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Imagem usada no conteúdo viral foi gerada por inteligência artificial; presidente passou por cirurgia no quadril direito naquele ano


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

17 de agosto de 2026


Fake: Lula não teve perna amputada em 2023
Fake: Lula não teve perna amputada em 2023 | Foto: Reprodução

É falsa a afirmação de que Luiz Inácio Lula da Silva revelou ter amputado uma das pernas em 2023. Não há registro público dessa declaração e as imagens que mostram o presidente em um leito hospitalar sem parte da perna não são fotografias reais.


Em 29 de setembro de 2023, Lula passou por uma artroplastia total do quadril direito para tratar uma artrose. O procedimento colocou uma prótese na articulação e na parte superior do fêmur. Não houve amputação.


O próprio Lula falou posteriormente sobre a recuperação e afirmou que havia feito uma cirurgia no quadril. Em novembro de 2023, uma transcrição oficial do Planalto registrou o presidente dizendo que estava recuperado do procedimento.


A imagem usada no conteúdo analisado também é falsa. A mesma montagem foi verificada pelo Aos Fatos nesta segunda-feira, 17. A agência submeteu as imagens a ferramenta de detecção de conteúdo sintético e identificou indícios de geração por inteligência artificial, além de inconsistências visuais.


Há ainda uma contradição objetiva na montagem: ela simula uma amputação na perna esquerda, enquanto o procedimento realizado por Lula em 2023 ocorreu no quadril direito.


A checagem: Lula não teve a perna amputada em 2023 e não afirmou que isso aconteceu. A publicação combina uma alegação sem fonte com imagens produzidas artificialmente.


Classificação: FALSO.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim, com atuação na cobertura de política, acontecimentos urgentes e checagem de informações.

Filiação registrada em 12 de agosto cancelou automaticamente vínculo anterior com o PL; campanha e Missão alegam fraude, mas TSE descarta invasão de seu sistema


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

13 de agosto de 2026


Cadastro do TSE mostrou Flávio Bolsonaro filiado ao Missão e atrasou registro pelo PL. Campanha alega fraude, mas TSE nega invasão ao sistema.
Cadastro do TSE mostrou Flávio Bolsonaro filiado ao Missão e atrasou registro pelo PL. Campanha alega fraude, mas TSE nega invasão ao sistema.

É verdadeira, com ressalvas, a informação de que Flávio Bolsonaro apareceu nesta quinta-feira, 13, como filiado ao partido Missão no sistema da Justiça Eleitoral e, por causa disso, não conseguiu formalizar naquele momento sua candidatura à Presidência pelo PL.


A certidão consultada por veículos de imprensa registrava filiação de Flávio ao Missão em 12 de agosto de 2026 e mostrava encerrado, na mesma data, o vínculo que ele mantinha com o PL desde 8 de dezembro de 2021. A imagem divulgada nas redes é compatível com esses dados.


Isso não significa, porém, que Flávio tenha pedido para trocar de partido. A campanha afirma que a inclusão foi fraudulenta. O próprio Missão também declarou ter sido vítima de uma filiação fraudulenta, disse que tentou cancelar o registro e afirmou ter alertado o gabinete do senador antes do episódio. O partido prometeu entregar logs, e-mails e endereços de IP às autoridades. Essas alegações ainda dependem de apuração.


Não há confirmação de ataque hacker ao TSE


Esse é o principal ponto que precisa ser corrigido na narrativa que circula. O TSE informou que não houve hackeamento de seu sistema. Segundo o tribunal, a filiação foi cadastrada por um usuário vinculado ao Missão. Portanto, a hipótese de invasão ao TSE levantada inicialmente pela campanha não está confirmada.


As regras oficiais ajudam a explicar o episódio. O sistema FILIA possui um módulo externo utilizado pelos partidos para inserir informações de filiados. A Resolução TSE nº 23.596 estabelece que os dados são fornecidos pelas próprias legendas e que o registro correto é responsabilidade do órgão partidário.


A mesma resolução determina que, quando aparecem filiações simultâneas a partidos diferentes, prevalece a mais recente e as anteriores são canceladas automaticamente. Foi esse mecanismo que fez o vínculo de Flávio com o PL aparecer encerrado depois da inclusão no Missão. Isso é diferente de dizer que o senador pediu voluntariamente sua desfiliação.


A norma também prevê que, se houver indícios de falsidade, fraude ou simulação na inclusão de uma filiação, o caso deve ser comunicado ao Ministério Público Eleitoral para apuração e o registro pode ser posteriormente anulado por decisão competente.


Candidatura de Flávio Bolsonaro não foi indeferida


Também é impreciso interpretar o episódio como uma rejeição definitiva da candidatura de Flávio Bolsonaro. O que ocorreu foi um impedimento temporário ao registro, porque o cadastro eleitoral naquele momento não mostrava a filiação necessária ao PL. A equipe jurídica acionou o TSE para restabelecer o vínculo anterior.


A legislação exige que quem disputa uma eleição esteja filiado ao partido pelo qual concorrerá há pelo menos seis meses. O pedido de registro para presidente deve ser apresentado ao TSE até as 19h de 15 de agosto.


Até as informações públicas consultadas nesta quinta-feira, o problema ainda era tratado como um atraso a ser solucionado antes do fim desse prazo.


A checagem: é fato que o cadastro da Justiça Eleitoral mostrou Flávio Bolsonaro filiado ao Missão e que isso impediu temporariamente o registro de sua candidatura pelo PL. Não está comprovado que ele tenha solicitado essa filiação. Também não há confirmação de ataque hacker ao TSE; o tribunal negou invasão de seu sistema.


Classificação: VERDADEIRO.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim, com atuação na cobertura de política, eleições e checagem de informações.

Vídeo viral corta o início da declaração e transforma crítica feita pelo petista a Bolsonaro em uma afirmação atribuída ao próprio Lula


Por Clara Mendes para O estopim |

Cobertura das Eleições 2026

12 de agosto de 2026


Vídeo corta fala de Lula e faz parecer que ele atribuiu sua vitória ao analfabetismo no Nordeste. Gravação completa mostra outro contexto.
Vídeo corta fala de Lula e faz parecer que ele atribuiu sua vitória ao analfabetismo no Nordeste. Gravação completa mostra outro contexto. | Foto: Reprodução

É falso que Luiz Inácio Lula da Silva tenha afirmado que venceu Jair Bolsonaro em 2022 “porque o povo nordestino é analfabeto”.


A frase aparece em vídeos e áudios que circulam nas redes, mas o trecho foi cortado. Na gravação completa, feita em São Bernardo do Campo em 6 de outubro de 2022, Lula diz: “Ontem, o meu adversário disse que eu só ganhei as eleições dele porque o povo nordestino é analfabeto.” Em seguida, critica a associação entre analfabetismo e responsabilidade individual.


A declaração veio um dia depois de Bolsonaro comentar uma reportagem da CNN sobre o desempenho eleitoral de Lula nos estados com maiores taxas de analfabetismo. Bolsonaro relacionou os dados ao Nordeste e atacou governos de esquerda. A própria CNN registrou que não havia comprovação de relação causal entre taxa de analfabetismo e escolha eleitoral.


Portanto, Lula pronunciou essas palavras, mas não as apresentou como sua opinião nem como explicação para sua vitória. Ele estava reproduzindo e contestando uma fala atribuída ao adversário. O corte que elimina essa introdução altera o sentido original.


Classificação: fake, por edição fora de contexto.


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