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Por Michael Andrade, da redação do Portal O estopim | Fonte: Governo Federal | segunda-feira (3)


Sistema pode ser utilizado em compras presenciais por meio de QR Code em países das Américas, Europa e Estados Unidos.


Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Brasileiros que viajam ao exterior já podem utilizar o Pix para realizar pagamentos em estabelecimentos de oito países. A funcionalidade foi anunciada pelo Governo Federal e amplia as opções de pagamento para turistas brasileiros durante viagens internacionais.


O serviço está disponível em estabelecimentos da Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França.


O pagamento é feito por meio da leitura de um QR Code, diretamente pelo aplicativo da instituição financeira utilizada pelo cliente. Antes da confirmação da compra, o sistema realiza a conversão do valor para reais.


Segundo o Governo Federal, a operação é possível graças a parcerias entre instituições financeiras, fintechs brasileiras e empresas de câmbio autorizadas.


Não existe um “Pix Internacional” oficial operado pelo Banco Central. As transações são intermediadas por empresas autorizadas, responsáveis pela conversão da moeda e pelo processamento do pagamento ao comerciante no exterior.


Entre as vantagens apontadas está a possibilidade de evitar o IOF incidente em compras internacionais realizadas com cartão de crédito, dependendo da modalidade utilizada.


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Vídeo relaciona autonomia nacional à defesa de empregos, políticas públicas e riquezas estratégicas diante da pressão comercial de Washington.


Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

24 de julho de 2026



Vídeo compartilhado pelos Porta-Vozes do Lula explica soberania após tarifaço dos Estados Unidos
Vídeo compartilhado pelos Porta-Vozes do Lula explica soberania após tarifaço dos Estados Unidos | Imagem: IA/Chat GP

A comunidade Porta-Vozes do Lula compartilhou, na quinta (23), um vídeo que explica o significado de soberania nacional a partir de uma situação cotidiana. O material integra a campanha nacional de mesmo nome, lançada pelo Partido dos Trabalhadores na quarta (22), quando entrou em vigor a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos a determinados produtos brasileiros. A mobilização pretende relacionar a defesa da soberania à proteção dos empregos, da indústria nacional, do Pix e das riquezas estratégicas do país.


Mais do que uma disputa de comunicação, o episódio revela um conflito material. De um lado, a maior potência econômica do mundo utiliza o acesso ao seu mercado como instrumento de pressão. Do outro, o Brasil tenta preservar sua capacidade de decidir políticas econômicas, tecnológicas, ambientais e sociais sem subordinação externa.


O vídeo analisado por O estopim utiliza a imagem de uma família que recebe uma visita para jantar.


A visita é acolhida, participa da convivência e encontra uma casa organizada por regras definidas pelos moradores. O problema começa quando o convidado tenta assumir o controle do ambiente, desrespeita os acordos e passa a agir como se pudesse decidir pelos donos da casa.


A resposta apresentada pela peça é estabelecer limites.


A metáfora é transportada para as relações internacionais. Assim como uma família tem o direito de organizar a própria casa, um país soberano deve poder fazer suas leis, proteger seus recursos e decidir seu futuro sem se submeter à vontade de outra potência.


Na segunda parte, o vídeo mostra a Amazônia, animais da fauna brasileira, pequenos negócios, unidades da Farmácia Popular e atendimentos de saúde. A montagem amplia o conceito de soberania: não se trata apenas de fronteiras ou Forças Armadas, mas também da capacidade de conservar riquezas naturais, manter políticas públicas e proteger a vida da população.


A soberania é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil, conforme o artigo 1º da Constituição de 1988.


A mesma Constituição determina que o poder emana do povo, estabelece como objetivos nacionais a garantia do desenvolvimento e a redução das desigualdades e define a independência nacional, a autodeterminação dos povos e a não intervenção como princípios das relações internacionais brasileiras.


Soberania, portanto, não significa conceder poder ilimitado a um presidente ou governo.

Em uma democracia, ela pertence ao povo e é exercida por meio das instituições, das eleições, da participação social e das regras constitucionais. Defender a soberania implica proteger tanto a autonomia externa do país quanto o direito da população de decidir seus caminhos internamente.


Também não significa isolamento. Um país soberano negocia, coopera, assina acordos e mantém relações comerciais. A diferença é que essas relações devem respeitar a igualdade entre os Estados e não podem ser transformadas em instrumentos de chantagem ou submissão.


O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, anunciou em 15 de julho a cobrança adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.


A medida foi adotada com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo Donald Trump afirma que políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, aos serviços de pagamento eletrônico, às tarifas preferenciais, ao combate à corrupção, à propriedade intelectual, ao mercado de etanol e ao desmatamento prejudicam empresas e produtores dos Estados Unidos.


O governo brasileiro rejeitou essa interpretação. Em nota divulgada antes da decisão final, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e o Ministério das Relações Exteriores classificaram a sobretaxa como injusta e afirmaram que os argumentos apresentados pelo governo norte-americano não justificam a punição comercial.


As posições não têm o mesmo peso político.


Os Estados Unidos estão aplicando sua legislação interna para punir políticas adotadas por outro país e dificultar o acesso de produtos brasileiros ao mercado norte-americano. Trata-se de uma demonstração de poder econômico que ultrapassa uma divergência técnica sobre tarifas.


Entre os temas questionados por Washington estão os serviços brasileiros de pagamento eletrônico. O PT relaciona esse ponto à proteção do Pix, sistema público e gratuito desenvolvido pelo Banco Central que reduziu custos para consumidores e pequenos negócios.


A disputa também envolve a capacidade do Brasil de regular plataformas digitais, proteger dados, formular sua política ambiental e definir quais setores econômicos serão estimulados pelo Estado.


É nesse terreno que soberania deixa de ser uma palavra abstrata.


Tarifas são inicialmente cobradas sobre mercadorias, mas seus efeitos podem alcançar trabalhadores, fornecedores e comunidades inteiras.


Entenda melhor a questão do PIX assistindo ao nosso podcast O estopim Política. Neste episódio, Raul Silva investiga a relação entre a nova tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos, as críticas americanas ao Pix, os interesses das Big Techs e empresas financeiras, o processo contra Jair Bolsonaro e a disputa pela soberania brasileira.

Quando um produto brasileiro fica mais caro no mercado dos Estados Unidos, o importador pode reduzir compras, cancelar contratos, exigir descontos ou procurar fornecedores em outros países. A consequência pode ser menor produção, queda de renda e ameaça aos empregos nas cadeias atingidas.


As grandes empresas possuem mais instrumentos para reorganizar mercados, absorver perdas ou transferir custos. Pequenos exportadores, cooperativas, produtores familiares e trabalhadores têm menor proteção.


Por isso, uma cobertura de esquerda não pode observar o conflito apenas do ponto de vista dos governos ou das estatísticas comerciais. A pergunta central é quem pagará pela decisão norte-americana e quais medidas serão adotadas para impedir que o custo recaia sobre quem trabalha.


O governo Lula sancionou, em 22 de julho, a Lei nº 15.473, que autoriza linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano para empresas afetadas por instabilidades geopolíticas e por tarifas comerciais. Uma medida provisória publicada no mesmo dia permitiu ampliar em até R$ 13,5 bilhões os recursos destinados às linhas de crédito, com participação do BNDES.


O crédito emergencial pode evitar que empresas interrompam atividades, mas não resolve sozinho o problema.


A resposta de longo prazo exige diversificação dos destinos das exportações, fortalecimento do mercado interno, política industrial, desenvolvimento tecnológico e redução da dependência em setores estratégicos.


O Porta-Vozes do Lula foi lançado pelo PT em junho para reunir apoiadores, lideranças e militantes em uma rede de mobilização digital.


A plataforma oferece grupos de WhatsApp, conteúdos para compartilhamento e missões de atuação nas redes sociais. Seu objetivo declarado é defender Lula, enfrentar a extrema direita no ambiente digital e organizar a comunicação do campo progressista.


Trata-se de uma iniciativa partidária. Essa informação precisa estar clara para o leitor, mas não torna irrelevante o conteúdo divulgado.


Partidos políticos também disputam interpretações sobre o país, organizam interesses sociais e tentam transformar temas públicos em mobilização coletiva. O jornalismo deve identificar a origem do material, verificar suas afirmações e examinar seus efeitos, sem fingir uma neutralidade que apenas esconde escolhas editoriais.


No caso do vídeo, o PT tenta deslocar o debate sobre soberania dos gabinetes diplomáticos para a vida cotidiana.


A estratégia associa a pressão dos Estados Unidos a questões concretas: empregos, sistema de pagamentos, políticas públicas, riquezas minerais, Amazônia, saúde e capacidade industrial.


A direita nacionalista costuma apresentar soberania como exaltação da bandeira, poder militar ou autoridade estatal. Para a esquerda, a soberania precisa ter conteúdo democrático e social.


Um país não é plenamente soberano quando sua população passa fome, quando seus trabalhadores não têm direitos, quando medicamentos e tecnologias essenciais dependem integralmente do exterior ou quando suas riquezas naturais são exploradas sem benefício coletivo.


A defesa da soberania deve incluir a capacidade de produzir alimentos, medicamentos, energia, ciência e tecnologia. Deve proteger o SUS, o trabalho, os recursos naturais, os dados da população e os instrumentos públicos de desenvolvimento.


Também precisa caminhar junto com a integração latino-americana e a cooperação entre os países do Sul Global. Enfrentar relações internacionais desiguais não significa substituir uma dependência por outra, mas ampliar a margem de decisão do Brasil.


O vídeo dos Porta-Vozes do Lula acerta ao mostrar que soberania está presente no cotidiano. O desafio é impedir que o conceito se limite a uma campanha de comunicação.


A defesa da autonomia brasileira será medida pelas políticas adotadas para proteger trabalhadores, fortalecer a indústria, controlar recursos estratégicos e garantir que o desenvolvimento nacional reduza desigualdades.


O que acontece agora?


A tarifa adicional norte-americana está em vigor desde quarta (22). O USTR afirma que permanece aberto a negociações, enquanto o governo brasileiro mantém a posição de que a medida é injusta e busca ampliar as exceções para produtos nacionais.


Nos próximos meses, será necessário acompanhar os contratos cancelados, a redução das exportações e os efeitos sobre o emprego.


Também será preciso fiscalizar a execução do Plano Brasil Soberano, os critérios para concessão dos financiamentos e a capacidade das medidas de alcançar pequenas empresas, fornecedores e trabalhadores.


No campo político, soberania deverá permanecer no centro da comunicação de Lula e do PT. O conteúdo do debate, porém, dependerá da capacidade de transformar o slogan “O Brasil não se entrega” em uma estratégia efetiva de desenvolvimento, proteção social e independência nacional.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim. Atua na cobertura de política nacional e internacional, análise de conjuntura e justiça social, com apuração baseada em documentos, dados públicos e rigor factual.

soberania após tarifaço dos EUA


Nota do governo Lula atribui peso político aos Bolsonaro, mas documento formal dos EUA apresenta justificativas comerciais mais amplas.


Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

16 de julho de 2026 | Análise política



Nota do governo brasileiro sobre tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil
Nota do governo brasileiro sobre tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil | Foto: Raul Silva/Montagem e Design/Agência O estopim+

Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte relevante dos produtos brasileiros, com cobrança prevista a partir de 22 de julho. Na reação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva acusou a família Bolsonaro de colaborar com a construção do conflito. O documento oficial norte-americano, porém, fundamenta a medida em disputas comerciais e regulatórias, sem atribuir formalmente a decisão aos Bolsonaro. Essa diferença separa a responsabilidade política da comprovação de uma responsabilidade exclusiva.


A tarifa dos EUA foi adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o órgão, a investigação durou um ano e tratou de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.


A determinação formal estabelece uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções. Café, carne bovina, laranja, suco de laranja, determinados produtos energéticos, aeronaves e componentes aeroespaciais estão entre os itens poupados. Açúcar, máquinas, vestuário, papel, equipamentos elétricos e produtos siderúrgicos aparecem entre os setores atingidos.


O USTR afirma que foram realizadas negociações com o Brasil, duas audiências públicas e a análise de mais de 360 manifestações. A posição norte-americana é que as conversas não produziram mudanças suficientes nas políticas questionadas. O governo brasileiro contesta essa versão e sustenta que apresentou documentos para rebater as alegações.


As exceções revelam também os limites políticos do tarifaço. Ao poupar mercadorias consideradas importantes para o abastecimento e para os preços internos, Washington reduziu parte do impacto que a própria medida poderia causar aos consumidores e às empresas dos Estados Unidos. O ato norte-americano reconhece expressamente riscos de desabastecimento, aumento de preços e desorganização das cadeias produtivas.


A Secretaria de Comunicação Social da Presidência classifica 15 de julho como um marco negativo nas relações entre os dois países. A nota afirma que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil durante 15 anos.



O governo também declara que, em 2025, 76% das importações brasileiras originárias dos Estados Unidos não pagaram imposto de importação e que a alíquota média efetivamente cobrada foi de 3,1%. Esses números são apresentados pela Presidência e devem ser tratados jornalisticamente como dados alegados pelo governo brasileiro.


A nota rejeita os questionamentos contra o Pix, a regulação das plataformas digitais e as políticas ambientais brasileiras. Também afirma que 63 de 78 intervenções de representantes empresariais nas audiências promovidas pelo USTR foram contrárias à imposição das tarifas.


A parte politicamente mais contundente aparece no encerramento. O governo diz que o resultado da investigação integra um processo construído com a “ativa colaboração da família


A acusação do governo Lula não surge em um vazio histórico.


Em 2025, Donald Trump havia usado uma tarifa anterior de 50% para protestar contra o processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro. Naquele momento, o conflito comercial foi apresentado pela própria Casa Branca como instrumento de pressão política relacionado à situação do ex-presidente brasileiro.


Esse precedente pesa contra a família Bolsonaro. A estratégia de aproximação com o governo Trump, acompanhada de pedidos de sanções e críticas às instituições brasileiras feitas no exterior, criou a percepção de que disputas políticas internas estavam sendo transferidas para Washington.


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O custo político não depende apenas de provar que um integrante da família redigiu ou solicitou a nova tarifa. Ele nasce da associação construída ao longo do tempo entre o bolsonarismo, o governo Trump e o uso de pressões externas contra autoridades e políticas brasileiras.


Nesse sentido, a família Bolsonaro tem uma conta política concreta. Ela decorre da escolha de buscar apoio internacional para pressionar adversários e instituições do próprio país.


A análise muda quando a pergunta deixa de ser política e passa a ser documental.


O ato final do USTR não apresenta Jair, Eduardo, Flávio, Carlos ou outro integrante da família Bolsonaro como fundamento jurídico da tarifa de 25%. A decisão cita políticas comerciais, ambientais, digitais e regulatórias do Estado brasileiro.


Também precisa ser registrado que Flávio Bolsonaro compareceu ao processo público do USTR para se opor à tarifa. Em sua manifestação, defendeu o Pix e afirmou que a taxação prejudicaria produtores e consumidores dos dois países.


A ida a Washington pode ser interpretada como tentativa de reduzir um desgaste eleitoral já instalado. Ainda assim, a manifestação existe e precisa integrar o contraditório. Ignorá-la transformaria análise em propaganda.


A conclusão sustentada pelos documentos disponíveis é mais precisa: os Bolsonaro contribuíram para criar um ambiente de pressão política internacional contra o Brasil, mas não há prova documental de que sejam os únicos responsáveis pela nova decisão comercial.


A controvérsia já chegou à opinião pública.


Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 16 de julho, mostra que 51% dos entrevistados concordam mais com a versão de Lula, segundo a qual Flávio Bolsonaro tem responsabilidade pelo tarifaço. Outros 30% concordam com a versão do senador, que afirma ter pedido aos Estados Unidos que não taxassem o país.


O levantamento ouviu 2.004 pessoas, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a pesquisa, 63% acreditam que as tarifas podem prejudicar a própria vida ou a de familiares.


Esse dado mostra onde está o maior risco para o bolsonarismo. Quando a disputa deixa o terreno abstrato da diplomacia e passa a ser relacionada a empregos, renda, exportações e atividade industrial, o alinhamento com Trump pode deixar de ser visto como afinidade ideológica e passar a ser entendido como custo econômico.


Lula tenta transformar essa percepção em um confronto entre soberania nacional e interesses familiares. Flávio tenta separar sua candidatura do tarifaço, ao mesmo tempo em que preserva a relação política com Trump. É uma equação difícil.


Tarifas de importação são cobradas, inicialmente, de quem importa a mercadoria nos Estados Unidos. O efeito, porém, pode retornar ao Brasil por diferentes caminhos.


Empresas norte-americanas podem reduzir pedidos, pressionar fornecedores brasileiros por preços menores ou buscar produtos em outros países. Exportadores podem perder margem de lucro, adiar investimentos e reduzir produção. Trabalhadores de cadeias industriais e agrícolas podem ser atingidos caso a demanda diminua.


As exceções concedidas a café, carne, energia e aeronaves reduzem parte do dano imediato. Mesmo assim, o alcance da tarifa sobre milhares de mercadorias mantém o risco para setores industriais, produtores regionais e municípios dependentes das exportações.


O que acontece agora?


O governo brasileiro anunciou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e que levará a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.


A Lei nº 15.122, sancionada em abril de 2025, autoriza o Brasil a adotar contramedidas diante de ações comerciais unilaterais que prejudiquem a competitividade do país. A resposta pode envolver concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual.


Antes de retaliar, o governo terá de avaliar quais setores seriam protegidos e quais poderiam sofrer novos prejuízos. Uma guerra tarifária sem cálculo pode ampliar o dano que pretende combater.


A partir de 22 de julho, três frentes deverão ser acompanhadas: eventuais negociações para ampliar as exceções, a aplicação da Lei de Reciprocidade e os efeitos concretos sobre exportações, produção e empregos.


Politicamente, a conta dos Bolsonaro existe e pode crescer durante a campanha eleitoral. Documentalmente, entretanto, ela não pode ser apresentada como explicação única para uma decisão que o governo dos Estados Unidos estruturou sobre uma investigação comercial mais ampla.


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Raul Silva é jornalista, escritor, professor e produtor de conteúdo do portal O estopim. Atua na análise de política, comunicação, cultura, tecnologia e temas de interesse público.

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