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Tarifa extra de 25% do do novo tarifaço de Trump atinge setores industriais e o açúcar; governo prepara crédito, novos mercados e reação na OMC.


Por Raul Silva para O estopim | 22 de julho de 2026



Governo anuncia medidas contra impacto do tarifaço de Trump sobre exportações brasileiras
Governo anuncia medidas contra impacto do tarifaço de Trump sobre exportações brasileiras | Foto: Reprodução/Diário do Comércio

A tarifa adicional de 25% imposta pelo governo Donald Trump a uma parcela dos produtos brasileiros passou a valer nesta quarta (22). Para conter os efeitos sobre exportadores, produção e empregos, o governo federal anunciou que pretende reforçar o Plano Brasil Soberano, abrir linhas de crédito, buscar novos mercados e contestar a medida nos canais comerciais e jurídicos disponíveis.


A nova cobrança não atinge toda a pauta exportadora. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, cerca de 2,4 mil empresas são diretamente afetadas. Elas respondem por aproximadamente 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, usando os dados de 2024 como referência.


O desafio do governo será impedir que a perda de competitividade no mercado norte-americano provoque cancelamento de encomendas, redução da produção e demissões, especialmente em municípios dependentes de poucas indústrias ou cadeias agrícolas.


A tarifa foi adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação norte-americana. O governo Trump acusa o Brasil de manter práticas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos em áreas como pagamentos digitais, etanol, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento.


O governo brasileiro rejeita essas acusações. Em resposta oficial, afirmou que manteve mais de 30 reuniões com representantes dos Estados Unidos desde julho de 2025 e lembrou que os norte-americanos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.


Do total exportado pelo Brasil aos Estados Unidos, 57% continua sem tarifas adicionais. Outros 24% já está submetido a medidas setoriais, principalmente nos segmentos de aço, alumínio e automóveis. A nova tarifa de 25% incide sobre os 18% restantes calculados pela Secex.


Entre os setores mais atingidos estão madeira, móveis, máquinas, equipamentos elétricos, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Café, carnes, óleos e produtos ligados à aviação aparecem entre os grupos preservados da nova cobrança, embora possam existir diferenças conforme a classificação específica de cada mercadoria.


Reforço do Plano Brasil Soberano


O governo informou que prepara uma ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, criado para apoiar exportadores e fornecedores atingidos por barreiras comerciais e instabilidades internacionais.


A resposta específica ao novo tarifaço ainda não tem valor, calendário ou critérios finais divulgados. Isso significa que empresas não devem tratar o anúncio como crédito já aprovado ou dinheiro imediatamente disponível.


A estrutura retomada em 2026 recebeu orçamento de R$ 15 bilhões e prevê financiamentos para capital de giro, produção destinada à exportação, compra de máquinas e investimentos produtivos. A elegibilidade atual alcança, em determinadas modalidades, exportadores e fornecedores que tiveram pelo menos 1% do faturamento relacionado às operações afetadas.


Nesta quarta (22), a Lei nº 15.473 converteu a medida provisória que sustentava o programa e autorizou linhas de financiamento do Brasil Soberano para enfrentar impactos provocados por instabilidade geopolítica e pelo aumento de tarifas comerciais.


Crédito para capital de giro e investimentos


O crédito deverá ajudar empresas a pagar fornecedores, salários e despesas operacionais enquanto procuram outros compradores. Também poderá financiar adaptações de produtos, máquinas e processos.


Esse apoio reduz o risco de falta imediata de caixa, mas não substitui a receita perdida. Financiamento é dívida e precisa ser pago. Por isso, juros, prazo, carência, garantias exigidas e capacidade real de pagamento precisam ser avaliados antes da contratação.


Há ainda um ponto crítico: a versão de 2026 do programa Brasil Soberano não exige compromisso de manutenção de empregos, diferentemente da etapa emergencial lançada em 2025. A ausência dessa contrapartida exige fiscalização sobre quem recebe recursos públicos e quais resultados entrega.


Busca de novos mercados


A ApexBrasil e o BNDES deverão intensificar o apoio à diversificação dos destinos das exportações. A ideia é encontrar compradores em outros países para produtos que podem perder espaço nos Estados Unidos.


O governo informou que 74% das empresas atingidas já vendem para outros mercados. Essa experiência ajuda, mas não elimina o problema. Mudar o destino de uma exportação pode exigir certificação, adaptação de embalagem, novas rotas logísticas, negociação de preços e contratos que demoram meses para ser concluídos.


Contestação na OMC


O Brasil pretende retomar o questionamento das tarifas no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio, a OMC. O argumento brasileiro é que a medida é unilateral e não encontra respaldo nas regras multilaterais.


A abertura de uma disputa, porém, não suspende automaticamente a tarifa. Processos comerciais internacionais podem ser demorados e dependem do funcionamento das instâncias de solução de controvérsias.


Lei da Reciprocidade Econômica


O governo também iniciou os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica. Essa legislação permite responder a medidas comerciais que prejudiquem produtos e empresas brasileiras.


A abertura do procedimento não significa que o Brasil aplicará imediatamente uma tarifa de 25% sobre todos os produtos norte-americanos. A resposta ainda deverá ser avaliada conforme os setores envolvidos, os impactos sobre consumidores e empresas brasileiras e o risco de agravamento do conflito.


Uma retaliação mal calibrada pode encarecer máquinas, medicamentos, insumos industriais ou componentes importados dos Estados Unidos. Por isso, a reciprocidade precisa atingir interesses estratégicos sem transferir a maior parte do custo para trabalhadores e famílias.


Continuidade das negociações


O governo brasileiro afirma que continuará negociando com o USTR e outras autoridades norte-americanas. Os Estados Unidos também declararam que permanecem abertos a novas conversas, apesar da entrada em vigor da tarifa.


A negociação pode resultar na exclusão de produtos, na redução de alíquotas ou em entendimentos setoriais. Até que isso aconteça, as empresas precisam trabalhar com a tarifa em vigor.


A tarifa é cobrada quando o produto brasileiro entra nos Estados Unidos. O custo inicial recai sobre o importador norte-americano, mas pode ser dividido ao longo da cadeia.


O comprador pode aceitar pagar mais, repassar o aumento ao consumidor dos Estados Unidos, trocar de fornecedor ou pressionar a empresa brasileira a reduzir seu preço. É nessa negociação que o impacto chega aos trabalhadores daqui.


Quando a empresa exportadora aceita receber menos, sua margem diminui. Ela pode adiar investimentos, reduzir turnos, contratar menos ou cortar postos de trabalho. Em cadeias agrícolas, a pressão também pode chegar ao preço pago ao produtor.


Parte da mercadoria que deixa de ser exportada pode ser direcionada ao mercado brasileiro. Em alguns casos, isso aumenta a oferta interna e reduz preços. Em outros, o produto não encontra comprador com facilidade porque foi fabricado sob especificações próprias do mercado externo.


Setores norte-americanos que concorrem com produtos brasileiros recebem proteção temporária. Em contrapartida, indústrias e consumidores dos Estados Unidos que dependem de insumos importados podem pagar mais.


No Brasil, perdem principalmente exportadores concentrados no mercado norte-americano, fornecedores dessas empresas e trabalhadores de municípios dependentes dessas atividades.


Bancos e grandes empresas podem acessar crédito com maior facilidade. Micro e pequenos negócios, por outro lado, enfrentam mais dificuldade para oferecer garantias, organizar documentação e suportar meses de negociação até conquistar outro mercado.


Por isso, o governo precisa divulgar quanto do crédito chegará às empresas menores, quais setores serão priorizados e quais compromissos sociais acompanharão o apoio.


No Nordeste, cadeias como açúcar, calçados, cerâmica, máquinas e equipamentos estão entre as atividades que podem sentir a nova cobrança. A exposição varia conforme o produto e o código utilizado no comércio exterior.


Em 2024, Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco concentraram cerca de US$ 2,5 bilhões das exportações nordestinas destinadas aos Estados Unidos, segundo levantamento da Sudene. O estudo foi produzido durante o tarifaço de 2025 e serve como contexto sobre a dependência regional, embora a lista de mercadorias atingidas agora seja diferente.


Em Pernambuco, o setor sucroalcooleiro merece acompanhamento porque o açúcar aparece entre os segmentos atingidos. Indústrias, fornecedores, transportadores e municípios da Zona da Mata podem sentir efeitos indiretos caso as vendas externas recuem.


Frutas, pescados e outros produtos precisam ser avaliados individualmente. A lista de exceções contém diferentes classificações de uma mesma cadeia. No pescado, por exemplo, determinadas apresentações de tilápia e lagosta foram isentas, enquanto outras permanecem taxadas.


  • O primeiro risco é anunciar apoio sem execução rápida. Empresas com encomendas canceladas precisam de previsibilidade sobre prazos, juros e acesso ao crédito.

  • O segundo é substituir política industrial por endividamento. Crédito pode preservar liquidez, mas não resolve sozinho a dependência de poucos compradores.

  • O terceiro é usar dinheiro público sem contrapartidas. Linhas subsidiadas precisam ter transparência, critérios objetivos e acompanhamento de empregos, investimentos e manutenção da produção.

  • O quarto é responder com tarifas que prejudiquem o próprio país. A reciprocidade deve considerar a dependência brasileira de máquinas, tecnologias, medicamentos e componentes vindos dos Estados Unidos.


A tarifa de 25% já está em vigor. O governo deverá ouvir os setores atingidos e detalhar a nova etapa de apoio financeiro, incluindo recursos, critérios e prazos.


O BNDES precisará atualizar as orientações operacionais após a conversão da medida provisória em lei. As empresas devem acompanhar apenas os canais oficiais do banco, do MDIC e das instituições financeiras credenciadas.


O Brasil também deverá formalizar a contestação na OMC e decidir como avançará com a Lei da Reciprocidade. Paralelamente, as negociações com os Estados Unidos continuam.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na apuração de política, fiscalização pública, direitos sociais e enfrentamento à desinformação.


Comentário político atribui “absolutamente nada” à senadora, chama Transnordestina de cancelada e cria relação eleitoral sem apresentar provas. Dados oficiais contradizem o discurso.


Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

23 de julho de 2026



Senadora Teresa Leitão durante atividade no Senado Federal
Senadora Teresa Leitão durante atividade no Senado Federal | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Um vídeo do intitulado Portal de Notícias Mega TV Arcoverde, apresentado como resposta política à senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, reúne erros objetivos, conclusões sem prova e ataques pessoais em pouco mais de dois minutos. O conteúdo começa errando até a duração do mandato de um senador, ignora leis relatadas pela parlamentar, apaga investimentos federais realizados em Pernambuco, simplifica a história da Transposição do São Francisco e afirma que a Transnordestina foi cancelada quando órgãos federais registram justamente a retomada das obras.


A gravação também sustenta que Teresa Leitão “só se elegeu” graças ao deputado federal bolsonarista André Ferreira. A afirmação não vem acompanhada de pesquisa, levantamento eleitoral, declaração pública de apoio ou demonstração matemática de causalidade.


O que aparece no vídeo não é uma apuração sobre o mandato ou sobre a atuação de Teresa Leitão. É uma opinião política construída sobre afirmações factuais que poderiam ter sido verificadas em poucos minutos nos portais do Senado, do Tribunal Superior Eleitoral, do Governo Federal, da Agência Nacional de Transportes Terrestres e do Tribunal de Contas da União.


A crítica política é legítima. Inventar uma realidade paralela para sustentá-la não é.


O primeiro erro: senadora não tem mandato de quatro anos


O apresentador começa descrevendo Teresa Leitão como uma: “senadora da República com mandato de quatro anos”.


Está errado.


O artigo 46 da Constituição determina que cada estado e o Distrito Federal elegem três senadores, com mandato de oito anos. Teresa Leitão foi eleita em outubro de 2022 e tomou posse em fevereiro de 2023 para o período de 2023 a 2031. Portanto, em julho de 2026, ela ainda não completou quatro anos de exercício no Senado.


Não se trata de uma divergência ideológica. É uma informação constitucional elementar.

Quando um comunicador se propõe a avaliar a produtividade de um mandato, mas não verifica sequer quanto tempo esse mandato dura, ele compromete a credibilidade de toda a conclusão apresentada depois.


“Absolutamente nada” é falso diante dos registros legislativos


O vídeo pergunta o que Teresa Leitão fez por Pernambuco e responde: “absolutamente nada”.


A frase é insustentável.


Ela poderia expressar uma avaliação subjetiva, como dizer que o desempenho foi insuficiente ou que determinadas prioridades não atenderam às expectativas do comentarista. Mas o emprego de “absolutamente nada” transforma a opinião em afirmação factual absoluta.


E os registros oficiais mostram trabalho legislativo concreto.


  1. Lei de prevenção ao assédio sexual


    Teresa Leitão foi relatora no Senado da medida provisória que originou a Lei 14.540, de 3 de abril de 2023. A norma criou o Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual, à Violência Sexual e aos demais crimes contra a dignidade sexual no âmbito da administração pública.


    A lei alcança órgãos e entidades das administrações públicas federal, estadual, distrital e municipal. O texto estabelece ações de prevenção, capacitação, identificação de casos, proteção às vítimas e responsabilização. A atuação da relatora contribuiu para ampliar o alcance da proposta que havia chegado ao Congresso.


    É possível discordar da lei. Não é possível dizer que a parlamentar não produziu nada.


  2. Lei da igualdade salarial


    A senadora também co-relatou o Projeto de Lei 1.085/2023 nas comissões de Assuntos Econômicos e de Assuntos Sociais. O projeto foi convertido na Lei 14.611, de 3 de julho de 2023, que reforçou a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens.


    A legislação obriga empresas com cem ou mais empregados a publicar relatórios de transparência salarial. Também prevê medidas de fiscalização e multa administrativa de até 3% da folha de salários, limitada a cem salários mínimos, quando houver descumprimento da obrigação de transparência.


    A lei tem alcance nacional, inclusive sobre empresas instaladas em Pernambuco e sobre trabalhadores pernambucanos. Alegar que isso equivale a “nada” exige ignorar deliberadamente o registro legislativo.


  3. Projetos sobre proteção de crianças e educação digital


    Teresa Leitão relatou na Comissão de Educação o PL 5.016/2019, que inclui a identificação de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes na formação dos profissionais da educação e entre os princípios de atuação do Sistema Único de Saúde. O relatório foi aprovado na comissão.


    Ela também apresentou o PL 1.010/2025, que propõe a inclusão da educação midiática e digital nas escolas. O projeto busca preparar crianças e adolescentes para reconhecer desinformação, discurso de ódio, riscos das redes sociais e conteúdos manipulativos.


    Uma análise séria pode questionar o impacto, a execução ou a prioridade dessas propostas. O que não pode fazer é afirmar que elas não existem.


  4. Presidência da Comissão de Educação


    Em fevereiro de 2025, Teresa Leitão foi eleita por aclamação presidente da Comissão de Educação e Cultura do Senado para o biênio 2025 e 2026. A comissão examina projetos relativos à educação, cultura, patrimônio histórico, comunicação social, esporte e formação profissional.


    Em 2026, ela relatou o novo Plano Nacional de Educação, projeto responsável por estabelecer metas e diretrizes nacionais para a década seguinte. O texto passou pela Comissão de Educação e pelo Plenário do Senado.


    Novamente, o mérito político pode ser debatido. A inexistência da atuação, não.


O vídeo confunde funções de senadora e presidente da República


Outro problema estrutural da fala é cobrar de Teresa Leitão a execução direta de obras federais.


Senadores não comandam ministérios, não licitam ferrovias, não executam trechos rodoviários nem administram canteiros de obras. As funções constitucionais de um senador envolvem legislar, fiscalizar o Executivo, deliberar sobre o orçamento, participar de comissões, aprovar autoridades e representar o estado no Congresso.


A execução de uma ferrovia ou de uma obra hídrica cabe ao Poder Executivo e aos órgãos, empresas e concessionárias responsáveis.


Isso não impede que um senador seja cobrado por articulação política, emendas, fiscalização e defesa de interesses estaduais. Mas atribuir a um parlamentar a responsabilidade operacional por obras de décadas diferentes é uma distorção institucional.


“O PT não fez nada por Pernambuco” é uma generalização incompatível com os números


O vídeo amplia o ataque e afirma que nem Teresa Leitão nem o PT fizeram algo por Pernambuco.


Os números oficiais não sustentam essa frase.


Em 2024, o Governo Federal informou investimento de R$ 670,2 milhões em infraestrutura de transportes em Pernambuco, alta de 207% em comparação com 2022. Os recursos abrangiam intervenções rodoviárias e ferroviárias vinculadas ao Novo PAC.


Em março de 2024, Pernambuco teve 478 obras e equipamentos selecionados em uma etapa do Novo PAC Seleções. A carteira incluía projetos de saúde, educação, infraestrutura social, urbanização, mobilidade e abastecimento de água.


Também houve previsão de R$ 637 milhões para infraestrutura rodoviária e ferroviária em 2023, segundo o Ministério dos Transportes, valor informado como aproximadamente três vezes superior ao aplicado em 2022.


Esses valores são dados do Executivo e devem ser acompanhados quanto à execução física e financeira. Anunciar recurso não significa automaticamente concluir uma obra. Essa ressalva é indispensável.


Mas uma coisa é fiscalizar se o dinheiro foi efetivamente aplicado. Outra é afirmar que nenhum investimento existiu.


A Transposição do São Francisco não está simplesmente “inacabada”


O vídeo apresenta a Transposição do Rio São Francisco como uma obra parada há mais de 20 anos e como prova de que o PT nada entregou.


A história é mais complexa.


O Projeto de Integração do Rio São Francisco possui 477 quilômetros de extensão, dois eixos estruturantes e ramais associados. O sistema foi planejado para atender cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.


As obras começaram em 2007, durante o segundo governo Lula, e atravessaram as administrações Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e o terceiro governo Lula. Diversas estruturas foram entregues e passaram a operar em momentos diferentes. Ao mesmo tempo, permaneceram intervenções complementares, ramais, sistemas de distribuição, manutenção e ampliação da capacidade de bombeamento.


Portanto, não é correto tratar todo o projeto como se nada tivesse sido entregue. Também seria incorreto declarar que todo o sistema está definitivamente concluído e sem pendências.


Documento executivo do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional indicava orçamento total de aproximadamente R$ 13,68 bilhões para os eixos estruturantes do projeto.


Em 2025, o Governo Federal anunciou ordem de serviço de R$ 491,3 milhões para duplicar a capacidade de bombeamento do Eixo Norte. A intervenção inclui estações situadas em Cabrobó, Terra Nova e Salgueiro, em Pernambuco.


A crítica correta seria perguntar por que a obra demorou tanto, quanto custaram os aditivos, quais governos atrasaram etapas, quais estruturas precisam de manutenção e por que a água ainda não chega igualmente a todas as comunidades.


O vídeo não faz nenhuma dessas perguntas. Ele reduz um projeto multigovernamental a um slogan partidário.


Transnordestina não foi cancelada como afirma o apresentador


A alegação mais objetivamente contradita pelos documentos é a de que a Transnordestina “foi cancelada” por irregularidades na execução do Governo Federal.


A ferrovia teve graves atrasos, mudanças contratuais, problemas de financiamento, fiscalizações do TCU e reestruturações no modelo de concessão. O trecho pernambucano entre Salgueiro e Suape chegou a ser retirado do projeto privado conduzido pela concessionária, o que alimentou a percepção de abandono.


Isso não significa, porém, que a ferrovia inteira tenha sido cancelada.


Em abril de 2025, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional anunciou que o Governo Federal preparava editais para retomar a construção do ramal pernambucano entre Salgueiro e Suape. A primeira etapa abrangia os lotes entre Custódia e Arcoverde, com 73 quilômetros, e entre Cachoeirinha e Belém de Maria, com 53 quilômetros.


Em novembro de 2025, ANTT, Ministério dos Transportes e Infra S.A. anunciaram edital para a conclusão de 73 quilômetros em Pernambuco, com investimento informado de R$ 415 milhões e estimativa de cerca de seis mil empregos.


A própria ANTT continuou deliberando sobre operações e contratos ligados ao sistema ferroviário. Isso é incompatível com a afirmação de cancelamento integral e definitivo.


O fato correto é: a Transnordestina enfrentou irregularidades, atrasos, revisão contratual e exclusão anterior do trecho pernambucano do projeto privado. Depois, o Governo Federal anunciou a retomada desse trecho sob outra modelagem.


Dizer apenas que “foi cancelada” apaga a parte decisiva da informação.


Irregularidades não são sinônimo automático de responsabilidade pessoal do governo atual


O apresentador atribui supostas irregularidades “na execução do governo federal” sem indicar contrato, processo, acórdão, período ou agente responsável.


Essa formulação produz uma acusação ampla, mas impossível de examinar nos termos apresentados.


A Transnordestina começou a ser estruturada há cerca de duas décadas. Passou por diferentes governos, contratos, financiamentos, concessionárias, diretorias de agências reguladoras e decisões do TCU. Para atribuir uma irregularidade específica a um governo, seria necessário informar:


  1. o número do processo;

  2. o contrato fiscalizado;

  3. o período da irregularidade;

  4. o órgão responsável;

  5. a decisão do TCU ou da Justiça;

  6. quem foi responsabilizado;

  7. se a decisão é definitiva ou ainda admite recurso.


O vídeo não fornece nenhum desses elementos.


Usar genericamente a palavra “irregularidade” não prova ilícito cometido por uma autoridade determinada. Tampouco significa, por si só, que uma obra tenha sido judicialmente cancelada.


A eleição de Teresa Leitão não foi decidida por André Ferreira


O vídeo afirma que Teresa Leitão “só chegou ao poder” e “só se elegeu” com a ajuda de André Ferreira, deputado federal do PL e aliado de Jair Bolsonaro.


Não há prova apresentada para essa causalidade.


Teresa Leitão foi eleita para o Senado em 2022 com 2.061.276 votos, equivalentes a 46,12% dos votos válidos. Ela integrou a Frente Popular de Pernambuco, coligação formada por PSB, Federação Brasil da Esperança, MDB, Republicanos, PDT e PP.


André Ferreira concorria a deputado federal pelo PL. Seu grupo político apoiava a chapa formada por Anderson Ferreira ao governo de Pernambuco e Gilson Machado ao Senado, ambos identificados com Jair Bolsonaro. Gilson Machado era, portanto, adversário direto de Teresa Leitão na disputa senatorial.


Para comprovar que André Ferreira foi cabo eleitoral decisivo de Teresa seria necessário apresentar ao menos uma declaração pública de apoio, material de campanha, pedido explícito de voto ou estudo eleitoral que relacionasse os votos de ambos.


A fala não apresenta nada disso.


Mesmo que eleitores de André Ferreira tenham votado em Teresa, algo possível porque o voto é individual e secreto, isso não transforma o deputado em cabo eleitoral da candidata petista.


Correlação eleitoral não é apoio político. Coincidência territorial de votos não é causalidade.


Candidato não aceita nem rejeita votos individuais


O apresentador desafia a senadora a dizer se “rejeitou o apoio nem os votos” de André Ferreira.


A formulação não tem sentido no sistema eleitoral brasileiro.


O voto é secreto. Um candidato não sabe quem votou nele e não tem poder jurídico para anular votos recebidos de eleitores de outro partido. Não existe procedimento pelo qual uma candidata ao Senado possa “rejeitar” votos porque vieram de bolsonaristas, petistas, socialistas ou conservadores.


A única questão verificável seria a existência de apoio político formal ou público. Isso exige documento ou declaração. O vídeo não oferece qualquer evidência.


“Bolsonaro é muito melhor” é opinião, não notícia


A frase final, segundo a qual Jair Bolsonaro seria “com certeza muito melhor” do que Teresa Leitão, não pode ser classificada como verdadeira ou falsa em termos objetivos.


É uma opinião política.


O erro editorial está em misturar essa opinião com informações verificáveis incorretas e apresentá-las no mesmo fluxo, sem separar comentário, fato e acusação.


Um veículo pode assumir linha editorial conservadora, liberal, socialista, petista ou bolsonarista. O que não pode fazer, sem abandonar o método jornalístico, é substituir documentos por certezas pessoais e informações públicas por ataques.


O impacto da desinformação em período eleitoral


Em ano eleitoral, conteúdos desse tipo não ficam restritos à disputa entre duas personalidades políticas. Eles interferem na capacidade do eleitor de avaliar mandatos, partidos e políticas públicas.


Quando uma opinião é apresentada como fato, o cidadão pode tomar decisões com base em informações inexistentes. Quando uma obra retomada é chamada de cancelada, o debate deixa de ser sobre prazo, custo e eficiência e passa a girar em torno de uma falsidade. Quando a produção legislativa é apagada, torna-se impossível discutir a qualidade real do mandato.


A desinformação política também corrói a confiança social no jornalismo. O público passa a encontrar ataques onde deveria haver verificação, torcida onde deveria haver contexto e certezas pessoais onde deveriam existir documentos.


Os princípios jornalísticos de O estopim estabelecem que controvérsias devem ser tratadas com apuração, evidências e contraditório, sem confundir liberdade de expressão com ausência de responsabilidade editorial.


O Manual de Jornalismo da EBC também coloca verdade, precisão, pluralidade e interesse público entre os fundamentos da atividade jornalística.


E materiais de combate à desinformação destacam que informação responsável exige apuração, reflexão, síntese e verificação das alegações antes da publicação.


O que uma cobertura responsável deveria ter feito


Antes de gravar o vídeo, o veículo deveria ter consultado o perfil oficial da senadora, suas matérias legislativas, relatórios, relatorias, emendas e participação em comissões.


Também deveria ter acessado os dados da eleição de 2022, solicitado ao apresentador a prova do suposto apoio de André Ferreira, verificado os atos da ANTT e do Governo Federal sobre a Transnordestina e procurado a assessoria de Teresa Leitão para manifestação.


Nada disso aparece no vídeo.


O resultado não é uma fiscalização rigorosa do mandato. É uma peça de ataque político com erros que poderiam ter sido evitados por uma consulta básica às fontes oficiais.


Ser duro com agentes públicos faz parte do jornalismo. Ser impreciso, não.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na apuração de política, fiscalização pública, direitos sociais e enfrentamento à desinformação.


FACT-CHECKING de O estopim para esta matéria


Afirmação do vídeo

O que mostram os documentos

Classificação

Teresa tem mandato de quatro anos

O mandato constitucional de senador é de oito anos, de 2023 a 2031

Falsa

“Não fez absolutamente nada”

Há relatorias, projetos, leis e participação em comissões registradas pelo Senado

Falsa como afirmação absoluta

O PT não fez nada por Pernambuco

Há investimentos e obras federais documentados

Falsa como afirmação absoluta

A Transposição está simplesmente inacabada

Eixos operam, mas há ramais, manutenção e ampliação pendentes

Enganosa por falta de contexto

A Transnordestina foi cancelada

O trecho pernambucano teve retomada e editais anunciados

Falsa ou desatualizada

A Justiça embarga constantemente as obras

Nenhum processo ou decisão é identificado

Sem comprovação

Teresa só se elegeu graças a André Ferreira

Não foi apresentada prova de apoio nem relação causal

Sem comprovação

Ela deveria rejeitar votos bolsonaristas

Candidatos não identificam nem rejeitam votos individuais

Retórica sem fundamento eleitoral

Bolsonaro é melhor do que Teresa

Juízo político subjetivo

Opinião


FONTES:


1. Duração do mandato de senador



Versão específica do texto constitucional:


Fonte oficial: Presidência da República.


2. Perfil e atividade parlamentar de Teresa Leitão


Perfil oficial da senadora no Senado

Reúne dados pessoais, mandato, filiação, participação em comissões, pronunciamentos, proposições, relatorias e outras atividades legislativas.



Fonte oficial: Senado Federal.


3. Lei 14.540/2023 e prevenção ao assédio sexual


Lei 14.540, de 3 de abril de 2023


Institui o Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual, à Violência Sexual e aos crimes contra a dignidade sexual na administração pública.



Senado informa a sanção e a participação de Teresa Leitão como relatora



Versão da Agência Senado:



Tramitação da MPV 1.140/2022, convertida na Lei 14.540/2023



Essas fontes sustentam que Teresa Leitão atuou como relatora no Senado e que a legislação ampliou mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência sexual na administração pública.


4. Lei da igualdade salarial


Lei 14.611, de 3 de julho de 2023


Dispõe sobre igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens.


Página oficial do PL 1.085/2023 no Senado

Apresenta tramitação, documentos, relatórios e conversão do projeto na Lei 14.611/2023.


PDF com a tramitação integral do projeto


Teresa Leitão fala sobre a lei após atuar como relatora


Senado confirma que Zenaide Maia e Teresa Leitão foram relatoras


A lei determina relatórios de transparência para empresas com cem ou mais empregados.


5. Projeto de educação midiática e digital


PL 1.010/2025

Projeto de autoria de Teresa Leitão que estabelece normas nacionais para educação midiática e digital e enfrentamento à desinformação e aos discursos de ódio.


Texto integral do projeto


Agência Senado explica a proposta


Outra publicação oficial:


Atualização publicada em janeiro de 2026:


As fontes confirmam autoria, conteúdo e objetivo do projeto.


6. Presidência da Comissão de Educação e Cultura


Teresa Leitão é eleita presidente da comissão para 2025 e 2026


Versão da Rádio Senado:


A eleição ocorreu por aclamação e o mandato na presidência abrange o biênio 2025–2026.


7. Novo Plano Nacional de Educação


Prioridades da Comissão de Educação para o novo PNE


Requerimento para realização de audiências públicas sobre o PL 2.614/2024


Essas fontes demonstram atuação de Teresa Leitão na organização dos debates sobre o novo Plano Nacional de Educação.


8. Investimentos federais em transportes em Pernambuco


R$ 670,2 milhões em infraestrutura de transportes em 2024


Segundo o Governo Federal, o montante representava crescimento de 207% em relação a 2022.


9. Novo PAC Seleções em Pernambuco


478 obras e equipamentos selecionados


Página do Ministério da Saúde que também registra a seleção:


10. Projeto de Integração do Rio São Francisco


Página institucional do projeto

Informa 477 quilômetros, 390 municípios e potencial de atendimento a 12 milhões de pessoas em Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.


Sumário executivo de janeiro de 2026


Relatório anual da Agência Pernambucana de Águas e Clima


Página da APAC sobre o percurso do projeto em Pernambuco


Essas fontes sustentam extensão, população potencialmente beneficiada, municípios contemplados e estrutura geral do projeto.


11. Situação operacional da Transposição


Eixos Norte e Leste e atendimento regional


Descrição atualizada da rota das águas


Essas páginas mostram que há estruturas em funcionamento, ao mesmo tempo em que permanecem ramais, ampliações, manutenção e sistemas complementares. Por isso, dizer apenas que a obra está “inacabada” sem explicar o que funciona e o que ainda falta é incompleto.


12. Transnordestina e existência atual do projeto


Página institucional da Ferrovia Transnordestina


A página informa que o empreendimento continua sendo tratado pelo Governo Federal como projeto estruturante e registra aporte de recursos.


13. Retomada do trecho pernambucano da Transnordestina


ANTT, Ministério dos Transportes e Infra S.A. anunciam retomada


A fonte informa:

  • 73 quilômetros de extensão;

  • R$ 415 milhões em investimentos;

  • recursos do Novo PAC;

  • estimativa de seis mil empregos diretos e indiretos;

  • previsão de licitação;

  • prazo estimado de 57 meses após a assinatura contratual.


Isso contradiz a afirmação de que toda a Transnordestina teria sido definitivamente cancelada.


14. Irregularidades e fiscalização do TCU sobre a Transnordestina


TCU analisa contratos da ferrovia


O TCU apontou problemas na cisão da concessão e considerou ilegal a criação de determinados contratos. Isso confirma a existência de irregularidades institucionais e contratuais, mas não comprova a formulação genérica de que “a Justiça cancelou a obra por irregularidades do governo atual”.


Sistema de pesquisa de processos e decisões do TCU


O sistema deve ser usado para localizar acórdão, processo, relator, data e responsabilizações específicas. Sem esses dados, a acusação do vídeo permanece vaga.


15. Situação histórica do trecho Salgueiro–Suape


Demonstrações financeiras da Transnordestina Logística, disponíveis na ANTT


O documento registra que o trecho Salgueiro–Suape tinha 544 quilômetros, avanço global informado de 41% e lotes em diferentes estágios. Também menciona embargo judicial localizado em parte do percurso.


Essa fonte é importante porque mostra que houve embargos e dificuldades específicas.


Ela não autoriza a generalização de que toda a obra sofria “constantemente” embargos ou havia sido integralmente cancelada.


16. Votação de Teresa Leitão em 2022


Agência Senado sobre a eleição


A publicação registra que Teresa Leitão foi eleita com 2.061.276 votos, equivalentes a 46,12% dos votos válidos.


Confirmação de dados disponível no sistema oficial do TSE:


A busca deve ser configurada para:

  • Eleições Gerais de 2022;

  • Pernambuco;

  • cargo de senador.


O dado eleitoral foi sustentado na matéria pela Agência Senado, que reproduziu o resultado da eleição.


17. Regra da eleição para o Senado


Lei das Eleições, Lei 9.504/1997


Constituição, artigo 46


O senador é eleito pelo princípio majoritário. A eleição decorre dos votos recebidos pelo candidato, e não de uma transferência formal de votos de um candidato a deputado federal.


18. Princípios jornalísticos e dever de verificação


Princípios Jornalísticos do Grupo O estopim


O documento estabelece compromisso com verdade factual, métodos verificáveis, transparência, correção, democracia e separação entre controvérsia legítima e equivalência artificial de fatos.




Vereadora do Recife entra na chapa da federação PT, PCdoB e PV; registro ainda será submetido ao TRE-PE até 15 de agosto.


Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

21 de julho de 2026



Liana Cirne durante convenção da Federação Brasil da Esperança no Recife ao lado da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do senador e candidato a reeleição Humberto Costa (PT-PE) | Foto: Assessoria/Liana Cirne
Liana Cirne durante convenção da Federação Brasil da Esperança no Recife ao lado da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do senador e candidato a reeleição Humberto Costa (PT-PE) | Foto: Assessoria/Liana Cirne

Liana Cirne, do PT, teve candidatura a deputada federal homologada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, nesta segunda (20). A escolha ocorreu durante a convenção estadual realizada no Hotel Jangadeiro, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.


A decisão encerra a etapa interna de escolha do nome pela federação, mas ainda não representa o deferimento definitivo da candidatura pela Justiça Eleitoral. O pedido de registro deverá ser apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, responsável por analisar a documentação e as condições legais para a disputa.


Após a convenção, Liana afirmou que pretende associar sua campanha ao fortalecimento da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso.

“Nossa candidatura à Câmara dos Deputados foi homologada. Estou animada para reforçar o time do presidente Lula em Brasília. Chegou a hora de Pernambuco colocar a força de quem luta contra a extrema-direita lá no Congresso. É uma candidatura que vem da educação, da classe trabalhadora, do campo progressista e que defende de verdade as bandeiras da nossa esquerda. Vamos construir essa vitória juntas e juntos”, declarou.

A manifestação representa o posicionamento político e eleitoral da candidata. A homologação foi confirmada em publicação nas redes de Liana e em informações distribuídas por sua assessoria.


A convenção partidária é a reunião na qual partidos e federações escolhem formalmente as pessoas que pretendem lançar nas eleições. Em 2026, essas reuniões podem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.


Depois da escolha, a federação precisa enviar o pedido de registro à Justiça Eleitoral até as 19h de 15 de agosto. No caso das candidaturas a deputada federal por Pernambuco, a análise cabe ao TRE-PE.


O tribunal verificará filiação partidária, domicílio eleitoral, documentação, condições de elegibilidade e eventuais causas de inelegibilidade. Somente depois desse processo haverá uma decisão judicial sobre o registro.


A propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet poderá começar em 16 de agosto. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro de 2026.


Liana Cirne já disputou uma vaga na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2022, recebeu 57.284 votos, equivalentes a 1,15% dos votos válidos para o cargo em Pernambuco.


Ela não foi eleita, mas ficou na primeira suplência da Federação Brasil da Esperança no estado. O resultado tornou a vereadora um dos nomes considerados pelo PT para uma nova disputa federal.


Dois anos depois, Liana foi reeleita para a Câmara Municipal do Recife com 14.810 votos, ou 1,67% dos votos válidos. Foi a sétima candidata mais votada entre os vereadores eleitos na capital pernambucana.


A comparação entre os dois resultados exige cautela. A eleição para vereadora ocorre apenas dentro do Recife, enquanto a disputa para a Câmara dos Deputados envolve eleitores de todo o estado. O desafio da candidatura será transformar uma base consolidada na capital e na Região Metropolitana em apoio distribuído pelo território pernambucano.


A entrada de Liana na chapa não foi uma decisão de última hora. A parlamentar apresentou publicamente sua pré-candidatura em julho de 2025, durante um evento realizado em Olinda com a presença de dirigentes partidários, parlamentares e representantes de organizações sindicais.


Na ocasião, Liana reconheceu que sua campanha de 2022 havia ficado mais concentrada na Região Metropolitana e indicou que precisaria ampliar a presença em outras regiões do estado. Desde então, participou de agendas com dirigentes e lideranças municipais no Agreste pernambucano.


Esse movimento revela uma das principais linhas da estratégia eleitoral: preservar o eleitorado formado no Recife e buscar novas bases no interior.


A convenção da Federação Brasil da Esperança não tratou apenas das chapas proporcionais. PT, PCdoB e PV também oficializaram o apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco e confirmaram o senador Humberto Costa como candidato à reeleição.


Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente estadual do PT e da federação, deputado federal Carlos Veras, ao lado do presidente estadual do PV, deputado federal Clodoaldo Magalhães, e da dirigente estadual do PCdoB, Thiara Milhomem.


A candidatura de Liana, portanto, integra uma articulação mais ampla para vincular as chapas proporcionais ao projeto nacional do presidente Lula e à aliança construída pela federação na disputa estadual.


Liana Cristina da Costa Cirne Lins é advogada, doutora em Direito, professora da Faculdade de Direito do Recife, vinculada à Universidade Federal de Pernambuco, e vereadora pelo Partido dos Trabalhadores.


A Câmara Municipal confirma que ela exerce mandato pelo PT. A UFPE a relaciona entre as professoras da área de Direito Processual e Prática Jurídica do Centro de Ciências Jurídicas.


Em seu mandato, Liana tem associado sua atuação a temas como direitos humanos, educação pública, direitos das mulheres, proteção das pessoas com deficiência, participação popular e políticas sociais. Essas prioridades também aparecem no discurso apresentado após a convenção.


A homologação acrescenta à chapa da federação uma candidata com votação relevante no Recife, presença digital e vínculos com setores da educação, do funcionalismo público, dos movimentos sociais e do eleitorado progressista urbano.


Isso não significa, isoladamente, que a candidatura esteja próxima de conquistar uma cadeira. A eleição para deputada federal segue o sistema proporcional. O resultado depende dos votos individuais recebidos por cada candidatura e da soma alcançada pelo partido ou pela federação.


Na prática, Liana concorrerá contra candidaturas de outras legendas e também disputará posições dentro da própria chapa da Federação Brasil da Esperança. Seu desempenho estará ligado à capacidade coletiva de PT, PCdoB e PV de atingir os quocientes exigidos para a distribuição das vagas.


A votação de 2022 demonstra que existe uma base eleitoral anterior. A eleição municipal de 2024 indica crescimento no Recife. O ponto ainda em aberto é a capacidade de converter esse capital político em uma votação estadual suficientemente ampla.


Caso seja eleita, Liana deixará a Câmara Municipal do Recife antes do encerramento do mandato iniciado em 2025, permitindo a convocação de suplente conforme as regras aplicáveis ao Legislativo municipal.


No Congresso, sua eventual atuação dependerá da composição das bancadas, das comissões e das negociações legislativas. A candidatura declara como prioridades a educação pública, os direitos humanos, a democracia e os direitos sociais, mas propostas concretas e compromissos legislativos deverão ser avaliados ao longo da campanha.


A confirmação em convenção também amplia o debate sobre a representação feminina na bancada pernambucana. A homologação, entretanto, não permite antecipar o resultado eleitoral nem substitui a análise das propostas que serão apresentadas aos eleitores.


A Federação Brasil da Esperança deverá protocolar o registro de Liana Cirne e dos demais integrantes da chapa até as 19h de 15 de agosto.


Após o protocolo, a Justiça Eleitoral publicará os dados da candidatura e abrirá os prazos legais para impugnações, apresentação de documentos e julgamento do registro.

A campanha eleitoral geral poderá começar em 16 de agosto. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro. Como deputada federal é um cargo eleito pelo sistema proporcional, não existe segundo turno para essa disputa.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim. Cobre política nacional e internacional, análise de conjuntura e as relações entre poder, democracia e justiça social, com rigor documental e compromisso com a apuração.


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