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Comentário político atribui “absolutamente nada” à senadora, chama Transnordestina de cancelada e cria relação eleitoral sem apresentar provas. Dados oficiais contradizem o discurso.


Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

23 de julho de 2026



Senadora Teresa Leitão durante atividade no Senado Federal
Senadora Teresa Leitão durante atividade no Senado Federal | Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Um vídeo do intitulado Portal de Notícias Mega TV Arcoverde, apresentado como resposta política à senadora Teresa Leitão, do PT de Pernambuco, reúne erros objetivos, conclusões sem prova e ataques pessoais em pouco mais de dois minutos. O conteúdo começa errando até a duração do mandato de um senador, ignora leis relatadas pela parlamentar, apaga investimentos federais realizados em Pernambuco, simplifica a história da Transposição do São Francisco e afirma que a Transnordestina foi cancelada quando órgãos federais registram justamente a retomada das obras.


A gravação também sustenta que Teresa Leitão “só se elegeu” graças ao deputado federal bolsonarista André Ferreira. A afirmação não vem acompanhada de pesquisa, levantamento eleitoral, declaração pública de apoio ou demonstração matemática de causalidade.


O que aparece no vídeo não é uma apuração sobre o mandato ou sobre a atuação de Teresa Leitão. É uma opinião política construída sobre afirmações factuais que poderiam ter sido verificadas em poucos minutos nos portais do Senado, do Tribunal Superior Eleitoral, do Governo Federal, da Agência Nacional de Transportes Terrestres e do Tribunal de Contas da União.


A crítica política é legítima. Inventar uma realidade paralela para sustentá-la não é.


O primeiro erro: senadora não tem mandato de quatro anos


O apresentador começa descrevendo Teresa Leitão como uma: “senadora da República com mandato de quatro anos”.


Está errado.


O artigo 46 da Constituição determina que cada estado e o Distrito Federal elegem três senadores, com mandato de oito anos. Teresa Leitão foi eleita em outubro de 2022 e tomou posse em fevereiro de 2023 para o período de 2023 a 2031. Portanto, em julho de 2026, ela ainda não completou quatro anos de exercício no Senado.


Não se trata de uma divergência ideológica. É uma informação constitucional elementar.

Quando um comunicador se propõe a avaliar a produtividade de um mandato, mas não verifica sequer quanto tempo esse mandato dura, ele compromete a credibilidade de toda a conclusão apresentada depois.


“Absolutamente nada” é falso diante dos registros legislativos


O vídeo pergunta o que Teresa Leitão fez por Pernambuco e responde: “absolutamente nada”.


A frase é insustentável.


Ela poderia expressar uma avaliação subjetiva, como dizer que o desempenho foi insuficiente ou que determinadas prioridades não atenderam às expectativas do comentarista. Mas o emprego de “absolutamente nada” transforma a opinião em afirmação factual absoluta.


E os registros oficiais mostram trabalho legislativo concreto.


  1. Lei de prevenção ao assédio sexual


    Teresa Leitão foi relatora no Senado da medida provisória que originou a Lei 14.540, de 3 de abril de 2023. A norma criou o Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual, à Violência Sexual e aos demais crimes contra a dignidade sexual no âmbito da administração pública.


    A lei alcança órgãos e entidades das administrações públicas federal, estadual, distrital e municipal. O texto estabelece ações de prevenção, capacitação, identificação de casos, proteção às vítimas e responsabilização. A atuação da relatora contribuiu para ampliar o alcance da proposta que havia chegado ao Congresso.


    É possível discordar da lei. Não é possível dizer que a parlamentar não produziu nada.


  2. Lei da igualdade salarial


    A senadora também co-relatou o Projeto de Lei 1.085/2023 nas comissões de Assuntos Econômicos e de Assuntos Sociais. O projeto foi convertido na Lei 14.611, de 3 de julho de 2023, que reforçou a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens.


    A legislação obriga empresas com cem ou mais empregados a publicar relatórios de transparência salarial. Também prevê medidas de fiscalização e multa administrativa de até 3% da folha de salários, limitada a cem salários mínimos, quando houver descumprimento da obrigação de transparência.


    A lei tem alcance nacional, inclusive sobre empresas instaladas em Pernambuco e sobre trabalhadores pernambucanos. Alegar que isso equivale a “nada” exige ignorar deliberadamente o registro legislativo.


  3. Projetos sobre proteção de crianças e educação digital


    Teresa Leitão relatou na Comissão de Educação o PL 5.016/2019, que inclui a identificação de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes na formação dos profissionais da educação e entre os princípios de atuação do Sistema Único de Saúde. O relatório foi aprovado na comissão.


    Ela também apresentou o PL 1.010/2025, que propõe a inclusão da educação midiática e digital nas escolas. O projeto busca preparar crianças e adolescentes para reconhecer desinformação, discurso de ódio, riscos das redes sociais e conteúdos manipulativos.


    Uma análise séria pode questionar o impacto, a execução ou a prioridade dessas propostas. O que não pode fazer é afirmar que elas não existem.


  4. Presidência da Comissão de Educação


    Em fevereiro de 2025, Teresa Leitão foi eleita por aclamação presidente da Comissão de Educação e Cultura do Senado para o biênio 2025 e 2026. A comissão examina projetos relativos à educação, cultura, patrimônio histórico, comunicação social, esporte e formação profissional.


    Em 2026, ela relatou o novo Plano Nacional de Educação, projeto responsável por estabelecer metas e diretrizes nacionais para a década seguinte. O texto passou pela Comissão de Educação e pelo Plenário do Senado.


    Novamente, o mérito político pode ser debatido. A inexistência da atuação, não.


O vídeo confunde funções de senadora e presidente da República


Outro problema estrutural da fala é cobrar de Teresa Leitão a execução direta de obras federais.


Senadores não comandam ministérios, não licitam ferrovias, não executam trechos rodoviários nem administram canteiros de obras. As funções constitucionais de um senador envolvem legislar, fiscalizar o Executivo, deliberar sobre o orçamento, participar de comissões, aprovar autoridades e representar o estado no Congresso.


A execução de uma ferrovia ou de uma obra hídrica cabe ao Poder Executivo e aos órgãos, empresas e concessionárias responsáveis.


Isso não impede que um senador seja cobrado por articulação política, emendas, fiscalização e defesa de interesses estaduais. Mas atribuir a um parlamentar a responsabilidade operacional por obras de décadas diferentes é uma distorção institucional.


“O PT não fez nada por Pernambuco” é uma generalização incompatível com os números


O vídeo amplia o ataque e afirma que nem Teresa Leitão nem o PT fizeram algo por Pernambuco.


Os números oficiais não sustentam essa frase.


Em 2024, o Governo Federal informou investimento de R$ 670,2 milhões em infraestrutura de transportes em Pernambuco, alta de 207% em comparação com 2022. Os recursos abrangiam intervenções rodoviárias e ferroviárias vinculadas ao Novo PAC.


Em março de 2024, Pernambuco teve 478 obras e equipamentos selecionados em uma etapa do Novo PAC Seleções. A carteira incluía projetos de saúde, educação, infraestrutura social, urbanização, mobilidade e abastecimento de água.


Também houve previsão de R$ 637 milhões para infraestrutura rodoviária e ferroviária em 2023, segundo o Ministério dos Transportes, valor informado como aproximadamente três vezes superior ao aplicado em 2022.


Esses valores são dados do Executivo e devem ser acompanhados quanto à execução física e financeira. Anunciar recurso não significa automaticamente concluir uma obra. Essa ressalva é indispensável.


Mas uma coisa é fiscalizar se o dinheiro foi efetivamente aplicado. Outra é afirmar que nenhum investimento existiu.


A Transposição do São Francisco não está simplesmente “inacabada”


O vídeo apresenta a Transposição do Rio São Francisco como uma obra parada há mais de 20 anos e como prova de que o PT nada entregou.


A história é mais complexa.


O Projeto de Integração do Rio São Francisco possui 477 quilômetros de extensão, dois eixos estruturantes e ramais associados. O sistema foi planejado para atender cerca de 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.


As obras começaram em 2007, durante o segundo governo Lula, e atravessaram as administrações Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e o terceiro governo Lula. Diversas estruturas foram entregues e passaram a operar em momentos diferentes. Ao mesmo tempo, permaneceram intervenções complementares, ramais, sistemas de distribuição, manutenção e ampliação da capacidade de bombeamento.


Portanto, não é correto tratar todo o projeto como se nada tivesse sido entregue. Também seria incorreto declarar que todo o sistema está definitivamente concluído e sem pendências.


Documento executivo do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional indicava orçamento total de aproximadamente R$ 13,68 bilhões para os eixos estruturantes do projeto.


Em 2025, o Governo Federal anunciou ordem de serviço de R$ 491,3 milhões para duplicar a capacidade de bombeamento do Eixo Norte. A intervenção inclui estações situadas em Cabrobó, Terra Nova e Salgueiro, em Pernambuco.


A crítica correta seria perguntar por que a obra demorou tanto, quanto custaram os aditivos, quais governos atrasaram etapas, quais estruturas precisam de manutenção e por que a água ainda não chega igualmente a todas as comunidades.


O vídeo não faz nenhuma dessas perguntas. Ele reduz um projeto multigovernamental a um slogan partidário.


Transnordestina não foi cancelada como afirma o apresentador


A alegação mais objetivamente contradita pelos documentos é a de que a Transnordestina “foi cancelada” por irregularidades na execução do Governo Federal.


A ferrovia teve graves atrasos, mudanças contratuais, problemas de financiamento, fiscalizações do TCU e reestruturações no modelo de concessão. O trecho pernambucano entre Salgueiro e Suape chegou a ser retirado do projeto privado conduzido pela concessionária, o que alimentou a percepção de abandono.


Isso não significa, porém, que a ferrovia inteira tenha sido cancelada.


Em abril de 2025, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional anunciou que o Governo Federal preparava editais para retomar a construção do ramal pernambucano entre Salgueiro e Suape. A primeira etapa abrangia os lotes entre Custódia e Arcoverde, com 73 quilômetros, e entre Cachoeirinha e Belém de Maria, com 53 quilômetros.


Em novembro de 2025, ANTT, Ministério dos Transportes e Infra S.A. anunciaram edital para a conclusão de 73 quilômetros em Pernambuco, com investimento informado de R$ 415 milhões e estimativa de cerca de seis mil empregos.


A própria ANTT continuou deliberando sobre operações e contratos ligados ao sistema ferroviário. Isso é incompatível com a afirmação de cancelamento integral e definitivo.


O fato correto é: a Transnordestina enfrentou irregularidades, atrasos, revisão contratual e exclusão anterior do trecho pernambucano do projeto privado. Depois, o Governo Federal anunciou a retomada desse trecho sob outra modelagem.


Dizer apenas que “foi cancelada” apaga a parte decisiva da informação.


Irregularidades não são sinônimo automático de responsabilidade pessoal do governo atual


O apresentador atribui supostas irregularidades “na execução do governo federal” sem indicar contrato, processo, acórdão, período ou agente responsável.


Essa formulação produz uma acusação ampla, mas impossível de examinar nos termos apresentados.


A Transnordestina começou a ser estruturada há cerca de duas décadas. Passou por diferentes governos, contratos, financiamentos, concessionárias, diretorias de agências reguladoras e decisões do TCU. Para atribuir uma irregularidade específica a um governo, seria necessário informar:


  1. o número do processo;

  2. o contrato fiscalizado;

  3. o período da irregularidade;

  4. o órgão responsável;

  5. a decisão do TCU ou da Justiça;

  6. quem foi responsabilizado;

  7. se a decisão é definitiva ou ainda admite recurso.


O vídeo não fornece nenhum desses elementos.


Usar genericamente a palavra “irregularidade” não prova ilícito cometido por uma autoridade determinada. Tampouco significa, por si só, que uma obra tenha sido judicialmente cancelada.


A eleição de Teresa Leitão não foi decidida por André Ferreira


O vídeo afirma que Teresa Leitão “só chegou ao poder” e “só se elegeu” com a ajuda de André Ferreira, deputado federal do PL e aliado de Jair Bolsonaro.


Não há prova apresentada para essa causalidade.


Teresa Leitão foi eleita para o Senado em 2022 com 2.061.276 votos, equivalentes a 46,12% dos votos válidos. Ela integrou a Frente Popular de Pernambuco, coligação formada por PSB, Federação Brasil da Esperança, MDB, Republicanos, PDT e PP.


André Ferreira concorria a deputado federal pelo PL. Seu grupo político apoiava a chapa formada por Anderson Ferreira ao governo de Pernambuco e Gilson Machado ao Senado, ambos identificados com Jair Bolsonaro. Gilson Machado era, portanto, adversário direto de Teresa Leitão na disputa senatorial.


Para comprovar que André Ferreira foi cabo eleitoral decisivo de Teresa seria necessário apresentar ao menos uma declaração pública de apoio, material de campanha, pedido explícito de voto ou estudo eleitoral que relacionasse os votos de ambos.


A fala não apresenta nada disso.


Mesmo que eleitores de André Ferreira tenham votado em Teresa, algo possível porque o voto é individual e secreto, isso não transforma o deputado em cabo eleitoral da candidata petista.


Correlação eleitoral não é apoio político. Coincidência territorial de votos não é causalidade.


Candidato não aceita nem rejeita votos individuais


O apresentador desafia a senadora a dizer se “rejeitou o apoio nem os votos” de André Ferreira.


A formulação não tem sentido no sistema eleitoral brasileiro.


O voto é secreto. Um candidato não sabe quem votou nele e não tem poder jurídico para anular votos recebidos de eleitores de outro partido. Não existe procedimento pelo qual uma candidata ao Senado possa “rejeitar” votos porque vieram de bolsonaristas, petistas, socialistas ou conservadores.


A única questão verificável seria a existência de apoio político formal ou público. Isso exige documento ou declaração. O vídeo não oferece qualquer evidência.


“Bolsonaro é muito melhor” é opinião, não notícia


A frase final, segundo a qual Jair Bolsonaro seria “com certeza muito melhor” do que Teresa Leitão, não pode ser classificada como verdadeira ou falsa em termos objetivos.


É uma opinião política.


O erro editorial está em misturar essa opinião com informações verificáveis incorretas e apresentá-las no mesmo fluxo, sem separar comentário, fato e acusação.


Um veículo pode assumir linha editorial conservadora, liberal, socialista, petista ou bolsonarista. O que não pode fazer, sem abandonar o método jornalístico, é substituir documentos por certezas pessoais e informações públicas por ataques.


O impacto da desinformação em período eleitoral


Em ano eleitoral, conteúdos desse tipo não ficam restritos à disputa entre duas personalidades políticas. Eles interferem na capacidade do eleitor de avaliar mandatos, partidos e políticas públicas.


Quando uma opinião é apresentada como fato, o cidadão pode tomar decisões com base em informações inexistentes. Quando uma obra retomada é chamada de cancelada, o debate deixa de ser sobre prazo, custo e eficiência e passa a girar em torno de uma falsidade. Quando a produção legislativa é apagada, torna-se impossível discutir a qualidade real do mandato.


A desinformação política também corrói a confiança social no jornalismo. O público passa a encontrar ataques onde deveria haver verificação, torcida onde deveria haver contexto e certezas pessoais onde deveriam existir documentos.


Os princípios jornalísticos de O estopim estabelecem que controvérsias devem ser tratadas com apuração, evidências e contraditório, sem confundir liberdade de expressão com ausência de responsabilidade editorial.


O Manual de Jornalismo da EBC também coloca verdade, precisão, pluralidade e interesse público entre os fundamentos da atividade jornalística.


E materiais de combate à desinformação destacam que informação responsável exige apuração, reflexão, síntese e verificação das alegações antes da publicação.


O que uma cobertura responsável deveria ter feito


Antes de gravar o vídeo, o veículo deveria ter consultado o perfil oficial da senadora, suas matérias legislativas, relatórios, relatorias, emendas e participação em comissões.


Também deveria ter acessado os dados da eleição de 2022, solicitado ao apresentador a prova do suposto apoio de André Ferreira, verificado os atos da ANTT e do Governo Federal sobre a Transnordestina e procurado a assessoria de Teresa Leitão para manifestação.


Nada disso aparece no vídeo.


O resultado não é uma fiscalização rigorosa do mandato. É uma peça de ataque político com erros que poderiam ter sido evitados por uma consulta básica às fontes oficiais.


Ser duro com agentes públicos faz parte do jornalismo. Ser impreciso, não.


O estopim — O começo da notícia!

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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na apuração de política, fiscalização pública, direitos sociais e enfrentamento à desinformação.


FACT-CHECKING de O estopim para esta matéria


Afirmação do vídeo

O que mostram os documentos

Classificação

Teresa tem mandato de quatro anos

O mandato constitucional de senador é de oito anos, de 2023 a 2031

Falsa

“Não fez absolutamente nada”

Há relatorias, projetos, leis e participação em comissões registradas pelo Senado

Falsa como afirmação absoluta

O PT não fez nada por Pernambuco

Há investimentos e obras federais documentados

Falsa como afirmação absoluta

A Transposição está simplesmente inacabada

Eixos operam, mas há ramais, manutenção e ampliação pendentes

Enganosa por falta de contexto

A Transnordestina foi cancelada

O trecho pernambucano teve retomada e editais anunciados

Falsa ou desatualizada

A Justiça embarga constantemente as obras

Nenhum processo ou decisão é identificado

Sem comprovação

Teresa só se elegeu graças a André Ferreira

Não foi apresentada prova de apoio nem relação causal

Sem comprovação

Ela deveria rejeitar votos bolsonaristas

Candidatos não identificam nem rejeitam votos individuais

Retórica sem fundamento eleitoral

Bolsonaro é melhor do que Teresa

Juízo político subjetivo

Opinião


FONTES:


1. Duração do mandato de senador



Versão específica do texto constitucional:


Fonte oficial: Presidência da República.


2. Perfil e atividade parlamentar de Teresa Leitão


Perfil oficial da senadora no Senado

Reúne dados pessoais, mandato, filiação, participação em comissões, pronunciamentos, proposições, relatorias e outras atividades legislativas.



Fonte oficial: Senado Federal.


3. Lei 14.540/2023 e prevenção ao assédio sexual


Lei 14.540, de 3 de abril de 2023


Institui o Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Sexual, à Violência Sexual e aos crimes contra a dignidade sexual na administração pública.



Senado informa a sanção e a participação de Teresa Leitão como relatora



Versão da Agência Senado:



Tramitação da MPV 1.140/2022, convertida na Lei 14.540/2023



Essas fontes sustentam que Teresa Leitão atuou como relatora no Senado e que a legislação ampliou mecanismos de prevenção e enfrentamento à violência sexual na administração pública.


4. Lei da igualdade salarial


Lei 14.611, de 3 de julho de 2023


Dispõe sobre igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens.


Página oficial do PL 1.085/2023 no Senado

Apresenta tramitação, documentos, relatórios e conversão do projeto na Lei 14.611/2023.


PDF com a tramitação integral do projeto


Teresa Leitão fala sobre a lei após atuar como relatora


Senado confirma que Zenaide Maia e Teresa Leitão foram relatoras


A lei determina relatórios de transparência para empresas com cem ou mais empregados.


5. Projeto de educação midiática e digital


PL 1.010/2025

Projeto de autoria de Teresa Leitão que estabelece normas nacionais para educação midiática e digital e enfrentamento à desinformação e aos discursos de ódio.


Texto integral do projeto


Agência Senado explica a proposta


Outra publicação oficial:


Atualização publicada em janeiro de 2026:


As fontes confirmam autoria, conteúdo e objetivo do projeto.


6. Presidência da Comissão de Educação e Cultura


Teresa Leitão é eleita presidente da comissão para 2025 e 2026


Versão da Rádio Senado:


A eleição ocorreu por aclamação e o mandato na presidência abrange o biênio 2025–2026.


7. Novo Plano Nacional de Educação


Prioridades da Comissão de Educação para o novo PNE


Requerimento para realização de audiências públicas sobre o PL 2.614/2024


Essas fontes demonstram atuação de Teresa Leitão na organização dos debates sobre o novo Plano Nacional de Educação.


8. Investimentos federais em transportes em Pernambuco


R$ 670,2 milhões em infraestrutura de transportes em 2024


Segundo o Governo Federal, o montante representava crescimento de 207% em relação a 2022.


9. Novo PAC Seleções em Pernambuco


478 obras e equipamentos selecionados


Página do Ministério da Saúde que também registra a seleção:


10. Projeto de Integração do Rio São Francisco


Página institucional do projeto

Informa 477 quilômetros, 390 municípios e potencial de atendimento a 12 milhões de pessoas em Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.


Sumário executivo de janeiro de 2026


Relatório anual da Agência Pernambucana de Águas e Clima


Página da APAC sobre o percurso do projeto em Pernambuco


Essas fontes sustentam extensão, população potencialmente beneficiada, municípios contemplados e estrutura geral do projeto.


11. Situação operacional da Transposição


Eixos Norte e Leste e atendimento regional


Descrição atualizada da rota das águas


Essas páginas mostram que há estruturas em funcionamento, ao mesmo tempo em que permanecem ramais, ampliações, manutenção e sistemas complementares. Por isso, dizer apenas que a obra está “inacabada” sem explicar o que funciona e o que ainda falta é incompleto.


12. Transnordestina e existência atual do projeto


Página institucional da Ferrovia Transnordestina


A página informa que o empreendimento continua sendo tratado pelo Governo Federal como projeto estruturante e registra aporte de recursos.


13. Retomada do trecho pernambucano da Transnordestina


ANTT, Ministério dos Transportes e Infra S.A. anunciam retomada


A fonte informa:

  • 73 quilômetros de extensão;

  • R$ 415 milhões em investimentos;

  • recursos do Novo PAC;

  • estimativa de seis mil empregos diretos e indiretos;

  • previsão de licitação;

  • prazo estimado de 57 meses após a assinatura contratual.


Isso contradiz a afirmação de que toda a Transnordestina teria sido definitivamente cancelada.


14. Irregularidades e fiscalização do TCU sobre a Transnordestina


TCU analisa contratos da ferrovia


O TCU apontou problemas na cisão da concessão e considerou ilegal a criação de determinados contratos. Isso confirma a existência de irregularidades institucionais e contratuais, mas não comprova a formulação genérica de que “a Justiça cancelou a obra por irregularidades do governo atual”.


Sistema de pesquisa de processos e decisões do TCU


O sistema deve ser usado para localizar acórdão, processo, relator, data e responsabilizações específicas. Sem esses dados, a acusação do vídeo permanece vaga.


15. Situação histórica do trecho Salgueiro–Suape


Demonstrações financeiras da Transnordestina Logística, disponíveis na ANTT


O documento registra que o trecho Salgueiro–Suape tinha 544 quilômetros, avanço global informado de 41% e lotes em diferentes estágios. Também menciona embargo judicial localizado em parte do percurso.


Essa fonte é importante porque mostra que houve embargos e dificuldades específicas.


Ela não autoriza a generalização de que toda a obra sofria “constantemente” embargos ou havia sido integralmente cancelada.


16. Votação de Teresa Leitão em 2022


Agência Senado sobre a eleição


A publicação registra que Teresa Leitão foi eleita com 2.061.276 votos, equivalentes a 46,12% dos votos válidos.


Confirmação de dados disponível no sistema oficial do TSE:


A busca deve ser configurada para:

  • Eleições Gerais de 2022;

  • Pernambuco;

  • cargo de senador.


O dado eleitoral foi sustentado na matéria pela Agência Senado, que reproduziu o resultado da eleição.


17. Regra da eleição para o Senado


Lei das Eleições, Lei 9.504/1997


Constituição, artigo 46


O senador é eleito pelo princípio majoritário. A eleição decorre dos votos recebidos pelo candidato, e não de uma transferência formal de votos de um candidato a deputado federal.


18. Princípios jornalísticos e dever de verificação


Princípios Jornalísticos do Grupo O estopim


O documento estabelece compromisso com verdade factual, métodos verificáveis, transparência, correção, democracia e separação entre controvérsia legítima e equivalência artificial de fatos.




O banimento permanente do perfil de Jeferson Tenório no Instagram representa mais que uma simples "moderação de conteúdo". É o ápice de uma perseguição sistemática de quatro anos contra um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos, cujo único "crime" foi escrever sobre racismo estrutural e violência policial no Brasil.


Capa do livro 'O Avesso da Pele', de Jefferson Tenório, retratando um homem negro se preparando para mergulhar, simbolizando temas explorados no romance
Capa do livro 'O Avesso da Pele', de Jefferson Tenório, retratando um homem negro se preparando para mergulhar, simbolizando temas explorados no romance

A perseguição a Jeferson Tenório começou em 2021, quando "O Avesso da Pele" ganhou o prestigioso Prêmio Jabuti na categoria romance literário. O reconhecimento, longe de protegê-lo, o transformou em alvo prioritário da extrema direita brasileira. As primeiras ameaças chegaram após ele escrever sobre Paulo Freire em sua coluna no jornal Zero Hora. Mas foi em 2022 que a violência digital escalou dramaticamente. Após anunciar uma palestra em uma escola de Salvador, Tenório recebeu ameaças de morte explícitas através do Instagram. O usuário anônimo @estudante_anonimo123 enviou mensagens dizendo que ele teria seu "CPF cancelado" caso comparecesse ao evento. "Eh mlhr vc meter o pé e sair do país. Se nn vc tá fudido irmão", dizia a mensagem. As ameaças foram tão específicas e credíveis que a escola optou por realizar o encontro virtualmente, reconhecendo sua incapacidade de garantir a segurança física do escritor. Tenório registrou boletins de ocorrência, mas as ameaças continuaram após a palestra.


O ano de 2024 marcou uma escalada qualitativa na perseguição quando múltiplas secretarias estaduais de educação - Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul - coordenaram ações para remover "O Avesso da Pele" das bibliotecas escolares. A justificativa oficial era sempre a mesma: "expressões impróprias para menores de 18 anos". Mas a hipocrisia era gritante. Como observou sarcasticamente o próprio Tenório: "O mais curioso é que as palavras de 'baixo calão' e os atos sexuais do livro causam mais incômodo do que o racismo, a violência policial e a morte de pessoas negras". A diretora Janaina Venzon, da Escola Estadual de Ensino Médio Ernesto Alves de Oliveira (RS), foi particularmente explícita em seu racismo estrutural. Em vídeo que depois apagou, ela declarou: "Lamentável o Governo Federal através do MEC adquirir esta obra literária e enviar para as escolas com vocabulários de tão baixo nível".


O banimento definitivo do perfil de Tenório no Instagram, ocorrido no início de junho de 2025, seguiu um padrão familiar: censura silenciosa, sem justificativa específica, sem direito de defesa. O escritor, que havia construído um diálogo direto com 80 mil seguidores, descobriu-se digitalmente aniquilado da noite para o dia. "No primeiro momento, achei que a minha conta havia sido hackeado, mas depois veio a confirmação de que o meu perfil foi banido pela empresa Meta sob a alegação de que não se enquadrava nas diretrizes da plataforma", relatou Tenório. Nenhuma explicação adicional foi fornecida.


A recusa sistemática da Meta em responder questionamentos sobre o banimento revela uma estratégia deliberada de censura por desgaste. Múltiplos veículos de imprensa - UOL, Estadão, G1, CNN Brasil - contataram a empresa. Nenhum recebeu resposta. Este silêncio não é passividade; é política ativa. Ao recusar-se a justificar suas decisões, a Meta transforma cada banimento em um ato de soberania corporativa absoluta, onde não há instância de recurso, transparência ou prestação de contas. A coincidência temporal entre o banimento de Tenório e casos similares - Jones Manoel, Manuela d'Ávila, diversos perfis progressistas - expõe o caráter sistêmico e coordenado desta operação de limpeza ideológica. Particularmente revelador é o timing: faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2026, quando o debate sobre racismo, educação e violência policial - temas centrais da obra de Tenório - tende a se intensificar. Como ele próprio observou: "faltando um ano para as eleições no Brasil, uma eleição que promete ser bastante difícil, acho que tem um envolvimento político também".


Tenório revelou um detalhe crucial: dias antes do banimento, ele havia publicado uma crítica comparando Bolsonaro a Trump. Pouco depois, sua conta sofreu o que ele suspeita ter sido um "ataque em massa" - técnica onde grupos organizados reportam simultaneamente um perfil para forçar sua suspensão automática. Esta weaponização dos próprios mecanismos de moderação da Meta representa uma sofisticação táctica da extrema direita digital. Eles não apenas produzem ameaças diretas, mas manipulam os algoritmos para que a própria plataforma execute a censura, criando uma aparência de neutralidade técnica. "Se for isso que aconteceu comigo mostra que há uma grande falha na Meta de não conseguir fazer esse tipo de avaliação", observou Tenório. Mas esta "falha" pode ser, na verdade, uma feature funcionando perfeitamente conforme o design corporativo.


A obra de Tenório não é atacada por acaso. "O Avesso da Pele" narra a história de Pedro, jovem negro cujo pai professor foi assassinado por policiais que o confundiram com um bandido. É uma denúncia literária do genocídio da população negra brasileira através da violência estatal. O romance expõe três pilares do projeto político da extrema direita brasileira: o racismo estrutural, a brutalidade policial e a precariedade educacional como instrumentos de controle social. Por isso, atacar Tenório é atacar uma cosmovisão antirracista que ameaça as bases ideológicas do conservadorismo brasileiro. A capitulação das secretarias estaduais em 2024 revelou como instituições públicas podem ser instrumentalizadas para executar a agenda censória da extrema direita. O fato de que "O Avesso da Pele" faz parte do PNLD - programa federal que aprovou a obra após rigorosa avaliação técnica - não impediu governadores de desautorizar unilateralmente decisões pedagógicas. Esta hierarquização política sobre critérios técnicos representa um golpe na autonomia educacional e um precedente autoritário perigoso.


A campanha de solidariedade a Tenório conseguiu mobilizar personalidades como Chico Buarque e Drauzio Varela, além de mais de 6.400 assinaturas em um abaixo-assinado contra a censura. A Companhia das Letras, sua editora, emitiu notas de repúdio e acionou a Justiça contra as tentativas de censura. Contudo, esta resistência liberal tem limitações estruturais. Enquanto se concentra na defesa da liberdade de expressão em abstrato, evita confrontar diretamente o caráter racial e classista da censura. A branquitude intelectual progressista solidariza-se com Tenório, mas evita radicalizar o debate sobre como racismo e censura são fenômenos indissociáveis.


O banimento de Tenório no Instagram representa prejuízo econômico direto e mensurável. Como escritor contemporâneo, ele dependia da plataforma para divulgar agenda de palestras, lançamentos de livros e interação com leitores. A redução drástica de alcance - de 80 mil para 3,2 mil seguidores - equivale a uma amputação digital de sua capacidade de subsistência profissional. Seus advogados do escritório FFM são explícitos: "a exclusão arbitrária reduz drasticamente o alcance do trabalho de Tenório, prejudicando sua atuação como escritor, educador e figura pública". Esta é a violência econômica da censura digital: destruir meios de subsistência de intelectuais dissidentes.


O silêncio sistemático da Meta diante das ameaças de morte que Tenório recebeu através de sua própria plataforma revela uma cumplicidade ativa com a violência racista. A empresa que censurou imediatamente uma conta que denuncia racismo foi a mesma que protegeu contas que promovem racismo. Esta seletividade não é acidental, mas estrutural. A Meta opera como um mecanismo de apartheid digital, onde vozes negras críticas são sistematicamente silenciadas enquanto discursos supremacistas circulam livremente. A recente guinada explícita da Meta - encerrando a checagem de fatos, afrouxando regras contra discursos de ódio, nomeando republicanos para cargos-chave - institucionaliza o que já era prática clandestina. O caso Tenório demonstra que essa virada à direita não começou em 2025, mas vinha sendo testada e refinada há anos através de experimentos de censura seletiva.


O caso Jeferson Tenório expõe a brutal realidade do apartheid digital brasileiro: escritores negros que denunciam o racismo são sistematicamente perseguidos, censurados e economicamente estrangulados por uma aliança entre extrema direita política, instituições públicas cooptadas e corporações tecnológicas globais. Não se trata de um caso isolado, mas de uma operação coordenada de silenciamento que combina ameaças físicas, censura institucional e aniquilação digital. O sucesso desta perseguição - Tenório permanece banido enquanto seus perseguidores operam livremente - demonstra a eficácia desta nova forma de controle social. A luta pela reativação do perfil de Tenório é, portanto, muito mais que uma questão de liberdade de expressão. É uma batalha antirracista contra um sistema de dominação que usa a tecnologia para perpetuar estruturas de opressão racial sob uma fachada de neutralidade corporativa. A democracia brasileira será testada por sua capacidade de proteger intelectuais negros que ousam narrar as violências que estruturam nossa sociedade. Por enquanto, este teste está sendo reprovado com nota zero.

 SEGUNDA REPORTAGEM DA SÉRIE “DOSSIÊ MESQUITA: como a família que “criou” três ditaduras fabricou a própria história de “resistência” e transformou jornalismo em máquina de guerra contra o povo brasileiro.


Por uma questão de honestidade intelectual e transparência jornalística, a investigação para esta série se baseia exclusivamente em documentos oficiais, pesquisas acadêmicas, denúncias do Ministério Público e depoimentos de jornalistas do próprio Estadão. Não há aqui opinião pessoal, mas fatos documentados sobre um dos maiores escândalos da imprensa brasileira.


Aqui vamos desmontar, com base em fatos documentados, uma das maiores mistificações da história da imprensa brasileira. O jornal O Estado de S. Paulo (o Estadão) frequentemente se vangloria de ter "resistido" à ditadura militar (1964-1985) – alardeando o episódio em que publicou trechos de Os Lusíadas e receitas culinárias no lugar de matérias censuradas entre 1972 e 1975. Essa narrativa heroica, repetida até hoje, é na verdade uma fabricação histórica que distorce o papel real desempenhado pelo jornal durante o regime militar.


O mito da resistência com poesias e receitas


Exemplo de página do Estadão durante a ditadura: na coluna da esquerda, versos de “Os Lusíadas” de Camões preenchem o espaço de uma notícia vetada pelos censores. O jornal usava esse artifício para sinalizar aos leitores que conteúdos haviam sido barrados.
Exemplo de página do Estadão durante a ditadura: na coluna da esquerda, versos de “Os Lusíadas” de Camões preenchem o espaço de uma notícia vetada pelos censores. O jornal usava esse artifício para sinalizar aos leitores que conteúdos haviam sido barrados.

É verdade que, após o Ato Institucional nº 5 (AI-5) em dezembro de 1968, o Estadão passou a sofrer censura prévia. Em resposta, adotou uma estratégia inusitada: onde os censores cortavam reportagens, o jornal inseria trechos do poema épico Os Lusíadas, de Luís de Camões, enquanto seu jornal vespertino (Jornal da Tarde, do mesmo grupo) publicava receitas de bolo no lugar das notícias censuradas. Foi uma forma criativa de informar os leitores de que o jornal estava sendo impedido de noticiar certos assuntos. Ao longo de pouco mais de dois anos, entre 1973 e 1975, os leitores chegaram a ver Os Lusíadas inteiros duas vezes nas páginas do Estadão, dado o volume de matérias vetadas – 1.122 textos censurados nesse período. Essa tática acabou se tornando um símbolo celebrado da suposta “resistência” da grande imprensa contra a ditadura.


No imaginário construído pelo próprio Estadão, os versos de Camões e as colunas de receitas seriam prova de uma postura corajosa do jornal frente aos generais. De fato, anos depois, a família proprietária transformou essa história em um troféu, alardeando que “resistiu” bravamente à opressão ao denunciar a censura de maneira tão sutil quanto astuta. Porém, a realidade histórica documentada é bem diferente, e bem menos lisonjeira para o jornal. Os fatos demonstram que:


  • De 1964 a 1968, o Estadão apoiou entusiasticamente o golpe militar e a ditadura nascente, longe de qualquer resistência.

  • O jornal só entrou em conflito com o regime depois que os militares passaram a ameaçar os interesses do próprio Estadão e de seus donos (a família Mesquita), especialmente a partir do AI-5.

  • A alegada “resistência” somente começou quando o regime endurecido voltou-se até contra setores da elite paulista que antes o apoiavam – ou seja, quando a ditadura passou a atingir o próprio Estadão.

  • Mesmo durante os anos de censura explícita, o jornal nunca deixou de endossar o projeto político-militar dos generais. Limitou-se a criticar alguns “excessos” autoritários pontuais, sem jamais romper de fato com o regime.


Examinemos cada um desses pontos em detalhe, para contrastar o mito propagado pelo Estadão com a verdade histórica registrada em documentos e depoimentos da época.


Apoio entusiasmado ao golpe de 1964 e à ditadura (1964–1968)


Logo de início, convém lembrar que O Estado de S. Paulo apoiou decididamente o golpe militar de 31 de março de 1964. Longe de resistir, o jornal atuou como conspirador de primeira hora na derrubada do governo constitucional de João Goulart. Pesquisas históricas confirmam que Júlio de Mesquita Filho, então diretor do Estadão, esteve diretamente envolvido nas articulações golpistas desde o começo. Em entrevista, a historiadora Maria Aparecida de Aquino (USP) chega a afirmar que o Estadão "foi conspirador desde a primeira hora" na instauração do regime militar.


Cartas de Ruy Mesquita e Gilles Lapouge com debate sobre o golpe de 64 foram publicadas no Estadão em 21 de junho de 1964 Foto: Acervo Estadão - 21/06/1964
Cartas de Ruy Mesquita e Gilles Lapouge com debate sobre o golpe de 64 foram publicadas no Estadão em 21 de junho de 1964 Foto: Acervo Estadão - 21/06/1964

Nas semanas e meses seguintes ao golpe, o engajamento pró-ditadura do Estadão ficou evidente em sua linha editorial. O jornal saudou efusivamente a chamada “Revolução de 1964”, tratando os militares como salvadores da pátria. Chegou a aplaudir o primeiro Ato Institucional (AI-1) – que cassou mandatos e suspendeu direitos – alegando que era uma medida apoiada “pela totalidade do povo brasileiro”. Quando o general Castello Branco foi escolhido presidente pelo Congresso sob controle dos golpistas, o Estadão classificou a manobra como “legítima, admirável, uma conquista nacional”.


Não satisfeito em endossar o novo regime, o jornal muitas vezes cobrou uma linha ainda mais dura dos governantes militares. Entre 1964 e 1968, o Estadão demonstrou ser mais radical que os próprios generais “moderados” em certos momentos. Por exemplo, exigiu a ampliação da repressão contra políticos acusados de “subversão” e “corrupção”. O Estadão foi o veículo que mais se empenhou pela cassação dos direitos políticos do ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK), fazendo forte campanha para que JK – adversário dos militares – fosse expurgado da vida pública. Quando finalmente JK foi cassado pelo regime, o jornal exaltou a decisão em suas páginas, comemorando a “limpeza” política.


Em outubro de 1965, às vésperas de o governo decretar o segundo Ato Institucional, o Estadão publicou um editorial exigindo maior dureza da ditadura. Nesse texto, acusava o governo de manter uma “Revolução meio anêmica” e criticava a “timidez” dos militares em reprimir seus opositores. O jornal cobrava abertamente o estabelecimento de um estado de sítio e pedia “um segundo Ato Institucional” para acelerar a limpeza na vida política nacional. Quando o regime atendeu a esse clamor editando o AI-2 (em 27 de outubro de 1965), o Estadão aplaudiu: declarou que, sendo “revolucionários que somos”, considerava legítimo lançar mão de medidas de exceção para atingir os objetivos do movimento de 1964.


É chocante constatar hoje, mas está nos arquivos: o Estadão defendia a ditadura e até pressionava por mais autoritarismo nessa fase inicial. O próprio proprietário, Júlio Mesquita Filho, participava ativamente de articulações políticas para manter a unidade do regime. Segundo relatos da época, Mesquita agiu nos bastidores para evitar rompimentos dentro do campo golpista – por exemplo, tentando dissuadir o governador Carlos Lacerda (um aliado civil dos militares) de romper com o governo. Ou seja, o dono do Estadão não só apoiou o golpe: ele trabalhou para estabilizar e reforçar o novo regime, inclusive sugerindo expurgos adicionais de supostos “subversivos”.


Nada disso é compatível com uma postura de resistência. Pelo contrário, entre 1964 e 1968 o Estadão foi um dos pilares civis de sustentação da ditadura, alinhado tanto ideologicamente quanto em interesses econômicos. Importante lembrar que grande parte da elite empresarial e midiática brasileira lucrou ou se beneficiou com o regime militar – seja através de favores, publicidade estatal, concessões ou eliminação de concorrentes. No caso do Estadão, seu alinhamento político lhe rendeu prestígio junto ao governo e consolidou sua posição como principal jornal conservador de São Paulo. Em suma, nos anos iniciais não houve qualquer resistência; houve sim entusiasmo e até militância editorial a favor do regime.


Ruptura tardia: conflito só após o AI-5 (quando seus interesses foram atingidos)


Página de jornal de 1973 detalhando a censura e a repressão à imprensa livre nas Américas durante o período da ditadura militar
Página de jornal de 1973 detalhando a censura e a repressão à imprensa livre nas Américas durante o período da ditadura militar

Se o idílio inicial entre o Estadão e a ditadura foi marcante, quando esse casamento começou a azedar? A divergência só veio à tona quando o regime militar endureceu de vez e passou a não tolerar nem mesmo críticas moderadas de seus apoiadores tradicionais. Esse ponto de inflexão ocorreu a partir do final de 1968, com a promulgação do famigerado AI-5. O Ato Institucional nº 5 suspendeu garantias constitucionais, fechou o Congresso e escancarou de vez a repressão. Pela primeira vez, a ditadura voltou sua mira também contra setores da imprensa e da elite paulista que, até então, lhe davam suporte. Em outras palavras, o regime passou a ameaçar os interesses e a autonomia do próprio Estadão – e isso provocou atritos.


Um episódio simbólico marcou essa ruptura: na noite de 13 de dezembro de 1968, quando o AI-5 foi decretado, policiais militares invadiram a sede do Estadão, em São Paulo, e apreenderam a edição do jornal que estava para circular. O motivo? O diretor Júlio de Mesquita Filho recusara-se a obedecer à ordem dos censores para substituir um editorial crítico que sairia naquela edição, intitulado “Instituições em frangalhos”. Ou seja, logo nas primeiras horas do novo regime de exceção, o Estadão tentou publicar um artigo que lamentava a destruição das instituições democráticas – e a resposta dos militares foi mandar forças de segurança tomar à força os exemplares do jornal antes que chegassem às bancas. Ali começava, de forma nada gloriosa, a censura direta ao Estadão.


Esse confronto de 1968 mostra que, apenas quando o regime feriu seus donos, o Estadão esboçou alguma reação. Até então, mesmo discordando de pontos aqui e ali, o jornal seguia parceiro do projeto de 64. Mas o AI-5 representou um divisor de águas: a ditadura atirou no próprio pé ao atingir a grande imprensa tradicional. Com o fechamento político completo, setores liberais conservadores (como a família Mesquita) que apoiavam o regime passaram a se sentir traídos e ameaçados. Afinal, se nem eles tinham mais liberdade para publicar um simples editorial, o que restava? Esse choque de interesses deflagrou a “resistência” tardia do Estadão.


É importante notar, contudo, que essa mudança não se deu da noite para o dia em 1968. Nos anos seguintes ao AI-5, o Estadão oscilou entre leves desafios e muita cautela. De 1968 até 1972, prevaleceu a autocensura no jornal. A própria direção do Estadão tratava de evitar assuntos que pudessem desagradar os generais, ou então abordá-los com viés bastante pró-governo. Havia uma espécie de acordo tácito: o regime não tinha ainda imposto um censor residente no jornal, então cabia aos editores se “enquadrar” para não provocar ira do governo. Recados telefônicos e bilhetes eram enviados pelo governo listando temas proibidos, e na maior parte do tempo o Estadão seguia essas diretrizes voluntariamente. Em suma, mesmo desgostoso com os rumos mais autoritários, o jornal evitou peitar abertamente o regime por alguns anos após 1968.


Isso só muda em 1972, quando um novo confronto decisivo ocorre. Naquele ano, o Estadão preparou uma extensa reportagem especial sobre a perspectiva de anistia para os cassados e exilados políticos – uma pauta explosiva, pois falava em perdoar adversários do regime. O Serviço Nacional de Informações (SNI) tomou conhecimento e tentou convencer a direção do jornal a não publicar a matéria. Desta vez, porém, os Mesquita decidiram enfrentar a ordem e seguir com a publicação planejada. O resultado foi imediato: em 3 de setembro de 1972, agentes federais ocuparam a redação do Estadão, instaurando oficialmente a censura prévia no periódico. A partir desse dia, e pelos dois anos seguintes, nenhum artigo poderia ser publicado sem passar pelo crivo dos censores do regime.


A implantação da censura formal em 1972 confirma que a “resistência” do Estadão – no sentido de bater de frente com a ditadura – veio tarde e por necessidade. Somente quando o jornal não pôde mais ignorar que suas próprias liberdades e negócios estavam em risco é que a família Mesquita assumiu uma postura mais combativa. Note-se: em 1972 o jornal publicou uma reportagem que desagradou o governo não por altruísmo revolucionário, mas porque aquela informação (sobre sucessão presidencial e anistia) interessava ao público e ao próprio jogo político da época. A retaliação do regime acabou forçando o Estadão a se colocar como vítima da censura – papel no qual hoje gosta de posar. De setembro de 1972 até janeiro de 1975, contabilizaram-se 1.136 matérias inteiras ou em parte censuradas no Estadão, sobretudo sobre temas políticos e a repressão. Foram necessárias mais de mil investidas contra seu conteúdo para que o jornal finalmente alegasse estar “resistindo” abertamente.


Desse modo, fica claro que até onde os generais não atrapalhavam seus negócios ou ultrapassavam certos limites, o Estadão conviveu bem com a ditadura. A ruptura só se deu quando o cerco se fechou a ponto de sufocar o próprio jornal – seja politicamente, seja em termos de influência e receitas. A “burguesia paulista” que o Estadão representava foi atingida no calo, então o leão virou gato: passou de cúmplice a “opositor” em questão de poucos anos, conforme sua conveniência.


Uma resistência de fachada: crítica aos “excessos”, apoio ao projeto do regime


Mesmo após 1972, com censores sentados dentro da redação, será que o Estadão se tornou um bastião da resistência democrática? Os fatos indicam que não. Apesar de algumas manchetes censuradas e espaços em branco preenchidos com poesias, o jornal nunca abandonou seu alinhamento básico com o regime. Sua oposição se restringiu a criticar alguns abusos específicos, ao passo que continuou apoiando ou silenciando sobre o projeto autoritário maior.


Estado de S. Paulo, 02 de novembro de 1973. Fonte: Acervo Estadão.
Os espaços em branco sinalizam que ali estariam notícias que foram censuradas.

Dentro do Estadão, prevalecia a mentalidade de que os militares haviam salvado o país do “perigo comunista” em 1964 – tese com a qual os Mesquita concordavam – mas que alguns excessos precisavam ser moderados para preservar a “legalidade” e a ordem. Essa linha dúbia transparece em seus editoriais da época. Em essência, o jornal defendia os objetivos do regime (combate ao comunismo, reformas econômicas conservadoras, alinhamento com os EUA etc.), e apenas apontava o dedo contra certas violências ou arbitrariedades exageradas. Como observa a professora Maria de Aquino, a oposição do Estadão baseava-se numa perspectiva liberal: condenava o “abuso de poder” e a usurpação de direitos naturais pelo governo (tanto que combateram Goulart em 64 por motivos semelhantes), mas não rejeitava a existência de um regime de exceção em si. Ou seja, criticava a ditadura pelos seus excessos, mas não pelos seus fundamentos – que o jornal ajudara a lançar.


A própria prática diária no período de censura comprova essa conivência parcial. Diversos jornalistas do Estadão relataram que, mesmo com agentes do governo revisando o conteúdo, a rotina seguiu relativamente confortável. Havia, claro, matérias vetadas aqui e ali – principalmente sobre torturas, corrupção militar ou movimentos de oposição armada, que os censores invariavelmente cortavam. Porém, uma enorme quantidade de conteúdo alinhado aos interesses do regime continuou sendo publicada normalmente. Notícias econômicas, cobertura internacional anti-comunista, opinião favorável às políticas de desenvolvimento do governo Médici – nada disso era censurado porque o Estadão não via problema em noticiar dentro da ótica oficial. Em outras palavras, o jornal nunca se transformou num veículo de resistência frontal, daqueles que contestavam a legitimidade do regime ou clamavam pela redemocratização imediata. Pelo contrário, continuou conservador e cauteloso em suas posições.


Um testemunho contundente ilustra bem essa realidade. O veterano jornalista Carlos Chagas, que trabalhou no Estadão durante quase todo o período da ditadura, resumiu assim a postura do jornal:


“O jornal da família Mesquita é o melhor lugar para se trabalhar quando há ditadura, mas fica apenas conservador quando vem a democracia”.

A frase, além de irônica, revela muito. Significa que, sob o regime autoritário, o Estadão proporcionava a seus profissionais um ambiente acomodado com a situação, sem maiores conflitos – afinal, estava do lado “vencedor”. Já em tempos democráticos, o jornal volta ao seu papel tradicional de veículo conservador. Essa observação de Chagas confirma a postura confortável e conivente do Estadão durante os anos de chumbo, diferindo apenas de grau (e não de princípio) em relação aos militares. Em última instância, o Estadão jamais fez oposição ferrenha ao governo de plantão durante a ditadura; no máximo, praticou um jornalismo moderado, com frouxas críticas pontuais aos “exageros” mais grotescos (como a tortura sem controle ou a censura onipresente), enquanto endossava tacitamente todo o resto.


Na foto, um censor da ditadura militar trabalhando no prédio do Estadão em 1973.
Na foto, um censor da ditadura militar trabalhando no prédio do Estadão em 1973.

Também é revelador observar a atitude do jornal na fase final da ditadura e transição para a democracia. Durante a campanha de 1984 pelas Diretas Já – movimento popular clamando por eleições presidenciais livres – o Estadão inicialmente mostrou ceticismo e frieza. Em vez de se engajar de imediato na luta democrática, o jornal hesitou, questionando se a volta das eleições resolveria os problemas do Brasil e temendo a ascensão de líderes trabalhistas de esquerda (como Leonel Brizola) pelo voto popular. Somente quando ficou claro que 85% da população apoiava as Diretas e que o movimento era irreversível o Estadão aderiu, e mesmo assim não perdeu a chance de alfinetar as lideranças de esquerda (como Lula e o PT) que despontavam nos comícios. Essa relutância em abraçar a democracia nascente – mesmo após ter sido vítima da censura – expõe as contradições do jornal. Ficou nítido que o compromisso do Estadão sempre foi menos com a liberdade em si e mais com a ordem conservadora. Quando a “ordem” ditatorial ruiu, levou tempo até o jornal se reposicionar.


Todos esses fatos desmontam a ideia de que o Estadão foi um bastião resistente contra a ditadura. A verdade é que ele jamais deixou de apoiar o projeto militar autoritário em sua essência. Suas divergências com o regime foram circunstanciais e limitadas: discordou de métodos demasiado brutais, mas nunca do objetivo de barrar as esquerdas e reconfigurar o país sob orientação conservadora-militar. Enquanto os “excessos” pudessem ser corrigidos, o Estadão ficaria satisfeito. Não por acaso, mesmo ao fazer seu mea-culpa décadas depois, o jornal ainda se apega à justificativa de que temia uma “república sindicalista comunista” caso não houvesse golpe – ou seja, em nenhum momento reconhece que estava do lado errado da História, apenas alega que exageraram um pouquinho no autoritarismo.


Covardia travestida de heroísmo


FATO: o Estadão não “resistiu” à ditadura militar no sentido próprio do termo. Ele colaborou ativamente enquanto pôde, e só reclamou quando a repressão bateu à sua porta e ameaçou seus donos. A tão propalada publicação de poemas e receitas foi menos um ato de desafio corajoso e mais um gesto de autopreservação, quase um pedido de socorro elegante de quem ajudou a criar o monstro e depois não conseguia mais controlá-lo.


Julio Mesquita (sentado, no centro) na redação do 'Estadão': reforma editorial, aumento de circulação e assinaturas e atenção às notícias internacionais Foto: Acervo Estadão
Julio Mesquita (sentado, no centro) na redação do 'Estadão': reforma editorial, aumento de circulação e assinaturas e atenção às notícias internacionais Foto: Acervo Estadão

A família Mesquita, proprietária do jornal, conseguiu numa manobra cínica transformar sua própria covardia em heroísmo. Reescreveram a história para pintar a si mesmos como paladinos da liberdade de imprensa – quando na realidade foram cúmplices entusiasmados do regime por anos, silenciando diante de torturas e ilegalidades, e só se posicionando quando seus interesses empresariais e familiares foram atingidos. Essa transmutação de omissão em “resistência” e de cumplicidade em “vitimização” é estarrecedora.


Não é por acaso que, passadas décadas, o Estadão ainda tenta lapidar sua versão dos fatos. Em editoriais recentes alusivos aos 50 anos do golpe, por exemplo, o jornal admitiu (porque não tinha mais como negar) que Júlio Mesquita Filho apoiou e até conspirou pelo golpe de 64 – mas tenta absolver-se alegando que rompeu com a ditadura após um “desvio” autoritário no AI-2, e justificando o apoio inicial pelo temor do comunismo que João Goulart representaria. Essa narrativa autoindulgente busca ocultar que o jornal permaneceu alinhado ao regime mesmo nos anos mais duros, criticando apenas aquilo que considerava exagero. Ao se ouvir apenas o lado do Estadão, tem-se a impressão falsa de que ele foi quase uma resistência honrosa durante todo o período – quando, na verdade, abdicou de resistir quando mais importava, lá no começo, e seguiu lado a lado com os ditadores enquanto lhe foi conveniente.


Diante de todo o exposto, podemos concluir sem medo: a suposta “resistência” do Estadão à ditadura é uma farsa histórica. Trata-se de um dos casos mais escandalosos de falsificação da memória na imprensa mundial. Os fatos documentados – editoriais da época, pesquisas acadêmicas e até confissões posteriores – desmentem cabalmente a lenda heroica construída pelo jornal. É nosso dever, portanto, denunciar essa falsificação e fazer justiça à verdade histórica: o Estadão não foi herói coisa nenhuma, foi no máximo uma vítima tardia da própria ditadura que ajudou a instaurar, e tenta até hoje capitalizar em cima desse papel de vítima para limpar sua biografia. Não nos deixemos enganar por poemas em páginas vazias; a verdadeira resistência se faz com postura ética desde o princípio, e não reescrevendo a história depois que o perigo passou.


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