Vídeo usado na publicação é real, mas a imagem que mostra o político segurando um copo de cerveja não é uma fotografia do evento
Por Clara Mendes para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026
8 de agosto de 2026
Imagem que mostra João Campos em um bar com copo de cerveja foi criada por inteligência artificial. Vídeo original não comprova embriaguez.
É falsa a apresentação de uma imagem de João Campos em um bar, segurando um copo de cerveja, como se fosse uma fotografia real. A imagem foi gerada por inteligência artificial e utilizada como capa de uma publicação que questionava se o político estaria bêbado. A informação sobre a origem sintética da imagem também foi registrada pela revista Veja.
O vídeo associado à postagem, porém, é real. Nele, Campos aparece em uma festa junina e afirma que voltaria ao evento no ano seguinte “como governador eleito”. A gravação não mostra a cena criada artificialmente em que ele aparece dentro de um bar segurando cerveja.
A publicação foi divulgada por perfis ligados ao MBL de Pernambuco com uma legenda que perguntava se João Campos estava bêbado. Em decisão preliminar, a Justiça Eleitoral negou o pedido de remoção e considerou a referência à embriaguez uma interpretação subjetiva sobre o comportamento exibido no vídeo, não a afirmação de um fato objetivo.
A checagem: a imagem de João Campos segurando cerveja no bar não é uma fotografia real. Já o material disponível não permite afirmar que ele estivesse bêbado ou sóbrio durante o evento.
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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim, com atuação na cobertura de política, eleições e checagem de informações.
Lula erra dado histórico, Flávio atribui ao petista frase de Dilma e outros nomes da disputa usam informações falsas, exageradas ou acusações sem decisão judicial
Por Clara Mendes para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026
8 de agosto de 2026
Declarações recentes de nomes da disputa pela Presidência misturaram erros factuais, exageros e acusações apresentadas sem o contexto necessário. As distorções atingem diferentes campos políticos.
Lula errou ao comparar Flávio Bolsonaro a Joaquim Silvério dos Reis e afirmar que o delator de Tiradentes foi enforcado. Joaquim Silvério não foi executado. Quem morreu na forca, em 1792, foi Tiradentes.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, atribuiu a Lula uma declaração que ele não fez. O senador afirmou que o presidente havia dito que faria “o diabo” para conseguir a reeleição. A frase semelhante foi pronunciada por Dilma Rousseff em 2013, quando afirmou que era possível “fazer o diabo” em período eleitoral.
Ronaldo Caiado também apresentou informações incorretas ao atacar os governos petistas. Em abril, exagerou ao dizer que a economia não cresceu durante as administrações do PT e fez afirmações falsas sobre fome e o desempenho de Goiás no Ideb. Romeu Zema afirmou que o governo Lula não havia proporcionado ganhos reais à população, apesar de dados mostrarem aumento real do salário mínimo e da renda média.
Renan Santos chamou Flávio de “ladrão” e “criminoso” ao citar o antigo caso das rachadinhas e outras suspeitas. O caso da rachadinha foi encerrado sem condenação do senador após decisões que anularam provas e levaram ao arquivamento das investigações. Renan também já fez afirmações classificadas como falsas ou exageradas sobre os julgamentos do 8 de janeiro, escolas e pesquisas eleitorais.
As checagens mostram que informação incorreta na disputa presidencial não está restrita a uma candidatura ou campo político. Declarações de campanha precisam ser confrontadas com documentos, dados oficiais e o contexto original das falas.
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Arquivamento de uma denúncia genérica no MPF não representa absolvição das imputações feitas pela comissão do Senado; STF abriu novo inquérito sobre fatos apontados pela CPI em 2025
Por Clara Mendes para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026
7 de agosto de 2026
Presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM); vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
É falso afirmar que Jair Bolsonaro foi inocentado das acusações feitas pela CPI da Covid-19. A alegação mistura procedimentos diferentes e transforma o arquivamento de uma denúncia específica no Ministério Público Federal em uma absolvição que não ocorreu.
A informação voltou a circular depois que o MPF arquivou, em fevereiro de 2026, uma Notícia de Fato que atribuía a Bolsonaro e integrantes de sua família uma série de crimes, incluindo corrupção e genocídio durante a pandemia. A procuradora responsável considerou que aquela representação apresentava alegações genéricas e não continha elementos mínimos para justificar a abertura de uma investigação criminal. O procedimento não correspondia ao relatório final da CPI da Covid.
O arquivamento também não declarou que Bolsonaro era inocente. A decisão tratou exclusivamente da insuficiência dos elementos apresentados naquela representação. Especialista ouvido pela AFP explicou que encerrar uma denúncia nessas condições não equivale a absolver o investigado nem impede que os mesmos fatos sejam apurados em outros procedimentos.
A CPI da Pandemia aprovou, em outubro de 2021, um relatório que recomendou o indiciamento de Bolsonaro por nove tipos de ilícitos: prevaricação, charlatanismo, epidemia com resultado morte, infração de medida sanitária preventiva, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, falsificação de documento particular, crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade.
Também é incorreto afirmar que o relatório final da CPI acusou Bolsonaro de genocídio. Essa imputação chegou a ser discutida durante a elaboração do documento, mas foi retirada antes da versão final aprovada pelos senadores.
Além disso, em setembro de 2025, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, acolheu pedido da Polícia Federal e determinou a abertura de inquérito para investigar fatos apresentados pela CPI da Pandemia. O STF registrou que o relatório apontava indícios que justificavam novas diligências.
Houve arquivamentos de apurações específicas derivadas da CPI ao longo dos anos, mas isso não produziu uma decisão judicial que absolvesse Bolsonaro, de forma geral, das nove imputações aprovadas pela comissão. Em 2022, por exemplo, o STF chegou a rejeitar pedidos da PGR para encerrar três procedimentos e determinou novas diligências.
Portanto, a afirmação de que Bolsonaro foi “inocentado pela CPI da Covid” ou “inocentado das acusações da CPI” é falsa. Uma CPI não condena nem absolve criminalmente: ela investiga e encaminha suas conclusões aos órgãos responsáveis pela persecução penal. O arquivamento de um procedimento específico não apaga automaticamente outras investigações nem constitui sentença de absolvição.
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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim, com atuação na cobertura de política, acontecimentos urgentes e checagem de informações.