top of page

Candidatos ao Governo de Pernambuco dividem compromissos entre Recife e Sertão em 8 de setembro; cinco das oito candidaturas ainda não tinham agenda pública localizada até o fechamento


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições

7 de Setembro de 2026


Agenda dos candidatos ao Governo de Pernambuco nesta terça, 8 de setembro
Agenda dos candidatos ao Governo de Pernambuco nesta terça, 8 de setembro | Foto: Reprodução

Os candidatos ao Governo de Pernambuco retomam nesta terça-feira, 8, as atividades de campanha com compromissos confirmados no Recife e no Sertão. Raquel Lyra, do PSD, vai a Serra Talhada para o encerramento da Festa de Nossa Senhora da Penha. Ivan Moraes, do PSOL, participa de sabatina na TV Tribuna. João Campos, do PSB, tem um arrastão previsto no Recife, mas horário e local ainda não haviam sido divulgados publicamente até as 18h57 desta segunda-feira.


Pernambuco tem oito candidaturas ao governo registradas no sistema eleitoral: Guilherme Fonseca, do PSTU; Ivan Moraes, do PSOL; João Campos, do PSB; Professor Jeremias do Banco, do Democrata; Professora Camila, da UP; Raquel Lyra, do PSD; Renan, do Missão; e Victor Assis, do PCO. Os dados foram extraídos pelo UOL da base oficial de candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral na manhã desta segunda-feira.


Raquel acompanha procissão em Serra Talhada


Raquel Lyra terá como compromisso público confirmado a participação no encerramento da 236ª Festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira de Serra Talhada, no Sertão do Pajeú.


A presença da governadora e candidata à reeleição foi confirmada pela equipe de campanha. A concentração para a procissão está marcada para as 16h, em frente à Concatedral da Penha. O cortejo seguirá pelas ruas centrais da cidade. A programação religiosa prevê celebração eucarística às 18h30.


A participação ocorre um dia antes de Raquel ampliar a passagem pelo Pajeú. Para quarta-feira, 9, há previsão de compromissos em Triunfo, Quixaba, Afogados da Ingazeira e Tabira.


A presença em uma celebração religiosa ocorre em plena campanha eleitoral. A Festa de Nossa Senhora da Penha é realizada em Serra Talhada desde o século 18 e chegou neste ano à 236ª edição, com programação iniciada em 29 de agosto.


Ivan Moraes será entrevistado pela TV Tribuna


Ivan Moraes terá um compromisso confirmado no Recife ao meio-dia.


O candidato do PSOL participa da série de sabatinas promovida pela TV Tribuna com os candidatos ao Governo de Pernambuco. A entrevista será exibida durante o Jornal da Tribuna 1ª edição, que começa às 12h.


A sabatina terá 20 minutos. O repórter e apresentador Artur Tigre e o diretor de jornalismo Fernando Rêgo Barros conduzirão a entrevista. O último minuto será reservado às considerações finais do candidato.


Raquel Lyra abriu a série nesta segunda-feira. João Campos será entrevistado na quarta-feira, 9.


Até o fechamento desta matéria, não foram localizados outros compromissos públicos de Ivan para terça-feira divulgados em fontes abertas.


João tem arrastão previsto no Recife


João Campos tem um arrastão previsto para esta terça-feira no Recife.


A informação foi confirmada por César Kaique, presidente do PSB em Serra Talhada, ao explicar por que a presença do candidato na Festa de Nossa Senhora da Penha ainda não estava confirmada. Segundo o dirigente, João tinha outros compromissos previstos para o dia 8, entre eles o ato na capital, além da possibilidade de cumprir agenda em outra cidade.


Até as 18h57 desta segunda-feira, porém, horário, endereço e bairro do arrastão não estavam disponíveis nas fontes públicas consultadas.


A ida de João a Serra Talhada também não estava confirmada. A direção municipal do PSB informou que havia dificuldade para conciliar a agenda do candidato com o horário da procissão.


A programação pode ser ampliada ou alterada pela campanha ao longo da noite e da própria terça-feira.


Cinco dos candidatos ainda não tiveram agendas públicas localizadas


Além de Raquel, João e Ivan, a eleição pernambucana tem outras cinco candidaturas registradas.


Guilherme Fonseca, Professor Jeremias do Banco, Professora Camila, Renan e Victor Assis não tinham, até o fechamento desta matéria, uma agenda pública de 8 de setembro localizada nas páginas, redes indexadas e veículos consultados por O estopim. Isso não significa que os candidatos não terão atividades de campanha, mas apenas que os compromissos ainda não estavam publicamente disponíveis na apuração realizada nesta segunda-feira.


Segundo os dados eleitorais atualizados nesta manhã, as candidaturas de Guilherme Fonseca, Ivan Moraes, João Campos, Professora Camila, Raquel Lyra e Renan estavam deferidas. Professor Jeremias do Banco e Victor Assis apareciam com pedidos aguardando julgamento.


A terça-feira também será marcada pela divulgação de uma nova pesquisa Quaest sobre a disputa pelo Governo de Pernambuco e pelo Senado. O levantamento foi encomendado pelo jornal O Globo.


O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. Com menos de um mês até a votação, as agendas de rua, entrevistas e deslocamentos pelo interior passaram a ocupar a maior parte da programação dos candidatos.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim & @muira.ubi

Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre política, eleições, poder público, Justiça e os principais acontecimentos do dia.

Candidato inicia agenda no Morro da Conceição, anuncia quatro hospitais e reforça parceria com Lula; em Arcoverde, aliados fazem primeiro ato no Pátio da Feira de São Cristóvão


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

16 de agosto de 2026



João Campos participa da primeira caminhada oficial da campanha ao Governo de Pernambuco, neste domingo (16), em Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho. O ato reuniu apoiadores e lideranças da Frente Popular.
João Campos participa da primeira caminhada oficial da campanha ao Governo de Pernambuco, neste domingo (16), em Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho. O ato reuniu apoiadores e lideranças da Frente Popular. | Foto: Edson Holanda

João Campos (PSB) abriu oficialmente a campanha ao Governo de Pernambuco nos primeiros minutos deste domingo (16), com uma passagem pelo Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife. Horas depois, a mobilização da Frente Popular chegou a Arcoverde, onde militantes e lideranças políticas realizaram um ato no Pátio da Feira de São Cristóvão a partir das 7h.


No Recife, Campos esteve acompanhado de familiares e dos integrantes da chapa majoritária. Diante da imagem de Nossa Senhora da Conceição, recebeu uma bênção e marcou o início da campanha. “A partir de agora é campanha oficial na rua”, afirmou. O candidato também disse estar seguro da disputa, prometeu um novo ciclo de investimentos e voltou a colocar a parceria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os eixos de sua candidatura.


Depois do Morro da Conceição, João Campos seguiu para o comitê central da Frente Popular, no Recife, onde participou de um adesivaço e da distribuição de material eleitoral. A agenda deste domingo passou ainda por Ponte dos Carvalhos, no Cabo de Santo Agostinho, e por Brasília Teimosa, na Zona Sul da capital.


Na caminhada em Brasília Teimosa, Campos concentrou parte do discurso na saúde pública e anunciou a construção de quatro hospitais caso seja eleito. O principal projeto apresentado foi o Hospital Geral Metropolitano, previsto para uma área entre as BRs 101 e 232, entre Recife e Jaboatão dos Guararapes. Segundo a campanha, a unidade terá 900 leitos, cerca de 5 mil profissionais e investimento estimado em R$ 750 milhões, com participação do governo federal.


Também foram anunciados o Hospital da Criança do Agreste, em Caruaru, com 100 leitos; o Hospital Geral do Araripe, em Araripina, com 200; e o Hospital Geral do Vale do São Francisco, em Petrolina, também com 200 leitos. A campanha estima R$ 500 milhões em investimentos nas três unidades do interior.


Ao falar sobre a rede estadual, Campos criticou problemas registrados em hospitais e afirmou que pretende reorganizar o atendimento. “Não vai ter superlotação, vai ter cuidado e trabalho”, declarou durante o ato. O candidato também prometeu recuperar hospitais regionais e citou especificamente o Hospital Regional Ruy de Barros Correia, em Arcoverde, durante a apresentação das propostas de saúde.


Militância ocupa feira em Arcoverde


Enquanto a agenda principal do candidato se concentrava na Região Metropolitana do Recife, apoiadores deram início à campanha em Arcoverde no Pátio da Feira de São Cristóvão.


A mobilização começou às 7h e teve panfletagem, distribuição de adesivos, bandeiraço, batucada e circulação de militantes entre feirantes e frequentadores.


Participaram do ato as ex-prefeitas Rosa Barros, Madalena Britto e Erivânia Camelo, além de ex-vereadores, lideranças políticas e comunitárias e representantes do PSB, PT e PCdoB. Segundo informações repassadas pelos organizadores, um integrante da coordenação geral da campanha estadual também acompanhou a atividade.


O movimento reúne grupos que já vinham construindo uma frente de oposição no município. Em junho, João Campos participou pessoalmente do lançamento da Frente das Oposições de Arcoverde, que reuniu, entre outros nomes, as três ex-prefeitas e o presidente da Câmara Municipal, Luciano Pacheco. Na ocasião, Campos afirmou que a campanha seria feita nas ruas e com diálogo direto com a população.


Campanha de João Campos abre mobilização em Arcoverde com ato na Feira de São Cristóvão, reunindo lideranças, militantes e apoiadores. | Cordenação de Campanha/Divulgação
Campanha de João Campos abre mobilização em Arcoverde com ato na Feira de São Cristóvão, reunindo lideranças, militantes e apoiadores. | Cordenação de Campanha/Divulgação

O que João Campos apresenta no programa de governo


A primeira versão do programa de governo registrada pela candidatura se chama “Pernambuco Pronto para Fazer História: O Pacto da Transformação”. O documento reúne 178 propostas distribuídas em 15 eixos e afirma ter sido elaborado a partir de encontros regionais, consultas e sugestões recebidas durante o processo de construção do programa.

Entre as propostas está a isenção de IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas, com prioridade declarada aos trabalhadores que utilizam o veículo como instrumento de trabalho. O programa também prevê pontos de apoio para entregadores, com banheiro, água, internet e estrutura para descanso.


Outra proposta reproduzida no material distribuído em Arcoverde é o programa “Sem Água, Sem Conta”. No documento registrado, a medida prevê retirar a tarifa mínima de água e de esgoto de beneficiários da Tarifa Social que vivem em áreas submetidas a fornecimento intermitente. Para consumidores residenciais que utilizam até 10 metros cúbicos mensais e estão fora da Tarifa Social, a promessa é cobrar apenas pelo volume efetivamente consumido.


Na educação, Campos propõe universalizar a oferta do Ensino Médio em tempo integral, retomar o Ganhe o Mundo e levar o Embarque Digital ao interior. O programa estabelece a meta de oferecer 10 mil vagas em quatro anos em polos regionais de formação tecnológica, ensino superior, residência profissional e inovação.


O plano também prevê um Campus UPE da Moda em Caruaru, voltado à cadeia de confecção do Agreste, e o Vale AgroTech do São Francisco, projeto que pretende conectar produtores, universidades, Embrapa, startups e empresas para desenvolver tecnologias aplicadas à agricultura.


Disputa começa apertada


João Campos inicia a campanha oficial com a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, numericamente à frente na pesquisa Datafolha divulgada em 31 de julho. No cenário de primeiro turno, Raquel registrou 48% das intenções de voto e João, 42%. Ivan Moraes (PSOL) e Camila Falcão (UP) tiveram 1% cada.


O Datafolha ouviu 1.022 eleitores entre os dias 28 e 30 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais e o levantamento foi registrado no TSE sob o número PE-04519/2026. Em uma eventual disputa de segundo turno, Raquel apareceu com 49% e João Campos com 45%, situação classificada pelo instituto como empate técnico.


A aliança com Lula, destacada por João Campos na abertura da campanha, também passou a integrar de forma explícita a estratégia eleitoral. Na sexta-feira (14), o presidente gravou material para o programa eleitoral de Campos ao lado de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT), candidatos ao Senado na chapa.


Ainda neste domingo, questionado sobre a permanência de Ivan Moraes na disputa e relatos de pressão do PSB sobre o PSOL, Campos negou que o partido tenha tentado retirar a candidatura e declarou respeito à decisão da legenda.


O primeiro dia oficial de campanha colocou simultaneamente nas ruas a estrutura estadual da Frente Popular e grupos municipais ligados à candidatura. Em Arcoverde, o ato na Feira de São Cristóvão abriu a mobilização local em uma campanha que terá como um dos principais confrontos a disputa entre João Campos e Raquel Lyra pelo Palácio do Campo das Princesas.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim & @muira.ubi

Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim, com atuação na cobertura factual de política, cidades e acontecimentos do dia.

Por Raul Silva para O estopim | 29 de março de 2026



A menos de uma semana do fechamento da janela partidária, marcado para 3 de abril, os partidos em Pernambuco aceleraram a filiação de novos nomes, a troca de legendas entre parlamentares e a montagem de chapas proporcionais para a disputa de 2026. O movimento envolve a base da governadora Raquel Lyra (PSD), o campo liderado pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), e siglas que tentam recuperar peso no tabuleiro estadual, como MDB, PSDB, PRD e PT.


Sessão plenária em uma Assembleia Legislativa. Pessoas sentadas em cadeiras, painel eletrônico ao fundo e bandeiras no palco. Ambiente formal.
Sessão plenária na Assembleia Legislativa de Pernambuco. | Foto: Blog Dantas Barreto

A corrida não se resume a formalidades partidárias. Ela define quem chega a abril com mais bancada, mais capilaridade territorial, mais poder de barganha e mais capacidade de negociar espaços nas chapas majoritárias. Em ano eleitoral, a janela funciona como termômetro de força e também como instrumento de reorganização do sistema político.


Pela regra do Tribunal Superior Eleitoral, deputados federais, estaduais e distritais podem trocar de legenda sem perda de mandato durante a janela partidária, aberta em 5 de março e encerrada em 3 de abril. O mecanismo beneficia apenas mandatos proporcionais, mas seus efeitos extrapolam esse universo. Quando um partido ganha ou perde quadros nesse período, ele não altera apenas números internos. Ele muda o seu peso na negociação das campanhas, na distribuição de recursos e na montagem das nominatas.


Em Pernambuco, esse processo ganhou força desde a primeira quinzena de março e se intensificou nos últimos dias. O próprio cálculo feito por setores do noticiário político local indica uma movimentação ampla, com expectativa de mais de 30 parlamentares trocando de legenda no estado entre Câmara dos Deputados, Assembleia Legislativa e Câmara do Recife.


PSD e PSB disputam o centro da vitrine


Os dois polos mais visíveis da janela são hoje o PSD, sob comando de Raquel Lyra em Pernambuco, e o PSB, presidido nacionalmente por João Campos.


No campo governista, a estratégia é usar a máquina estadual, a atração de quadros e o reposicionamento de aliados para consolidar o PSD como eixo da base reeleitoral de Raquel. O partido já vinha acumulando expectativa de crescimento na Alepe e reforçou a ofensiva também na Câmara dos Deputados. O caso mais simbólico dos últimos dias foi o da filiação de Guilherme Uchoa Jr., que deixou o PSB e ingressou no PSD em ato com Raquel Lyra e Gilberto Kassab.


Dois indivíduos em destaque lado a lado, ambos com expressões sérias. Fundo desfocado colorido. Ambiente profissional.
João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) em destaque. | Foto: Júlia Aguiar/1-8-2025 e Diego Nigro/Valor/31-10-2022

Ao mesmo tempo, o entorno da governadora trabalha para ampliar a musculatura do bloco com siglas satélites e nomes regionais. No interior, a filiação de Anderson Luiz ao PSD, em Caruaru, foi tratada como parte da preparação de uma chapa mais competitiva para a Assembleia.


Do outro lado, o PSB tenta preservar a imagem de partido em expansão e de principal eixo oposicionista em Pernambuco. O partido recebeu a deputada federal Maria Arraes, fortaleceu seu discurso de crescimento durante ato nacional de filiações em Brasília e busca agregar nomes com densidade eleitoral para manter peso tanto na Câmara quanto na Alepe. A legenda também virou destino de pré-candidatos vinculados ao entorno de João Campos e ao campo anti-Raquel.


A janela também reabriu espaços para legendas que não estão no centro da polarização estadual, mas querem sobreviver com influência real.


O MDB deu seu lance mais visível com a filiação do presidente da Alepe, Álvaro Porto, num movimento que fortaleceu o partido e, ao mesmo tempo, aprofundou o esvaziamento do PSDB em Pernambuco. A entrada de Álvaro, articulada em Brasília, foi lida como uma tentativa de recolocar o MDB no jogo com mais densidade institucional e mais valor de mercado para a composição de 2026.


O PSDB, por sua vez, reagiu ao baque ao retornar à base de Raquel Lyra com nova direção e ao receber o deputado federal Pastor Eurico, que deixou o PL. Ainda que distante do protagonismo de ciclos anteriores, o partido tenta evitar irrelevância e preservar algum poder de negociação.


Já o PRD aproveitou a janela para dar um salto de visibilidade com a filiação do deputado federal Fernando Rodolfo, que deixou o PL e assumiu o comando da federação PRD-Solidariedade em Pernambuco. A leitura predominante é de que a sigla tentará negociar seu tamanho como força auxiliar do campo governista.


No PT, o movimento tem um ritmo diferente. A sigla passou parte do mês concentrada na definição da aliança com João Campos para o governo estadual, mas também vem trabalhando para fortalecer sua disputa proporcional. Um exemplo foi a filiação de Breno Araújo em Serra Talhada, em ato que reuniu lideranças petistas e marcou a tentativa de ampliar a presença do partido no interior.


A diferença, no caso do PT, é que a janela não é tratada apenas como disputa por nomes disponíveis. Ela está subordinada à estratégia maior de combinar palanque para Lula, composição majoritária e chapas competitivas para Câmara e Assembleia.


Mais do que siglas, a disputa nessa janela partidária é por território


A aparência da janela é a de uma dança de cadeiras. O conteúdo é mais profundo. Cada filiação recente ajuda a responder três perguntas centrais.


A primeira é quem terá bancada suficiente para falar grosso nas negociações de abril em diante.


A segunda é quais partidos conseguirão formar chapas proporcionais com densidade real, evitando o risco de nominatas frágeis, pouco competitivas ou concentradas demais em um só polo regional.


A terceira é quem chega mais forte ao momento de travar a disputa por vice, Senado, tempo de televisão, estrutura municipal e distribuição de recursos.


Três homens são mostrados lado a lado. À esquerda, um de terno com expressão neutra. Ao centro e à direita, expressões sérias. Fundo neutro.
Ex-presidente do PRD confirma que a troca de comando do partido em Pernambuco foi acertada com Luciano Bivar, mostrando coesão na transição de liderança. | Foto: Reprodução/Blog Dantas Barreto

É por isso que a movimentação dos últimos dias não pode ser lida como mero ritual cartorial. Ela é uma fase de pré-campanha. E, em Pernambuco, funciona também como um campo de medição entre dois projetos já em rota de colisão. O de Raquel Lyra, que tenta converter a força do governo em base partidária sólida, e o de João Campos, que tenta apresentar o PSB como centro natural de uma frente mais ampla contra a reeleição da governadora.


Os próximos dias tendem a revelar menos uma grande surpresa isolada e mais o desenho concreto do equilíbrio de forças. Partidos médios devem concluir ajustes de sobrevivência. Siglas grandes tentarão fechar a janela exibindo crescimento. Lideranças regionais vão medir onde há mais espaço, mais recursos e mais perspectiva de mandato. E os dois principais campos da eleição estadual seguirão tratando cada nova filiação como prova de vitalidade política.


Neste domingo, portanto, a fotografia ainda está em movimento. Mas o sentido dela já é claro. Os partidos correm para filiar novos nomes porque sabem que, antes mesmo do início oficial da campanha, a eleição começa pela capacidade de reunir gente, território, bancada e projeto.


Em Pernambuco, a janela partidária deixou de ser apenas um prazo do calendário eleitoral. Virou o primeiro grande teste de força de 2026.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista, escritor e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, sociedade e cultura, com foco em contexto, interesse público e verificação dos fatos.

bottom of page