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Sobradinho está com 73% do volume útil e Três Marias com 87,3%, enquanto 47 açudes do Nordeste e Semiárido têm menos de 10% da capacidade; Jucazinho, em Pernambuco, está com 3,9%


Por Clara Mendes para O estopim |

7 de Setembro de 2026


El Niño se fortalece e aumenta risco de seca no Nordeste em 2026
El Niño se fortalece e aumenta risco de seca no Nordeste em 2026 | Foto: Divulgação CHESF - Hidrelétrica de Sobradinho (BA)

O El Niño se fortalece no Oceano Pacífico e deve aumentar nos próximos meses o risco de chuvas abaixo da média e temperaturas mais altas no Nordeste. O fenômeno encontra parte da região já sob seca, mas os principais reservatórios do sistema do rio São Francisco ainda carregam volumes elevados. A situação muda quando o recorte chega aos pequenos e médios açudes: 47 dos 358 reservatórios monitorados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, a ANA, estavam com menos de 10% da capacidade no fim de agosto.


A diferença entre os grandes reservatórios e os açudes locais é o principal dado para dimensionar o risco neste início de setembro.


Sobradinho, na Bahia, operava em 26 de agosto com 73% do volume útil. Três Marias, em Minas Gerais e também integrante do sistema hídrico do São Francisco, estava com 87,3%. Os dois permaneciam na faixa normal de operação, segundo o boletim mais recente da ANA.


O nível de Três Marias era o maior já registrado para um dia 26 de agosto desde 1993. Em Sobradinho, o armazenamento era o 15º maior para a data em uma série de 47 anos. Os volumes diminuíram em relação a julho, movimento esperado com a entrada no período seco do São Francisco, definido pela ANA entre maio e novembro.


A reserva dá margem operacional para abastecimento, geração de energia e demais usos da água, mas não permite afirmar que o Nordeste esteja protegido dos efeitos de uma estiagem prolongada.


Açudes pequenos mostram quadro mais vulnerável


O Sistema de Acompanhamento de Reservatórios da ANA registrava, em 27 de agosto, 49,7% da capacidade total armazenada no conjunto monitorado do Nordeste e Semiárido. O percentual estava acima dos 47,4% registrados na mesma data de 2025.


A média regional, porém, esconde situações críticas.


Dos 358 reservatórios acompanhados, 71 estavam abaixo de 20% da capacidade. Desses, 47 tinham menos de 10% de água armazenada. Pernambuco concentrava 15 açudes abaixo desse último patamar, Rio Grande do Norte e Ceará tinham 12 cada.


Jucazinho, na bacia do Capibaribe, aparece entre os casos mais preocupantes. O reservatório pernambucano estava com apenas 3,9% da capacidade no levantamento da ANA.


Jucazinho tem função de abastecimento público e está submetido a regras específicas de alocação de água. O termo válido para 2025 e 2026 prevê vazão destinada à Compesa e estabelece limites de operação justamente em razão das condições hidrológicas do reservatório.



Seca já avançou antes do pico do El Niño


O problema não começa com o atual El Niño.


O Monitor de Secas registrou intensificação do fenômeno no Nordeste durante julho. A seca moderada alcançava 45% da região, contra 12% em julho de 2023. A ANA informa que os impactos observados já apresentam componentes de curto e longo prazo, sinal de prolongamento das condições secas em parte do território.


O Cemaden também identificou aumento do risco para a agricultura familiar.


Para lavouras de feijão e milho não irrigados iniciadas em julho, 124 municípios nordestinos apresentavam risco alto de seca e seis estavam na categoria de risco muito alto. Entre os plantios iniciados em junho, eram 226 municípios da região em risco alto e nove em risco muito alto. Um desses nove estava em Pernambuco.


O levantamento não significa que haverá quebra de safra em todos esses municípios. O próprio Cemaden explica que a intensidade da perda depende do momento em que o déficit hídrico atinge a cultura. Quando ocorre durante fases sensíveis do ciclo, a falta de água pode reduzir significativamente a produção.


Os impactos já aparecem em algumas lavouras. Na Paraíba, a escassez de água prejudicou feijão e milho. Na Bahia e no Piauí, a irregularidade das chuvas reduziu o potencial produtivo de diferentes safras, segundo dados da Conab reunidos pelo Cemaden.


El Niño pode ser muito forte


As condições de El Niño foram oficialmente confirmadas em junho.


O fenômeno resulta do aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e altera a circulação da atmosfera. No Brasil, episódios de El Niño costumam aumentar a probabilidade de chuva no Sul e favorecer condições mais quentes e secas em áreas do Norte e Nordeste. Isso altera probabilidades climáticas, mas não produz o mesmo resultado em todos os locais nem garante, sozinho, a ocorrência de um desastre.


O boletim federal divulgado no início de setembro aponta probabilidade superior a 90% de que o episódio alcance intensidade muito forte no trimestre de setembro, outubro e novembro. A previsão indica chuva abaixo da média em grande parte do Norte e Nordeste e temperaturas acima da média em extensas áreas do país.


A NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, trabalha com cenário ainda mais extremo. A projeção divulgada em agosto calcula 69% de probabilidade de que, entre outubro e dezembro, a intensidade ultrapasse a dos eventos registrados desde 1950 segundo o índice usado pelo órgão. A própria NOAA ressalta que intensidade elevada aumenta a possibilidade de efeitos típicos do El Niño, mas não os garante.


Por isso, a expressão “Super El Niño”, utilizada na coluna do Diario de Pernambuco, deve ser entendida como referência a um possível episódio excepcionalmente intenso. Os boletins técnicos brasileiros consultados utilizam a classificação “muito forte”.


Setembro ainda exige cautela na previsão


O INMET prevê para setembro volumes de chuva predominantemente dentro da faixa normal em grande parte do Nordeste, com áreas em que os acumulados podem ficar abaixo da média. A perspectiva se torna mais seca quando considerados os três meses de setembro a novembro.


Isso significa que o impacto não deve ser medido apenas pelo volume armazenado hoje.


Os grandes reservatórios do São Francisco entram no período mais crítico com uma reserva distante dos níveis registrados nas grandes crises hídricas da década passada. Ao mesmo tempo, dezenas de açudes locais já operam em condições baixas e municípios dependentes da agricultura de sequeiro estão mais expostos à falta de chuva.


O cenário atual, portanto, combina duas realidades: existe água acumulada nos grandes sistemas, mas a seca já avançou em parte do Nordeste e os reservatórios menores não dispõem da mesma margem de segurança. Se o El Niño permanecer muito forte até 2027, como indicam as previsões atuais, a duração do déficit de chuva será tão importante quanto a situação dos reservatórios neste início de setembro.


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Clara Mendes é repórter de hard news e plantonista de O estopim. Cobre meio ambiente, clima, política, economia, Justiça e os principais acontecimentos do dia.

A presidenta licenciada do Sintepe e pré-candidata a deputada estadual Ivete Caetano esteve na Feira Agroecológica da Malhada II, neste domingo (21), onde conversou com agricultores, famílias e mulheres da comunidade. Durante a passagem pelo espaço, Ivete também recebeu as demandas da APROMAR, apresentadas por Everaldo Bezerra, presidente da associação que representa os produtores rurais da localidade.


Por Raul Silva para O estopim | 22 de junho de 2026



Mulher ruiva de óculos fala ao microfone em evento ao ar livre, usando camiseta azul da 14ª Caminhada do Forró.
Ivete Caetano esteve na Feira Agroecológica da Malhada II, neste domingo (21), onde conversou com agricultores, famílias e mulheres da comunidade | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

A visita de Ivete Caetano à Malhada II ocorreu em meio a uma agenda de circulação política no Sertão, mas ganhou contorno social e comunitário ao colocar a pré-candidata em contato direto com a realidade de quem produz e sustenta parte da economia local. A sua passagem pela feira mostra escuta, aproximação com os feirantes e valorização dos alimentos e preparos típicos que ajudam a marcar a identidade da comunidade.


A Feira Agroecológica da Malhada II se consolidou como ponto de encontro entre produção, renda e convivência comunitária. Ali, agricultores familiares comercializam frutas, verduras, doces, comidas típicas e outros produtos feitos no próprio território. Mais do que um espaço de venda, a feira se transformou em vitrine do trabalho coletivo da comunidade rural.


Durante a visita, Ivete ouviu relatos sobre as dificuldades enfrentadas pelos moradores e por quem depende diretamente da agricultura familiar. A escuta incluiu mulheres da comunidade, famílias envolvidas na produção e representantes da organização local. Em vez de uma passagem apenas protocolar, a agenda teve o formato de contato direto com o cotidiano dos feirantes.


As demandas foram apresentadas por Everaldo Bezerra, presidente da APROMAR, nome fantasia da Associação dos Produtores Rurais da Malhada II e Região Arcoverde-PE. A entidade é a principal referência de organização dos agricultores locais e atua na articulação das pautas ligadas à produção, à feira e ao fortalecimento da comunidade.


Ao receber a pauta da associação, Ivete teve acesso a reivindicações que passam pela valorização da agricultura familiar, pelo fortalecimento da feira e por maior atenção às necessidades estruturais da população rural. A agenda também reforça o peso político que a Malhada II vem ganhando ao transformar organização comunitária em presença pública.


A força da feira está justamente na junção entre renda e pertencimento. Os produtos vendidos no local não representam apenas circulação econômica. Eles expressam saberes transmitidos entre gerações, modos de preparo preservados no tempo e a capacidade da comunidade de produzir com base no trabalho familiar.


Ao provar as comidas típicas e circular entre as bancas, Ivete entrou em contato com esse aspecto mais amplo do território. Na Malhada II, a agricultura familiar não se resume à lavoura ou ao comércio. Ela também sustenta vínculos sociais, práticas culturais e formas de permanência no campo.


A presença de uma pré-candidata a deputada estadual num espaço como a Feira Agroecológica da Malhada II amplia a visibilidade das demandas locais e insere a comunidade no mapa das articulações políticas do interior. Para os moradores, o efeito mais importante dessa passagem será medido pela capacidade de transformar escuta em encaminhamento.


A Malhada II já mostrou que sabe organizar sua produção, mobilizar seus feirantes e manter viva uma experiência comunitária baseada na agricultura familiar. O que a comunidade cobra, agora, é que essa capacidade encontre eco fora do território, com atenção concreta às pautas apresentadas por sua associação.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, cotidiano e temas de interesse público com foco em contexto, apuração e impacto social.


A senadora Teresa Leitão (PT-PE) visitou neste domingo, 21 de junho, a Feira Agroecológica da Malhada II, na zona rural de Arcoverde, onde conversou com agricultores, famílias e mulheres da comunidade, recebeu da APROMAR uma pauta de demandas apresentada pelo presidente Everaldo Bezerra e assumiu o compromisso de ajudar a articular um pequeno polo cultural para o São João de 2027, caso a Prefeitura de Arcoverde continue desconsiderando os pedidos feitos de forma recorrente pelos moradores.


Durante a passagem pela comunidade, a parlamentar também manifestou apoio às pré-candidaturas de Ivete Caetano para deputada estadual, de Liana Cirne para deputada federal, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um novo mandato, de João Campos para o Governo de Pernambuco e de Marília Arraes e Humberto Costa para o Senado.


Por Raul Silva para O estopim | 22 de junho de 2026



Mulher de óculos fala ao microfone, com camiseta colorida escrita Caminha do Forró, diante de fundo azul floral.
Senadora Teresa Leitão visita a Feira Agroecológica da Malhada II e conversa com agricultores em Arcoverde | Foto: Raul Silva/Agência O estopim+

A passagem de Teresa pela feira teve um peso que vai além do gesto protocolar. Ao circular entre barracas, ouvir relatos diretos de quem vive da agricultura familiar e experimentar a produção local, a senadora entrou em contato com uma realidade que mistura resistência econômica, trabalho comunitário e demanda antiga por reconhecimento público.


A Feira Agroecológica da Malhada II se consolidou como espaço de circulação de renda, visibilidade para pequenos produtores e afirmação da identidade rural da comunidade. No local, são comercializados alimentos in natura, derivados, doces, licores, geleias e comidas típicas que ajudam a sustentar famílias e a manter viva uma cadeia produtiva de pequena escala.


Durante a visita, Teresa Leitão ouviu queixas ligadas à falta de atenção do poder público às reivindicações da comunidade. A principal interlocução institucional foi feita pela APROMAR, sigla da Associação dos Produtores Rurais da Malhada II e Região Arcoverde-PE, entidade que organiza a feira e articula a representação dos agricultores do território.


Seu Everaldo Bezerra, que preside a associação, apresentou à senadora as solicitações da comunidade e reforçou a necessidade de apoio político para demandas que, segundo os moradores, seguem sem resposta efetiva da gestão municipal. Entre elas está a defesa de maior valorização da feira, melhores condições para a produção local e espaço digno para expressão cultural no período junino.


A visita mostrou um traço recorrente em comunidades rurais do Sertão: economia e cultura caminham juntas. A feira não funciona apenas como ponto de venda. Ela também opera como lugar de encontro, fortalecimento de vínculos e preservação de práticas culinárias e sociais que ajudam a manter a identidade da Malhada II.


Foi nesse contexto que surgiu o compromisso político mais sensível do encontro. Teresa Leitão se dispôs a ajudar na organização de um pequeno polo cultural durante o São João de 2027, caso a Prefeitura de Arcoverde insista em ignorar as solicitações feitas pela população local e pela associação.


O gesto tem peso simbólico e prático. Simbólico porque reconhece a comunidade como sujeito cultural e não apenas como área produtiva periférica. Prático porque sinaliza a possibilidade de articulação externa para destravar uma pauta que os moradores dizem apresentar com frequência.


A senadora também vinculou a passagem pela comunidade ao campo político que pretende defender em 2026. Teresa manifestou apoio às pré-candidaturas de Ivete Caetano à Assembleia Legislativa de Pernambuco e de Liana Cirne à Câmara dos Deputados, além de reafirmar alinhamento com o projeto de reeleição do presidente Lula, com a pré-candidatura de João Campos, ex-prefeito do Recife, ao Governo de Pernambuco, e com os nomes de Marília Arraes e Humberto Costa para o Senado. O movimento insere a visita da Malhada II não apenas no terreno das demandas comunitárias, mas também no desenho político que começa a ganhar forma no estado.


A pauta levada à senadora aponta para um problema recorrente no interior pernambucano: comunidades que produzem, movimentam renda e preservam tradições, mas seguem à margem das prioridades institucionais. Ao pedir apoio para um polo cultural, a Malhada II não reivindica apenas festa. Reivindica presença no calendário, visibilidade pública e inclusão no circuito oficial de investimentos e programação.


Na prática, isso significa reconhecer que a agricultura familiar não se resume à produção de alimentos. Ela também sustenta sociabilidades, saberes e formas de pertencimento que precisam ser consideradas nas políticas públicas.


Para os feirantes e moradores, a expectativa é que o encontro ajude a tirar demandas históricas do campo da promessa. A Malhada II já mostrou que consegue organizar produção, mobilizar a comunidade e manter uma feira viva. O que cobra, neste momento, é contrapartida institucional compatível com esse esforço.


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Raul Silva é jornalista e produtor de conteúdo de O estopim. Atua na cobertura de política, cotidiano e temas de interesse público com foco em contexto, apuração e impacto social.

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