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PGR mandou rastrear propostas apresentadas ou apoiadas pelo senador que poderiam beneficiar o Banco Master e Daniel Vorcaro. A Polícia Federal documenta Flávio Bolsonaro como interlocutor direto na negociação do financiamento de Dark Horse. Em outro relatório, investigadores descrevem Vorcaro monitorando autoridades, obtendo informações sigilosas e tentando influenciar agentes públicos. Agora, uma pergunta pode mudar definitivamente o tamanho do caso: houve contrapartida política aos milhões destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro?


Por Raul Silva para O estopim |

13 de setembro de 2026


R$ 134 milhões e Dark Horse: o que Vorcaro esperava de Flávio Bolsonaro?
R$ 134 milhões e Dark Horse: o que Vorcaro esperava de Flávio Bolsonaro? | Reprodução/Brasil 247

Há um ponto em que o caso Dark Horse deixa de ser apenas uma investigação sobre dinheiro e passa a atingir diretamente o exercício do poder político.


A existência da negociação financeira entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro já ultrapassou o terreno da revelação jornalística. Documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República, tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal, registram Flávio como interlocutor direto nas tratativas para um aporte previsto de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões pela cotação utilizada quando o caso veio a público.


A apuração aponta que pelo menos US$ 12,3 milhões foram efetivamente enviados. Mas o estopim político da investigação está em outra pergunta.


Não se trata mais apenas de saber quem pediu o dinheiro, quanto foi negociado ou por quais estruturas financeiras os recursos circularam. A própria PGR passou a procurar a outra ponta da relação: o que Daniel Vorcaro poderia receber da atividade parlamentar de Flávio Bolsonaro?


Em manifestação apresentada em julho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o levantamento das proposições legislativas apresentadas ou apoiadas por Flávio e pelo deputado Mário Frias que pudessem interessar ao Banco Master, a empresas vinculadas à instituição ou aos seus controladores, especialmente Vorcaro.


O documento afirma que era necessário aprofundar a apuração sobre eventual “prática de ato típico da função parlamentar” relacionada, numa lógica de causa e efeito, ao negócio cinematográfico.


Traduzido do vocabulário jurídico para a linguagem política, a investigação procura saber se existiu contrapartida.



Flávio Bolsonaro aparece como interlocutor direto


O relatório da Polícia Federal coloca Flávio Bolsonaro no centro das tratativas financeiras relacionadas ao filme. Segundo os investigadores:

“Tais elementos indicam que o senador Flávio Nantes Bolsonaro não aparece apenas como terceiro mencionado [...] mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro.”

A PF registra cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das filmagens pelo senador.


A cronologia documentada começa em dezembro de 2024. Thiago Miranda organizou uma reunião entre Vorcaro e Flávio, em Brasília, para discutir o chamado “filme do presidente”. Mário Frias participaria do encontro.


Em janeiro de 2025, segundo os documentos, Flávio já pressionava, por intermédio de Miranda, para que o primeiro aporte fosse liberado. Posteriormente, a interlocução passou a ocorrer diretamente entre o senador e o banqueiro.


Em setembro, Flávio enviou um áudio cobrando pagamentos atrasados e mencionando o risco de inadimplência com integrantes norte-americanos da produção.


Em novembro, pouco antes da primeira prisão de Vorcaro, escreveu:


“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”

Na sequência, pediu que o banqueiro lhe desse “uma luz”.


O Intercept Brasil revelou inicialmente que o compromisso financeiro poderia chegar a US$ 24 milhões. Documentos divulgados posteriormente pela investigação confirmaram o valor previsto no acordo e a existência de remessas milionárias destinadas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.


Flávio também reconheceu ter se encontrado com Vorcaro depois da primeira prisão do banqueiro, afirmando que a reunião teve como objetivo encerrar a participação dele no projeto cinematográfico.


O modo de atuação atribuído a Vorcaro pela PF


É neste ponto que outra peça da investigação envolvendo o Banco Master amplia o peso da pergunta feita pela PGR.


A Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 1020625/2026, produzida pela Polícia Federal a partir do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, não trata especificamente da negociação de Dark Horse. O relatório, porém, descreve a forma como o banqueiro e pessoas de seu entorno teriam atuado em outras frentes.


Nas considerações finais, à página 122, a PF registra:


“As mensagens evidenciam que havia acesso recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central.”

O documento acrescenta que informações eram obtidas por meio de acessos funcionais de terceiros e consultas não autorizadas.


Nas páginas seguintes, a análise policial avança sobre outro terreno. A PF afirma ter identificado “tentativas de influenciar agentes públicos” e registra que Vorcaro monitorava autoridades, possuía informações internas atribuídas a servidores do Banco Central e, antes de uma operação policial, já sabia qual juiz e qual vara estavam responsáveis pelo procedimento, informação que ainda não era pública.


Na síntese dedicada ao banqueiro, a PF afirma que Vorcaro “monitorava autoridades”, “manipulava imprensa” e “tentava influenciar agentes públicos”.


Esse conjunto probatório não estabelece, por si só, que Flávio Bolsonaro tenha realizado atos desse tipo em benefício de Vorcaro. Ele explica, contudo, por que descobrir a existência ou não de uma contrapartida parlamentar se tornou uma diligência central.


Em outro braço da investigação, a própria Polícia Federal atribui a Vorcaro uma estratégia de obtenção de influência, informações e acesso a estruturas públicas.


Banco Central e BRB estavam entre os interesses do Master


Os interesses institucionais e regulatórios de Vorcaro também aparecem explicitamente nos documentos.


A página 97 da IPJ-A descreve mensagens relacionadas à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília, o BRB.


Segundo a PF, Vorcaro ordenou a publicação de comentários em massa para produzir a percepção pública de que a operação havia sido bem-sucedida. Na página 99, surge nova ordem para produzir comentários favoráveis à negociação.


A partir da página 100, o relatório abre um capítulo intitulado “Monitoramento de autoridades, tentativa de influência sobre agentes públicos, obstrução à Justiça e plano de fuga”.


A Polícia Federal relata que Vorcaro mantinha registros sobre uma reunião sigilosa entre policiais federais e servidores do Banco Central envolvendo o Master.


BRB, Banco Central, decisões judiciais e autoridades responsáveis pelas investigações estavam, portanto, entre os temas acompanhados pelo banqueiro.


O ponto que a investigação precisa estabelecer é se algum pedido relacionado a esses interesses foi dirigido a Flávio Bolsonaro e se houve alguma ação funcional do senador ligada a essa eventual solicitação.


É exatamente esse espaço que a PGR decidiu investigar ao determinar o levantamento dos atos parlamentares.


Thiago Miranda liga dois circuitos


Há ainda uma personagem que atravessa dois núcleos importantes da história. Thiago Miranda foi o intermediário que aproximou Flávio Bolsonaro de Daniel Vorcaro e participou das cobranças e da operacionalização do financiamento de Dark Horse.



As mensagens registram Miranda organizando a primeira reunião e transmitindo cobranças feitas por Flávio.


Meses depois, seu nome apareceu em outra frente da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal passou a investigá-lo por participação no chamado “Projeto DV”, uma operação de comunicação que teria contratado influenciadores para defender o Banco Master, atacar o Banco Central e pressionar críticos da instituição.


Miranda admitiu à polícia a contratação de influenciadores, embora tenha negado que existisse orientação para atacar dirigentes do BC.


O ponto de conexão é objetivo: o homem que participou da ponte financeira entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro também apareceu na estrutura montada para defender os interesses do Master diante da crise envolvendo o Banco Central.


A relação entre esses dois circuitos é uma das peças que ajudam a explicar por que o caso deixou de ser apenas uma controvérsia sobre patrocínio cinematográfico.


Vorcaro também buscava interlocução no Supremo


Outra decisão juntada aos autos acrescenta uma dimensão institucional à rede de relações do banqueiro.


Na PET 16.669, página 9, o ministro Flávio Dino registrou a informação de que André Mendonça teria recebido Vorcaro para uma reunião nas dependências de uma empresa privada quando o banqueiro já figurava em investigação submetida ao ministro. Dino escreveu:


“o Ministro André Mendonça teria recebido [...] o Sr. Daniel Vorcaro, investigado em autos de sua própria competência.”

A decisão acrescenta que o encontro teria sido intermediado por pessoas também mencionadas em investigações judiciais.


O documento não relaciona aquela reunião diretamente a Flávio Bolsonaro. O episódio, porém, acrescenta mais um elemento ao retrato institucional de um banqueiro que mantinha interlocução em centros onde decisões relevantes para seus negócios poderiam ser tomadas.


Uma segunda investigação alcança o próprio filme


O problema de Dark Horse não se limita ao dinheiro atribuído a Vorcaro. Paralelamente, a PET 16.669 reúne investigação envolvendo emendas parlamentares, o Instituto Conhecer Brasil e empresas relacionadas à produção do filme.



Na página 7 de uma decisão de 150 páginas, o STF registra que Karina Gama é ligada à produção de Dark Horse, mantinha proximidade política com Mário Frias e que uma empresa de sua propriedade prestou serviços à campanha do parlamentar antes de o ICB receber recursos provenientes de emendas de sua autoria.


O inquérito paulista incorporado à PET contém ainda referência à reportagem intitulada “ÁUDIO: Mario Frias agradeceu Daniel Vorcaro por apoio a filme sobre Jair Bolsonaro”, nas folhas 157.



"SÓ TE AGRADECER, MEU IRMÃO": Mario Frias agradeceu Vorcaro por apoio a filme sobre Jair Bolsonaro | Fonte: YouTube/The Intercept Brasil

O documento informa que a mensagem de voz foi enviada em 11 de dezembro de 2024, na mesma data da reunião marcada entre Vorcaro e Flávio.


Nas folhas 159, o mesmo caderno policial registra a reportagem sobre “Os áudios de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro”.


O material referente à relação entre o banqueiro e o núcleo político da produção cinematográfica terminou, assim, incorporado formalmente aos autos de uma investigação hoje submetida ao Supremo.


A pergunta de R$ 134 milhões


Até aqui, a documentação pública avançou muito mais sobre o circuito financeiro do que sobre uma eventual contrapartida política.


  • Há reuniões.

  • Há mensagens.

  • Há cobranças.

  • Há um compromisso financeiro de até US$ 24 milhões.

  • Há milhões de dólares efetivamente remetidos aos Estados Unidos.

  • Há um intermediário comum.

  • Há manifestações pessoais de proximidade.

  • Há, em outro relatório da Polícia Federal, a descrição de Vorcaro como alguém que buscava informações internas, monitorava autoridades e tentava exercer influência sobre agentes públicos.


Agora falta esclarecer a outra ponta.


  • Daniel Vorcaro pediu alguma coisa a Flávio Bolsonaro?

  • Contato com o Banco Central?

  • Interlocução sobre o BRB?

  • Reunião com alguma autoridade?

  • Atuação no Senado?

  • Proposta legislativa?

  • Pressão política?

  • Acesso a ministro?

  • Intervenção diante de investigadores?

  • Manifestação pública capaz de favorecer o banco?


A PGR transformou essas perguntas em diligência investigativa quando pediu o levantamento das propostas legislativas de Flávio Bolsonaro e Mário Frias que poderiam interessar ao Master, às empresas vinculadas ao banco ou a Daniel Vorcaro.


É neste ponto que está o verdadeiro divisor de águas. Se os milhões destinados a Dark Horse forem documentalmente conectados a algum pedido de Vorcaro e a um ato funcional praticado por Flávio Bolsonaro em benefício do banqueiro ou do Banco Master, o caso deixará de estar restrito à origem e à circulação do dinheiro.


Passará a alcançar diretamente uma das fronteiras mais sensíveis do exercício de um mandato: a relação entre vantagem privada e poder público.


Flávio sustenta que os recursos correspondiam a investimento privado no filme, nega irregularidades e passou a defender a divulgação integral dos documentos. Depois da publicação dos áudios, também apoiou a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.


Essas posições integram o contraditório. Não encerram a pergunta aberta pela própria investigação.


Porque, diante de R$ 134 milhões previstos para um filme ligado à família de um senador e candidato à Presidência, a questão de maior peso continua sem resposta definitiva: por que Daniel Vorcaro considerava tão importante financiar esse projeto e o que esperava obter da relação construída em torno dele?


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Raul Silva é jornalista políticode O estopim atua na cobertura do poder, das instituições e das disputas que conectam política, economia e sociedade, com foco na análise dos mecanismos de influência e das consequências concretas das decisões públicas.

Presidente do STF dá 24 horas a André Mendonça para abrir peças vinculadas à PET 15.556; apenas diligências em curso ficam sob sigilo.


Por Mateus Ayres para O estopim |

11 de setembro de 2026


Edson Fachin, presidente do STF, determinou ampliação da abertura dos documentos do Caso Master.
Edson Fachin, presidente do STF, determinou ampliação da abertura dos documentos do Caso Master. | Foto: Reuters

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou nesta sexta (11) que o ministro André Mendonça providencie, em até 24 horas, a retirada do sigilo de todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, processo central das investigações do Banco Master e da Operação Compliance Zero no STF.


A decisão atende a pedido da Procuradoria-Geral da República, assinado pelo vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand, que considerou incompleto o conjunto de documentos tornado público na noite de quinta (10). Fachin também recebeu pedidos de Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin pela ampliação do acesso aos autos.


A ordem preserva apenas documentos relacionados a diligências em andamento ou futuras quando a divulgação puder comprometer a execução das medidas. O restante do material deverá ser aberto e encaminhado à Presidência do Supremo e aos gabinetes dos ministros da Corte.


A nova determinação amplia a abertura promovida menos de 24 horas antes por Mendonça. Na quinta (10), o relator havia retirado o sigilo da PET 15.556 e de outros 14 procedimentos vinculados ao Caso Master.


PGR diz que primeira abertura deixou documentos de fora


A manifestação da Procuradoria-Geral da República foi decisiva para a nova intervenção de Fachin.


No pedido encaminhado à Presidência do STF, Hindemburgo Chateaubriand afirmou que a relação apresentada após a primeira quebra de sigilo não abrangia grande parte dos procedimentos relacionados à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero.


A PGR sustentou que a abertura precisava alcançar todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, mantendo reservadas apenas as diligências cuja eficácia dependesse do sigilo.


A manifestação alterou o alcance da abertura determinada na noite anterior.


Até então, estavam públicos a PET 15.556, os Inquéritos 5.026 e 5.035, a Reclamação 88.121 e as Petições 15.198, 15.478, 15.504, 15.562, 15.563, 15.693, 15.976, 15.977, 15.978, 16.019 e 16.662. A ordem desta sexta (11) não fica limitada a essa lista.


Moraes afirma que 180 documentos permaneceram sob sigilo


Alexandre de Moraes também procurou Fachin para pedir a abertura integral dos autos.


Segundo Moraes, a providência adotada por Mendonça na quinta (10) manteve 180 documentos fora do conjunto disponibilizado. O ministro afirmou que houve uma escolha seletiva das peças liberadas e pediu o levantamento de todo o material relacionado ao Caso Master.


Moraes também pediu que o plenário analise conjuntamente a PET 16.662, que reúne o relatório da Polícia Federal com referências a ele encontradas no material de Daniel Vorcaro, e a PET 16.704, que contém questionamentos sobre a condução das investigações por André Mendonça.


A sessão extraordinária inicialmente convocada por Fachin para terça (15) tinha como foco a PET 16.662.


Zanin quer acesso ao conteúdo completo do celular de Vorcaro


Cristiano Zanin fez outro pedido à Presidência do Supremo.


O ministro solicitou acesso completo às mídias extraídas do celular de Daniel Vorcaro, e não apenas aos relatórios produzidos a partir do aparelho.


Zanin pediu que os dados sejam encaminhados em um HD específico para permitir a análise direta do conteúdo antes da sessão do plenário.


O movimento amplia a discussão sobre a diferença entre os relatórios elaborados pela Polícia Federal e o conjunto bruto de informações apreendidas no telefone do ex-controlador do Banco Master.


Da abertura parcial à ordem de Fachin para liberar todos os autos


A decisão desta sexta é a segunda intervenção de Fachin sobre o sigilo do Caso Master em menos de um dia.


Na noite de quinta (10), Fachin pediu a Mendonça que retirasse o sigilo da PET 15.556 e dos procedimentos relacionados, além de determinar o compartilhamento integral dos processos com os ministros do Supremo.


Mendonça respondeu retirando o segredo de Justiça de 15 procedimentos.


Horas depois, a PGR afirmou que a relação continuava incompleta. Moraes apontou a permanência de 180 documentos protegidos e Zanin pediu acesso direto às mídias do celular de Vorcaro.


Fachin então fixou o prazo de 24 horas para uma nova abertura, agora abrangendo todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556.


Por que a PET 15.556 é central


A PET 15.556 ocupa posição central na estrutura processual das investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo.


Foi a partir desse conjunto de autos que surgiram desdobramentos e novos procedimentos hoje distribuídos na Corte.


A PET 16.662, incluída por Fachin na sessão extraordinária de terça (15), foi formada a partir de material relacionado à PET 15.556. Nela está o relatório da Polícia Federal produzido a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro e que levou ao STF mensagens, documentos e referências a autoridades.


A abertura completa dos documentos vinculados à petição pode, portanto, expor peças que não apareceram na primeira leva tornada pública por Mendonça.


Decisão amplia acesso antes do julgamento no plenário


A medida ocorre quatro dias antes da sessão extraordinária convocada para terça (15), às 10h.


Os ministros deverão analisar os desdobramentos do relatório produzido pela Polícia Federal e a crise aberta dentro do próprio Supremo depois da divulgação de mensagens e referências envolvendo Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e outros integrantes de instituições federais.


A abertura dos autos também permitirá que os ministros trabalhem sobre um conjunto documental mais amplo do que aquele inicialmente disponibilizado.


Esse é um dos pontos centrais do pedido da PGR. A Procuradoria defendeu tratamento uniforme para documentos ligados à mesma investigação e questionou a manutenção de uma abertura fragmentada dos autos.


Mais documentos podem revelar novas frentes do Caso Master


A primeira leva aberta pelo STF já expôs investigações que ultrapassam o núcleo originalmente conhecido das suspeitas envolvendo o Banco Master.


Os documentos mostram apurações sobre vazamento de informações do Banco Central, núcleos identificados pela PF como “A Turma” e “Os Meninos”, contratação de influenciadores, operações com fundos, relações com autoridades e diferentes estruturas usadas por Daniel Vorcaro e seus interlocutores.


A ordem desta sexta amplia o universo documental disponível.


A diferença agora é que a referência deixa de ser a lista escolhida na primeira abertura e passa a ser o conjunto de peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, descontadas as diligências que ainda dependem de reserva.


Para O estopim, a nova abertura permitirá comparar documentos, datas, decisões, relatórios policiais e movimentações processuais que até esta sexta permaneciam fora do acesso público.


Impacto institucional


A decisão também reforça a atuação de Fachin na condução da crise aberta dentro do Supremo.


Desde o início da semana, o presidente da Corte passou a centralizar decisões envolvendo ministros, suspendeu determinações conflitantes e convocou uma sessão extraordinária para que o plenário enfrente coletivamente a disputa.


A abertura ampla dos autos acrescenta outro elemento a essa estratégia: os ministros terão acesso ao mesmo conjunto documental antes de analisar o caso.


A medida atende à cobrança da PGR por uniformidade e responde diretamente às críticas de Moraes de que documentos estavam sendo liberados de forma seletiva.


O que acontece agora


André Mendonça tem até sábado (12) para cumprir a determinação e providenciar o levantamento do sigilo das peças e procedimentos vinculados à PET 15.556.


Diligências em andamento ou futuras poderão permanecer protegidas quando a publicidade comprometer sua execução.


Os documentos também deverão ser encaminhados à Presidência do STF e aos gabinetes dos ministros.


Na terça (15), às 10h, o Supremo realizará a sessão extraordinária convocada por Fachin para analisar a crise relacionada ao relatório da Polícia Federal e seus desdobramentos.


O estopim acompanhará a liberação dos novos documentos e fará a leitura das peças à medida que forem disponibilizadas no sistema do Supremo.


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Mateus Ayres é jornalista de O estopim, com atuação em política nacional, internacional e análise de conjuntura. Seu trabalho acompanha as relações entre poder, instituições e justiça social com rigor documental e compromisso com o interesse público.

Escolhido em 5 de agosto, deputado nega acusação sexual


Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

7 de agosto de 2026

Alfredo Gaspar, escolhido como vice de Flávio Bolsonaro, durante anúncio em Brasília.
Alfredo Gaspar, escolhido como vice de Flávio Bolsonaro, durante anúncio em Brasília. | Foto: Vittor Sales

A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro levou para o centro da eleição presidencial de 2026 uma acusação criminal grave ainda sem conclusão. Anunciado por Flávio em 5 de agosto, Gaspar é alvo de diligências relacionadas a uma notícia de fato que pede apuração de suposto estupro de vulnerável contra uma menina que teria 13 anos à época dos fatos. Ele nega a acusação. A Procuradoria-Geral da República pediu novas diligências à Polícia Federal, enquanto a abertura formal de inquérito ainda depende de decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.


A escolha ocorre antes do encerramento formal da fase de registro das candidaturas. Pela legislação eleitoral, partidos e coligações têm até as 19h de 15 de agosto para protocolar no Tribunal Superior Eleitoral os pedidos de registro das chapas à Presidência e à Vice-Presidência. Portanto, Gaspar foi escolhido e anunciado como vice, mas a formalização eleitoral ainda passa pelo procedimento no TSE.


O que a notícia de fato contra Alfredo Gaspar realmente diz


A peça foi apresentada à Polícia Federal em 27 de março pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke. O documento é dirigido ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e pede tramitação sob sigilo, preservação de provas e proteção das pessoas envolvidas.


Segundo o texto, os parlamentares afirmam ter recebido informações, registros documentais e conversas que indicariam, em tese, relação sexual com uma menina de 13 anos. A narrativa sustenta ainda que da suposta violência teria resultado uma gravidez e, posteriormente, o nascimento de uma criança. Os nomes foram omitidos da parte pública por envolver dados sensíveis.


A notícia de fato também apresenta uma segunda acusação, ligada a uma possível tentativa de impedir que o episódio chegasse às autoridades. De acordo com a peça, um intermediário teria participado de tratativas que mencionavam R$ 70 mil supostamente já pagos e novas negociações no valor de R$ 400 mil. Os autores pediram rastreamento da origem, do destino e da forma de transferência desses recursos.


Alfredo Gaspar nega a acusação desde que ela veio a público. Sua defesa afirmou que os fatos apresentados por ele aos jornalistas envolveriam um primo e divulgou o relato de uma mulher adulta que disse não ser filha biológica do deputado. Segundo ela, seu pai seria Maurício Breda, primo de Gaspar, relação que teria sido confirmada por exame de DNA realizado anos atrás.


A controvérsia, contudo, não terminou com essa apresentação. Lindbergh Farias e Soraya Thronicke sustentaram que o episódio apresentado pela defesa seria diferente daquele informado à Polícia Federal, inclusive por divergências de cronologia. Reportagem publicada em março registrou que as versões mencionavam datas distintas.


Em 23 de abril, Gaspar realizou coleta de material genético na Perícia Oficial de Alagoas. Ele declarou que o objetivo era permitir a produção antecipada de prova e afastar a acusação.


Nesta sexta-feira, 7 de agosto, a defesa voltou a cobrar celeridade das autoridades para que seja realizado o confronto genético oficial. Até a publicação desta reportagem, não havia resultado público dessa comparação capaz de encerrar a controvérsia.


A denúncia sexual chegou ao debate público em 27 de março, no ambiente já altamente conflagrado da CPMI do INSS, da qual Alfredo Gaspar era relator.


No dia seguinte, o relatório produzido por ele, com cerca de 4 mil páginas e pedidos de indiciamento de mais de 200 pessoas, foi rejeitado por 19 votos a 12. A comissão terminou sem relatório final aprovado.


A coincidência entre o encerramento da CPMI e a apresentação da notícia de fato alimentou acusações políticas dos dois lados. Gaspar afirmou ser vítima de uma ofensiva para desmoralizá-lo. Seus acusadores sustentaram que a gravidade do material exigia intervenção imediata da Polícia Federal.


Ao anunciar Alfredo Gaspar como candidato a vice, Flávio Bolsonaro transformou uma controvérsia até então concentrada no Congresso e no STF em tema da eleição presidencial.


Gaspar não é mais apenas um deputado discutindo acusações com adversários em uma comissão parlamentar. Ele foi escolhido para integrar uma chapa que disputa a Presidência da República.


A Reuters registrou que a escolha ocorreu num cenário de dificuldades do PL em ampliar alianças nacionais e depois de Flávio ter discutido outros perfis para a vice. A chapa anunciada permanece integralmente dentro do PL.


O que acontece agora?


A Polícia Federal deve cumprir as novas diligências solicitadas pela PGR no caso da acusação por estupro de vulnerável. Depois disso, o material poderá subsidiar a decisão do ministro Gilmar Mendes sobre a abertura formal de investigação no STF. A defesa de Gaspar pressiona pela realização rápida do confronto de DNA.


Na esfera eleitoral, o PL tem até 15 de agosto, às 19h, para formalizar no TSE o pedido de registro da chapa presidencial.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do portal O estopim. Atua na produção de conteúdo jornalístico com foco em apuração, análise documental e interesse público.

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