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Arquivamento de uma denúncia genérica no MPF não representa absolvição das imputações feitas pela comissão do Senado; STF abriu novo inquérito sobre fatos apontados pela CPI em 2025


Por Clara Mendes para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

7 de agosto de 2026

Presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM); vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL)
Presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM); vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP); relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL) | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

É falso afirmar que Jair Bolsonaro foi inocentado das acusações feitas pela CPI da Covid-19. A alegação mistura procedimentos diferentes e transforma o arquivamento de uma denúncia específica no Ministério Público Federal em uma absolvição que não ocorreu.


A informação voltou a circular depois que o MPF arquivou, em fevereiro de 2026, uma Notícia de Fato que atribuía a Bolsonaro e integrantes de sua família uma série de crimes, incluindo corrupção e genocídio durante a pandemia. A procuradora responsável considerou que aquela representação apresentava alegações genéricas e não continha elementos mínimos para justificar a abertura de uma investigação criminal. O procedimento não correspondia ao relatório final da CPI da Covid.


O arquivamento também não declarou que Bolsonaro era inocente. A decisão tratou exclusivamente da insuficiência dos elementos apresentados naquela representação. Especialista ouvido pela AFP explicou que encerrar uma denúncia nessas condições não equivale a absolver o investigado nem impede que os mesmos fatos sejam apurados em outros procedimentos.


A CPI da Pandemia aprovou, em outubro de 2021, um relatório que recomendou o indiciamento de Bolsonaro por nove tipos de ilícitos: prevaricação, charlatanismo, epidemia com resultado morte, infração de medida sanitária preventiva, emprego irregular de verba pública, incitação ao crime, falsificação de documento particular, crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade.


Também é incorreto afirmar que o relatório final da CPI acusou Bolsonaro de genocídio. Essa imputação chegou a ser discutida durante a elaboração do documento, mas foi retirada antes da versão final aprovada pelos senadores.


Além disso, em setembro de 2025, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, acolheu pedido da Polícia Federal e determinou a abertura de inquérito para investigar fatos apresentados pela CPI da Pandemia. O STF registrou que o relatório apontava indícios que justificavam novas diligências.


Houve arquivamentos de apurações específicas derivadas da CPI ao longo dos anos, mas isso não produziu uma decisão judicial que absolvesse Bolsonaro, de forma geral, das nove imputações aprovadas pela comissão. Em 2022, por exemplo, o STF chegou a rejeitar pedidos da PGR para encerrar três procedimentos e determinou novas diligências.


Portanto, a afirmação de que Bolsonaro foi “inocentado pela CPI da Covid” ou “inocentado das acusações da CPI” é falsa. Uma CPI não condena nem absolve criminalmente: ela investiga e encaminha suas conclusões aos órgãos responsáveis pela persecução penal. O arquivamento de um procedimento específico não apaga automaticamente outras investigações nem constitui sentença de absolvição.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim, com atuação na cobertura de política, acontecimentos urgentes e checagem de informações.

Por Raul Silva para O estopim | 19 de junho de 2026



Homem de terno azul toca o nariz com a mão, em pose pensativa, diante de fundo neutro.
Carlos Bolsonaro | Foto: Reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou denúncia do Ministério Público e tornou réus Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro, e outros seis ex-assessores em uma ação penal sobre suspeita de rachadinha na Câmara Municipal do Rio. O grupo responderá pelos crimes de organização criminosa e peculato, que envolve desvio ou apropriação de dinheiro público.


A decisão é do juiz Marcello Rubioli, da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa. Ao receber a denúncia, o magistrado considerou haver elementos suficientes para abertura da ação penal contra os sete acusados. Carlos Bolsonaro não foi denunciado nesta ação, mas a investigação sobre ele segue aberta no Ministério Público do Rio.


Segundo o Ministério Público, o esquema teria funcionado entre junho de 2005 e dezembro de 2021 dentro do gabinete de Carlos Bolsonaro. A acusação sustenta que servidores nomeados recebiam salários pagos pela Câmara e, em seguida, faziam saques ou transferências em benefício de Jorge Luiz Fernandes.


O valor total atribuído aos repasses é de cerca de R$ 1,9 milhão. Para o MP, os pagamentos não representariam movimentações pessoais isoladas, mas um sistema organizado de devolução de parte dos vencimentos de assessores.


A denúncia atribui a Jorge Luiz Fernandes o papel de líder e mentor da organização. Ele foi nomeado no gabinete em 2001 e assumiu a chefia em 2018. A decisão também registra que Jorge era próximo da família Bolsonaro e teria articulado a nomeação dos demais denunciados.


Entre os sete réus está Regina Célia, mulher de Jorge Fernandes. Segundo a investigação, ela teria repassado mais de R$ 800 mil para a conta do marido após ser nomeada. Outra ré citada é Juciara da Conceição Raimundo da Cunha, apontada como responsável por cerca de R$ 650 mil em saques e transferências em benefício de Jorge.


Carlos Bolsonaro não integra a lista de denunciados nesta ação penal. Quando a denúncia contra os ex-assessores foi apresentada, em setembro de 2024, o Ministério Público havia arquivado a investigação contra ele sob o argumento de que os elementos reunidos não indicavam circulação de valores ou pagamentos ao então vereador.


Esse arquivamento, porém, foi questionado pela Justiça em 2025. O caso foi enviado à Procuradoria-Geral de Justiça, e o Ministério Público do Rio decidiu reabrir a investigação contra Carlos Bolsonaro pela suspeita de rachadinha. Essa frente segue em andamento.


O recebimento da denúncia não significa condenação. Significa que a Justiça entendeu haver justa causa para transformar os acusados em réus e iniciar a ação penal. Agora, o processo entra em uma etapa mais formal, com apresentação de defesa, produção de provas, depoimentos e interrogatórios.


A mudança é relevante porque tira o caso do campo preliminar e o coloca no centro de uma ação criminal. Os sete réus terão prazo de 10 dias para apresentar defesa por escrito. Depois da análise das manifestações, a Justiça deve marcar as audiências de testemunhas.


A suspeita de rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro já vinha sendo investigada há anos. Em 2023, reportagem de O Globo registrada na base do Senado apontou que Jorge Luiz Fernandes havia recebido mais de R$ 2 milhões de servidores nomeados pelo gabinete, com base em levantamento do Ministério Público do Rio.


Agora, com a denúncia aceita, o centro do processo passa a ser a responsabilização criminal dos ex-assessores. O ponto que a Justiça terá de esclarecer é se os repasses foram compatíveis com relações privadas legítimas ou se compuseram um esquema de desvio de salários pagos com dinheiro público.


A defesa dos réus ainda terá oportunidade de contestar a acusação. Mas a decisão desta sexta-feira marca uma nova fase: o caso da rachadinha no gabinete de Carlos Bolsonaro deixa de ser apenas investigação contra ex-servidores e passa a tramitar como ação penal contra sete acusados.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo do O estopim, com foco em política, investigação, poder e temas de interesse público.

Por Michael Andrade, da redação de O estopim - Fonte: Agência Brasil | domingo (15) de março de 2026


Fenaj, Abraji e Sindicato dos Jornalistas do DF cobram proteção a profissionais que atuam em frente ao Hospital DF Star.


Foto: Marcelo Camargo
Foto: Marcelo Camargo

Entidades que representam jornalistas brasileiros repudiaram as agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa que trabalham em frente ao Hospital DF Star, em Brasília, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13).


A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais que acompanham a movimentação no hospital.


Segundo a Abraji, os ataques começaram após uma influenciadora digital bolsonarista divulgar um vídeo em que acusa jornalistas que aparecem em imagens gravadas na porta da unidade hospitalar de desejarem a morte do ex-presidente. O conteúdo foi compartilhado por parlamentares e também pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem milhões de seguidores nas redes sociais.


Na avaliação da associação, a divulgação do vídeo, sem verificação prévia, foi irresponsável e expôs profissionais que estavam apenas exercendo o trabalho jornalístico a ameaças, ofensas e campanhas de difamação.


A Abraji informou ainda que as agressões não ficaram restritas ao ambiente digital. Pelo menos duas repórteres teriam sofrido ataques presenciais após serem reconhecidas na rua. Segundo a entidade, também passaram a circular montagens e vídeos produzidos com uso de inteligência artificial, incluindo simulações de violência contra uma jornalista, além da exposição de fotos de filhos e parentes de profissionais da imprensa como forma de intimidação.


Em nota conjunta, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal lembraram que é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico. As entidades informaram que devem solicitar reforço da Polícia Militar em frente ao hospital para impedir agressões e cerceamento ao trabalho da imprensa.


As organizações também pediram apuração rigorosa das ameaças virtuais, identificação dos responsáveis e responsabilização dos autores. Além disso, cobraram das empresas jornalísticas apoio jurídico e condições de segurança para os trabalhadores escalados para a cobertura.


Internação


Bolsonaro está internado na UTI do Hospital DF Star tratando de uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. Segundo boletim médico divulgado neste domingo, o quadro clínico é estável, com melhora da função renal, mas houve elevação de marcadores inflamatórios, levando os médicos a ampliar a dosagem de antibióticos.


Ainda não há previsão de alta da UTI. Após deixar o hospital, Bolsonaro deverá retornar à Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados.


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