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Presidente do STF dá 24 horas a André Mendonça para abrir peças vinculadas à PET 15.556; apenas diligências em curso ficam sob sigilo.


Por Mateus Ayres para O estopim |

11 de setembro de 2026


Edson Fachin, presidente do STF, determinou ampliação da abertura dos documentos do Caso Master.
Edson Fachin, presidente do STF, determinou ampliação da abertura dos documentos do Caso Master. | Foto: Reuters

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou nesta sexta (11) que o ministro André Mendonça providencie, em até 24 horas, a retirada do sigilo de todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, processo central das investigações do Banco Master e da Operação Compliance Zero no STF.


A decisão atende a pedido da Procuradoria-Geral da República, assinado pelo vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand, que considerou incompleto o conjunto de documentos tornado público na noite de quinta (10). Fachin também recebeu pedidos de Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin pela ampliação do acesso aos autos.


A ordem preserva apenas documentos relacionados a diligências em andamento ou futuras quando a divulgação puder comprometer a execução das medidas. O restante do material deverá ser aberto e encaminhado à Presidência do Supremo e aos gabinetes dos ministros da Corte.


A nova determinação amplia a abertura promovida menos de 24 horas antes por Mendonça. Na quinta (10), o relator havia retirado o sigilo da PET 15.556 e de outros 14 procedimentos vinculados ao Caso Master.


PGR diz que primeira abertura deixou documentos de fora


A manifestação da Procuradoria-Geral da República foi decisiva para a nova intervenção de Fachin.


No pedido encaminhado à Presidência do STF, Hindemburgo Chateaubriand afirmou que a relação apresentada após a primeira quebra de sigilo não abrangia grande parte dos procedimentos relacionados à investigação mais ampla da Operação Compliance Zero.


A PGR sustentou que a abertura precisava alcançar todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, mantendo reservadas apenas as diligências cuja eficácia dependesse do sigilo.


A manifestação alterou o alcance da abertura determinada na noite anterior.


Até então, estavam públicos a PET 15.556, os Inquéritos 5.026 e 5.035, a Reclamação 88.121 e as Petições 15.198, 15.478, 15.504, 15.562, 15.563, 15.693, 15.976, 15.977, 15.978, 16.019 e 16.662. A ordem desta sexta (11) não fica limitada a essa lista.


Moraes afirma que 180 documentos permaneceram sob sigilo


Alexandre de Moraes também procurou Fachin para pedir a abertura integral dos autos.


Segundo Moraes, a providência adotada por Mendonça na quinta (10) manteve 180 documentos fora do conjunto disponibilizado. O ministro afirmou que houve uma escolha seletiva das peças liberadas e pediu o levantamento de todo o material relacionado ao Caso Master.


Moraes também pediu que o plenário analise conjuntamente a PET 16.662, que reúne o relatório da Polícia Federal com referências a ele encontradas no material de Daniel Vorcaro, e a PET 16.704, que contém questionamentos sobre a condução das investigações por André Mendonça.


A sessão extraordinária inicialmente convocada por Fachin para terça (15) tinha como foco a PET 16.662.


Zanin quer acesso ao conteúdo completo do celular de Vorcaro


Cristiano Zanin fez outro pedido à Presidência do Supremo.


O ministro solicitou acesso completo às mídias extraídas do celular de Daniel Vorcaro, e não apenas aos relatórios produzidos a partir do aparelho.


Zanin pediu que os dados sejam encaminhados em um HD específico para permitir a análise direta do conteúdo antes da sessão do plenário.


O movimento amplia a discussão sobre a diferença entre os relatórios elaborados pela Polícia Federal e o conjunto bruto de informações apreendidas no telefone do ex-controlador do Banco Master.


Da abertura parcial à ordem de Fachin para liberar todos os autos


A decisão desta sexta é a segunda intervenção de Fachin sobre o sigilo do Caso Master em menos de um dia.


Na noite de quinta (10), Fachin pediu a Mendonça que retirasse o sigilo da PET 15.556 e dos procedimentos relacionados, além de determinar o compartilhamento integral dos processos com os ministros do Supremo.


Mendonça respondeu retirando o segredo de Justiça de 15 procedimentos.


Horas depois, a PGR afirmou que a relação continuava incompleta. Moraes apontou a permanência de 180 documentos protegidos e Zanin pediu acesso direto às mídias do celular de Vorcaro.


Fachin então fixou o prazo de 24 horas para uma nova abertura, agora abrangendo todas as peças e procedimentos vinculados à PET 15.556.


Por que a PET 15.556 é central


A PET 15.556 ocupa posição central na estrutura processual das investigações relacionadas ao Banco Master no Supremo.


Foi a partir desse conjunto de autos que surgiram desdobramentos e novos procedimentos hoje distribuídos na Corte.


A PET 16.662, incluída por Fachin na sessão extraordinária de terça (15), foi formada a partir de material relacionado à PET 15.556. Nela está o relatório da Polícia Federal produzido a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro e que levou ao STF mensagens, documentos e referências a autoridades.


A abertura completa dos documentos vinculados à petição pode, portanto, expor peças que não apareceram na primeira leva tornada pública por Mendonça.


Decisão amplia acesso antes do julgamento no plenário


A medida ocorre quatro dias antes da sessão extraordinária convocada para terça (15), às 10h.


Os ministros deverão analisar os desdobramentos do relatório produzido pela Polícia Federal e a crise aberta dentro do próprio Supremo depois da divulgação de mensagens e referências envolvendo Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e outros integrantes de instituições federais.


A abertura dos autos também permitirá que os ministros trabalhem sobre um conjunto documental mais amplo do que aquele inicialmente disponibilizado.


Esse é um dos pontos centrais do pedido da PGR. A Procuradoria defendeu tratamento uniforme para documentos ligados à mesma investigação e questionou a manutenção de uma abertura fragmentada dos autos.


Mais documentos podem revelar novas frentes do Caso Master


A primeira leva aberta pelo STF já expôs investigações que ultrapassam o núcleo originalmente conhecido das suspeitas envolvendo o Banco Master.


Os documentos mostram apurações sobre vazamento de informações do Banco Central, núcleos identificados pela PF como “A Turma” e “Os Meninos”, contratação de influenciadores, operações com fundos, relações com autoridades e diferentes estruturas usadas por Daniel Vorcaro e seus interlocutores.


A ordem desta sexta amplia o universo documental disponível.


A diferença agora é que a referência deixa de ser a lista escolhida na primeira abertura e passa a ser o conjunto de peças e procedimentos vinculados à PET 15.556, descontadas as diligências que ainda dependem de reserva.


Para O estopim, a nova abertura permitirá comparar documentos, datas, decisões, relatórios policiais e movimentações processuais que até esta sexta permaneciam fora do acesso público.


Impacto institucional


A decisão também reforça a atuação de Fachin na condução da crise aberta dentro do Supremo.


Desde o início da semana, o presidente da Corte passou a centralizar decisões envolvendo ministros, suspendeu determinações conflitantes e convocou uma sessão extraordinária para que o plenário enfrente coletivamente a disputa.


A abertura ampla dos autos acrescenta outro elemento a essa estratégia: os ministros terão acesso ao mesmo conjunto documental antes de analisar o caso.


A medida atende à cobrança da PGR por uniformidade e responde diretamente às críticas de Moraes de que documentos estavam sendo liberados de forma seletiva.


O que acontece agora


André Mendonça tem até sábado (12) para cumprir a determinação e providenciar o levantamento do sigilo das peças e procedimentos vinculados à PET 15.556.


Diligências em andamento ou futuras poderão permanecer protegidas quando a publicidade comprometer sua execução.


Os documentos também deverão ser encaminhados à Presidência do STF e aos gabinetes dos ministros.


Na terça (15), às 10h, o Supremo realizará a sessão extraordinária convocada por Fachin para analisar a crise relacionada ao relatório da Polícia Federal e seus desdobramentos.


O estopim acompanhará a liberação dos novos documentos e fará a leitura das peças à medida que forem disponibilizadas no sistema do Supremo.


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Mateus Ayres é jornalista de O estopim, com atuação em política nacional, internacional e análise de conjuntura. Seu trabalho acompanha as relações entre poder, instituições e justiça social com rigor documental e compromisso com o interesse público.

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