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Tarifa extra de 25% do do novo tarifaço de Trump atinge setores industriais e o açúcar; governo prepara crédito, novos mercados e reação na OMC.


Por Raul Silva para O estopim | 22 de julho de 2026



Governo anuncia medidas contra impacto do tarifaço de Trump sobre exportações brasileiras
Governo anuncia medidas contra impacto do tarifaço de Trump sobre exportações brasileiras | Foto: Reprodução/Diário do Comércio

A tarifa adicional de 25% imposta pelo governo Donald Trump a uma parcela dos produtos brasileiros passou a valer nesta quarta (22). Para conter os efeitos sobre exportadores, produção e empregos, o governo federal anunciou que pretende reforçar o Plano Brasil Soberano, abrir linhas de crédito, buscar novos mercados e contestar a medida nos canais comerciais e jurídicos disponíveis.


A nova cobrança não atinge toda a pauta exportadora. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, cerca de 2,4 mil empresas são diretamente afetadas. Elas respondem por aproximadamente 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, usando os dados de 2024 como referência.


O desafio do governo será impedir que a perda de competitividade no mercado norte-americano provoque cancelamento de encomendas, redução da produção e demissões, especialmente em municípios dependentes de poucas indústrias ou cadeias agrícolas.


A tarifa foi adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da legislação norte-americana. O governo Trump acusa o Brasil de manter práticas prejudiciais aos interesses comerciais dos Estados Unidos em áreas como pagamentos digitais, etanol, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento.


O governo brasileiro rejeita essas acusações. Em resposta oficial, afirmou que manteve mais de 30 reuniões com representantes dos Estados Unidos desde julho de 2025 e lembrou que os norte-americanos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.


Do total exportado pelo Brasil aos Estados Unidos, 57% continua sem tarifas adicionais. Outros 24% já está submetido a medidas setoriais, principalmente nos segmentos de aço, alumínio e automóveis. A nova tarifa de 25% incide sobre os 18% restantes calculados pela Secex.


Entre os setores mais atingidos estão madeira, móveis, máquinas, equipamentos elétricos, produtos cerâmicos, calçados e açúcar. Café, carnes, óleos e produtos ligados à aviação aparecem entre os grupos preservados da nova cobrança, embora possam existir diferenças conforme a classificação específica de cada mercadoria.


Reforço do Plano Brasil Soberano


O governo informou que prepara uma ampliação dos instrumentos do Plano Brasil Soberano, criado para apoiar exportadores e fornecedores atingidos por barreiras comerciais e instabilidades internacionais.


A resposta específica ao novo tarifaço ainda não tem valor, calendário ou critérios finais divulgados. Isso significa que empresas não devem tratar o anúncio como crédito já aprovado ou dinheiro imediatamente disponível.


A estrutura retomada em 2026 recebeu orçamento de R$ 15 bilhões e prevê financiamentos para capital de giro, produção destinada à exportação, compra de máquinas e investimentos produtivos. A elegibilidade atual alcança, em determinadas modalidades, exportadores e fornecedores que tiveram pelo menos 1% do faturamento relacionado às operações afetadas.


Nesta quarta (22), a Lei nº 15.473 converteu a medida provisória que sustentava o programa e autorizou linhas de financiamento do Brasil Soberano para enfrentar impactos provocados por instabilidade geopolítica e pelo aumento de tarifas comerciais.


Crédito para capital de giro e investimentos


O crédito deverá ajudar empresas a pagar fornecedores, salários e despesas operacionais enquanto procuram outros compradores. Também poderá financiar adaptações de produtos, máquinas e processos.


Esse apoio reduz o risco de falta imediata de caixa, mas não substitui a receita perdida. Financiamento é dívida e precisa ser pago. Por isso, juros, prazo, carência, garantias exigidas e capacidade real de pagamento precisam ser avaliados antes da contratação.


Há ainda um ponto crítico: a versão de 2026 do programa Brasil Soberano não exige compromisso de manutenção de empregos, diferentemente da etapa emergencial lançada em 2025. A ausência dessa contrapartida exige fiscalização sobre quem recebe recursos públicos e quais resultados entrega.


Busca de novos mercados


A ApexBrasil e o BNDES deverão intensificar o apoio à diversificação dos destinos das exportações. A ideia é encontrar compradores em outros países para produtos que podem perder espaço nos Estados Unidos.


O governo informou que 74% das empresas atingidas já vendem para outros mercados. Essa experiência ajuda, mas não elimina o problema. Mudar o destino de uma exportação pode exigir certificação, adaptação de embalagem, novas rotas logísticas, negociação de preços e contratos que demoram meses para ser concluídos.


Contestação na OMC


O Brasil pretende retomar o questionamento das tarifas no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio, a OMC. O argumento brasileiro é que a medida é unilateral e não encontra respaldo nas regras multilaterais.


A abertura de uma disputa, porém, não suspende automaticamente a tarifa. Processos comerciais internacionais podem ser demorados e dependem do funcionamento das instâncias de solução de controvérsias.


Lei da Reciprocidade Econômica


O governo também iniciou os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica. Essa legislação permite responder a medidas comerciais que prejudiquem produtos e empresas brasileiras.


A abertura do procedimento não significa que o Brasil aplicará imediatamente uma tarifa de 25% sobre todos os produtos norte-americanos. A resposta ainda deverá ser avaliada conforme os setores envolvidos, os impactos sobre consumidores e empresas brasileiras e o risco de agravamento do conflito.


Uma retaliação mal calibrada pode encarecer máquinas, medicamentos, insumos industriais ou componentes importados dos Estados Unidos. Por isso, a reciprocidade precisa atingir interesses estratégicos sem transferir a maior parte do custo para trabalhadores e famílias.


Continuidade das negociações


O governo brasileiro afirma que continuará negociando com o USTR e outras autoridades norte-americanas. Os Estados Unidos também declararam que permanecem abertos a novas conversas, apesar da entrada em vigor da tarifa.


A negociação pode resultar na exclusão de produtos, na redução de alíquotas ou em entendimentos setoriais. Até que isso aconteça, as empresas precisam trabalhar com a tarifa em vigor.


A tarifa é cobrada quando o produto brasileiro entra nos Estados Unidos. O custo inicial recai sobre o importador norte-americano, mas pode ser dividido ao longo da cadeia.


O comprador pode aceitar pagar mais, repassar o aumento ao consumidor dos Estados Unidos, trocar de fornecedor ou pressionar a empresa brasileira a reduzir seu preço. É nessa negociação que o impacto chega aos trabalhadores daqui.


Quando a empresa exportadora aceita receber menos, sua margem diminui. Ela pode adiar investimentos, reduzir turnos, contratar menos ou cortar postos de trabalho. Em cadeias agrícolas, a pressão também pode chegar ao preço pago ao produtor.


Parte da mercadoria que deixa de ser exportada pode ser direcionada ao mercado brasileiro. Em alguns casos, isso aumenta a oferta interna e reduz preços. Em outros, o produto não encontra comprador com facilidade porque foi fabricado sob especificações próprias do mercado externo.


Setores norte-americanos que concorrem com produtos brasileiros recebem proteção temporária. Em contrapartida, indústrias e consumidores dos Estados Unidos que dependem de insumos importados podem pagar mais.


No Brasil, perdem principalmente exportadores concentrados no mercado norte-americano, fornecedores dessas empresas e trabalhadores de municípios dependentes dessas atividades.


Bancos e grandes empresas podem acessar crédito com maior facilidade. Micro e pequenos negócios, por outro lado, enfrentam mais dificuldade para oferecer garantias, organizar documentação e suportar meses de negociação até conquistar outro mercado.


Por isso, o governo precisa divulgar quanto do crédito chegará às empresas menores, quais setores serão priorizados e quais compromissos sociais acompanharão o apoio.


No Nordeste, cadeias como açúcar, calçados, cerâmica, máquinas e equipamentos estão entre as atividades que podem sentir a nova cobrança. A exposição varia conforme o produto e o código utilizado no comércio exterior.


Em 2024, Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco concentraram cerca de US$ 2,5 bilhões das exportações nordestinas destinadas aos Estados Unidos, segundo levantamento da Sudene. O estudo foi produzido durante o tarifaço de 2025 e serve como contexto sobre a dependência regional, embora a lista de mercadorias atingidas agora seja diferente.


Em Pernambuco, o setor sucroalcooleiro merece acompanhamento porque o açúcar aparece entre os segmentos atingidos. Indústrias, fornecedores, transportadores e municípios da Zona da Mata podem sentir efeitos indiretos caso as vendas externas recuem.


Frutas, pescados e outros produtos precisam ser avaliados individualmente. A lista de exceções contém diferentes classificações de uma mesma cadeia. No pescado, por exemplo, determinadas apresentações de tilápia e lagosta foram isentas, enquanto outras permanecem taxadas.


  • O primeiro risco é anunciar apoio sem execução rápida. Empresas com encomendas canceladas precisam de previsibilidade sobre prazos, juros e acesso ao crédito.

  • O segundo é substituir política industrial por endividamento. Crédito pode preservar liquidez, mas não resolve sozinho a dependência de poucos compradores.

  • O terceiro é usar dinheiro público sem contrapartidas. Linhas subsidiadas precisam ter transparência, critérios objetivos e acompanhamento de empregos, investimentos e manutenção da produção.

  • O quarto é responder com tarifas que prejudiquem o próprio país. A reciprocidade deve considerar a dependência brasileira de máquinas, tecnologias, medicamentos e componentes vindos dos Estados Unidos.


A tarifa de 25% já está em vigor. O governo deverá ouvir os setores atingidos e detalhar a nova etapa de apoio financeiro, incluindo recursos, critérios e prazos.


O BNDES precisará atualizar as orientações operacionais após a conversão da medida provisória em lei. As empresas devem acompanhar apenas os canais oficiais do banco, do MDIC e das instituições financeiras credenciadas.


O Brasil também deverá formalizar a contestação na OMC e decidir como avançará com a Lei da Reciprocidade. Paralelamente, as negociações com os Estados Unidos continuam.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na apuração de política, fiscalização pública, direitos sociais e enfrentamento à desinformação.


Nota do governo Lula atribui peso político aos Bolsonaro, mas documento formal dos EUA apresenta justificativas comerciais mais amplas.


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Nota do governo brasileiro sobre tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil
Nota do governo brasileiro sobre tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos do Brasil | Foto: Raul Silva/Montagem e Design/Agência O estopim+

Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre parte relevante dos produtos brasileiros, com cobrança prevista a partir de 22 de julho. Na reação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva acusou a família Bolsonaro de colaborar com a construção do conflito. O documento oficial norte-americano, porém, fundamenta a medida em disputas comerciais e regulatórias, sem atribuir formalmente a decisão aos Bolsonaro. Essa diferença separa a responsabilidade política da comprovação de uma responsabilidade exclusiva.


A tarifa dos EUA foi adotada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o órgão, a investigação durou um ano e tratou de comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.


A determinação formal estabelece uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista de exceções. Café, carne bovina, laranja, suco de laranja, determinados produtos energéticos, aeronaves e componentes aeroespaciais estão entre os itens poupados. Açúcar, máquinas, vestuário, papel, equipamentos elétricos e produtos siderúrgicos aparecem entre os setores atingidos.


O USTR afirma que foram realizadas negociações com o Brasil, duas audiências públicas e a análise de mais de 360 manifestações. A posição norte-americana é que as conversas não produziram mudanças suficientes nas políticas questionadas. O governo brasileiro contesta essa versão e sustenta que apresentou documentos para rebater as alegações.


As exceções revelam também os limites políticos do tarifaço. Ao poupar mercadorias consideradas importantes para o abastecimento e para os preços internos, Washington reduziu parte do impacto que a própria medida poderia causar aos consumidores e às empresas dos Estados Unidos. O ato norte-americano reconhece expressamente riscos de desabastecimento, aumento de preços e desorganização das cadeias produtivas.


A Secretaria de Comunicação Social da Presidência classifica 15 de julho como um marco negativo nas relações entre os dois países. A nota afirma que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil durante 15 anos.



O governo também declara que, em 2025, 76% das importações brasileiras originárias dos Estados Unidos não pagaram imposto de importação e que a alíquota média efetivamente cobrada foi de 3,1%. Esses números são apresentados pela Presidência e devem ser tratados jornalisticamente como dados alegados pelo governo brasileiro.


A nota rejeita os questionamentos contra o Pix, a regulação das plataformas digitais e as políticas ambientais brasileiras. Também afirma que 63 de 78 intervenções de representantes empresariais nas audiências promovidas pelo USTR foram contrárias à imposição das tarifas.


A parte politicamente mais contundente aparece no encerramento. O governo diz que o resultado da investigação integra um processo construído com a “ativa colaboração da família


A acusação do governo Lula não surge em um vazio histórico.


Em 2025, Donald Trump havia usado uma tarifa anterior de 50% para protestar contra o processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro. Naquele momento, o conflito comercial foi apresentado pela própria Casa Branca como instrumento de pressão política relacionado à situação do ex-presidente brasileiro.


Esse precedente pesa contra a família Bolsonaro. A estratégia de aproximação com o governo Trump, acompanhada de pedidos de sanções e críticas às instituições brasileiras feitas no exterior, criou a percepção de que disputas políticas internas estavam sendo transferidas para Washington.


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O custo político não depende apenas de provar que um integrante da família redigiu ou solicitou a nova tarifa. Ele nasce da associação construída ao longo do tempo entre o bolsonarismo, o governo Trump e o uso de pressões externas contra autoridades e políticas brasileiras.


Nesse sentido, a família Bolsonaro tem uma conta política concreta. Ela decorre da escolha de buscar apoio internacional para pressionar adversários e instituições do próprio país.


A análise muda quando a pergunta deixa de ser política e passa a ser documental.


O ato final do USTR não apresenta Jair, Eduardo, Flávio, Carlos ou outro integrante da família Bolsonaro como fundamento jurídico da tarifa de 25%. A decisão cita políticas comerciais, ambientais, digitais e regulatórias do Estado brasileiro.


Também precisa ser registrado que Flávio Bolsonaro compareceu ao processo público do USTR para se opor à tarifa. Em sua manifestação, defendeu o Pix e afirmou que a taxação prejudicaria produtores e consumidores dos dois países.


A ida a Washington pode ser interpretada como tentativa de reduzir um desgaste eleitoral já instalado. Ainda assim, a manifestação existe e precisa integrar o contraditório. Ignorá-la transformaria análise em propaganda.


A conclusão sustentada pelos documentos disponíveis é mais precisa: os Bolsonaro contribuíram para criar um ambiente de pressão política internacional contra o Brasil, mas não há prova documental de que sejam os únicos responsáveis pela nova decisão comercial.


A controvérsia já chegou à opinião pública.


Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 16 de julho, mostra que 51% dos entrevistados concordam mais com a versão de Lula, segundo a qual Flávio Bolsonaro tem responsabilidade pelo tarifaço. Outros 30% concordam com a versão do senador, que afirma ter pedido aos Estados Unidos que não taxassem o país.


O levantamento ouviu 2.004 pessoas, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a pesquisa, 63% acreditam que as tarifas podem prejudicar a própria vida ou a de familiares.


Esse dado mostra onde está o maior risco para o bolsonarismo. Quando a disputa deixa o terreno abstrato da diplomacia e passa a ser relacionada a empregos, renda, exportações e atividade industrial, o alinhamento com Trump pode deixar de ser visto como afinidade ideológica e passar a ser entendido como custo econômico.


Lula tenta transformar essa percepção em um confronto entre soberania nacional e interesses familiares. Flávio tenta separar sua candidatura do tarifaço, ao mesmo tempo em que preserva a relação política com Trump. É uma equação difícil.


Tarifas de importação são cobradas, inicialmente, de quem importa a mercadoria nos Estados Unidos. O efeito, porém, pode retornar ao Brasil por diferentes caminhos.


Empresas norte-americanas podem reduzir pedidos, pressionar fornecedores brasileiros por preços menores ou buscar produtos em outros países. Exportadores podem perder margem de lucro, adiar investimentos e reduzir produção. Trabalhadores de cadeias industriais e agrícolas podem ser atingidos caso a demanda diminua.


As exceções concedidas a café, carne, energia e aeronaves reduzem parte do dano imediato. Mesmo assim, o alcance da tarifa sobre milhares de mercadorias mantém o risco para setores industriais, produtores regionais e municípios dependentes das exportações.


O que acontece agora?


O governo brasileiro anunciou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e que levará a disputa ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio.


A Lei nº 15.122, sancionada em abril de 2025, autoriza o Brasil a adotar contramedidas diante de ações comerciais unilaterais que prejudiquem a competitividade do país. A resposta pode envolver concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual.


Antes de retaliar, o governo terá de avaliar quais setores seriam protegidos e quais poderiam sofrer novos prejuízos. Uma guerra tarifária sem cálculo pode ampliar o dano que pretende combater.


A partir de 22 de julho, três frentes deverão ser acompanhadas: eventuais negociações para ampliar as exceções, a aplicação da Lei de Reciprocidade e os efeitos concretos sobre exportações, produção e empregos.


Politicamente, a conta dos Bolsonaro existe e pode crescer durante a campanha eleitoral. Documentalmente, entretanto, ela não pode ser apresentada como explicação única para uma decisão que o governo dos Estados Unidos estruturou sobre uma investigação comercial mais ampla.


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Raul Silva é jornalista, escritor, professor e produtor de conteúdo do portal O estopim. Atua na análise de política, comunicação, cultura, tecnologia e temas de interesse público.

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