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Ao pedir votos para João, Marília Arraes e Humberto Costa, Lula fecha o palanque e reforça o principal ativo político da campanha socialista.


Por Raul Silva para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

17 de agosto de 2026



Lula ao lado de João Campos, Marília Arraes e Humberto Costa em vídeo de apoio à chapa nas eleições de 2026 em Pernambuco.
Lula ao lado de João Campos, Marília Arraes e Humberto Costa em vídeo de apoio à chapa nas eleições de 2026 em Pernambuco. | Foto: Reprodução/Instagram

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformou em gesto público e eleitoral o apoio a João Campos (PSB) na disputa pelo Governo de Pernambuco deixando claro que seu candidato é João e não Raquel Lyra. Em vídeo ao lado do candidato socialista e dos candidatos ao Senado Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT), Lula não apenas declara preferência. Ele pede voto, reúne a chapa em torno de sua própria candidatura e oferece a João uma das imagens politicamente mais importantes para o início da campanha: a de que, em Pernambuco, os dois estão no mesmo palanque.


João Campos reforçou a mensagem na legenda da publicação no Instagram: “O recado tá dado! Quem vota @lulaoficial, vota em @joaocampos, @mariliaarraes e @senadorhumberto!”


O peso do ato está justamente na simplicidade do recado. Para a campanha de João, não basta ter o apoio de Lula. É preciso fazer com que o eleitor pernambucano saiba, reconheça e associe os dois nomes no momento do voto.


E os números ajudam a entender por que isso importa.


O apoio existia, mas precisava chegar ao eleitor


Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 28 de julho mostrou uma diferença importante entre o desejo político de parte do eleitorado e a percepção sobre quem representa esse campo na eleição estadual.


Segundo o levantamento, 47% dos pernambucanos disseram desejar que o próximo governador seja aliado de Lula. Ao mesmo tempo, apenas 44% identificavam João Campos como o candidato oficial do presidente.


O dado revela um problema e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para João.


Existe em Pernambuco um eleitorado numeroso que valoriza a proximidade com Lula, mas a associação entre o presidente e o candidato do PSB ainda não havia chegado de maneira clara a todos esses eleitores.


É exatamente nesse espaço que o vídeo ganha força.


Quando Lula aparece ao lado de João e pede diretamente voto nele para governador, a relação deixa de depender de declarações de aliados, entrevistas ou negociações partidárias. O próprio presidente apresenta João ao eleitor como sua escolha.


Para uma campanha eleitoral, esse tipo de imagem funciona como uma chancela política.


Lula deixa de ser apenas aliado e entra na campanha de João Campos


João Campos já vinha afirmando publicamente que era o candidato apoiado por Lula em Pernambuco. A novidade agora é outra: o presidente passa a participar da construção dessa mensagem.


A gravação feita em Brasília também encerrou, na prática, parte da especulação sobre a possibilidade de Lula manter uma postura ambígua entre João e a governadora Raquel Lyra (PSD). Antes do encontro, havia discussão sobre um eventual palanque duplo do presidente no estado. A participação de Lula no material eleitoral de João, com Marília e Humberto, tornou pública sua posição ao lado da chapa formada em torno do candidato do PSB.


Agora João passa a dispor de uma manifestação direta do próprio Lula dizendo ao eleitor em quem deseja que seus apoiadores votem para o Governo de Pernambuco. Politicamente, é uma diferença relevante.


O tamanho de Lula explica o valor do gesto


A importância dessa associação cresce quando se observa a força eleitoral do presidente em Pernambuco.


Na pesquisa Genial/Quaest de julho, Lula aparecia com 55% das intenções de voto para presidente no estado.


Levantamento Real Time Big Data divulgado nesta segunda-feira, 17 de agosto, colocou Lula com 58% na disputa presidencial em Pernambuco, contra 24% de Flávio Bolsonaro (PL). A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 12 e 15 de agosto e foi registrada no TSE sob o protocolo BR-08592/2026.


É esse capital eleitoral que João Campos procura aproximar de sua candidatura.


João tem diante de si um presidente eleitoralmente forte em Pernambuco e uma parcela do eleitorado que declara preferir um governador aliado de Lula. Fazer esses dois elementos encontrarem sua candidatura é uma das tarefas centrais da campanha.


O gesto chega quando João precisa ampliar forças


O momento também ajuda a dimensionar a importância política da gravação. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira mostrou João Campos e Raquel Lyra empatados numericamente com 43% das intenções de voto no primeiro turno. Em uma eventual segunda rodada entre os dois, o levantamento também registrou empate, com 44% para cada candidato. A margem de erro é de dois pontos percentuais.


A disputa, portanto, entrou oficialmente na campanha sem a vantagem confortável que João chegou a apresentar em levantamentos anteriores. Nesse cenário, Lula se torna ainda mais estratégico.


A campanha de João precisa consolidar sua base, recuperar terreno onde perdeu apoio e disputar eleitores que aprovam ou votam no presidente, mas ainda não transformaram essa preferência nacional em voto para governador.


O vídeo oferece uma mensagem pronta para essa disputa: Lula escolheu João e pede que seu eleitor faça a mesma escolha.


Mais que uma foto, a definição de um campo


Há ainda outro simbolismo no encontro. João Campos não aparece sozinho com Lula. Ao lado deles estão Marília Arraes e Humberto Costa, os dois candidatos ao Senado apoiados pela chapa.


A composição permite apresentar ao eleitor um campo político completo, da Presidência ao Governo de Pernambuco e às duas cadeiras do Senado.


Isso fortalece a tentativa de transformar candidaturas diferentes em um mesmo projeto eleitoral.


Para João, é especialmente importante porque amplia a dimensão de sua candidatura. Ele deixa de aparecer apenas como ex-prefeito do Recife tentando chegar ao Palácio do Campo das Princesas e passa a se apresentar como peça de uma aliança nacional liderada por Lula.


Essa construção também dialoga com a história política do PSB em Pernambuco e com a relação histórica entre o partido e o campo político liderado pelo PT, ainda que as duas legendas tenham atravessado períodos de aproximação e afastamento. O que a campanha procura agora é uma imagem menos complexa.


Lula para presidente. João para governador. Marília e Humberto para o Senado. É esse o significado político da frase usada por João: “O recado tá dado.”


O que acontece agora


Com a campanha nas ruas e nas redes, João Campos deverá intensificar a associação de sua candidatura com Lula, enquanto Raquel Lyra, sem esse apoio, buscará preservar e ampliar o eleitorado que a colocou em condição de empate na disputa estadual.


A partir de 28 de agosto, o horário eleitoral gratuito dará às campanhas uma audiência mais ampla para consolidar essas narrativas.


Para João, uma das perguntas centrais da eleição passa a ser objetiva: quantos eleitores que escolherem Lula para presidente estarão dispostos a seguir o pedido feito por ele e votar também no candidato do PSB para governador?


A resposta poderá ser decisiva numa eleição que, neste momento, aparece aberta.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, eleições e temas de interesse público, com foco em apuração, contexto e análise dos fatos.

Nota do diretório municipal afirma que avanço do serviço depende do Governo Federal; Prefeitura cita propostas aprovadas no Novo PAC.


Por Raul Silva para O estopim | 25 de junho de 2026



Nota do PT Arcoverde cobra reconhecimento ao Governo Lula pela chegada do SAMU ao município
PT Arcoverde publicou uma nota intitulada “O papel do Governo Lula no fortalecimento da saúde em Arcoverde” | Foto: Erasmo Salomão/Ministério da Saúde

A chegada de uma nova Unidade de Suporte Avançado do SAMU a Arcoverde abriu uma disputa política sobre o crédito pelo fortalecimento da saúde pública no município. Depois de a Prefeitura divulgar que a ambulância chegou por meio de propostas aprovadas pela Secretaria Municipal de Saúde junto ao Novo PAC, o PT de Arcoverde publicou uma nota política nas redes sociais para afirmar que a origem e a sustentação do serviço estão ligadas ao Governo Federal e ao governo Lula.


Na postagem da Prefeitura de Arcoverde afirmou que “o SAMU começa a virar realidade” no município e informou a chegada de uma Unidade de Suporte Avançado. O texto também diz que Arcoverde deve receber, nos próximos dias, uma Unidade de Suporte Básico.


A gestão municipal atribuiu as novas ambulâncias às propostas aprovadas pela Secretaria de Saúde de Arcoverde junto ao Novo PAC e afirmou que seguirá com a construção da Base Descentralizada do SAMU e com o processo seletivo para formar a equipe do serviço.



A própria Prefeitura já havia divulgado, em julho de 2025, que Arcoverde foi contemplada com investimentos do Novo PAC, programa do Governo Federal, incluindo duas ambulâncias para o SAMU 192. Na mesma publicação oficial, o município reconheceu que os veículos fazem parte de um esforço federal para modernizar o atendimento pré-hospitalar.


No texto enviado ao O estopim, o perfil do PT Arcoverde publicou uma nota intitulada “O papel do Governo Lula no fortalecimento da saúde em Arcoverde”. O texto afirma que é preciso recordar ao prefeito a “real origem e a sustentação” do SAMU.


A nota sustenta que o serviço não é iniciativa isolada de gestões locais, mas uma política pública nacional de saúde. O partido também associa a criação do SAMU ao governo Lula e ao ex-ministro da Saúde Humberto Costa.


Há base histórica para essa associação. O Ministério da Saúde informa que o SAMU foi criado pelo Governo Federal em 2003 como componente pré-hospitalar móvel e que, em 2004, Lula assinou o Decreto nº 5.055, instituindo sua execução em estados e municípios com acesso nacional pelo telefone 192.


O Senado também registrou, em matéria de 2025, que Humberto Costa, então ministro da Saúde no primeiro governo Lula, teve participação direta na implantação do serviço.



O PT acerta ao lembrar que o SAMU é uma política nacional do SUS e que o Novo PAC é um programa federal. Segundo o Ministério da Saúde, o eixo SAMU 192 do Novo PAC busca ampliar e expandir a frota de ambulâncias, universalizar o acesso ao serviço de urgência e melhorar o atendimento pré-hospitalar. As ambulâncias são adquiridas de forma centralizada pelo Ministério da Saúde e depois doadas aos entes federados selecionados.


Esse ponto é central. Sem o orçamento federal, sem a política nacional e sem o Novo PAC, não haveria a mesma entrega de ambulâncias aos municípios. Por isso, a tentativa de apresentar o avanço apenas como conquista local reduz o papel do Governo Lula na estruturação do serviço.


A crítica do PT não elimina a responsabilidade municipal. O Novo PAC exige proposta, documentação e articulação administrativa. O Ministério da Saúde informa que estados, Distrito Federal e municípios podem propor pedidos, mediante preenchimento de carta-consulta eletrônica e cumprimento de requisitos.


O painel do Novo PAC também explica que propostas selecionadas têm garantia dos recursos necessários para execução, mas a etapa local continua relevante para formalização, implantação e funcionamento.


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Em outras palavras: o Governo Federal garante a política, o programa e os veículos. A Prefeitura precisa garantir que a base funcione, que a equipe seja selecionada, que a escala exista e que a população receba atendimento real.


A nota do PT mira a comunicação política da Prefeitura. O partido tenta impedir que a gestão municipal transforme uma política federal em vitrine exclusiva do governo local.


A crítica tem força porque o SAMU, historicamente, é uma das marcas do SUS estruturado em rede nacional. Em Pernambuco, o Ministério da Saúde informa que o serviço integra a Política Nacional de Atenção às Urgências, oferece atendimento gratuito 24 horas e funciona com diferentes tipos de unidades, como Suporte Básico e Suporte Avançado.


Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde ressalta que a disponibilidade do serviço é responsabilidade das gestões locais, em modelo de custeio tripartite, com repasses federais e complementação por estados e municípios.


O que acontece agora


A população de Arcoverde precisa acompanhar três pontos. O primeiro é a chegada da Unidade de Suporte Básico anunciada pela Prefeitura. O segundo é a implantação da Base Descentralizada do SAMU. O terceiro é o processo seletivo para garantir profissionais capacitados.


O debate político pode continuar, mas o serviço só se confirma na prática quando houver ambulância equipada, equipe formada, regulação integrada e atendimento funcionando.


Nesse ponto, a cobrança do PT tem uma dimensão de interesse público: reconhecer o papel do Governo Lula no financiamento e na expansão do SAMU não dispensa a Prefeitura de prestar contas sobre prazo, estrutura, equipe e início efetivo do serviço.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, poder público, saúde, cultura e direitos, com foco em contexto, checagem e interesse público.

Por Raul Silva para O estopim | 9 de abril de 2026



Dois indivíduos em close: homem à esquerda em terno escuro e mulher à direita com camisa clara. Fundo colorido. Olhares sérios.
Nova pesquisa eleitoral em Pernambuco mostra João Campos à frente na disputa pelo governo estadual, superando a governadora Raquel Lyra. | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A nova pesquisa RealTime Big Data para o Governo de Pernambuco, divulgada em 8 de abril e feita com 1.600 entrevistas entre os dias 7 e 8, mostra João Campos (PSB) na dianteira da corrida estadual, com vantagem relevante sobre a governadora Raquel Lyra (PSD). No cenário estimulado principal, o ex-prefeito do Recife tem 50% das intenções de voto, contra 33% da atual governadora. O resultado chega poucos dias depois da saída formal de João da Prefeitura para disputar o Palácio do Campo das Princesas e num momento em que a disputa pelo Senado também pressiona a montagem das chapas.


O dado mais forte do levantamento é a distância entre os dois principais nomes quando o eleitor recebe a lista de candidatos. João Campos aparece com 50%, Raquel Lyra tem 33%, Eduardo Moura marca 8% e Ivan Moraes fica em 2%. Nulo ou branco soma 4%, e 3% não souberam responder.


Gráfico de barras comparando intenção de voto em Pernambuco. João Campos e Raquel Lyra lideram. Cores: vermelho e cinza.
Intenção de voto estimulada em Pernambuco para governador: João Campos lidera com 50% no cenário 1 e 52% no cenário 2, seguido por Raquel Lyra com 33% e 40%, respectivamente. | Fonte: RealTime Big Data

Há um segundo recorte ainda mais duro para o Palácio. Num cenário reduzido aos dois nomes centrais, João sobe para 52%, e Raquel vai a 40%. A margem de erro do estudo é de 2 pontos percentuais, o que recomenda cautela antes de transformar o número em previsão fechada de vitória em primeiro turno. Ainda assim, o desenho é claro: no retrato de agora, João entra na fase aberta da pré-campanha em posição de comando.


Se o cenário estimulado empurra João para perto da maioria absoluta, a espontânea traz um alerta metodológico e político. Quando o entrevistado responde sem receber nomes, 48% dizem não saber em quem votariam. João aparece com 21%, Raquel com 18%, Eduardo Moura com 1%, outros nomes somam 3%, e nulo ou branco fica em 9%.


Gráfico de barras sobre intenção de voto para governador em PE. João Campos lidera com 21%. 48% não sabem. Cores: vermelho e tons de cinza. Texto: % dos entrevistados.
Intenção de voto espontânea para governador em Pernambuco: João Campos lidera com 21%, seguido por Raquel Lyra com 18%, enquanto 48% dos entrevistados ainda estão indecisos. | Fonte: RealTime Big Data

A leitura é importante. A vantagem de João é real, mas o eleitorado ainda não está inteiramente consolidado. A espontânea revela uma disputa em que o favorito é reconhecido, porém ainda convive com um grande estoque de indecisão. Isso significa que a campanha entra em campo com espaço para crescimento, ataque e reposicionamento.


Nos dados segmentados, João Campos aparece numericamente à frente entre homens, mulheres e em todas as faixas etárias exibidas na pesquisa. Entre os homens, ele tem 48%, contra 35% de Raquel. Entre as mulheres, a diferença cresce para 52% a 31%.


Por idade, o ex-prefeito registra 53% entre eleitores de 16 a 34 anos, 50% na faixa de 35 a 59 anos e 47% entre os que têm 60 anos ou mais. Raquel marca 31%, 35% e 32%, respectivamente.


Gráfico de barras comparando João Campos (vermelho) e Raquel Lyra (cinza) por gênero, idade e renda. Campos lidera em todas as categorias.
Distribuição percentual de apoio a João Campos e Raquel Lyra por gênero, faixa etária e renda, destacando as diferenças entre os grupos analisados no cenário 1. | Fonte: RealTime Big Data

O corte de renda ajuda a entender a geografia social da disputa. João chega a 54% entre quem recebe até dois salários mínimos, enquanto Raquel tem 29%. Na faixa de dois a cinco salários, a diferença diminui para 46% a 40%. Entre os eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, a governadora aparece numericamente à frente, com 46%, contra 37%.


Esse bloco sugere um ponto sensível para a campanha de Raquel. Seu melhor desempenho está justamente na faixa de renda mais alta, menor em volume dentro da amostra. João, ao contrário, domina entre os segmentos de renda mais baixa, onde a massa eleitoral é mais larga.


A pesquisa também mede rejeição múltipla, e o resultado reforça o tamanho do problema para a governadora. 39% dizem que não votariam em Raquel Lyra. O índice é maior que o de João Campos, com 30%, de Ivan Moraes, com 33%, e de Eduardo Moura, com 25%.


Gráfico mostra rejeição e potencial de voto para governador de PE. Destacam-se Raquel Lyra e João Campos em barras coloridas.
Gráfico mostrando a rejeição e o potencial de voto para governador em Pernambuco: Raquel Lyra lidera em rejeição com 39%, enquanto João Campos tem o menor índice de rejeição entre os principais candidatos, mas lidera em certeza de voto com 23%. | Fonte: RealTime Big Data

Quando se observa a votabilidade, João também leva vantagem. Entre os entrevistados, 23% afirmam que votariam nele com certeza, e 40% dizem considerar essa possibilidade. É um potencial receptivo de 63%. Raquel soma 19% de voto certo e 35% de possibilidade, chegando a 54%. Ao mesmo tempo, 41% dizem conhecê-la e não votar nela. Em João, esse grupo fica em 31%.


Em linguagem de campanha, isso significa que João parte de uma base mais ampla de expansão e enfrenta uma barreira negativa menor. Raquel continua competitiva, mas precisa crescer enfrentando um teto de rejeição mais pesado.


Um dos dados mais relevantes do levantamento está na diferença entre aprovação administrativa e força eleitoral. O trabalho da governadora é aprovado por 51% e desaprovado por 45%. Em tese, é um saldo positivo.


Gráfico de pizza e barras sobre a avaliação da governadora em PE. 51% aprovam, 45% desaprovam. Ótimo/Bom 29%, Regular 46%, Ruim/Péssimo 22%.
Gráfico mostrando a aprovação do trabalho da governadora de Pernambuco, com 51% de aprovação, 45% de desaprovação e 4% de NS/NR. Na avaliação do governo, 29% consideram ótimo/bom, 46% regular e 22% ruim/péssimo, com 3% de NS/NR. | Fonte: RealTime Big Data

Mas a avaliação qualitativa revela entusiasmo contido. Apenas 29% classificam a gestão como ótima ou boa. A maioria, 46%, escolhe a opção regular. Outros 22% veem o governo como ruim ou péssimo.


Esse descolamento ajuda a explicar por que uma governadora com maioria simples de aprovação não lidera a disputa. Aprovar uma gestão não é o mesmo que desejar sua recondução automática. O eleitor pode reconhecer entregas, mas ainda assim preferir mudança, sobretudo quando um adversário entra no jogo com alto recall, baixa rejeição relativa e discurso de continuidade com renovação.


A pesquisa foi divulgada logo após uma etapa decisiva do calendário eleitoral. João Campos oficializou sua pré-candidatura ao governo em março e deixou a Prefeitura do Recife em 2 de abril para cumprir a exigência legal. Em 6 de abril, Victor Marques tomou posse como novo prefeito. Raquel Lyra, por sua vez, permanece no cargo e segue combinando agenda de governo com movimento eleitoral.


Esse contexto importa porque reduz a zona cinzenta da disputa. O eleitor passa a olhar menos para suposições e mais para candidaturas efetivamente em marcha. O RealTime Big Data capta justamente esse momento de transição entre especulação e enfrentamento direto.


Poucos dias antes, um levantamento do instituto Veritá havia apontado um quadro muito mais apertado, com empate entre João Campos e Raquel Lyra. O contraste entre as duas fotografias não autoriza conclusão apressada sobre tendência definitiva, mas revela uma campanha que ainda está em deslocamento acelerado.


Em outras palavras, o retrato de abril não é de estabilização plena. É de rearranjo. João larga na frente nesta rodada, mas o tamanho da indecisão espontânea e a velocidade das mudanças mostram que o jogo ainda admite variações.


Se no governo há um favorito, na disputa para o Senado o cenário é mais fragmentado. Em todos os cenários testados, Marília Arraes aparece na liderança.


Gráfico de barras mostra cenários eleitorais no Senado de Pernambuco, com colunas em vermelho, cinza e azul. Nomes e porcentagens exibidos.
Desempenho dos candidatos ao Senado de Pernambuco nos cenários consolidados, destacando Marília Arraes na liderança, seguida de Miguel Coelho e Anderson Ferreira, com variação entre os três cenários analisados. | Fonte: RealTime Big Data

No cenário 1 consolidado, que reduz a soma de primeiro e segundo votos para 100%, Marília tem 27%, seguida por Miguel Coelho, com 20%, Anderson Ferreira, com 18%, Humberto Costa, com 17% e Mendonça Filho, com 12%.


No cenário 2 consolidado, sem Miguel e com Eduardo da Fonte, Marília vai a 29%, Anderson marca 19%, Humberto fica com 17%, Mendonça registra 15% e Eduardo da Fonte chega a 11%.


No cenário 3 consolidado, com Miguel Coelho e Túlio Gadelha, Marília aparece com 28%, Miguel com 21%, Anderson com 19%, Humberto com 17% e Túlio com 8%.


A conclusão política é direta. A primeira vaga, hoje, parece mais próxima de Marília. A segunda segue aberta e depende fortemente da composição das chapas, da nacionalização da disputa e da capacidade de cada bloco de organizar palanque e transferência.


Quando o entrevistado aponta qual deve ser a prioridade do próximo governador, segurança pública lidera com 24%, seguida por saúde, com 20%, transporte, com 14%, e educação, com 12%. Economia e infraestrutura aparecem com 8% cada.


Gráfico de barras mostra prioridades para o próximo governador de Pernambuco: segurança pública (24%), saúde (20%), transporte (14%) e mais.
Prioridades do eleitorado em Pernambuco para o próximo governador: 24% destacam segurança pública, seguido por saúde com 20% e transporte com 14%. | Fonte: RealTime Big Data

O dado tem peso estratégico. Ele indica que a eleição pernambucana, ao menos neste momento, tende a ser menos abstrata e mais prática. O eleitor quer saber quem entrega ordem, serviço e circulação. A pesquisa ainda traz um item final repetido como infraestrutura em uma das lâminas, com 6%, o que exige cautela na leitura desse último bloco. Mesmo assim, a hierarquia principal está nítida.


Para João Campos, o desafio é clássico de quem lidera cedo: evitar a acomodação e impedir que a frente ampla que o cerca se torne um espaço de disputa interna pelo Senado e pela vice. Sua vantagem cresce quando a eleição se simplifica, mas ele ainda precisa converter popularidade municipal e capital simbólico em maioria estadual duradoura.


Para Raquel Lyra, a tarefa é mais complexa. Ela precisa transformar aprovação administrativa em desejo de recondução, reduzir rejeição, recuperar terreno entre eleitores de renda média e baixa e impedir que João consolide a narrativa de mudança segura. Como governadora no cargo, tem a máquina, a vitrine e a agenda. Mas carrega também o peso da comparação constante entre gestão e promessa.


A pesquisa RealTime Big Data ouviu 1.600 eleitores de Pernambuco entre 7 e 8 de abril de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com 95% de confiança. O levantamento está registrado sob o número PE-05363/2026.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, eleições, dados públicos e temas de interesse coletivo.

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