadas decisões políticas que colocaram a disputa entre grupos acima do funcionamento regular da Câmara.


Após a ruptura entre Luciano e o grupo governista, sessões ordinárias passaram a ser prejudicadas por ausência de parlamentares.


Em 11 de maio, Célia Galindo, Luiza Margarida, Paulinho Galindo, Rodrigo Roa e Wellington Siqueira não compareceram, impedindo o quórum mínimo. Luciano, Sargento Brito, Heriberto do Sacolão, João Taxista e João Marcos estavam presentes.


Na semana seguinte, em 18 de maio, apenas Luciano Pacheco compareceu ao plenário, e a sessão novamente terminou sem deliberações. Os outros nove parlamentares divulgaram posição conjunta afirmando que não reconheciam a legitimidade de Luciano na presidência e relacionaram suas ausências às denúncias que apresentavam contra ele.


Os vereadores tinham direito de questionar Luciano, formular denúncias e buscar os instrumentos regimentais que considerassem cabíveis. O problema democrático surge quando o instrumento da disputa deixa de ser o voto, a fiscalização, o requerimento, a comissão ou o plenário e passa a ser a própria ausência do plenário.


O resultado concreto foi uma Câmara incapaz de deliberar. E é exatamente essa Câmara que, dois meses depois, aparece diante do eleitorado com somente 14% de confiança mais firme.


Não é possível demonstrar estatisticamente que uma coisa provocou a outra. É possível, no entanto, afirmar que os episódios ajudam a contextualizar um desgaste que a pesquisa tornou mensurável.


Fiscalizar a Prefeitura é o maior recado do eleitorado


Há um indicador particularmente importante para compreender o que a população espera dos vereadores. O IPEC perguntou se os atuais parlamentares fiscalizam adequadamente a Prefeitura. Apenas 15% responderam sim.


Para 32%, a fiscalização ocorre parcialmente. Para 46%, os vereadores não fiscalizam adequadamente a Prefeitura. Outros 7% não souberam ou não responderam. Ou seja, 78% colocam a fiscalização entre parcial e inexistente.


Esse resultado ganha relevância diante da composição política que marcou o início de 2026. Em fevereiro, os dez vereadores eram descritos como integrantes da bancada governista.


Ter relação política com o Executivo não é irregular. Governos municipais precisam construir maiorias legislativas para aprovar projetos e executar programas. O problema começa quando a maioria é percebida como incapaz de exercer controle sobre quem governa.


Um episódio recente ajuda a explicar por que a fiscalização aparece tão mal avaliada. Em julho, Luciano Pacheco apresentou requerimento solicitando informações sobre patrocinadores, valores repassados e gastos relacionados ao São João de Arcoverde. Segundo dois veículos locais que acompanharam a votação, o pedido foi rejeitado por 9 votos a 1.


O estopim não localizou, nas fontes consultadas para esta análise, uma justificativa pública detalhada dos nove vereadores explicando individualmente por que consideraram inadequado o requerimento. Por isso, não é correto afirmar que a votação tenha ocorrido necessariamente para esconder informações. Mas o efeito político é difícil de ignorar.


Quando apenas 15% dos entrevistados dizem que os vereadores fiscalizam adequadamente a Prefeitura e, semanas antes da pesquisa, nove parlamentares rejeitam um pedido de informações sobre receitas e despesas de um grande evento municipal, surge um problema de coerência institucional.


Fiscalizar não significa ser oposição. Fiscalizar significa exigir documentos, acompanhar contratos, verificar despesas, cobrar resultados e permitir que o cidadão saiba como o dinheiro e os bens públicos são administrados. A Câmara pode aprovar projetos do prefeito e, ao mesmo tempo, fiscalizá-lo. Uma função não elimina a outra.


A avaliação da contribuição dos vereadores para o desenvolvimento de Arcoverde é igualmente severa. Apenas 15% respondem que os atuais vereadores contribuem para o desenvolvimento da cidade. Outros 39% dizem que contribuem "em parte". Para 42%, os vereadores não estão contribuindo para o desenvolvimento de Arcoverde. Quatro por cento não souberam ou não responderam.


Novamente, há uma concentração das respostas fora do reconhecimento pleno. Somando "em parte" e "não", são 81%. O eleitorado parece cobrar uma Câmara cuja presença seja percebida para além de requerimentos de rotina, homenagens, disputas internas e alinhamentos de grupo.


A cidade nem sequer conhece bem a própria Câmara


Outro dado mostra o tamanho da distância institucional. O IPEC perguntou espontaneamente quantos vereadores existem atualmente em Arcoverde. A resposta correta é dez, informação que o próprio questionário utiliza depois ao perguntar sobre possível aumento de vagas.


Apenas 28% responderam dez. Mais da metade, 52%, não soube ou não respondeu. Outros 20% deram números diferentes. Não se pode responsabilizar exclusivamente os vereadores pelo desconhecimento do eleitor. Mas uma instituição cuja composição básica é desconhecida por grande parte da população precisa perguntar se está conseguindo ser presente, inteligível e acessível.


Há uma diferença entre aparecer em redes sociais e efetivamente integrar a vida política do cidadão.


O recado fica ainda mais explícito quando o IPEC aborda a ampliação das vagas. A pergunta informava aos entrevistados que Arcoverde poderia chegar a 17 vereadores e acrescentava que isso ocorreria sem aumento de despesas.


Mesmo com essa ressalva, 61% se disseram contra aumentar o número de vereadores. Apenas 33% foram favoráveis e 6% não souberam ou não responderam. Entre os 33% favoráveis, o levantamento perguntou quantas vagas seriam ideais. Nesse universo específico de 100 entrevistados, 33% escolheram 17 cadeiras e 29% preferiram 15.


Mas o resultado geral é inequívoco na fotografia da pesquisa: a maioria não quer ampliar a Câmara. Politicamente, esse é talvez o recado mais simples.


Antes de convencer a população de que Arcoverde precisa de mais vereadores, a Câmara precisa convencer a cidade da utilidade política dos vereadores que já possui.

Luciano ocupa um espaço que os demais deixaram vazio


A vantagem de Luciano Pacheco não pode ser explicada exclusivamente pelo conflito com Zeca Cavalcanti ou pela presidência da Casa. Esses fatores certamente aumentam sua exposição, mas não explicam sozinhos por que a percepção espontânea de atuação dos demais é tão baixa.


A diferença entre 31% e 5% para o segundo colocado é enorme. Mais importante ainda é constatar que nenhum outro vereador chega sequer a dois dígitos quando o eleitor é perguntado sobre quem mais atua. Isso sugere um problema coletivo de construção de mandato.


Vereador não é apenas alguém que comparece à sessão e vota. Representação exige presença territorial, prestação de contas, fiscalização, elaboração de propostas, capacidade de escuta e disposição para contrariar até o próprio grupo político quando o interesse público exigir.


A pesquisa indica que, para grande parte da população, esse trabalho ou não está acontecendo em intensidade suficiente ou não está sendo percebido. Nos dois casos, há um problema político.


O eleitorado deu um recado aos dez vereadores


Os indicadores permitem resumir os principais alertas da pesquisa:


  1. Reconstruir confiança. Apenas 14% confiam ou confiam muito nos vereadores, enquanto 83% confiam pouco ou não confiam.

  2. Representar a população com mais consistência. Só 17% percebem representação sempre ou na maioria das vezes; 51% respondem raramente ou nunca.

  3. Fiscalizar de verdade. Apenas 15% consideram adequada a fiscalização sobre a Prefeitura e 46% dizem que ela não é adequada.

  4. Mostrar utilidade para a cidade. Só 15% veem contribuição plena para o desenvolvimento, enquanto 42% não enxergam contribuição.

  5. Parar de transformar ausência em instrumento político. Os episódios de falta de quórum mostraram uma instituição vulnerável à disputa interna.

  6. Demonstrar por que mais cadeiras seriam necessárias. Sessenta e um por cento rejeitam ampliar o número de vereadores, mesmo após serem informados de que a mudança não implicaria aumento de despesas.


Há uma conclusão política que atravessa quase todos os dados. Luciano Pacheco conseguiu se separar da imagem coletiva da Câmara. A Casa é vista com desconfiança. Luciano é percebido como atuante por parcela muito maior do eleitorado do que qualquer colega. Isso não transforma Luciano em representante automático da maioria e tampouco elimina as controvérsias que cercaram sua presidência. Mas produz um problema para os outros nove vereadores.


Se a estratégia política era isolar Luciano após o rompimento com o governo, a fotografia do IPEC sugere que o resultado, ao menos na percepção de atuação, foi inverso: Luciano aparece isolado, mas isolado na frente. Enquanto isso, seus adversários dentro da Casa precisam explicar por que nenhum deles ultrapassa 5% na pergunta sobre atuação.


A democracia municipal não funciona plenamente quando o Legislativo é tratado como extensão administrativa da Prefeitura nem quando vira palco permanente de vinganças, boicotes e guerras pessoais. O papel de uma Câmara é justamente permitir que interesses divergentes sejam processados institucionalmente.


O conflito faz parte da política. A ausência deliberada, a paralisia e o abandono das funções de fiscalização não podem virar substitutos do conflito democrático.


Em maio, O estopim já havia apontado que a crise política local estava produzindo paralisia, personalismo e perda do foco no interesse público. A pesquisa do IPEC agora oferece números que ajudam a medir o tamanho dessa ruptura entre instituição e sociedade.


O eleitorado não parece pedir uma Câmara sem divergências. Pede uma Câmara que trabalhe apesar das divergências.


O que acontece agora?


Os vereadores de Arcoverde têm pouco mais de dois anos pela frente antes da eleição municipal de 2028. Até lá, os indicadores que mais merecem acompanhamento não são apenas popularidade individual ou quantidade de requerimentos apresentados.


O teste será verificar se a Câmara consegue recuperar confiança, ampliar a percepção de representação, exercer fiscalização mais visível e construir uma agenda reconhecida pela população como relevante para o desenvolvimento da cidade.


Luciano Pacheco, por sua vez, terá o desafio inverso: transformar grande visibilidade em capacidade institucional sem permitir que a presidência da Casa seja reduzida ao confronto permanente com adversários.


A pesquisa IPEC foi realizada entre 25 e 27 de julho de 2026 com 304 eleitores das áreas urbana e rural de Arcoverde, em entrevistas presenciais. O levantamento informa nível de confiança de 95% e margem máxima de erro de 5,62 pontos percentuais. O instituto recomenda cautela na interpretação dos cruzamentos por sexo, idade, renda, escolaridade e área quando as bases absolutas forem menores.


Os resultados entregam uma agenda clara para o restante da legislatura. A Câmara não precisa apenas melhorar sua imagem. Precisa mostrar por que existe, quem representa, o que fiscaliza e de que maneira suas decisões melhoram a vida da população.


Luciano Pacheco aparece como o vereador que mais conseguiu transformar mandato em percepção pública de atuação. Para os demais, o recado do eleitorado é menos confortável: ocupar uma cadeira não basta para ser percebido como representante.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim, com atuação em política nacional e internacional e análise de conjuntura. Seu trabalho acompanha instituições e relações de poder com atenção à justiça social, ao interesse público e ao rigor documental.

IPEC registra 52% de ótima ou boa, mas só 42% veem compromisso frequente; 62% dizem que Zeca está próximo apenas em parte ou não está.


Por Mateus Ayres para O estopim | 8 de agosto de 2026

Análise política



Prefeito de Arcoverde Zeca Cavalcanti (Podemos-PE)
Prefeito de Arcoverde Zeca Cavalcanti (Podemos-PE) | Foto: Reprodução

A gestão do prefeito Zeca Cavalcanti chega a um ano e meio de mandato com um dado que, isoladamente, parece confortável: 52% dos entrevistados pelo Instituto de Pesquisas Científicas de Pernambuco, o IPEC, classificam a administração de Arcoverde como ótima ou boa. São 20% de ótima e 32% de boa. Outros 32% consideram o governo regular, 14% ruim ou péssimo e 2% não souberam ou não responderam.


O problema político aparece quando a pesquisa deixa de perguntar apenas se o governo é bom ou ruim e mede compromisso, proximidade e capacidade de fazer suas ações serem percebidas pela população. Nesses indicadores, a fotografia fica menos confortável para o prefeito.


Só 42% dizem que Zeca demonstra compromisso com os interesses da população sempre ou na maioria das vezes. Em sentido contrário, 52% respondem que isso ocorre apenas às vezes, raramente ou nunca. Outros 6% não souberam ou não responderam.


Quando a pergunta é sobre proximidade, 34% consideram que o prefeito está presente e próximo da população. Outros 32% respondem "em parte" e 30% dizem que ele não está próximo. Isso significa que 62% dos entrevistados situam Zeca entre uma proximidade apenas parcial e a ausência de proximidade, uma soma analítica das duas categorias, e não uma classificação criada pelo IPEC. Outros 4% não souberam ou não responderam.


A conclusão mais importante da pesquisa, portanto, não é que Zeca Cavalcanti esteja rejeitado. Ele não está. O que os números sugerem é outra coisa: existe uma diferença relevante entre avaliar positivamente a administração e perceber o governo como continuamente conectado aos interesses, às demandas e ao cotidiano da cidade.


Como ler a pesquisa


O levantamento foi realizado de 25 a 27 de julho de 2026 com 304 eleitores de Arcoverde, residentes nas zonas urbana e rural, por meio de entrevistas presenciais. O estudo informa nível de confiança de 95% e margem máxima de erro de 5,62 pontos percentuais. O próprio IPEC recomenda cautela na leitura dos cruzamentos por renda, idade, escolaridade e região, porque determinadas subdivisões podem ter bases absolutas pequenas.


Isso ajuda a colocar os 52% em perspectiva. Trata-se de uma maioria no resultado pontual, mas não de um consenso. Além dos 14% que classificam a administração como ruim ou péssima, o IPEC divide os 32% de regular em 24% de regular positiva e 8% de regular negativa.


Se os 8% de regular negativa forem agregados, exclusivamente para efeito de análise política, aos 14% de ruim ou péssima, chega-se a 22% em uma faixa mais crítica de percepção. Esse agrupamento, porém, não é o índice oficial de reprovação do levantamento. A tabela consolidada do IPEC mantém 14% como avaliação negativa e 32% como regular.


Há, portanto, um contingente de 32% instalado no meio da escala. Politicamente, esse grupo importa porque não está na rejeição aberta, mas também não oferece ao governo a segurança de uma avaliação boa ou ótima.


A avaliação positiva, no entanto, não significa alinhamento político. O dado mais incômodo para o governo aparece na pergunta sobre compromisso com os interesses da população.


São 31% os que afirmam que Zeca Cavalcanti demonstra compromisso "sempre" e 11% "na maioria das vezes". A soma é de 42%. Outros 29% dizem "às vezes", 13% "raramente" e 10% "nunca", o que totaliza 52%. Há ainda 6% que não souberam ou não responderam.


A diferença permite uma leitura mais precisa do que simplesmente afirmar que o prefeito possui 52% de avaliação positiva.


Parte dos arcoverdenses pode reconhecer serviços, obras ou melhorias e, simultaneamente, não sentir que as decisões da Prefeitura correspondem de maneira frequente às suas prioridades.

É nesse intervalo entre avaliação administrativa e identificação com as decisões do governo que aparece um dos principais alertas da pesquisa. A percepção de compromisso é mais frágil entre famílias de menor renda.


Entre entrevistados com renda familiar de até dois salários mínimos, 30% dizem que o prefeito demonstra compromisso sempre e 10% na maioria das vezes. São 40%.


No mesmo grupo, 28% respondem às vezes, 14% raramente e 12% nunca. Juntas, essas três respostas chegam a 54%.


Entre os entrevistados com renda superior a dois salários mínimos, 39% respondem sempre e 16% na maioria das vezes, totalizando 55% de percepção de compromisso frequente.


A amostra possui 244 entrevistados na faixa de até dois salários mínimos e 60 acima desse patamar. Por essa razão, o próprio relatório recomenda cautela na comparação entre segmentos.


Não é possível transformar essa diferença em uma conclusão definitiva sobre classe social. O dado, entretanto, funciona como alerta para o governo: a percepção de alinhamento aparece mais frágil justamente no grupo de menor renda da amostra, parcela para a qual políticas e serviços públicos municipais tendem a ter peso especialmente relevante no cotidiano.


Também existe uma diferença etária a observar. Entre as pessoas de 35 a 44 anos, 27% consideram Zeca próximo, enquanto 45% dizem que ele não está próximo. Outros 26% respondem "em parte". O dado não autoriza generalizações isoladas, mas identifica um segmento em que a percepção de distância aparece com mais intensidade.


Metade dos entrevistados não apontou espontaneamente uma entrega


Talvez nenhum indicador seja tão relevante para compreender comunicação e percepção das entregas quanto a pergunta espontânea sobre o trabalho, obra ou ação mais importante do governo.


Saúde aparece em primeiro lugar, com 12%. Pavimentação tem 11%, educação 10%, limpeza urbana 5% e festas de rua 2%.


Mas 40% não souberam ou não responderam e outros 10% disseram "nada" ou "nenhuma". Ou seja, metade dos entrevistados não apontou espontaneamente uma ação principal da administração, seja porque não soube ou não respondeu, seja porque afirmou não haver nenhuma a destacar.


Esse dado exige precisão.


Ele não significa que metade da população considere que a Prefeitura nada fez. Apenas 10% deram explicitamente a resposta "nada/nenhuma". Os outros 40% estão classificados pelo instituto como NS/NR, categoria que reúne quem não soube ou não respondeu.


A pergunta também é espontânea. Portanto, mede sobretudo lembrança e capacidade de associação da gestão a uma entrega, e não a existência material de obras ou políticas públicas.


Ainda assim, politicamente o resultado é relevante. Se uma administração está há um ano e meio no poder e uma parcela tão grande da amostra não associa espontaneamente o governo a uma realização específica, existem pelo menos duas hipóteses possíveis, que podem coexistir: as entregas não são percebidas com a mesma intensidade por toda a população ou a comunicação municipal não está conseguindo transformá-las em conhecimento público.


A própria Prefeitura apresentou, no fim de 2025, um balanço em que afirmava ter reorganizado administrativamente o município, regularizado pendências fiscais, retomado capacidade de investimento e mantido serviços e pagamentos.


Se o governo sustenta possuir esse conjunto de resultados e, meses depois, 40% não sabem ou não respondem qual seria sua principal realização e 10% dizem não existir nenhuma, aparece um problema de conversão entre ação administrativa e percepção social.


Outro dado espontâneo reforça essa leitura. Quando o IPEC pediu aos entrevistados uma palavra ou frase que marcasse o governo Zeca Cavalcanti, 42% não souberam ou não responderam.


"Bom governo/boa gestão" aparece com 13%.

Um agrupamento feito pelo próprio instituto, que reúne expressões como "governo péssimo", "gestão ruim", "horrível", "regular", "uma derrota", "uma negação", "governo fraco" e "relaxado", soma 11%. Por conter também a expressão "regular", esse grupo não deve ser apresentado simplesmente como um bloco integralmente negativo.


Outros 6% aparecem no agrupamento "tem que melhorar/deixa a desejar/aceitável/básico/razoável/mediano".


Também há 2% no grupo de respostas "cuida mais do centro/esquece a zona rural/governa para os ricos". Outros 1% aparecem na frase "governo que prefere investir em festas do que na cidade".


São percentuais pequenos e não podem ser tratados como sentimento generalizado da cidade. Eles ganham significado quando observados junto aos demais indicadores de proximidade, compromisso e lembrança das entregas.


A força do resultado está menos em uma resposta isolada e mais no conjunto: uma parcela expressiva dos entrevistados ainda não associa espontaneamente a administração a uma marca definida.


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O São João mostra que aprovação do evento não significa concordância com todas as decisões


A localização do principal polo do São João oferece um exemplo concreto de possível desalinhamento entre uma decisão administrativa e a preferência majoritária captada pela pesquisa.


Segundo o IPEC, 57% preferem que o polo principal funcione no Bandeirante, onde era realizado anteriormente. Outros 27% preferem o espaço em frente à Escola Antonio Japiassu, usado atualmente. Sete por cento deram outras respostas e 9% não souberam ou não responderam.


Isso não significa que a população rejeite o São João realizado pela gestão Zeca.


Dos 304 entrevistados, 123, equivalentes a 41%, afirmaram ter participado ativamente do evento. Entre esses participantes, 18% avaliaram o São João como excelente e 53% como bom. A soma é de 71% de excelente ou bom entre os participantes ativos, e não entre toda a amostra.


Há, portanto, duas percepções que podem coexistir: o evento pode ser bem avaliado por quem participou e, ao mesmo tempo, uma decisão específica sobre a localização do polo principal pode contrariar a preferência da maioria dos entrevistados.


Esse é um alerta contra a interpretação automática de que o sucesso percebido de uma política ou evento represente concordância com todas as decisões administrativas relacionadas a ele.


Para uma gestão acusada por adversários de inflexibilidade, o dado sobre a localização é politicamente relevante.


A crise com o Legislativo criou um problema político para a imagem do Executivo


A relação entre Zeca Cavalcanti e o presidente da Câmara, Luciano Pacheco, oferece outro contexto para compreender o debate sobre compromisso, proximidade e diálogo.


Em 24 de março, Zeca e o vice-prefeito Siqueirinha tornaram público o rompimento político com Pacheco. Seis dias depois, uma sessão ordinária não aconteceu por falta de quórum. Apenas o presidente da Câmara compareceu, enquanto vereadores alinhados ao Executivo se ausentaram. Entidades representativas de vereadores manifestaram preocupação com a independência institucional entre Legislativo e Executivo.


Em abril, um pedido de cassação foi protocolado contra Pacheco. O vereador passou a afirmar publicamente que era alvo de perseguição política depois do rompimento com o grupo de Zeca.


A acusação de perseguição política não está comprovada. Zeca Cavalcanti declarou que não tinha participação no processo, e a líder governista Célia Galindo também negou interferência do prefeito.


Posteriormente, O estopim noticiou que uma denúncia relacionada ao exercício da advocacia por Luciano Pacheco foi arquivada pela OAB-PE e que o MPPE não havia identificado ilícito penal naquela questão específica. A disputa política e os procedimentos no Legislativo, porém, continuaram.


O que pode ser afirmado é que houve uma ruptura política pública seguida por uma escalada institucional.


Isso produz custo para todos os envolvidos e, para o Executivo, cria a necessidade de demonstrar que divergência política não significa bloqueio ao funcionamento autônomo do Legislativo.


Ambulantes colocaram diálogo e exercício da autoridade em debate


A retirada de comerciantes informais do centro de Arcoverde, em 2025, também se tornou um episódio sensível para a imagem da gestão.


O MPPE havia recomendado à Prefeitura um levantamento atualizado das ocupações dos espaços públicos, campanha educativa e, posteriormente, um cronograma de desobstrução, seguido do exercício do poder de polícia quando necessário.


A Prefeitura afirmou que realizou abordagens educativas, orientou ambulantes a se cadastrarem e disponibilizou boxes no Cecora, sustentando que buscava conciliar organização urbana e respeito aos trabalhadores.


Dias depois, uma operação registrou momentos de tensão, detenções e uso de algemas. O episódio foi criticado por trabalhadores e adversários políticos, que classificaram a abordagem como excessivamente dura.


Há queixas de abandono e ausência de diálogo


Na zona rural, O estopim registrou em junho reclamações apresentadas pela Associação dos Produtores Rurais da Malhada II e Região, a APROMAR. Moradores afirmaram que demandas relacionadas à feira, produção local e programação cultural permaneciam sem resposta efetiva da Prefeitura.


A queixa dialoga com o pequeno grupo da pesquisa espontânea que associa o governo às expressões "cuida mais do centro", "esquece a zona rural" ou "governa para os ricos", agrupamento que representa 2% da amostra.


O que a apuração permite apontar é uma possível desigualdade na percepção desse diálogo: enquanto existem setores inseridos em instâncias formais de participação, comunidades e grupos específicos relatam dificuldade para obter respostas.


Nesse contexto, os números da proximidade ganham importância: apenas 34% consideram Zeca efetivamente próximo da população; outros 32% dizem que ele está próximo apenas em parte e 30% respondem que não está próximo.


Educação produziu alerta concreto sobre organização administrativa


Em novembro de 2025, o MPPE recomendou que a Prefeitura preenchesse com urgência vagas de professores e profissionais correlatos com candidatos aprovados no concurso municipal.


O Ministério Público informou existir mais de 700 contratos temporários e afirmou que contratos firmados no início de 2025 haviam ocorrido de forma precária e sem transparência. Também pediu planejamento para substituição de temporários e recomendou evitar novas contratações dessa natureza quando houvesse candidatos aprovados disponíveis.


Em dezembro, Zeca anunciou a convocação de professores aprovados, incluindo integrantes do cadastro de reserva. O portal municipal também passou a disponibilizar convocações relacionadas ao concurso.


O caso mostra duas etapas distintas da gestão pública: houve cobrança formal de um órgão de controle sobre organização e transparência e, posteriormente, uma resposta administrativa.


Na pesquisa IPEC, educação é espontaneamente citada por 10% dos entrevistados como o principal trabalho, obra ou ação do governo municipal.


Gastos com festas exigem transparência redobrada


Em abril deste ano, o MPPE fez uma recomendação ao prefeito de Arcoverde para reforçar controle, transparência e economicidade nas contratações artísticas dos festejos de 2026.


O órgão estabeleceu parâmetros de mercado, atenção especial para contratações superiores a R$ 600 mil e recomendou que o gasto global com festividades não ultrapassasse o montante de 2025, exceto pela correção inflacionária.


O tema ganha dimensão política porque aparece, ainda que de forma minoritária, entre as respostas espontâneas da pesquisa. Festas de rua são citadas por 2% como principal ação do governo e 1% associa a gestão à frase "governo que prefere investir em festas do que na cidade".


Em 2025, um vídeo de bastidores divulgado pela imprensa também gerou repercussão ao registrar Zeca sugerindo que o valor de um patrocínio estadual destinado ao São João não fosse informado naquele momento da coletiva para evitar repercussão política.

O episódio, por si só, não demonstra irregularidade na aplicação de recursos, mas criou um problema de comunicação e transparência política para a gestão.


Os principais alertas da pesquisa para o governo Zeca


O conjunto dos números oferece seis sinais que merecem atenção da Prefeitura:


  1. A avaliação administrativa positiva é maior do que a percepção de compromisso frequente. Os 52% de ótima ou boa convivem com apenas 42% que dizem que o prefeito demonstra compromisso com os interesses da população sempre ou na maioria das vezes.

  2. A proximidade plena é percebida por pouco mais de um terço. São 34% os que respondem "sim". Outros 32% dizem "em parte" e 30% "não", totalizando 62% nessas duas últimas categorias.

  3. Existe um problema de reconhecimento espontâneo das entregas. Quarenta por cento não souberam ou não responderam qual seria a principal ação do governo, e 10% disseram "nada" ou "nenhuma".

  4. O compromisso percebido é mais frágil entre entrevistados de menor renda. Entre quem recebe até dois salários mínimos, 40% veem compromisso frequente e 54% respondem às vezes, raramente ou nunca. O cruzamento deve ser interpretado com cautela.

  5. Uma política bem avaliada pode conter decisões rejeitadas pela maioria. O São João recebe avaliação excelente ou boa de 71% dos participantes ativos, mas 57% do conjunto dos entrevistados preferem o polo principal no Bandeirante.

  6. Os conflitos externos à pesquisa tornam os indicadores relacionais mais importantes. Rupturas políticas, críticas à forma de execução de decisões e dificuldades relatadas por determinados setores não explicam estatisticamente os resultados do IPEC, mas aumentam a relevância política das perguntas sobre compromisso, proximidade e diálogo.


Zeca Cavalcanti iniciou o terceiro mandato em janeiro de 2025 depois de vencer a eleição municipal de 2024 com 59,17% dos votos válidos.


Em junho de 2025, a Prefeitura divulgou pesquisa do Instituto Múltipla que apontava 86% de aprovação segundo o critério utilizado naquele levantamento.


Como Múltipla e IPEC são institutos diferentes, com metodologias, perguntas e momentos de coleta distintos, não é metodologicamente correto apresentar a diferença entre os dois percentuais como uma queda linear de 86% para 52%.


A fotografia de julho de 2026 precisa ser analisada por seus próprios indicadores.


O prefeito conserva um ativo importante. A maior parcela dos entrevistados classifica sua administração como ótima ou boa. Saúde, pavimentação e educação aparecem como as ações mais lembradas, e o São João recebe avaliação majoritariamente favorável entre aqueles que participaram.


Mas existe um déficit relacional relevante. A pesquisa sugere que:


reconhecer positivamente uma administração não significa necessariamente perceber o prefeito como plenamente próximo ou suas decisões como continuamente alinhadas às prioridades da população.

É nessa distância que se encontram alguns dos principais riscos políticos para o restante do mandato.


O que acontece agora?


Para acompanhar a evolução dessa percepção, a próxima pesquisa não deveria ser observada apenas pela taxa de ótima ou boa.


Será necessário comparar também compromisso com os interesses da população, proximidade, lembrança espontânea das entregas e diferenças sociais, etárias e territoriais.


Também deverão ser acompanhados o desfecho dos conflitos institucionais, o cumprimento das recomendações dos órgãos de controle, a relação da Prefeitura com trabalhadores informais e comunidades rurais e a capacidade da administração de transformar políticas públicas e obras em resultados concretamente percebidos pela população.


Até o fechamento desta análise, O estopim não havia localizado nos canais públicos da Prefeitura uma manifestação específica sobre a pesquisa IPEC realizada entre 25 e 27 de julho. As posições públicas da gestão sobre os episódios citados foram registradas ao longo do texto.


O principal teste político para Zeca Cavalcanti não está em provar que possui hoje uma maioria numérica de avaliações positivas.


Está em saber se a administração conseguirá diminuir a distância entre governar, comunicar, dialogar e ser percebida como próxima dos interesses da população.


A pesquisa não prevê o futuro do governo. Ela mostra onde estão, neste momento, alguns de seus pontos de maior vulnerabilidade.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim, com atuação em política nacional e internacional e análise de conjuntura. Seu trabalho acompanha o poder com atenção à justiça social, ao interesse público e ao rigor documental.

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