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Textos, fotos, conversas e informações públicas podem alimentar sistemas de IA. O controle permanece concentrado nas empresas que desenvolvem os modelos.


Por Atlas Siqueira para O estopim Tech | 10 de julho de 2026



Usuário acessa uma inteligência artificial que processa dados pessoais e conversas
Usuário acessa uma inteligência artificial que processa dados pessoais e conversas | Foto: Reprodução

A inteligência artificial aprende a partir de grandes volumes de textos, imagens, áudios, códigos e outros conteúdos. Esses dados podem vir da internet pública, de bases licenciadas, de material produzido por especialistas e, dependendo do serviço, das interações dos próprios usuários.


O problema é que raramente uma pessoa sabe se uma publicação, fotografia ou conversa foi usada no treinamento de um modelo. O que levanta questões sobre privacidade na IA.


Treinar uma IA não significa simplesmente guardar páginas inteiras em um banco de dados. O sistema analisa padrões e ajusta bilhões de parâmetros matemáticos.


Isso não elimina os riscos. Modelos podem memorizar trechos, reproduzir informações pessoais ou gerar conteúdos que associam pessoas a dados incorretos.


A ANPD alerta que a raspagem de páginas da internet pode envolver tratamento de dados pessoais. O fato de uma informação estar publicamente acessível não significa que ela possa ser usada sem finalidade, necessidade e transparência.


Na prática, as empresas de IA têm o maior controle operacional. Elas escolhem as fontes, filtram os conjuntos de treinamento e definem por quanto tempo as interações ficam armazenadas.


As regras variam entre serviços e planos. A OpenAI oferece controles para impedir que conversas de produtos de consumo sejam usadas na melhoria dos modelos. A Anthropic informa que usa conversas de consumidores quando há autorização, enquanto produtos comerciais não entram no treinamento por padrão.


Leia também:


O Google informa que determinadas interações com o Gemini podem ser analisadas por equipes humanas e usadas no desenvolvimento de seus serviços. Contas corporativas e educacionais podem ter proteções diferentes.


Isso mostra que “usar uma IA” não descreve uma única relação de privacidade. Tudo depende do produto, da conta e das configurações escolhidas.


Conversas com assistentes podem conter contratos, informações de saúde, documentos internos, dados de clientes, códigos privados ou estratégias empresariais.


Mesmo quando o conteúdo não é usado para treinamento, ele pode ser armazenado para segurança, funcionamento do serviço ou cumprimento de obrigações legais, conforme a política de cada plataforma.


A regra mais segura é não enviar a uma IA pública aquilo que não deveria ser compartilhado com terceiros.


No Brasil, o uso de dados pessoais para treinar IA está sujeito à LGPD. Em 2024, a ANPD suspendeu temporariamente o uso de dados pela Meta e depois autorizou a retomada com restrições, maior transparência, direito de oposição simplificado e exclusão de contas de crianças e adolescentes.


O caso mostrou que o controle não pertence apenas às empresas. Usuários, reguladores e tribunais também podem limitar como os dados são utilizados.


O desafio é tornar esses direitos compreensíveis. Uma opção escondida em menus ou uma política extensa não representa controle real.


O que acontece agora


A disputa deve se concentrar em transparência, direito de oposição e responsabilidade sobre dados retirados da internet. Reguladores europeus já afirmaram que cada sistema precisa demonstrar sua base legal e avaliar os riscos aos titulares. A ANPD também colocou a transparência no treinamento de IA entre suas prioridades.


A pergunta central não é apenas se a IA usa dados. É quem decide, quem lucra e quem consegue dizer não.


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Atlas Siqueira escreve sobre tecnologia, política, infraestrutura digital e economia da inovação. Em O estopim Tech, analisa como decisões técnicas afetam direitos, trabalho e soberania.

A Samsung não quer mais vender um celular. Ela quer vender um gerente para a sua vida — e cobrar uma assinatura por isso.


Por Atlas Siqueira para O estopim Tech | 14 de Janeiro de 2026


Galaxy S26 Ultra segundo vazamentos nas redes | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Galaxy S26 Ultra segundo vazamentos nas redes | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Esqueça o dia 25 de fevereiro. Essa é a data que a Samsung vai subir no palco em São Francisco para repetir o que os vazamentos massivos de hoje (14) já confirmaram. O Galaxy S26 Ultra não é um segredo; é um ultimato. Ao analisar as especificações finais vazadas e a estratégia da sul-coreana, fica claro que o S26 não é uma evolução do S25; é uma mudança de regime. O hardware, antes o protagonista, virou apenas o palco para o verdadeiro show: uma Inteligência Artificial que promete fazer tudo por você, quer você queira ou não.


O GALAXY S26 ULTRAO HARDWARE: a morte do brilho, a vida na eficiência


Para os viciados em ficha técnica, o S26 Ultra traz o esperado Snapdragon 8 Elite Gen 5 (versão "For Galaxy"). Fabricado em litografia de 2nm, ele promete ser o chip mais frio já colocado em um Android. Mas a verdadeira notícia técnica não é a velocidade, é a tela.


A Samsung finalmente parou de brigar com o sol. O novo painel M14 OLED não foca em atingir 5.000 nits de brilho (um número inútil que só serve para drenar bateria em 5 minutos), mas sim na eficiência energética. A promessa é de 20% a 30% menos consumo. Por que isso importa? Porque a bateria continua estacionada nos 5.000-5.400mAh. Sem essa tela nova, o processamento de IA local drenaria o aparelho antes do almoço.


Nas câmeras, a "mentira" ficou mais bonita. O sensor de 200MP retorna, mas agora acoplado a um pós-processamento que recria texturas que a lente ótica sequer capturou. Estamos nos aproximando perigosamente do ponto onde a foto não é um registro da realidade, mas uma interpretação artística da IA sobre o que ela acha que você viu.


O MERCADO: a Inflação da memória e o "imposto IA"


Quem perde com o S26 Ultra? O seu bolso, e não estou falando só do preço do aparelho. O mercado de semicondutores em 2026 vive uma crise de preços de memória RAM e NAND. Para rodar a tal "Galaxy AI" localmente, o S26 Ultra precisa de, no mínimo, 16GB de RAM rápida (LPDDR5X). Isso encarece o custo de produção (BOM) violentamente.


A estratégia da Samsung é clara: subsídio cruzado. O preço do hardware vai subir (esperem algo acima dos R$ 10.000 no Brasil no lançamento), mas o verdadeiro lucro virá do ecossistema. Com o Google e a Apple fechando o cerco, a Samsung precisa que você use os serviços dela. O S26 é a isca para prender você no "Jardim Murado" da One UI 8.5, onde recursos premium de IA poderão virar assinatura após o primeiro ano gratuito.


A concorrência (leia-se: chinesas como Xiaomi e Oppo) ganha espaço no segmento de hardware puro, entregando as mesmas especificações pela metade do preço. Mas a Samsung aposta que o consumidor ocidental prefere a "segurança" da marca Galaxy do que arriscar a importação de um Xiaomi 17 com software duvidoso.


IMPACTO SOCIAL E FUTURO: a conveniência custa a sua agência


Aqui reside o perigo real do S26 Ultra. A promessa da "IA Agêntica" (Agentic AI) — onde o celular agenda reuniões, responde e-mails e compra passagens sozinho — é sedutora. Quem não quer um assistente pessoal?


Mas o custo invisível é a atrofia da decisão. Quando o algoritmo decide qual é a "melhor" resposta para o seu e-mail, ele está moldando suas relações pessoais. Quando ele filtra quais notícias são relevantes para o seu resumo matinal, ele está desenhando sua visão de mundo.


O S26 Ultra marca a transição do smartphone como uma "bicicleta para a mente" (como dizia Jobs) para uma "cadeira de rodas para a mente". Estamos pagando caro para terceirizar nossa cognição. Se a tendência se confirmar, o futuro não será sobre quem tem o processador mais rápido, mas sobre quem tem o algoritmo que melhor simula a humanidade do seu dono.


Veredito Preliminar: O Galaxy S26 Ultra será, sem dúvida, a máquina mais poderosa de 2026. Mas ao comprá-lo, pergunte-se: você está comprando uma ferramenta ou contratando um chefe?

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