top of page

Por Michael Andrade, da redação do Portal O estopim | 21 de agosto de 2026 | Fonte: Agência Brasil


TSE definiu a distribuição da propaganda eleitoral gratuita para a disputa presidencial; programas do primeiro turno começam na sexta-feira (28).


Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão entre os candidatos à Presidência da República. A distribuição foi definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o primeiro turno das Eleições 2026.


Os programas eleitorais serão exibidos entre sexta-feira (28) e 1º de outubro. A coligação Brasil Pronto para Mais, de Lula, terá 5 minutos e 31 segundos. A aliança reúne PSB, PDT, Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, e Federação PSOL/Rede.


Flávio Bolsonaro (PL), que disputa a Presidência sem coligação com outras legendas, terá 4 minutos e 20 segundos. Ronaldo Caiado (PSD) contará com 2 minutos e 2 segundos, enquanto Augusto Cury (Avante) terá 35 segundos.


Confira o tempo de cada candidatura


Lula (PT): 5 minutos e 31 segundos

Flávio Bolsonaro (PL): 4 minutos e 20 segundos

Ronaldo Caiado (PSD): 2 minutos e 2 segundos

Augusto Cury (Avante): 35 segundos


Os demais candidatos à Presidência não participarão do horário eleitoral gratuito porque seus partidos não atingiram os critérios de desempenho previstos para acesso à propaganda no rádio e na televisão.


A divisão considera a representatividade das legendas na Câmara dos Deputados. Nas coligações, entram no cálculo as bancadas dos partidos que compõem a aliança.


Segundo os dados utilizados na distribuição, os partidos da coligação de Lula somam 127 deputados. O PL possui 98 parlamentares; o PSD, 42; e o Avante, sete.


Inserções durante a programação


Além dos programas do horário eleitoral, as candidaturas terão inserções distribuídas ao longo da programação das emissoras.


A coligação de Lula terá 433 inserções, enquanto o PL contará com 339. O PSD terá 159 e o Avante, 47.


A ordem de exibição do primeiro dia também foi sorteada. O Avante abrirá a programação, seguido por PSD, PL e pela coligação Brasil Pronto para Mais. Nos dias seguintes, a ordem será alterada por sistema de rodízio.


O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato à Presidência alcance mais de 50% dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.


O Brasil nas urnas e você no Estopim


Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim

Defensor de Filipe Martins afirma que unidade especial norte-americana já estaria no país e usa publicação de deputado republicano contra Lula como referência.


Por Raul Silva para O estopim |

11 de agosto de 2026



Jeffrey Chiquini afirma que integrantes da Delta Force estariam no Brasil
Jeffrey Chiquini diz que integrantes da Delta Force já estariam no Brasil e associa a alegação a uma postagem de Carlos Gimenez contra Lula. | Foto: Reprodução/Instagram

O advogado Jeffrey Chiquini, defensor de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que integrantes da Delta Force, unidade de operações especiais do Exército dos Estados Unidos, já estariam em território brasileiro. Chiquini não apresentou documentos, imagens, nomes ou outras evidências públicas para sustentar a afirmação e relacionou o relato a uma publicação feita pelo deputado republicano norte-americano Carlos Gimenez contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A declaração repercutiu após Gimenez publicar, no domingo, 9 de agosto, uma montagem em que o rosto de Lula aparece no lugar de Nicolás Maduro em uma fotografia divulgada depois da captura do venezuelano por forças norte-americanas. Na postagem, o parlamentar escreveu: “O que o espera… #Brasil.


Chiquini liga alegação sobre Delta Force à postagem de Gimenez


No vídeo, Chiquini apresenta a postagem de Gimenez como parte de uma sequência de sinais que, em sua interpretação, poderia indicar uma operação dos Estados Unidos contra o Brasil ou contra Lula.


A afirmação de que militares da Delta Force já estariam no país, porém, aparece no discurso do advogado sem demonstração concreta de como ele teria obtido a informação ou de quem seria sua fonte. A publicação da Revista Fórum que repercutiu o vídeo também registra que Chiquini disse ter “recebido uma informação”, sem apresentar provas.


Carlos Gimenez é deputado republicano pela Flórida e integra o Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Em janeiro, depois da operação norte-americana que capturou Nicolás Maduro, o congressista elogiou Donald Trump e os militares envolvidos, classificando a ação como um acontecimento histórico para o continente.





Leia também

Jeffrey Chiquini Delta Force Brasil

O que é a Delta Force

A Delta Force é conhecida oficialmente como 1st Special Forces Operational Detachment-Delta. Registros do próprio Exército dos Estados Unidos descrevem a unidade como uma força especializada em contraterrorismo e operações especiais. Sua história inclui missões de alta complexidade e atuação em operações conduzidas sob elevado grau de sigilo.


É justamente o perfil da unidade que dá peso político à afirmação de Chiquini. O advogado não falou de uma presença militar convencional, mas de uma força associada a operações especiais norte-americanas e vinculou essa hipótese à imagem de Lula reproduzindo a situação de Maduro após sua captura.

Postagem ocorre em meio à tensão entre Brasil e Estados Unidos


O episódio surge em um período de deterioração das relações políticas entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, os dois governos acumularam atritos envolvendo tarifas comerciais, vistos diplomáticos e a eleição presidencial brasileira de outubro. No início de agosto, o governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em mais um capítulo da disputa diplomática.


Em julho, o Brasil também havia negado vistos a dois integrantes do Departamento de Estado norte-americano que pretendiam viajar ao país antes das eleições. Autoridades brasileiras ouvidas pela Reuters disseram considerar a iniciativa uma tentativa de influenciar o processo eleitoral.


Nesse ambiente, a montagem publicada por Gimenez e a alegação de Chiquini levam para as redes sociais uma retórica que mistura disputa eleitoral brasileira, política externa dos Estados Unidos e referências explícitas a operações militares.


O que acontece agora?


A publicação de Gimenez é um fato público e o vídeo de Jeffrey Chiquini também circula abertamente nas redes. A suposta presença da Delta Force no Brasil, no entanto, aparece até agora apenas como uma afirmação feita pelo advogado, sem elementos públicos apresentados por ele que demonstrem o deslocamento da unidade para território brasileiro.


O episódio amplia o debate sobre soberania brasileira e sobre a participação de atores políticos norte-americanos na disputa política do país, especialmente depois de Gimenez usar diretamente a imagem de Lula em referência à operação realizada contra Maduro.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, cotidiano e temas de interesse público, com foco em contexto, documentos e consequências dos acontecimentos.

A política externa de Donald Trump recoloca a América Latina sob uma lógica de tutela que o continente conhece bem. Para o Brasil, o problema não é apenas ideológico: envolve soberania, democracia, economia e o direito de decidir seu próprio futuro.


Por Raul Silva para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

7 de agosto de 2026

Artigo de opinião



Donald Trump diante das bandeiras dos Estados Unidos e da América Latina em montagem sobre tensões geopolíticas, soberania e eleições de 2026 no Brasil.
O estopim analisa como a retomada de uma lógica de preeminência regional, o uso de instrumentos econômicos e o precedente da intervenção na Venezuela acendem um alerta para a soberania brasileira antes das eleições de 2026. | Imagem: IA/Chat GPT

soberania brasileira nas eleições de 2026

O Brasil se aproxima das eleições de 2026 em um ambiente internacional mais tenso e mais agressivo. A competição entre grandes potências aumentou, guerras continuam abertas e instrumentos econômicos passaram a ser usados com frequência como formas de pressão política. Nesse cenário, merece atenção a política de Donald Trump para a América Latina, principalmente porque os Estados Unidos voltaram a tratar o hemisfério como uma área sobre a qual Washington pretende reafirmar sua preeminência.


Não se trata de teoria conspiratória. A própria estratégia norte-americana recuperou a linguagem da Doutrina Monroe e passou a apresentar a liderança dos Estados Unidos no continente como objetivo de segurança nacional. Para países latino-americanos, essa formulação não é historicamente neutra. A região conhece intervenções, apoio a golpes, operações clandestinas, sanções e pressões destinadas a enquadrar governos considerados inconvenientes aos interesses de Washington.


É justamente por isso que o Brasil precisa entrar na eleição com o sinal de alerta ligado, visto que a atual política externa dos Estados Unidos mostra disposição para utilizar seu peso econômico, diplomático e militar quando considera que seus interesses estão ameaçados. Quando uma potência pretende estabelecer quais alianças são aceitáveis e quais decisões internas de outros países devem ser punidas, a discussão deixa de ser apenas diplomática e passa a atingir a soberania.


A Venezuela tornou essa questão ainda mais concreta. A operação militar norte-americana realizada em território venezuelano em janeiro de 2026, que terminou com a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores, demonstrou que o uso direto da força voltou a fazer parte da realidade política sul-americana. Maduro pode ser duramente criticado por autoritarismo, repressão e violações de direitos. Nada disso, porém, concede automaticamente aos Estados Unidos o direito de decidir pela força quem governa outro país.


Esse princípio precisa valer mesmo quando o governo atingido nos desagrada. Caso contrário, a soberania deixa de ser regra e passa a depender da aprovação das grandes potências. Hoje, a intervenção pode atingir um governo rejeitado por parte importante da sociedade. Amanhã, outro argumento pode ser utilizado contra qualquer país que contrarie interesses estratégicos de Washington. Grandes potências não constroem apenas ações pontuais. Elas constroem precedentes.


No Brasil, a discussão também deixou de ser abstrata. Em 2025, a Casa Branca relacionou publicamente medidas econômicas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelas instituições brasileiras. Presidentes estrangeiros podem ter afinidades políticas. O que não deveria ser naturalizado é o uso da força econômica de um Estado para pressionar outro país por decisões tomadas dentro de sua ordem constitucional.


O raciocínio é simples. Se o governo brasileiro impusesse tarifas aos Estados Unidos para pressionar a Suprema Corte norte-americana a beneficiar um político aliado de Brasília, Washington classificaria a medida como interferência nos assuntos internos do país. E estaria correto. O mesmo princípio precisa valer quando a pressão segue o caminho inverso.


Em 2026, novas tarifas contra produtos brasileiros receberam justificativas comerciais e regulatórias diferentes e não devem ser tratadas como se fossem exatamente o mesmo episódio. Mas o precedente político continua relevante: os Estados Unidos já demonstraram que consideram aceitável misturar poder econômico e disputas políticas brasileiras quando seus interesses estão envolvidos.


Defender a soberania nacional não significa defender Lula de críticas, nem oferecer imunidade ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso ou ao Tribunal Superior Eleitoral. Instituições precisam ser fiscalizadas, criticadas e responsabilizadas quando erram. A questão é outra: os problemas políticos brasileiros devem ser resolvidos pelos brasileiros e pelas instituições estabelecidas pela Constituição. Governo se troca pelo voto. Decisões judiciais são enfrentadas pelos mecanismos legais. Leis são alteradas pelo Congresso. Um governo estrangeiro não ganha autoridade sobre esse processo porque discorda de seu resultado.


Da mesma maneira, rejeitar tutela norte-americana não significa aceitar dependência da China, da Rússia ou de qualquer outro centro de poder. O Brasil deve negociar com todos sem se subordinar a ninguém. Relações com Estados Unidos, China, Europa, África e países latino-americanos precisam servir aos interesses brasileiros, e não transformar o país em extensão política de outra potência.


As eleições de outubro tornam essa questão ainda mais importante porque o próximo presidente governará em um mundo marcado pela disputa entre Estados Unidos e China e pelo uso crescente de comércio, tecnologia e finanças como instrumentos de poder. Qualquer governo brasileiro sofrerá pressão. O que importa é saber se responderá a ela com base no interesse nacional ou na preferência ideológica por uma capital estrangeira.


Também seria ingênuo imaginar que interferência externa só existe quando soldados atravessam uma fronteira. No ambiente atual, campanhas digitais, desinformação, publicidade política segmentada e manipulação artificial de alcance podem interferir no debate público. Isso não autoriza paranoia nem censura, mas exige atenção porque grande parte da esfera pública brasileira está dentro de plataformas controladas por empresas estrangeiras. Com o avanço da inteligência artificial, a capacidade de produzir vídeos, imagens e áudios falsos torna essa vulnerabilidade ainda maior.


Donald Trump não inventou o intervencionismo norte-americano. Governos republicanos e democratas participaram, ao longo da história, de políticas que colocaram interesses estratégicos dos Estados Unidos acima da autonomia latino-americana. A diferença é que Trump torna essa lógica mais explícita. Quando sua administração fala em recuperar preeminência no hemisfério, a velha relação de poder aparece com menos disfarces.


É nesse ponto que a palavra imperialismo deixa de ser apenas um rótulo ideológico. Uma política assume caráter imperialista quando uma potência considera legítimo limitar a autonomia política, econômica ou estratégica de outros países porque possui força suficiente para fazê-lo. Não há problema em os Estados Unidos defenderem seus interesses. O Brasil também precisa defender os seus. O problema começa quando interesse nacional é transformado em pretensão de tutela sobre outros povos.


Os Estados Unidos não são os xerifes do planeta. Sua força militar, econômica e tecnológica não lhes concede soberania sobre outros países, muito menos o direito de estabelecer quais governos latino-americanos merecem existir. Poder não é sinônimo de legitimidade.


A fragmentação da América Latina favorece essa assimetria. Uma região dividida negocia pior e resiste menos a pressões externas. Não é necessário provar a existência de um grande plano secreto para compreender que países isolados são mais vulneráveis do que governos capazes de construir posições comuns em assuntos estratégicos.


O Brasil tem responsabilidade especial porque é a maior economia latino-americana, possui território continental, recursos naturais decisivos, produção agrícola de escala mundial, petróleo e minerais estratégicos. É natural que grandes potências tenham interesse no país. O que não pode ser tratado como natural é a transformação desse interesse em direito de intervenção.


Soberania, portanto, não é uma palavra velha nem um slogan nacionalista. É a condição para que uma sociedade continue decidindo seu próprio caminho. Sem autonomia econômica, diplomática e política, um país pode continuar realizando eleições enquanto decisões fundamentais passam a ser condicionadas por forças que seus cidadãos não elegeram.


Isso também não significa que o Brasil deva transformar os Estados Unidos em inimigo. Os dois países possuem relações importantes e devem cooperar sempre que houver interesses comuns. Uma relação madura, porém, pressupõe capacidade de discordar. Submissão não é amizade e tutela não é parceria.


Se os brasileiros escolherem Lula, Washington terá de negociar com Lula. Se escolherem Flávio Bolsonaro ou qualquer outro candidato, Pequim e as demais potências terão de respeitar essa decisão. Esse deveria ser o princípio elementar de qualquer eleição soberana: governos estrangeiros podem ter preferências, mas não podem pretender substituir a vontade dos eleitores.


Por isso, ligar o sinal de alerta não significa reconhecer que há uma política norte-americana declaradamente voltada à recuperação de sua preeminência regional e que o Brasil já sentiu na prática como instrumentos econômicos podem ser associados a disputas políticas internas.


A questão central das eleições de 2026, portanto, não é escolher um candidato com medo de Washington, Pequim ou qualquer outra potência. É garantir que a escolha continue pertencendo aos brasileiros. Podemos discordar profundamente sobre governos, tribunais, partidos e projetos econômicos. O que não deveríamos aceitar é que outro país reivindique o direito de definir até onde nossa democracia pode ir.


O Brasil não pertence aos Estados Unidos, à China, à Rússia nem a qualquer outro centro de poder. Pertence aos brasileiros. E, diante de uma política internacional que volta a naturalizar a força como argumento, defender esse princípio deixou de ser retórica. Tornou-se necessidade.


O estopim — O começo da notícia!

Acesse o nosso perfil no Instagram e veja essa e outras notícias: @oestopim_ & @muira.ubi

Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Escreve sobre política, sociedade e os acontecimentos que ajudam a compreender as disputas e consequências por trás da notícia.

bottom of page