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Pesquisa mostra Lula com 39% contra 30% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, mas revela pressão do custo de vida e forte divisão entre regiões e grupos sociais.


Por Raul Silva para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

14 de agosto de 2026



Pesquisa Genial/Quaest de agosto de 2026 mostra Lula liderando quatro cenários de segundo turno para presidente.
Pesquisa Genial/Quaest de agosto de 2026 mostra Lula liderando quatro cenários de segundo turno para presidente. | Foto: Reprodução

Lula, do PT, lidera a disputa presidencial nos cenários testados pela Pesquisa Genial/Quaest de agosto de 2026. No primeiro turno estimulado, o presidente aparece com 39% das intenções de voto, contra 30% de Flávio Bolsonaro, do PL. Lula também fica à frente nos quatro confrontos de segundo turno apresentados aos entrevistados.


A pesquisa ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre 31 de julho e 3 de agosto. As entrevistas foram presenciais e domiciliares. A margem de erro geral estimada é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado sob o número BR-06591/2026.


Espontânea ainda tem 51% de indecisos


Quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, mais da metade ainda não indica candidato.


Os indecisos representam 51%. Lula é citado espontaneamente por 25% e Flávio Bolsonaro por 18%. Jair Bolsonaro aparece com 5%.


O número de indecisos vem caindo ao longo da série, mas continua mostrando que uma parcela grande do eleitorado ainda não manifesta preferência espontânea.



Lula tem 39% e Flávio Bolsonaro, 30%


No cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera com 39% e Flávio Bolsonaro aparece com 30%.


Renan Santos e Ronaldo Caiado têm 4% cada. Romeu Zema registra 2%. Outros candidatos aparecem com até 1%.


Os indecisos são 10%, enquanto branco, nulo ou eleitores que dizem não votar somam 8%.


A distância entre Lula e Flávio é de 9 pontos percentuais no cenário nacional.



Região, renda e religião dividem a disputa


A vantagem nacional esconde diferenças importantes.


No Nordeste, Lula chega a 59%, contra 20% de Flávio Bolsonaro. No Sul, o cenário se inverte: Flávio tem 43% e Lula, 25%.



A renda também altera o quadro. Entre famílias que recebem até dois salários mínimos, Lula registra 51% e Flávio, 23%. Entre quem recebe mais de cinco salários mínimos, Flávio aparece com 35% e Lula com 31%.



Na religião, Lula lidera entre católicos, com 44% contra 29%. Entre evangélicos, Flávio aparece numericamente à frente, com 35% contra 28%.



A pesquisa mostra ainda Lula mais forte entre pessoas com ensino fundamental, enquanto Flávio cresce entre eleitores com ensino superior.


Esses recortes têm margens de erro maiores do que a pesquisa nacional e, por isso, diferenças pequenas devem ser interpretadas com cautela.


Lula lidera os quatro cenários de segundo turno


A Quaest testou Lula contra quatro adversários.


No confronto mais apertado, Lula tem 44% contra 39% de Flávio Bolsonaro, diferença de 5 pontos.


Contra Ronaldo Caiado, Lula registra 45% e Caiado 37%.


Diante de Renan Santos, o placar é de 45% a 35%.


Contra Romeu Zema, Lula chega a 46% e o governador mineiro tem 34%.


Flávio Bolsonaro é, portanto, o adversário que mais se aproxima de Lula entre os nomes testados.



Distância para Flávio é menor do que há um ano


A série histórica mostra que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro ficou mais apertada.


Em agosto de 2025, Lula tinha 48% contra 32% de Flávio em uma simulação de segundo turno, diferença de 16 pontos.


Agora, o placar é de 44% a 39%, reduzindo a distância para 5 pontos.


A pesquisa registra oscilações ao longo desse período e mostra que Flávio ampliou sua competitividade no confronto direto.



Aprovação de Lula fica em 48%


A situação eleitoral do presidente convive com uma avaliação de governo praticamente dividida.


A administração Lula é aprovada por 48% e desaprovada por 47%. Outros 5% não sabem ou não respondem.


Quando a pergunta é se Lula merece permanecer mais quatro anos no cargo, o resultado é mais desfavorável ao presidente: 55% dizem que não, enquanto 41% respondem que sim.



As duas perguntas medem aspectos diferentes. Aprovar o governo não significa necessariamente defender a reeleição, da mesma forma que um eleitor pode criticar a administração e ainda preferir Lula em determinado confronto eleitoral.



Custo de vida permanece como problema para o governo


Os indicadores econômicos ajudam a explicar parte da pressão sobre a avaliação presidencial.


Segundo a pesquisa, 69% dizem ter menor poder de compra do que há um ano.



Outros 68% afirmam que os preços dos alimentos aumentaram no último mês.



Quando avaliam a economia dos últimos 12 meses, 43% dizem que ela piorou, enquanto 19% consideram que melhorou.



Apesar dessa leitura negativa do presente, há expectativa mais favorável para o futuro. Para 46%, a economia deve melhorar nos próximos 12 meses.



O resultado mostra uma combinação importante para a eleição: Lula lidera os cenários pesquisados, mas disputa o voto em um ambiente no qual a maioria relata perda de poder de compra.


Eleição segue polarizada


Os dados indicam uma eleição organizada principalmente em torno de dois campos.


Lula domina entre eleitores que se identificam como lulistas e de esquerda. Flávio Bolsonaro concentra apoio entre bolsonaristas e eleitores de direita.


A disputa é menos definida entre independentes, grupo que reúne maior proporção de indecisos e de eleitores dispostos a votar em branco ou nulo.


As diferenças de região, renda, escolaridade e religião reforçam essa divisão.


Lula tem sua principal força eleitoral no Nordeste, entre famílias de menor renda e beneficiários de programas sociais. Flávio e outros candidatos de direita avançam no Sul, entre eleitores de renda mais alta e entre evangélicos.


O que acontece agora?


A pesquisa de agosto registra uma fotografia da disputa, não uma previsão do resultado eleitoral.


Lula continua na liderança, mas Flávio Bolsonaro encurtou a distância no confronto direto de segundo turno na comparação com 2025.


A evolução da economia deve ser um dos fatores centrais das próximas rodadas. A maioria ainda relata perda de poder de compra e alta dos alimentos, enquanto parte relevante espera melhora nos próximos meses.


Também será necessário acompanhar o comportamento dos indecisos. Na pergunta espontânea, eles ainda representam 51% do eleitorado.


Fonte: Pesquisa Genial/Quaest, 28ª rodada, agosto de 2026. Foram realizadas 2.004 entrevistas entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026. Margem de erro geral estimada em 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, dados públicos, economia e temas de interesse coletivo.

Quaest mostra que 43% veem piora na economia e 68% dizem comprar menos, apesar do avanço do PIB, do emprego e da renda média.


Por Vitória Régis para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

15 de julho de 2026


Contas domésticas e compras representam a perda de poder de compra apontada pela pesquisa Quaest
Contas domésticas e compras representam a perda de poder de compra apontada pela pesquisa Quaest | Foto: IA/Chat GPT/Com dados da pesquisa Genial/Quest

A economia brasileira apresenta crescimento do Produto Interno Bruto, desemprego menor e aumento da renda média real. A melhora, porém, ainda não chegou ao orçamento da maioria dos entrevistados pela nova pesquisa Genial/Quaest.


No levantamento divulgado nesta quarta (15), 43% afirmam que a economia piorou nos últimos 12 meses. Outros 33% avaliam que ficou quase do mesmo jeito. Apenas 20% dizem que houve melhora, enquanto 4% não souberam ou não responderam.


A distância entre a estatística econômica e a experiência cotidiana fica ainda mais evidente na pergunta sobre consumo. Para 68% dos entrevistados, o poder de compra é menor do que há um ano. Outros 21% dizem comprar a mesma quantidade e apenas 10% afirmam conseguir comprar mais. Os resultados aparecem nas páginas 49 e 51 do relatório.


A Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 120 municípios, entre 10 e 13 de julho. A margem de erro da amostra nacional é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07181/2026.


O PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os três meses anteriores. Frente ao primeiro trimestre de 2025, a alta foi de 1,8%. Agropecuária, indústria e serviços apresentaram expansão na comparação trimestral, e o consumo das famílias avançou 1%.


O mercado de trabalho também registra números favoráveis. A taxa de desemprego ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, abaixo dos 6,2% registrados um ano antes. A população ocupada chegou a 102,7 milhões de pessoas.


O rendimento médio real habitual foi estimado em R$ 3.726, alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o trimestre anterior, contudo, a renda permaneceu estável. A informalidade ainda atingia 37,3% da população ocupada, equivalente a 38,3 milhões de trabalhadores.


Os dados confirmam melhora em dimensões importantes da economia. Eles não demonstram, porém, que todas as famílias tiveram aumento de renda nem que o dinheiro disponível cresceu depois do pagamento das despesas fixas.


O PIB mede a produção de bens e serviços no país. Quando ele cresce, significa que a atividade econômica aumentou em termos agregados.


O indicador não revela sozinho como o crescimento foi distribuído entre trabalhadores, empresas, setores, regiões e faixas de renda. Também não informa quanto sobra no orçamento familiar depois de aluguel, alimentação, transporte, contas domésticas, parcelas e dívidas.


A renda média enfrenta limitação semelhante. Uma média pode subir porque determinados grupos tiveram ganhos maiores, mesmo que outros tenham ficado estagnados. Ela também considera a renda do trabalho antes de despesas obrigatórias e pagamentos financeiros.


Por isso, crescimento do PIB, redução do desemprego e perda de poder de compra podem coexistir.


A diferença também aparece na percepção sobre o mercado de trabalho. Para 55% dos entrevistados pela Quaest, está mais difícil conseguir emprego do que há um ano. Outros 36% consideram que está mais fácil, 4% dizem que a situação ficou igual e 5% não souberam ou não responderam. O resultado está na página 52 do relatório.


A taxa de desemprego e a facilidade de conseguir uma vaga medem situações diferentes. O desemprego considera quem procurou trabalho e não encontrou. A percepção de dificuldade pode envolver tempo de procura, salário oferecido, exigências das empresas, distância, jornada, formalização e qualidade da ocupação.


O próprio IBGE registrou que o rendimento médio ficou estável frente ao trimestre anterior. Na análise por atividade e posição profissional, nenhuma categoria apresentou crescimento estatisticamente significativo no período mais recente pesquisado.


A moradia ajuda a explicar por que parte do aumento da renda pode desaparecer antes de chegar ao consumo.


O Índice FipeZAP de Locação Residencial acumulou alta média de 9% nos 12 meses encerrados em junho. No mesmo período, o IPCA acumulou 4,64%. O indicador da Fipe acompanha valores anunciados de imóveis, e não todos os contratos efetivamente pagos, mas mostra uma pressão relevante no mercado de locação das cidades monitoradas.


No IPCA de junho, o grupo Habitação avançou 0,63%, a maior variação entre os grupos pesquisados no mês. A energia elétrica residencial subiu 1,53%, enquanto a taxa de água e esgoto aumentou 0,30%.


Aluguel, energia, água e condomínio são despesas difíceis de adiar. Quando esses custos sobem acima da renda de uma família, o ajuste costuma ocorrer no mercado, no lazer, no transporte ou na capacidade de poupar.


Na Quaest, 66% afirmam que os preços dos alimentos subiram nos mercados no último mês. Para 23%, ficaram iguais. Apenas 9% perceberam queda, enquanto 2% não souberam ou não responderam. Os números aparecem na página 50 do levantamento.


O IPCA apresentou uma fotografia diferente em junho. O grupo Alimentação e bebidas recuou 0,24%, depois de ter subido 1,33% em maio. A alimentação no domicílio caiu 0,39%, influenciada por café, frutas e carnes. Em sentido contrário, feijão-carioca e batata ficaram mais caros.


Os resultados não são diretamente equivalentes. O IPCA mede uma cesta média em períodos definidos de coleta. A pesquisa pergunta o que o entrevistado percebeu nas compras recentes. Cada família consome produtos diferentes, em estabelecimentos diferentes e com pesos diferentes no orçamento.


Além disso, inflação menor ou uma queda mensal não devolvem automaticamente o poder de compra perdido. Quando o preço de um produto sobe durante vários meses e recua apenas uma vez, ele pode continuar mais caro do que no início do período.


O grupo Transportes subiu 0,17% no IPCA de junho. As passagens aéreas avançaram, enquanto os combustíveis recuaram. O ônibus urbano apresentou alta de 0,72%, com resultados influenciados por reajustes e políticas tarifárias diferentes entre as cidades pesquisadas.


Para quem depende diariamente de ônibus, metrô, combustível ou transporte por aplicativo, pequenas variações sucessivas afetam o valor disponível para outras despesas.


Essa experiência não aparece integralmente no PIB. Ela aparece na parcela do salário que resta depois do deslocamento até o trabalho, do aluguel e das contas da residência.


A taxa Selic estava em 14,25% ao ano após a decisão do Banco Central de junho. Mesmo após reduções recentes, o patamar continua elevado e influencia o custo do crédito, das renegociações e dos financiamentos.


Em abril, o endividamento das famílias correspondia a 49,8% da renda disponível bruta restrita, segundo a metodologia do Banco Central. O comprometimento da renda com pagamentos de dívidas estava em 28,2%.


A inadimplência no crédito livre para pessoas físicas chegou a 7,6% em maio, com alta de 1,2 ponto percentual em 12 meses.


Esses indicadores ajudam a entender a diferença entre renda recebida e renda disponível. Um trabalhador pode ter reajuste salarial e, ainda assim, terminar o mês com menos dinheiro caso as prestações, os juros, o aluguel e os alimentos avancem mais rapidamente.


A comparação não permite afirmar que um indicador esteja certo e o outro errado.


A Quaest mede percepção. O IBGE mede produção, preços, ocupação e renda por metodologias próprias. O Banco Central acompanha crédito, endividamento e comprometimento da renda. A Fipe monitora preços anunciados de locação nas cidades cobertas pelo índice.


Os períodos de coleta também não são idênticos. A pesquisa da Quaest foi realizada entre 10 e 13 de julho. O IPCA de junho comparou preços coletados entre 30 de maio e 30 de junho com o período imediatamente anterior.


A reportagem confronta os indicadores para explicar a aparente distância entre eles, sem estabelecer relação automática de causa e efeito.


A percepção econômica é formada menos pelo valor total produzido pelo país e mais pela capacidade de pagar despesas, manter o consumo e enfrentar imprevistos.


Emprego e renda são fundamentais, mas não bastam quando uma parcela elevada do orçamento está comprometida com moradia, alimentação, transporte e dívidas.


A diferença entre macroeconomia e vida cotidiana mostra que crescimento econômico e bem-estar não são sinônimos. Para que a melhora seja percebida, ela precisa alcançar a renda disponível, reduzir a insegurança financeira e superar o aumento acumulado das despesas familiares.


O IBGE divulgará uma nova rodada mensal da PNAD Contínua em 30 de julho. O IPCA referente a julho está previsto para 11 de agosto. Os próximos dados mostrarão se o emprego e a renda mantêm a trajetória e se a desaceleração dos preços se prolonga.


Novas pesquisas de percepção serão necessárias para verificar se uma eventual continuidade da melhora macroeconômica passa a ser reconhecida pelas famílias.


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Vitória Régis é economista e editora de Economia e Mercados de O estopim. Especialista em traduzir o economês para a vida real, analisa finanças, investimentos e políticas econômicas com olhar crítico, social e atento aos impactos no Nordeste.

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