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Professora conta que deixou Parnaíba em busca de oportunidades em Pernambuco e que sete dos dez irmãos seguiram o magistério.


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

13 de Agosto de 2026

Ivete Caetano relembra origem pobre e trajetória construída pela educação
Ivete Caetano relembra origem pobre e trajetória construída pela educação | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ivete Caetano, professora e candidata a Deputada Estadual pelo Partido dos Trabalhadores, PT-PE, relembrou, em vídeo publicado nas redes sociais, a própria trajetória e afirmou que a educação foi decisiva para transformar a realidade de sua família. Nascida em Parnaíba, no litoral do Piauí, ela conta que deixou a cidade ainda jovem e veio para Pernambuco com a família em busca de melhores condições de vida e de oportunidades para continuar estudando.


Filha de uma família pobre com dez irmãos, Ivete atribui aos pais a insistência para que os filhos permanecessem na escola mesmo diante das dificuldades financeiras.


“Na nossa família, todos reconhecemos que foi a educação que nos salvou”, afirma.

Segundo Ivete, naquele período as possibilidades de acesso ao ensino superior eram limitadas em Parnaíba. Ela lembra que os pais, mesmo sem condições financeiras favoráveis, entendiam a formação dos filhos como um caminho para romper com a pobreza.


A mudança para Pernambuco aconteceu nesse contexto. A família deixou o litoral piauiense carregando, nas palavras de Ivete, a necessidade de buscar um futuro diferente.


A aposta na educação acabou se repetindo entre os irmãos. Dos dez filhos, sete se tornaram professores. Ivete está entre eles.


Aos 19 anos, ela foi aprovada em concurso público para a rede estadual de ensino de Pernambuco e começou a trajetória profissional como professora. O ingresso no serviço público marcou o início de uma carreira construída dentro da educação pública.


O relato liga a história pessoal de Ivete à experiência de milhares de famílias que enxergaram na escola e no ensino superior uma possibilidade concreta de mobilidade social.


Ela também associa as mudanças ocorridas ao longo das últimas décadas às políticas de expansão e interiorização do ensino superior implementadas pelo governo federal, especialmente durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Para Ivete, a ampliação do acesso às universidades modificou uma realidade que, durante sua juventude, obrigava muitos estudantes do interior a deixar suas cidades para continuar os estudos.


A própria história familiar se tornou, segundo ela, uma demonstração desse investimento feito pelos pais. A maioria dos irmãos que seguiu a docência transformou a educação não apenas em meio de formação, mas também em profissão.


Décadas depois de chegar a Pernambuco ainda jovem, Ivete mantém a educação como centro de sua trajetória profissional e pública. A história que começou em uma família pobre de Parnaíba passou pelas salas de aula da rede estadual pernambucana e pelo movimento organizado dos trabalhadores da educação.


Para ela, a síntese dessa trajetória permanece na escolha feita pelos pais muitos anos antes: insistir nos estudos dos filhos mesmo quando quase tudo indicava que aquele caminho seria difícil.


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Clara Mendes é repórter de hard news de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, cotidiano e temas de interesse social, com foco em apuração, precisão e interesse público.

Por Raul Silva para O estopim | 18 de junho de 2026



Documentos financeiros citados no caso Banco Master indicam que dois deputados federais do Progressistas pelo Piauí pagaram faturas de cartão de crédito em nome do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em junho de 2024. Os registros atribuem os pagamentos a Átila Lira e Júlio Arcoverde, aliados políticos de Ciro no estado.


Homem de terno e gravata, com máscara caída na orelha, sentado em auditório com cadeiras ao fundo e expressão satisfeita.
Ciro Nogueira é citado em apuração sobre faturas de cartão pagas por deputados do PP no caso Banco Master | Foto: Reprodução/Agência Senado

Os valores somam cerca de R$ 17 mil. Átila Lira aparece associado ao pagamento de um boleto de R$ 3.457 referente a cartão do BRB em nome de Ciro. Júlio Arcoverde é citado no pagamento de outra fatura, de R$ 13.693,54.


O dado abre uma frente delicada para o presidente nacional do PP porque envolve despesas pessoais quitadas por parlamentares do mesmo partido. A questão central é saber qual foi a origem dos recursos, por que os deputados teriam feito os pagamentos e se houve contrapartida política, reembolso ou outro tipo de ajuste privado formalizado.


O caso não se resume ao valor das faturas. Para os investigadores, os pagamentos precisam ser analisados dentro de um conjunto maior de movimentações financeiras atribuídas ao senador e ao seu entorno político.


A suspeita se soma a informações sobre possíveis benefícios recebidos por Ciro Nogueira em sua relação com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Relatórios da Polícia Federal já apontaram pagamentos mensais atribuídos ao senador, além de despesas com viagens, hospedagens e refeições no exterior.


Nesse contexto, as faturas pagas por deputados do PP ganham relevância porque mostram uma relação financeira direta entre aliados políticos e gastos privados de Ciro. Mesmo que os valores sejam menores do que outras cifras citadas no caso, o episódio expõe uma pergunta simples: por que parlamentares do mesmo grupo político pagariam contas pessoais de um senador?


Átila Lira negou ter feito o pagamento e afirmou que a informação poderia decorrer de erro no registro bancário. Júlio Arcoverde disse que o pagamento poderia estar ligado a algum pedido feito a Ciro durante viagem internacional.


Ciro Nogueira, por sua vez, já classificou questionamentos sobre o caso como absurdos e evitou detalhar publicamente os registros financeiros atribuídos a ele.


As respostas ainda deixam lacunas. Se houve erro bancário, será necessário demonstrar como o nome do deputado apareceu vinculado ao pagamento. Se houve encomenda, favor pessoal ou reembolso de viagem, a comprovação documental passa a ser essencial para afastar suspeitas.


Outro eixo do caso é a compatibilidade entre a renda declarada de Ciro e o volume de movimentações financeiras associado à sua conta. Registros citados na imprensa apontam valores mensais muito superiores aos rendimentos líquidos declarados pelo senador como pessoa física.


Esse contraste é relevante porque despesas de cartão, repasses de terceiros e pagamentos cruzados ajudam a identificar se a movimentação financeira tem origem regular, se corresponde ao padrão declarado ou se pode indicar entrada de recursos não explicados.


A PF trabalha com a hipótese de que parte dos benefícios atribuídos a Ciro estaria conectada a interesses privados do Banco Master e de Daniel Vorcaro. Ainda não há condenação. O que existe é uma investigação em curso, com registros financeiros, mensagens, comprovantes e cruzamento de dados.


O documento oficial anexado ao caso analisado por O estopim trata de outro recorte da Operação Compliance Zero, envolvendo o senador Jaques Wagner. Ele não cita Ciro Nogueira. Ainda assim, ajuda a entender como a Polícia Federal vem estruturando a investigação sobre o Banco Master.


A decisão do ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal, afirma que a Compliance Zero examina uma organização estruturada em núcleos voltados a fraudes financeiras, cooptação de agentes públicos, ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro e obstrução da fiscalização estatal.


O documento também registra que a PF utiliza mensagens eletrônicas, áudios, chamadas de voz, documentos contratuais, comprovantes de transferência, registros societários, metadados, planilhas de pagamentos e comunicações extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores da operação.


Esse método explica por que pagamentos aparentemente pontuais, como faturas de cartão, podem ganhar peso dentro de uma investigação maior. Isoladamente, uma fatura pode parecer detalhe. Cruzada com renda, mensagens, vínculos políticos, interesses legislativos e benefícios pagos por empresários, ela pode indicar um padrão.


Ciro Nogueira não é apenas senador. Ele é presidente nacional do Progressistas e principal liderança do partido no Piauí. Átila Lira e Júlio Arcoverde pertencem ao mesmo campo político.


Essa proximidade não prova irregularidade, mas aumenta a obrigação de transparência. Quando parlamentares ligados ao mesmo grupo aparecem pagando despesas pessoais de seu principal líder, a explicação precisa ser objetiva, documentada e compatível com a legislação.


O caso também atinge a imagem do PP porque envolve uma estrutura partidária concentrada em torno de Ciro. Ainda que os pagamentos tenham explicações privadas, o episódio mistura partido, mandato e finanças pessoais em uma zona de risco político.


A pergunta principal não é apenas quem pagou as faturas. É por que pagou.


Se houve erro, ele precisa ser demonstrado. Se houve favor pessoal, é preciso explicar origem, motivo e eventual reembolso. Se houve pagamento sem contrapartida clara, o caso pode reforçar suspeitas de benefício econômico indevido a agente público.


Por enquanto, as citações não equivalem a condenação. Ciro Nogueira, Átila Lira e Júlio Arcoverde têm direito à defesa e à apresentação de documentos. Mas os registros colocam o senador diante de uma questão pública incontornável: despesas pessoais de um líder partidário foram quitadas por deputados aliados, em meio a uma investigação que já examina pagamentos, benefícios e interesses associados ao Banco Master.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim, com foco em política, investigação, poder e temas de interesse público.

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