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Emissora adota corte de 5% no Datafolha, mas regra do TSE assegura participação a candidaturas de federações com pelo menos cinco parlamentares; PSOL/Rede tem 20 no cálculo oficial de 2026


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições de 2026

7 de Setembro


Ivan Moraes aciona TRE-PE por exclusão de debate da TV Nova em Pernambuco
Ivan Moraes aciona TRE-PE por exclusão de debate da TV Nova em Pernambuco | Foto: Davi de Queiroz/Folha de Pernambuco

O candidato ao Governo de Pernambuco Ivan Moraes, do PSOL, acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco para tentar garantir participação no debate da TV Nova Nordeste marcado para sexta-feira, 11 de setembro. A emissora convidou João Campos, do PSB, e Raquel Lyra, do PSD, e deixou Ivan fora do encontro ao adotar como critério desempenho superior a 5% em pesquisa Datafolha. A legislação eleitoral, porém, assegura espaço em debates de rádio e televisão a candidaturas vinculadas a partidos, federações ou coligações com representação mínima no Congresso.


A Coligação Frente Pernambuco de Luta, formada pela Federação PSOL/Rede e pelo PCB, apresentou a representação nº 0601908-55.2026.6.17.0000 ao TRE-PE, acompanhada de pedido de liminar. A campanha sustenta que a exclusão viola o artigo 46 da Lei nº 9.504 de 1997, a Lei das Eleições.


“A lei eleitoral não deixa qualquer dúvida em seu artigo 46. Qual é a dificuldade da gente conversar sobre Pernambuco? Não há qualquer saída legal que não seja me chamar. Eu estou pronto para debater”, afirmou Ivan, segundo a reportagem que revelou a ação.

Ivan Moraes defende que a regra do TSE assegura participação a partir de cinco parlamentares


A norma oficial é mais ampla do que o número reproduzido inicialmente na cobertura do caso.


O artigo 46 da Lei das Eleições determina que emissoras de rádio e televisão podem promover debates eleitorais, mas devem assegurar a participação das candidaturas vinculadas a partidos com representação de pelo menos cinco parlamentares no Congresso Nacional. A Resolução nº 23.610 do TSE estende expressamente esse tratamento a partidos, federações e coligações.


A mesma resolução estabelece que não pode haver deliberação para excluir uma candidatura cuja presença esteja assegurada por esse critério. Mesmo as regras acordadas entre emissora e campanhas, portanto, não podem afastar quem preenche a exigência legal.


No caso de Ivan, o requisito de representatividade está superado com folga.


A Portaria nº 473 de 2026, publicada pelo TSE especificamente para definir a representatividade partidária na propaganda eleitoral e nos debates deste ano, registra a Federação PSOL/Rede com 20 parlamentares eleitos para a finalidade de participação em debates. O documento contabiliza deputados federais e senadores conforme os critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral.


A tabela oficial também registra que a federação atingiu os requisitos constitucionais considerados pelo TSE para as Eleições 2026.


Isso significa que a discussão judicial não depende de Ivan alcançar 5% em pesquisa eleitoral caso o programa da TV Nova seja enquadrado juridicamente como debate nos termos da Lei das Eleições.


TV Nova defende critério baseado em pesquisa


A TV Nova Nordeste afirma que definiu previamente a participação a partir do desempenho no Datafolha e convidou somente candidatos com mais de 5% das intenções de voto. A emissora sustenta ainda que o uso da palavra “debate” nas chamadas publicitárias deve ser analisado dentro do contexto editorial e não seria suficiente, sozinho, para determinar o enquadramento jurídico do programa.


A emissora disse manter compromisso com uma cobertura eleitoral plural e informou que pretende promover outro encontro destinado às candidaturas que ficaram abaixo do patamar de 5%.


O encontro de sexta-feira foi apresentado na cobertura política como o primeiro debate televisivo entre candidatos ao governo na atual campanha. O formato anunciado prevê perguntas entre os participantes em dois blocos, um de tema livre e outro com assuntos definidos por sorteio. A transmissão está prevista para as 21h.


Esse formato estará no centro da análise da Justiça Eleitoral. Se o evento for considerado um debate eleitoral sujeito ao artigo 46, o critério de desempenho em pesquisa não substitui a garantia de participação prevista na legislação para candidaturas que atingem a representação parlamentar mínima.


A decisão final, entretanto, cabe ao TRE-PE. Até a publicação desta matéria, não foi localizada decisão pública sobre o pedido de liminar apresentado pela coligação.


STF manteve regra de representatividade


O critério previsto no artigo 46 já foi submetido ao Supremo Tribunal Federal.


Em fevereiro de 2025, o plenário do STF manteve a regra que assegura participação em debates a candidatos vinculados a partidos com pelo menos cinco representantes no Congresso. A Corte rejeitou uma ação do Novo que questionava o momento usado para verificar a quantidade de parlamentares de cada legenda.


O próprio TSE reafirmou a regra para as eleições deste ano. Em orientação publicada em julho de 2026, o tribunal informou que são considerados aptos aos debates os candidatos filiados a partidos com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso e que os encontros devem obedecer às regras acertadas entre as campanhas e as emissoras dentro dos limites da legislação.


A disputa entre Ivan e a TV Nova ocorre a menos de um mês do primeiro turno e coloca diante da Justiça Eleitoral uma questão objetiva: se o encontro anunciado como confronto entre João Campos e Raquel Lyra for reconhecido como debate eleitoral de rádio e televisão, a Federação PSOL/Rede possui representação superior à exigida pelo TSE para assegurar a participação de sua candidatura.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre política, eleições, Justiça, poder e os principais acontecimentos do dia.

Governadora candidata à reeleição relaciona Independência a democracia, liberdade e segurança; referência histórica remete às lutas pernambucanas de 1817 e 1821


Por Clara Mendes para O estopim |

7 de Setembro de 2026


Raquel Lyra exalta Pernambuco no 7 de Setembro e fala em “onde a pátria nasceu”
Raquel Lyra exalta Pernambuco no 7 de Setembro e fala em “onde a pátria nasceu” | Foto: Arthur Botelho/Folha de Pernambuco

A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra, do PSD, participou na manhã desta segunda-feira, 7, do desfile cívico-militar da Independência do Brasil, na Avenida Mascarenhas de Morais, no bairro da Imbiribeira, no Recife. Durante a cerimônia, Raquel exaltou a participação de Pernambuco na formação política do país e definiu o estado como “onde a pátria nasceu”.


Ao lado de representantes das Forças Armadas e das corporações estaduais de segurança, a governadora associou o 7 de Setembro à defesa da democracia, da liberdade e da soberania nacional. Também afirmou que liberdade deve significar condições para que os pernambucanos possam permanecer no estado com acesso a serviços públicos e qualidade de vida.


A expressão usada por Raquel resume uma leitura política de episódios históricos que antecederam a proclamação formal da Independência, em 7 de setembro de 1822.


Pernambuco foi palco da Revolução de 1817, movimento que rompeu com o governo português e instalou uma experiência republicana. Quatro anos depois, a Convenção de Beberibe encerrou o governo de Luís do Rego e abriu caminho para a retirada das tropas portuguesas da província. Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, os últimos contingentes portugueses deixaram Pernambuco em dezembro de 1821, antes da Independência proclamada no ano seguinte.


O Arquivo Nacional também registra que os movimentos ocorridos no Recife entre 1817 e 1822 fizeram parte das disputas políticas e constitucionais que antecederam a consolidação do Brasil independente. A Convenção de Beberibe, portanto, ajuda a explicar o simbolismo reivindicado por Raquel, sem alterar o marco oficial de 7 de setembro de 1822.


Raquel Lyra associa liberdade a ações da gestão


Raquel aproveitou a presença das forças estaduais no desfile para destacar investimentos do governo na segurança pública.


A governadora afirmou que sua administração nomeou mais de 8 mil agentes e mencionou a compra de equipamentos destinados às polícias Militar, Civil e Penal e ao Corpo de Bombeiros. O mesmo número já havia sido usado por ela durante atos de campanha nos dias anteriores.


O dado, porém, exige atribuição.


Uma publicação oficial da Casa Militar de Pernambuco, de junho deste ano, informava que quase 7 mil profissionais haviam sido incorporados às forças estaduais desde o início da atual gestão. Outro balanço divulgado naquele período apontava 6.565 profissionais formados e previa chegar a 7 mil agentes nas ruas até o fim de 2026.


Até a publicação desta matéria, não foi localizado nas fontes oficiais consultadas um balanço atualizado e detalhado que discrimine as nomeações e permita conferir a composição dos mais de 8 mil agentes citados pela governadora neste 7 de Setembro. O número, portanto, permanece atribuído a Raquel Lyra.


Desfile reúne militares, estudantes e moradores


O desfile marcou os 204 anos da Independência do Brasil e foi realizado na Avenida Mascarenhas de Morais, na Zona Sul do Recife. A programação reuniu integrantes do Exército, Marinha e Aeronáutica, forças estaduais de segurança, instituições civis e escolas.


Mais de 2,4 mil integrantes da rede estadual de ensino, entre estudantes, professores e participantes de corporações musicais de 36 escolas, estiveram na cerimônia, segundo levantamento divulgado após o evento.


Raquel também apresentou uma dimensão pessoal para a participação no desfile. A governadora disse que acompanha comemorações do 7 de Setembro desde a infância, quando era levada pelos pais, e lembrou que também participou das cerimônias enquanto prefeita de Caruaru.


Ato ocorre durante campanha pela reeleição


Raquel participa das eleições deste ano como candidata a um segundo mandato no Governo de Pernambuco pelo PSD. A Justiça Eleitoral registra a estrutura partidária estadual do PSD presidida pela própria governadora, e o TRE de Pernambuco disponibiliza os registros das candidaturas ao governo estadual no sistema eleitoral de 2026.


A governadora participou do desfile no exercício do cargo, mas a cerimônia ocorre em plena campanha eleitoral. Nos últimos dias, Raquel tem usado agendas públicas e entrevistas para apresentar números e projetos da administração estadual enquanto disputa a permanência no Palácio do Campo das Princesas.


O uso da história pernambucana no discurso de 7 de Setembro acrescenta um componente regional à disputa de narrativas sobre independência e soberania. Pernambuco não foi o local da proclamação formal de 1822, mas protagonizou movimentos que romperam com estruturas portuguesas antes daquele marco e que permanecem centrais na memória política do estado.


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