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Candidata a deputada federal pelo PT defende representação dos trabalhadores, participação das mulheres e enfrentamento ao racismo, à misoginia e à LGBTfobia; ato também recupera legado de Dom Hélder Câmara


Por Clara Mendes para O estopim |

29 de Agosto de 2026

Cobertura das Eleições 2026



Liana Cirne inaugura comitê no Recife e destaca direitos e combate à desigualdade
Liana Cirne inaugura comitê de campanha no Recife. Candidata a deputada federal pelo PT destaca trabalhadores, mulheres, combate ao racismo e legado de Dom Hélder Câmara | Foto: Reprodução/Instagram @lianacirne

A vereadora do Recife Liana Cirne, candidata a deputada federal pelo PT, inaugurou na noite de quinta-feira (27) seu comitê de campanha na Avenida Engenheiro Abdias de Carvalho, 136, no bairro da Madalena, no Recife. Nos vídeos do ato, Liana coloca a representação dos trabalhadores, a participação das mulheres, o combate às discriminações e a desigualdade social entre os temas que pretende levar à Câmara dos Deputados. A inauguração estava prevista para as 19h e integrou a agenda eleitoral realizada no Recife naquele dia.


Liana disputa uma cadeira de deputada federal por Pernambuco com o número 1310. A candidata está filiada ao PT e integra a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O pedido de registro da candidatura ainda aparecia como aguardando julgamento nos dados eleitorais atualizados no fim de agosto.


Liana afirma que entrou na disputa por considerar necessária uma representação parlamentar ligada às demandas das ruas. “Eu sou candidata a deputada federal porque eu tenho lado”, afirmou durante o lançamento. A candidata também disse que “o lugar onde fica político é na rua, junto com o povo”.


A relação entre mandato e mobilização popular aparece novamente quando Liana afirma que trabalhadores precisam de representantes no Parlamento e sustenta que “a voz das ruas não é a voz do gabinete”. O discurso associa a candidatura a uma atuação parlamentar que, segundo ela, deve levar reivindicações sociais para dentro do Congresso Nacional.


Outro eixo apresentado pela campanha é o enfrentamento ao racismo, à misoginia e à LGBTfobia. Ao discursar, Liana cita esses tipos de discriminação enquanto defende que grupos atingidos por essas violências tenham representação política. As falas são apresentadas no contexto de uma candidatura vinculada ao campo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A participação feminina também foi destacada em um dos discursos de apoio. A fala recupera a trajetória política de Liana, menciona sua atuação pelo PT e defende maior presença de mulheres comprometidas com pautas sociais nos espaços de decisão. Em determinado momento, a mensagem resume o argumento com a frase “não basta ser mulher”, vinculando representação de gênero a posicionamento e atuação política.


Liana também lembrou os 27 anos da morte de Dom Hélder Câmara. O arcebispo emérito de Olinda e Recife morreu em 27 de agosto de 1999, aos 90 anos, no Recife. A data do lançamento do comitê coincidiu, portanto, com o aniversário de sua morte.


Ao recuperar o legado do religioso, Liana usa a fome como ponto central do discurso. A candidata rejeita a ideia de que a pobreza possa ser explicada apenas por causas naturais e associa a permanência da fome a estruturas políticas de desigualdade, racismo e exclusão.


A referência feita por Liana acompanha uma frase historicamente associada a Dom Hélder sobre a diferença de reação entre alimentar pessoas pobres e questionar as causas da pobreza. A Fundação Joaquim Nabuco registra a formulação em sua biografia do religioso, enquanto o instituto dedicado à memória de Dom Hélder destaca sua atuação contra a miséria e na defesa de perseguidos políticos durante a ditadura militar.


A inauguração do comitê reuniu integrantes da chapa e aliados da candidatura. Entre os presentes estavam João Campos, candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, Carlos Costa, candidato a vice-governador, Humberto Costa e Marília Arraes, candidatos ao Senado, Ivete Caetano, candidata a Alepe, além da senadora Teresa Leitão.


O ato também expôs a vinculação da candidatura de Liana ao projeto eleitoral que reúne setores do PT e do PSB em Pernambuco. Durante a inauguração, Teresa Leitão afirmou que a candidatura da vereadora está inserida em um projeto político mais amplo e citou expressamente João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes.


Liana chega à disputa federal depois de dois mandatos conquistados na Câmara do Recife. A passagem da política municipal para uma candidatura à Câmara dos Deputados aparece vinculada principalmente a direitos sociais, representação dos trabalhadores, participação feminina e combate às desigualdades.


Liana foi eleita vereadora do Recife em 2020 e conquistou novo mandato em 2024. Em 2022, disputou uma cadeira de deputada federal e ficou na suplência. Nos registros da eleição de 2026, a candidata declarou ao TSE a profissão de professora de ensino superior.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Atua na cobertura factual de política, eleições e acontecimentos do dia, com foco em apuração, verificação e interesse público.

Vereadora do Recife e candidata a deputada federal contesta defesa da negociação individual entre patrão e empregado e cita caso de trabalhadora impedida de ir ao banheiro no Grande Recife


Por Clara Mendes para O estopim |

23 de agosto de 2026

Cobertura das Eleições 2026



Liana Cirne critica equipe de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6x1.
Liana Cirne critica equipe de Flávio Bolsonaro sobre fim da escala 6x1. | Foto: Reprodução

A vereadora do Recife e candidata a deputada federal Liana Cirne (PT) criticou, em vídeo compartilhado em seu perfil nas redes sociais, declarações de Daniella Marques, coordenadora da pauta econômica do plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL), que classificou como “populista” e “inócuo” o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1. Liana questionou a defesa de que empregados e patrões definam individualmente as condições da jornada de trabalho.


Daniella Marques afirmou na sexta-feira (21), durante o 25º Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, que trabalhadores deveriam ter liberdade para negociar diretamente com empregadores, sem interferência do Estado. A economista também defendeu que diferentes modelos de jornada permaneçam permitidos e disse que a redução da carga horária precisa considerar os custos para as empresas.


No vídeo, Liana Cirne contesta a premissa de igualdade entre as duas partes de uma relação de emprego.


“Patrão não negocia. A única negociação que existe é: quer ou não quer”, afirma a candidata.

Liana sustenta que o empregado está em posição diferente daquela ocupada pelo empregador no momento da contratação e questiona a possibilidade de uma negociação individual ocorrer em condições equivalentes.


A parlamentar também cita um caso recente ocorrido na Região Metropolitana do Recife para exemplificar a relação de poder no ambiente de trabalho.


Uma operadora de caixa de 31 anos relatou ter sido impedida de usar o banheiro durante uma jornada de 18 horas em uma unidade do Novo Atacarejo em São Lourenço da Mata. Segundo o processo trabalhista, a funcionária solicitou autorização para deixar o caixa, aguardou cerca de 40 minutos pela substituição e urinou nas próprias roupas. A Justiça do Trabalho manteve em segunda instância a condenação da empresa ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais.


O Novo Atacarejo afirmou que não admite práticas de abuso, constrangimento, discriminação, violência ou assédio e informou que pretende utilizar os recursos previstos em lei por considerar que a sentença não representa integralmente o contexto discutido no processo.


Ao mencionar o episódio, Liana argumenta que situações desse tipo demonstram os limites da negociação individual entre trabalhadores e empregadores.


A declaração da vereadora ocorre no momento em que o Congresso Nacional discute mudanças constitucionais na jornada de trabalho.


A Câmara dos Deputados aprovou em 27 de maio, em dois turnos, a PEC 221/2019. O texto estabelece jornada máxima de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias, com dois dias de descanso e sem redução salarial. A proposta recebeu 461 votos favoráveis e 19 contrários no segundo turno.


Pela regra de transição aprovada pelos deputados, a jornada passaria para 42 horas semanais 60 dias após a eventual promulgação da emenda, já com dois dias de repouso. Doze meses depois, o limite cairia para 40 horas. O texto também prevê regras específicas para determinadas categorias e mantém espaço para acordos e convenções coletivas.


A proposta chegou à Comissão de Constituição e Justiça do Senado na sexta-feira (21), dois dias antes da publicação do vídeo de Liana. O senador Omar Aziz (PSD-AM) foi designado relator. Caso seja aprovada na comissão, a PEC ainda terá de passar por dois turnos no plenário do Senado, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada votação.


No encerramento do vídeo, Liana leva o debate para a disputa presidencial. A candidata associa a defesa da redução da jornada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contrapõe essa posição à proposta defendida pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro.


Daniella Marques foi presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro e atualmente coordena a área econômica da campanha presidencial de Flávio. Sua posição é que o Estado deve reduzir a interferência na definição das jornadas e permitir maior liberdade contratual entre trabalhadores e empresas.


Liana Cirne está no segundo mandato como vereadora do Recife pelo PT e atualmente disputa uma vaga de deputada federal por Pernambuco com o número 1310.


O debate sobre a escala 6x1 passou, assim, a integrar também a campanha presidencial de 2026. Enquanto a equipe econômica de Flávio Bolsonaro questiona a mudança e defende negociação individual sobre jornadas, Lula e aliados defendem a redução da carga horária e o texto aprovado pela Câmara segue em análise no Senado.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre política, poder e acontecimentos do dia com foco em apuração, verificação e interesse público.

Vereadora do Recife entra na chapa da federação PT, PCdoB e PV; registro ainda será submetido ao TRE-PE até 15 de agosto.


Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

21 de julho de 2026



Liana Cirne durante convenção da Federação Brasil da Esperança no Recife ao lado da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do senador e candidato a reeleição Humberto Costa (PT-PE) | Foto: Assessoria/Liana Cirne
Liana Cirne durante convenção da Federação Brasil da Esperança no Recife ao lado da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do senador e candidato a reeleição Humberto Costa (PT-PE) | Foto: Assessoria/Liana Cirne

Liana Cirne, do PT, teve candidatura a deputada federal homologada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, nesta segunda (20). A escolha ocorreu durante a convenção estadual realizada no Hotel Jangadeiro, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.


A decisão encerra a etapa interna de escolha do nome pela federação, mas ainda não representa o deferimento definitivo da candidatura pela Justiça Eleitoral. O pedido de registro deverá ser apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, responsável por analisar a documentação e as condições legais para a disputa.


Após a convenção, Liana afirmou que pretende associar sua campanha ao fortalecimento da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso.

“Nossa candidatura à Câmara dos Deputados foi homologada. Estou animada para reforçar o time do presidente Lula em Brasília. Chegou a hora de Pernambuco colocar a força de quem luta contra a extrema-direita lá no Congresso. É uma candidatura que vem da educação, da classe trabalhadora, do campo progressista e que defende de verdade as bandeiras da nossa esquerda. Vamos construir essa vitória juntas e juntos”, declarou.

A manifestação representa o posicionamento político e eleitoral da candidata. A homologação foi confirmada em publicação nas redes de Liana e em informações distribuídas por sua assessoria.


A convenção partidária é a reunião na qual partidos e federações escolhem formalmente as pessoas que pretendem lançar nas eleições. Em 2026, essas reuniões podem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.


Depois da escolha, a federação precisa enviar o pedido de registro à Justiça Eleitoral até as 19h de 15 de agosto. No caso das candidaturas a deputada federal por Pernambuco, a análise cabe ao TRE-PE.


O tribunal verificará filiação partidária, domicílio eleitoral, documentação, condições de elegibilidade e eventuais causas de inelegibilidade. Somente depois desse processo haverá uma decisão judicial sobre o registro.


A propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet poderá começar em 16 de agosto. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro de 2026.


Liana Cirne já disputou uma vaga na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2022, recebeu 57.284 votos, equivalentes a 1,15% dos votos válidos para o cargo em Pernambuco.


Ela não foi eleita, mas ficou na primeira suplência da Federação Brasil da Esperança no estado. O resultado tornou a vereadora um dos nomes considerados pelo PT para uma nova disputa federal.


Dois anos depois, Liana foi reeleita para a Câmara Municipal do Recife com 14.810 votos, ou 1,67% dos votos válidos. Foi a sétima candidata mais votada entre os vereadores eleitos na capital pernambucana.


A comparação entre os dois resultados exige cautela. A eleição para vereadora ocorre apenas dentro do Recife, enquanto a disputa para a Câmara dos Deputados envolve eleitores de todo o estado. O desafio da candidatura será transformar uma base consolidada na capital e na Região Metropolitana em apoio distribuído pelo território pernambucano.


A entrada de Liana na chapa não foi uma decisão de última hora. A parlamentar apresentou publicamente sua pré-candidatura em julho de 2025, durante um evento realizado em Olinda com a presença de dirigentes partidários, parlamentares e representantes de organizações sindicais.


Na ocasião, Liana reconheceu que sua campanha de 2022 havia ficado mais concentrada na Região Metropolitana e indicou que precisaria ampliar a presença em outras regiões do estado. Desde então, participou de agendas com dirigentes e lideranças municipais no Agreste pernambucano.


Esse movimento revela uma das principais linhas da estratégia eleitoral: preservar o eleitorado formado no Recife e buscar novas bases no interior.


A convenção da Federação Brasil da Esperança não tratou apenas das chapas proporcionais. PT, PCdoB e PV também oficializaram o apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco e confirmaram o senador Humberto Costa como candidato à reeleição.


Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente estadual do PT e da federação, deputado federal Carlos Veras, ao lado do presidente estadual do PV, deputado federal Clodoaldo Magalhães, e da dirigente estadual do PCdoB, Thiara Milhomem.


A candidatura de Liana, portanto, integra uma articulação mais ampla para vincular as chapas proporcionais ao projeto nacional do presidente Lula e à aliança construída pela federação na disputa estadual.


Liana Cristina da Costa Cirne Lins é advogada, doutora em Direito, professora da Faculdade de Direito do Recife, vinculada à Universidade Federal de Pernambuco, e vereadora pelo Partido dos Trabalhadores.


A Câmara Municipal confirma que ela exerce mandato pelo PT. A UFPE a relaciona entre as professoras da área de Direito Processual e Prática Jurídica do Centro de Ciências Jurídicas.


Em seu mandato, Liana tem associado sua atuação a temas como direitos humanos, educação pública, direitos das mulheres, proteção das pessoas com deficiência, participação popular e políticas sociais. Essas prioridades também aparecem no discurso apresentado após a convenção.


A homologação acrescenta à chapa da federação uma candidata com votação relevante no Recife, presença digital e vínculos com setores da educação, do funcionalismo público, dos movimentos sociais e do eleitorado progressista urbano.


Isso não significa, isoladamente, que a candidatura esteja próxima de conquistar uma cadeira. A eleição para deputada federal segue o sistema proporcional. O resultado depende dos votos individuais recebidos por cada candidatura e da soma alcançada pelo partido ou pela federação.


Na prática, Liana concorrerá contra candidaturas de outras legendas e também disputará posições dentro da própria chapa da Federação Brasil da Esperança. Seu desempenho estará ligado à capacidade coletiva de PT, PCdoB e PV de atingir os quocientes exigidos para a distribuição das vagas.


A votação de 2022 demonstra que existe uma base eleitoral anterior. A eleição municipal de 2024 indica crescimento no Recife. O ponto ainda em aberto é a capacidade de converter esse capital político em uma votação estadual suficientemente ampla.


Caso seja eleita, Liana deixará a Câmara Municipal do Recife antes do encerramento do mandato iniciado em 2025, permitindo a convocação de suplente conforme as regras aplicáveis ao Legislativo municipal.


No Congresso, sua eventual atuação dependerá da composição das bancadas, das comissões e das negociações legislativas. A candidatura declara como prioridades a educação pública, os direitos humanos, a democracia e os direitos sociais, mas propostas concretas e compromissos legislativos deverão ser avaliados ao longo da campanha.


A confirmação em convenção também amplia o debate sobre a representação feminina na bancada pernambucana. A homologação, entretanto, não permite antecipar o resultado eleitoral nem substitui a análise das propostas que serão apresentadas aos eleitores.


A Federação Brasil da Esperança deverá protocolar o registro de Liana Cirne e dos demais integrantes da chapa até as 19h de 15 de agosto.


Após o protocolo, a Justiça Eleitoral publicará os dados da candidatura e abrirá os prazos legais para impugnações, apresentação de documentos e julgamento do registro.

A campanha eleitoral geral poderá começar em 16 de agosto. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro. Como deputada federal é um cargo eleito pelo sistema proporcional, não existe segundo turno para essa disputa.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim. Cobre política nacional e internacional, análise de conjuntura e as relações entre poder, democracia e justiça social, com rigor documental e compromisso com a apuração.


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