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Programa para 2027 a 2030 aposta em formação, equipamentos e incentivos aos profissionais da educação, mas deixa sem metas concretas pontos centrais da valorização docente, como carreira, remuneração, jornada, concursos e condições de trabalho.


Por Helena Valente para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

17 de Agosto de 2026



Valorização docente: o que falta no plano de Raquel Lyra para os professores de Pernambuco
Valorização docente: o que falta no plano de Raquel Lyra para os professores de Pernambuco | Foto: Reprodução/Plano de Governo Raquel Lyra/TSE

Valorizar professor virou uma dessas expressões que cabem com facilidade em qualquer programa eleitoral. É bonita, consensual e produz boa fotografia. A dificuldade começa quando a palavra precisa virar carreira, remuneração, jornada de trabalho, concurso público, tempo para planejamento e condições reais para ensinar.


No plano de governo de Raquel Lyra para 2027 a 2030, a valorização dos profissionais da educação aparece associada a um conjunto de iniciativas. O documento propõe fortalecer políticas de formação e valorização, fala em condições adequadas de trabalho e relaciona medidas como o Centro de Formação dos Profissionais da Educação de Pernambuco, o CEFORPE, notebooks, Kit Professor, Bônus Livro, Residência Docente, mudanças nos mecanismos de seleção e ingresso e formação de equipes gestoras.


Há iniciativas relevantes nesse conjunto. Formação continuada é necessária. Equipamento adequado é ferramenta de trabalho. Livro é instrumento pedagógico. Programas de desenvolvimento profissional podem melhorar a prática docente.


Mas nenhuma dessas coisas, isoladamente ou somadas, esgota o significado de valorização. E esse é o ponto que o plano precisa enfrentar.


No governo Raquel Lyra valorização parece virar pacote de benefícios


Um notebook pode facilitar o planejamento das aulas. Ele não corrige uma carreira salarial achatada.


Um bônus para comprar livros amplia repertório. Ele não substitui progressão funcional.


Um centro de formação pode qualificar professores. Ele não garante que esse profissional tenha tempo remunerado dentro da jornada para estudar, planejar e avaliar.


Uma residência docente pode contribuir para a formação de novos educadores. Ela não responde, por si só, à necessidade de vínculos estáveis e concursos públicos.


O risco político está justamente em reduzir a valorização profissional a uma coleção de programas que circundam o trabalho docente sem necessariamente alterar sua estrutura.


A legislação brasileira estabelece um conceito muito mais exigente. A Lei Federal nº 14.817, de 2024, determina que a valorização dos profissionais da educação básica pública deve contemplar três dimensões: plano de carreira, formação continuada e condições de trabalho. A mesma lei trata de ingresso por concurso público, progressão funcional, piso remuneratório, jornada com tempo para estudos, planejamento e avaliação e número adequado de estudantes por turma.


A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional também é explícita. O artigo 67 relaciona valorização a concurso público, aperfeiçoamento continuado, piso salarial, progressão funcional, período reservado a estudos, planejamento e avaliação dentro da carga de trabalho e condições adequadas para exercer a profissão.


Portanto, quando um governo utiliza a palavra valorização, existe uma régua concreta para medir a promessa. E essa régua não é feita de brindes.


O novo PNE elevou ainda mais a cobrança


O Plano Nacional de Educação sancionado em abril de 2026 tornou a comparação ainda mais inevitável.


O Objetivo 17 do novo PNE é dedicado à formação e valorização dos profissionais da educação básica. Entre suas metas está garantir planos de carreira estabelecidos em lei, tendo como referência o piso salarial profissional nacional e preservando o limite máximo de dois terços da carga horária para atividades de interação com os estudantes.


O mesmo PNE determina que a política de valorização alcance algo frequentemente empurrado para debaixo do tapete das secretarias de Educação: a saúde de quem trabalha na escola.


A Estratégia 17.17 prevê prevenção, atenção e atendimento à saúde física, mental e emocional dos profissionais da educação, incluindo situações de adoecimento, violência, assédio, preconceito e discriminação. Esse é um parâmetro importante porque mostra o tamanho real da palavra valorização.


Não se trata apenas de preparar melhor o professor para trabalhar. Trata-se também de organizar o trabalho para que ele não adoeça tentando cumprir aquilo que o sistema exige.


O professor não precisa apenas ser mais capacitado para suportar a sobrecarga


Existe uma armadilha conhecida nas políticas educacionais: transformar problemas estruturais em problemas de formação.


  • Quando o desempenho cai, oferece-se curso.

  • Quando surge uma nova tecnologia, oferece-se curso.

  • Quando muda o currículo, oferece-se curso.

  • Quando aparecem novas demandas sociais dentro da escola, oferece-se mais formação.


Formação é indispensável. Mas há algo profundamente conveniente para qualquer governo em tratar como deficiência individual do trabalhador aquilo que também depende da organização estrutural da rede. Professor nenhum resolve superlotação estudando uma nova metodologia.


Curso de aperfeiçoamento não aumenta sozinho o tempo disponível para planejamento. Capacitação em saúde mental não elimina assédio institucional. Notebook não diminui uma jornada exaustiva. Livro não substitui salário.


A formação deve ampliar a autonomia e a capacidade profissional de quem ensina. Não pode servir para adaptar indefinidamente o trabalhador a condições que continuam ruins.


Pernambuco já mostrou que salário e carreira são campos de disputa


O debate não é abstrato. Em abril de 2026, Pernambuco sancionou a Lei Complementar nº 574, que atualizou os valores do piso e das tabelas de vencimento dos professores da rede estadual, com efeitos financeiros retroativos a janeiro.


O piso salarial profissional nacional do magistério foi fixado em R$ 5.130,63 em 2026 para a jornada de até 40 horas semanais.


Na negociação estadual, o Sintepe informou que a repercussão linear de 5,4% sobre a carreira de ativos e aposentados passaria a valer a partir de junho. A presidenta da entidade, Ivete Caetano, atribuiu o resultado à mobilização dos trabalhadores e afirmou que “a valorização profissional é o único caminho para uma escola pública de qualidade”. A fala sindical ajuda a colocar o debate no lugar certo.


Valorização é também disputa sobre orçamento. É negociação salarial. É defesa da carreira. É reconhecimento de direitos. É decidir quanto do investimento em educação será destinado às pessoas que fazem a escola funcionar.


O que ainda precisa virar compromisso


É nesse ponto que o plano de Raquel Lyra permanece aquém do tamanho da palavra que utiliza.


Na proposta dedicada à valorização, há programas e iniciativas identificáveis, mas não aparecem metas equivalentes para evolução remuneratória ao longo de 2027 a 2030, fortalecimento objetivo da carreira, programação de concursos públicos, parâmetros de lotação das turmas ou mecanismos mensuráveis para assegurar tempo, saúde e condições de trabalho.


Não basta prometer “condições adequadas”. Um plano de governo precisa dizer como pretende produzi-las.


Qual será a política de carreira?

  • Como será preservada a valorização entre níveis de formação e tempo de serviço?

  • Haverá concursos regulares para reduzir a dependência de vínculos temporários?

  • Que política será adotada para o tempo de planejamento?

  • Como o Estado pretende enfrentar o adoecimento profissional?

  • Que parâmetros serão utilizados para impedir turmas incompatíveis com um atendimento pedagógico de qualidade?

  • Como a formação continuada repercutirá na carreira?


Essas perguntas não são reivindicações periféricas. Elas definem se uma política de valorização chegará ou não ao chão da escola.


Escola climatizada também precisa de trabalhador respeitado


Pernambuco precisa de escolas reformadas. Precisa de climatização, internet, bibliotecas, laboratórios, quadras, material pedagógico e equipamentos. Mas a infraestrutura não dá aula sozinha.


  • Nenhum laboratório explica um conteúdo.

  • Nenhum equipamento percebe que um estudante parou de frequentar a escola.

  • Nenhum aplicativo identifica sozinho o silêncio de uma criança que está sofrendo violência.

  • Nenhuma plataforma acolhe uma turma depois de uma tragédia.


A escola pública continua sendo uma instituição profundamente humana.


E, no centro dela, existe trabalho. Trabalho que exige conhecimento técnico, formação permanente, equilíbrio emocional, responsabilidade social e uma quantidade enorme de tarefas que frequentemente continua depois que a aula termina.


Valorizar esse trabalho custa dinheiro. Talvez seja exatamente por isso que seja tão mais fácil anunciar equipamento do que estabelecer compromissos de longo prazo com carreira.

Equipamento é comprado uma vez. Carreira precisa ser financiada todos os meses.


Valorização precisa aparecer no orçamento


O teste para qualquer promessa de valorização docente é simples. Ela precisa ser percebida pelo trabalhador.


  • Precisa aparecer no contracheque.

  • Precisa aparecer na progressão da carreira.

  • Precisa aparecer no tempo disponível para planejar.

  • Precisa aparecer no tamanho da turma.

  • Precisa aparecer na quantidade de profissionais dentro da escola.

  • Precisa aparecer na possibilidade de adoecer sem ser tratado como problema administrativo.

  • Precisa aparecer na proteção contra assédio.

  • Precisa aparecer na aposentadoria.

  • Precisa aparecer no orçamento público.


O professor não precisa que o Estado transforme direito em favor. Notebook é ferramenta de trabalho. Formação continuada é política educacional. Livro é instrumento profissional. Condições dignas de trabalho são obrigação. Valorização começa quando o governo entende essa diferença.


O plano de Raquel Lyra tem a oportunidade de transformar uma palavra amplamente utilizada pela política educacional em compromisso verificável para 2027 a 2030. Para isso, precisará sair do terreno confortável dos programas e entrar onde a valorização realmente custa: carreira, remuneração, jornada, concursos, saúde e condições de trabalho.


Porque uma escola pública pode receber a tecnologia mais moderna do mercado. Se quem ensina estiver sobrecarregado, adoecido e sem perspectiva de carreira, a modernidade ficará na caixa.


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Helena Valente é repórter especial e analista de Educação de O estopim. Acompanha políticas públicas, financiamento educacional, condições de trabalho, carreira docente e os impactos das decisões governamentais sobre professores, estudantes e comunidades escolares.

Em Gravatá, delegados e delegadas discutem o Plano Nacional de Educação, os riscos da política de premiação docente, o avanço do conservadorismo nas escolas e a defesa da diversidade como parte do plano de lutas da educação pública em Pernambuco.



Por Raul Silva para O estopim | 28 de Maio de 2026


Painel no 12º Congresso do SINTEPE com quatro debatedores, dois aplaudindo, mesa vermelha e fundo com o texto do evento.
Primeira mesa do dia com os professores Flávio Brayner da UFPE e Pedro Silva do IPEA | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

O segundo dia do 12° Congresso do Sintepe, realizado nesta quarta-feira (27), no Hotel Canárius, em Gravatá, no Agreste de Pernambuco, concentrou parte das discussões mais estratégicas da programação ao colocar no centro do debate o futuro da escola pública, a valorização dos trabalhadores em educação, a disputa em torno do Plano Nacional de Educação, a crítica aos sistemas de premiação docente, o enfrentamento ao conservadorismo nas escolas e a defesa dos direitos humanos, de gênero e diversidade.


Com o tema “Educação, democracia, soberania e justiça socioambiental”, o encontro reúne delegados, suplentes, observadores e convidados de diferentes regiões do Estado entre os dias 26 e 29 de maio. O congresso é a principal instância deliberativa do sindicato e tem como objetivo atualizar o plano de lutas da categoria a partir da conjuntura política, educacional e sindical.


A programação do segundo dia reforçou que o debate sobre educação pública em Pernambuco não se limita à pauta salarial, embora a remuneração siga como eixo incontornável da valorização profissional. As falas dos palestrantes e as intervenções da base apontaram para uma leitura mais ampla: defender a escola pública exige financiamento, carreira, condições de trabalho, liberdade pedagógica, gestão democrática, proteção contra violências políticas e reconhecimento da diversidade que compõe a comunidade escolar.


Mesa de debate no 12º Congresso do SINTPE, com cinco palestrantes em palco vermelho e fundo com lema sobre educação e democracia.
Mesa dedicada ao PNE com o professor Heleno Araújo e as professora Dalila Andrade e Iana Gomes | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

A mesa dedicada ao Plano Nacional de Educação reuniu o professor Heleno Araújo, a professora Dalila Andrade, da Universidade Federal de Minas Gerais, e a professora Iana Gomes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O debate partiu de uma constatação comum aos três eixos apresentados: o PNE não pode ser tratado como um documento distante da vida cotidiana das escolas.


Na discussão, o plano apareceu como instrumento de disputa sobre que projeto de educação o país pretende sustentar nos próximos anos. O PNE define metas sobre financiamento, acesso, permanência, qualidade, formação, carreira, gestão democrática e redução de desigualdades. Por isso, para o movimento sindical, sua execução depende de pressão social, acompanhamento permanente e capacidade de transformar metas legais em políticas públicas reais.


Heleno Araújo, dirigente histórico da educação e nome ligado à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e à Internacional da Educação, situou o PNE dentro de uma agenda maior de democracia e soberania. A leitura apresentada no debate associa a defesa do plano à necessidade de participação popular, valorização dos profissionais e enfrentamento das desigualdades regionais e sociais que ainda atravessam a escola pública brasileira.


Essa abordagem conecta o tema nacional à realidade concreta da rede estadual de Pernambuco. Para os trabalhadores em educação, discutir PNE significa discutir piso, carreira, concurso público, infraestrutura escolar, formação continuada, saúde do trabalhador, gestão democrática e permanência estudantil. Não se trata apenas de acompanhar metas em relatórios oficiais, mas de verificar se elas chegam às salas de aula, às bibliotecas, aos laboratórios, às cozinhas, às quadras e às secretarias escolares.


Homem fala ao microfone em palco vermelho do 12º Congresso do SINTEPE, com laptop, telão e slides ao fundo.
Professor Heleno Araújo em sua fala sobre a LDB | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

Um dos pontos mais sensíveis do segundo dia foi a crítica aos sistemas de premiação docente. A discussão questionou políticas que substituem valorização permanente por bonificações pontuais, rankings, metas padronizadas e competição entre escolas ou profissionais.


A crítica não rejeita avaliação pública nem acompanhamento de resultados. O centro do argumento é outro: quando a política educacional reduz qualidade a desempenho em indicadores estreitos, a escola passa a responder mais à lógica da mensuração do que às necessidades reais dos estudantes. Esse modelo tende a desconsiderar diferenças territoriais, desigualdades socioeconômicas, condições de trabalho e a natureza coletiva do processo pedagógico.


Dalila Andrade contribuiu para esse debate ao tratar o trabalho docente como parte de uma estrutura que envolve carreira, formação, tempo de planejamento, saúde, estabilidade, remuneração e autonomia profissional. A valorização, nessa perspectiva, não pode aparecer como prêmio eventual concedido a quem atinge determinada meta. Ela precisa ser política de Estado, com continuidade, orçamento e reconhecimento do conjunto dos trabalhadores da educação.


A preocupação discutida no congresso é que políticas de premiação podem produzir efeitos contrários ao discurso oficial de melhoria. Ao estimular competição, elas enfraquecem a cooperação entre escolas. Ao premiar resultados finais sem enfrentar condições desiguais de partida, podem penalizar justamente unidades que atendem populações mais vulneráveis. Ao individualizar responsabilidades, podem esconder falhas estruturais do poder público.


Mulher fala ao microfone em palco vermelho no 12º Congresso do SINTEPE, com telão vermelho ao fundo.
Professora Iana Gomes em sua explanação dos dados sobre o avanço do conservadorismo nas escolas | Foto: Raul Silva/O estopim+

A professora Iana Gomes levou ao debate a reflexão sobre o avanço do conservadorismo nas escolas e suas conexões com políticas educacionais, currículo, liberdade de ensinar e direitos humanos. A discussão mostrou que a escola pública se tornou um dos espaços centrais da disputa política no país.


Nos últimos anos, campanhas contra discussões de gênero, diversidade, raça, desigualdade e direitos humanos buscaram constranger professores, limitar práticas pedagógicas e transformar conflitos sociais em perseguição a educadores. No congresso, esse tema apareceu como ameaça concreta à liberdade de cátedra, à gestão democrática e ao papel da escola como ambiente de formação cidadã.


A relação entre conservadorismo e premiação docente também foi colocada em perspectiva. Em ambos os casos, a escola é pressionada por forças externas que tentam reduzir sua complexidade. De um lado, indicadores e metas podem estreitar o sentido de qualidade. De outro, movimentos conservadores tentam impor silêncio sobre temas que atravessam a vida dos estudantes. A defesa feita no debate aponta para uma escola que ensina conteúdos, mas também forma sujeitos capazes de conviver com a diferença, reconhecer direitos e participar da democracia.


Mulher fala ao microfone com um braço erguido em palco vermelho, diante de painéis com texto como Clientelismo e Mérito.
Professora Denise Botelho (UFRPE) em sua fala sobre mulheres | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

A mesa dedicada ao debate de gênero ampliou a leitura do congresso sobre democracia. A presença de Denise Botelho (UFRPE), educadora e militante do movimento LGBTQIAPN+, reforçou que a defesa da educação pública passa também pelo enfrentamento à violência, à discriminação e à exclusão de estudantes e profissionais que fogem dos padrões historicamente impostos por estruturas conservadoras.


A discussão deslocou o tema da diversidade do campo simbólico para o campo concreto das políticas educacionais. Uma escola democrática precisa proteger estudantes LGBTQIAPN+, mulheres, pessoas trans, travestis, pessoas negras, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e todos os grupos que sofrem violações dentro e fora do ambiente escolar.


Na prática, isso exige formação dos profissionais, protocolos contra violência, acolhimento, currículo comprometido com direitos humanos e atuação institucional contra o assédio moral, a transfobia, a LGBTfobia, o racismo e a misoginia. O debate também expôs que neutralidade, quando usada para silenciar violações, não protege a escola. Ao contrário, pode naturalizar desigualdades.


A fala de Denise Botelho se integrou ao eixo central do congresso ao tratar diversidade como dimensão da democracia. A escola pública, nesse sentido, não é apenas lugar de matrícula. É espaço de permanência, reconhecimento, segurança e construção de cidadania.


Homem de terno fala ao microfone em palco vermelho no 12º Congresso do SINTEPE, com mesa de debatedores ao fundo.
Professor Flávio Brayner do IPEA | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

As diretoras Marília Cibelli e Katiane Cavalcanti aparecem nos registros públicos do segundo dia como parte da condução política dos debates. A presença delas reforça a função do congresso como espaço de mediação entre análise conjuntural, formulação sindical e experiência concreta da categoria nas escolas.


Esse ponto é decisivo. Em um congresso sindical, a palestra não encerra a discussão. Ela organiza problemas, apresenta diagnósticos e provoca a base a transformar reflexão em encaminhamento. As intervenções dos delegados e delegadas são parte do processo que define resoluções, prioridades e formas de mobilização.


No segundo dia, as discussões indicaram que o plano de lutas do Sintepe deve dialogar com uma agenda ampla: defesa do PNE, valorização da carreira, combate à precarização, crítica às políticas de bônus, enfrentamento ao conservadorismo, proteção da liberdade pedagógica, defesa da diversidade e cobrança por melhores condições de funcionamento da rede estadual.


Mulher de blusa azul-escura, olhar sério, diante de fundo branco com bandeira desfocada.
Governadora Raquel Lyra, recentemente denunciada pelo Sintepe ao MPPE e ao TCE-PE por possíveis fraudes em pagamentos de reformas em escolas da rede pública de Pernambuco que nunca foram realizadas | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

O debate nacional ganha contornos específicos em Pernambuco. A rede estadual convive com desafios que envolvem infraestrutura, remuneração, carreira, gestão, contratos, saúde dos profissionais, permanência estudantil e desigualdades territoriais. Quando o congresso discute PNE, premiação docente e conservadorismo, não fala apenas de conceitos. Fala das condições reais de trabalho em escolas espalhadas pela Região Metropolitana do Recife, Zona da Mata, Agreste e Sertão.


A categoria chega ao congresso com uma pauta que exige respostas do poder público. A defesa da escola pública aparece ligada à fiscalização de investimentos, à execução de reformas, ao cumprimento de direitos, à garantia de condições materiais e ao reconhecimento dos trabalhadores em educação como sujeitos centrais da política educacional.


Nesse sentido, o segundo dia funcionou como uma espécie de ponte entre diagnóstico e ação. Os palestrantes trouxeram fundamentos políticos e acadêmicos. A base sindical trouxe a experiência do cotidiano. A síntese que emerge desse encontro é que a qualidade da educação pública não se constrói com slogans, nem com premiações isoladas, nem com censura pedagógica. Ela depende de financiamento, democracia e trabalho valorizado.


Cartaz vermelho do 12º Congresso do Sintepe, com fotos de pessoas e igrejas, e texto branco e amarelo.
12° Congresso do SINTEPE | Fonte: Sintepe

O 12º Congresso do Sintepe segue até sexta-feira, 29 de maio. Até lá, os participantes devem consolidar avaliações, propostas e encaminhamentos que orientarão a atuação do sindicato no próximo período.


O segundo dia deixou evidente que a disputa pela educação pública em Pernambuco passa por uma agenda que combina questões materiais e democráticas. Salário, carreira e condições de trabalho são inseparáveis de currículo, liberdade pedagógica, diversidade, participação social e justiça socioambiental.


Ao reunir professores, professoras, trabalhadores administrativos, dirigentes sindicais, pesquisadores e militantes sociais, o congresso reafirma que a escola pública é um dos principais territórios de disputa do país. A questão que atravessa as mesas e plenárias é direta: sem democracia na educação, não há democracia plena na sociedade.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do portal O estopim. Atua na cobertura de política, educação, direitos sociais e temas de interesse público, com foco em apuração, contexto e impacto para a vida coletiva.

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