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Política

EUA anunciam tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e incluem sistema público de pagamentos entre as práticas questionadas


Documentos mostram que o governo Trump transformou comércio, regulação digital e política brasileira em partes de uma mesma estratégia de pressão.


Raul Silva

22 de julho de 2026


Quais as verdadeiras intenções por trás dos EUA com o tarifaço e qual o papel dos Bolsonaro nisso tudo?
Quais as verdadeiras intenções por trás dos EUA com o tarifaço e qual o papel dos Bolsonaro nisso tudo? | Podcast O estopim Política/YouTube

Os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência prevista para 22 de julho. A decisão conclui uma investigação iniciada em 2025 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, e atinge setores como móveis, máquinas, calçados, açúcar, etanol, vestuário e papel.


A lista contém exceções importantes, entre elas café, carne bovina, aeronaves, componentes aeronáuticos e determinados produtos energéticos. Segundo estimativa divulgada pelo governo brasileiro e reproduzida pela Reuters, aproximadamente US$ 7 bilhões em exportações — cerca de 18% das vendas brasileiras aos Estados Unidos — podem ser atingidos.


A medida seria relevante por si só. Entretanto, a investigação americana reúne temas que ultrapassam o comércio tradicional: Pix, plataformas digitais, decisões judiciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.


O Pix não é uma mercadoria exportada e, portanto, não receberá uma tarifa de 25%. O sistema aparece como uma das práticas que o governo americano pretende pressionar por meio da tributação de produtos brasileiros.


O USTR acusa o Banco Central de acumular as funções de regulador e operador do Pix. Segundo o órgão, regras de participação, gratuidade para pessoas físicas e destaque nos aplicativos ofereceriam tratamento preferencial à infraestrutura brasileira em relação a serviços privados de pagamento.


A conclusão americana classifica o Pix como um sistema nacional favorecido pelo Estado e afirma que as regras impõem custos ou desvantagens a fornecedores estrangeiros.


O governo brasileiro rejeita a acusação. O Ministério do Desenvolvimento define o Pix como uma infraestrutura pública digital aberta, voltada à inclusão financeira, à inovação e à concorrência. Também afirma que empresas americanas continuam operando e ampliando sua presença no mercado brasileiro.


Segundo o Banco Central, mais de 170 milhões de pessoas físicas utilizam o sistema. Em janeiro de 2026, foram registradas mais de 7 bilhões de transações.


Assista ao episódio na integra e entenda o que realmente está por trás do Tarifaço de Donald Trump | Fonte: Podcast O estopim Política/YouTube

O conflito expõe uma questão maior: sistemas de pagamento não são apenas ferramentas tecnológicas. Eles determinam quem intermedeia as transações, quem recolhe tarifas, quem acessa dados e quais empresas controlam a infraestrutura financeira.


Quando uma transferência deixa de passar por determinada rede privada, pode haver redução de receitas para bancos, bandeiras e intermediadores.


Por outro lado, o sucesso de uma infraestrutura pública não elimina a necessidade de transparência, fiscalização e regras claras de governança.


Existe, portanto, uma discussão legítima sobre concorrência. O problema político aparece quando produtos sem relação direta com pagamentos são tarifados para criar pressão sobre as regras do sistema financeiro brasileiro.


A própria legislação americana permite que a reação comercial alcance setores diferentes daquele em que a prática contestada ocorreu. O documento final afirma que as tarifas são necessárias para criar alavancagem e obter mudanças nas políticas brasileiras.


A presença de Jair Bolsonaro na crise não é uma invenção da comunicação do governo Lula.


Em julho de 2025, a Casa Branca publicou uma ordem executiva que relacionava uma rodada anterior de tarifas ao processo contra o ex-presidente. Trump classificou as acusações contra Bolsonaro como injustificadas e afirmou que o tratamento dado ao aliado ameaçava o Estado de Direito no Brasil.


O documento também fez críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes e às decisões brasileiras envolvendo plataformas digitais.


A nova tarifa de 2026 percorre uma rota jurídica diferente. Formalmente, está baseada na investigação da Seção 301 e apresenta fundamentos mais amplos.


Por essa razão, não é possível concluir que toda a medida atual tenha sido criada exclusivamente para beneficiar Bolsonaro.


Entretanto, também não é possível apagar a dimensão política. Trump incorporou publicamente o processo brasileiro à sua política comercial, enquanto integrantes da família Bolsonaro atuaram nos Estados Unidos em busca de pressão contra o julgamento do ex-presidente.



Lula acusa a família de colaboração com interesses estrangeiros. Os Bolsonaro negam ter atuado contra o Brasil. A acusação política não deve ser apresentada como sentença judicial, mas a convergência entre a estratégia trumpista e a agenda internacional do bolsonarismo é documentada.


A Ciência Política ajuda a compreender essa escalada por meio do conceito de soberania.



Estados mantêm relações de interdependência, participam de tratados e precisam responder por violações de normas internacionais. Isso não significa que uma potência possa exigir submissão às suas preferências políticas.


Quando o acesso a um grande mercado é usado para tentar alterar regras financeiras, decisões judiciais ou políticas digitais de outro país, o comércio passa a funcionar como instrumento de poder geopolítico.


É a chamada geoeconomia: tarifas, sanções, tecnologia, crédito e sistemas financeiros são empregados para alcançar objetivos que não são apenas comerciais.


A teoria política identifica a soberania como característica essencial do Estado, enquanto a economia política internacional mostra que decisões domésticas e relações externas se entrelaçam.


A cobrança ocorre na entrada da mercadoria nos Estados Unidos e é inicialmente paga pelo importador americano. O custo, porém, pode ser distribuído por toda a cadeia.


Importadores podem exigir descontos, cancelar pedidos ou buscar fornecedores em outros países. Empresas brasileiras podem perder margem, reduzir produção e cortar empregos. Consumidores americanos também podem enfrentar preços maiores.


Um estudo do BNDES sobre as tarifas aplicadas em 2025 mostrou efeitos concentrados em regiões dependentes das indústrias de madeira, móveis, calçados, couro e máquinas. As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 6,6% naquele ano, enquanto as importações de bens americanos cresceram 11,3%.


O impacto nacional pode parecer limitado diante do tamanho da economia brasileira. Para municípios dependentes de uma fábrica ou de uma cadeia exportadora, a consequência pode ser severa.


O que vem a seguir?


O governo brasileiro anunciou que acionará os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade e retomará a disputa nos mecanismos da Organização Mundial do Comércio. Também afirma que seguirá negociando e reforçará programas de proteção às empresas atingidas.


No cenário otimista, a pressão de empresas brasileiras e americanas amplia as exceções e abre caminho para um acordo que preserve o Pix e reduza os danos aos exportadores.


No cenário pessimista, medidas de retaliação provocam nova reação americana. A crise entra definitivamente na campanha de 2026 e alimenta uma onda de desinformação sobre o Pix.


A defesa da soberania não exige isolamento nem bravata. Exige negociação, transparência, proteção do emprego e capacidade de estabelecer limites.


O Pix não pertence a um partido ou governo. As instituições brasileiras também não podem ser usadas como propriedade de grupos políticos.


Quando instrumentos comerciais passam a pressionar decisões internas de outro país, a discussão deixa de ser apenas sobre tarifas.


Passa a ser sobre democracia, autonomia e poder.


Raul Silva é jornalista, escritor, professor e apresentador do podcast e videocast O Estopim Política, dedicado à análise de poder, políticas públicas, democracia, economia política e desinformação.

Vereadora do Recife entra na chapa da federação PT, PCdoB e PV; registro ainda será submetido ao TRE-PE até 15 de agosto.


Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

21 de julho de 2026



Liana Cirne durante convenção da Federação Brasil da Esperança no Recife ao lado da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do senador e candidato a reeleição Humberto Costa (PT-PE) | Foto: Assessoria/Liana Cirne
Liana Cirne durante convenção da Federação Brasil da Esperança no Recife ao lado da senadora Teresa Leitão (PT-PE) e do senador e candidato a reeleição Humberto Costa (PT-PE) | Foto: Assessoria/Liana Cirne

Liana Cirne, do PT, teve candidatura a deputada federal homologada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, nesta segunda (20). A escolha ocorreu durante a convenção estadual realizada no Hotel Jangadeiro, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.


A decisão encerra a etapa interna de escolha do nome pela federação, mas ainda não representa o deferimento definitivo da candidatura pela Justiça Eleitoral. O pedido de registro deverá ser apresentado ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, responsável por analisar a documentação e as condições legais para a disputa.


Após a convenção, Liana afirmou que pretende associar sua campanha ao fortalecimento da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso.

“Nossa candidatura à Câmara dos Deputados foi homologada. Estou animada para reforçar o time do presidente Lula em Brasília. Chegou a hora de Pernambuco colocar a força de quem luta contra a extrema-direita lá no Congresso. É uma candidatura que vem da educação, da classe trabalhadora, do campo progressista e que defende de verdade as bandeiras da nossa esquerda. Vamos construir essa vitória juntas e juntos”, declarou.

A manifestação representa o posicionamento político e eleitoral da candidata. A homologação foi confirmada em publicação nas redes de Liana e em informações distribuídas por sua assessoria.


A convenção partidária é a reunião na qual partidos e federações escolhem formalmente as pessoas que pretendem lançar nas eleições. Em 2026, essas reuniões podem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.


Depois da escolha, a federação precisa enviar o pedido de registro à Justiça Eleitoral até as 19h de 15 de agosto. No caso das candidaturas a deputada federal por Pernambuco, a análise cabe ao TRE-PE.


O tribunal verificará filiação partidária, domicílio eleitoral, documentação, condições de elegibilidade e eventuais causas de inelegibilidade. Somente depois desse processo haverá uma decisão judicial sobre o registro.


A propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet poderá começar em 16 de agosto. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro de 2026.


Liana Cirne já disputou uma vaga na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2022, recebeu 57.284 votos, equivalentes a 1,15% dos votos válidos para o cargo em Pernambuco.


Ela não foi eleita, mas ficou na primeira suplência da Federação Brasil da Esperança no estado. O resultado tornou a vereadora um dos nomes considerados pelo PT para uma nova disputa federal.


Dois anos depois, Liana foi reeleita para a Câmara Municipal do Recife com 14.810 votos, ou 1,67% dos votos válidos. Foi a sétima candidata mais votada entre os vereadores eleitos na capital pernambucana.


A comparação entre os dois resultados exige cautela. A eleição para vereadora ocorre apenas dentro do Recife, enquanto a disputa para a Câmara dos Deputados envolve eleitores de todo o estado. O desafio da candidatura será transformar uma base consolidada na capital e na Região Metropolitana em apoio distribuído pelo território pernambucano.


A entrada de Liana na chapa não foi uma decisão de última hora. A parlamentar apresentou publicamente sua pré-candidatura em julho de 2025, durante um evento realizado em Olinda com a presença de dirigentes partidários, parlamentares e representantes de organizações sindicais.


Na ocasião, Liana reconheceu que sua campanha de 2022 havia ficado mais concentrada na Região Metropolitana e indicou que precisaria ampliar a presença em outras regiões do estado. Desde então, participou de agendas com dirigentes e lideranças municipais no Agreste pernambucano.


Esse movimento revela uma das principais linhas da estratégia eleitoral: preservar o eleitorado formado no Recife e buscar novas bases no interior.


A convenção da Federação Brasil da Esperança não tratou apenas das chapas proporcionais. PT, PCdoB e PV também oficializaram o apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco e confirmaram o senador Humberto Costa como candidato à reeleição.


Os trabalhos foram conduzidos pelo presidente estadual do PT e da federação, deputado federal Carlos Veras, ao lado do presidente estadual do PV, deputado federal Clodoaldo Magalhães, e da dirigente estadual do PCdoB, Thiara Milhomem.


A candidatura de Liana, portanto, integra uma articulação mais ampla para vincular as chapas proporcionais ao projeto nacional do presidente Lula e à aliança construída pela federação na disputa estadual.


Liana Cristina da Costa Cirne Lins é advogada, doutora em Direito, professora da Faculdade de Direito do Recife, vinculada à Universidade Federal de Pernambuco, e vereadora pelo Partido dos Trabalhadores.


A Câmara Municipal confirma que ela exerce mandato pelo PT. A UFPE a relaciona entre as professoras da área de Direito Processual e Prática Jurídica do Centro de Ciências Jurídicas.


Em seu mandato, Liana tem associado sua atuação a temas como direitos humanos, educação pública, direitos das mulheres, proteção das pessoas com deficiência, participação popular e políticas sociais. Essas prioridades também aparecem no discurso apresentado após a convenção.


A homologação acrescenta à chapa da federação uma candidata com votação relevante no Recife, presença digital e vínculos com setores da educação, do funcionalismo público, dos movimentos sociais e do eleitorado progressista urbano.


Isso não significa, isoladamente, que a candidatura esteja próxima de conquistar uma cadeira. A eleição para deputada federal segue o sistema proporcional. O resultado depende dos votos individuais recebidos por cada candidatura e da soma alcançada pelo partido ou pela federação.


Na prática, Liana concorrerá contra candidaturas de outras legendas e também disputará posições dentro da própria chapa da Federação Brasil da Esperança. Seu desempenho estará ligado à capacidade coletiva de PT, PCdoB e PV de atingir os quocientes exigidos para a distribuição das vagas.


A votação de 2022 demonstra que existe uma base eleitoral anterior. A eleição municipal de 2024 indica crescimento no Recife. O ponto ainda em aberto é a capacidade de converter esse capital político em uma votação estadual suficientemente ampla.


Caso seja eleita, Liana deixará a Câmara Municipal do Recife antes do encerramento do mandato iniciado em 2025, permitindo a convocação de suplente conforme as regras aplicáveis ao Legislativo municipal.


No Congresso, sua eventual atuação dependerá da composição das bancadas, das comissões e das negociações legislativas. A candidatura declara como prioridades a educação pública, os direitos humanos, a democracia e os direitos sociais, mas propostas concretas e compromissos legislativos deverão ser avaliados ao longo da campanha.


A confirmação em convenção também amplia o debate sobre a representação feminina na bancada pernambucana. A homologação, entretanto, não permite antecipar o resultado eleitoral nem substitui a análise das propostas que serão apresentadas aos eleitores.


A Federação Brasil da Esperança deverá protocolar o registro de Liana Cirne e dos demais integrantes da chapa até as 19h de 15 de agosto.


Após o protocolo, a Justiça Eleitoral publicará os dados da candidatura e abrirá os prazos legais para impugnações, apresentação de documentos e julgamento do registro.

A campanha eleitoral geral poderá começar em 16 de agosto. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro. Como deputada federal é um cargo eleito pelo sistema proporcional, não existe segundo turno para essa disputa.


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Mateus Ayres é jornalista e analista político de O estopim. Cobre política nacional e internacional, análise de conjuntura e as relações entre poder, democracia e justiça social, com rigor documental e compromisso com a apuração.


Professora e dirigente sindical teve o nome aprovado pela Federação Brasil da Esperança e disputará uma cadeira na Alepe nas eleições de 2026.


Por Mateus Ayres para O estopim | Cobertura especial das Eleições 2026

20 de julho de 2026



Professora e Sindicalista Ivete Caetano, candidata a deputada estadual pelo PT-PE
Professora e Sindicalista Ivete Caetano, candidata a deputada estadual pelo PT-PE | Foto: Assessoria/Ivete Caetano

A convenção partidária da Federação Brasil da Esperança confirmou, nesta segunda (20), a professora Ivete Caetano como candidata a deputada estadual por Pernambuco nas eleições de 2026.


Com a aprovação em convenção, Ivete deixa oficialmente a condição de pré-candidata e passa a integrar a chapa proporcional da federação formada por PT, PCdoB e PV. O próximo procedimento será a apresentação do pedido de registro da candidatura à Justiça Eleitoral.


Em vídeo publicado no Instagram, Ivete afirmou que pretende concentrar sua campanha na defesa da educação, das mulheres, da juventude, da agricultura familiar e dos direitos da classe trabalhadora.


“Hoje a minha federação partidária confirmou meu nome como candidata a deputada estadual por Pernambuco”, declarou.

A candidata também relacionou sua entrada na disputa à defesa de políticas destinadas à melhoria das condições de vida da população pernambucana.


Ivete Caetano é professora e tem uma trajetória de quatro décadas ligada à educação pública e ao movimento sindical de Pernambuco. Ela preside o Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em Educação de Pernambuco, o Sintepe, do qual está licenciada para a campanha de 2026, e também integrou o Conselho Estadual de Educação.


Em novembro de 2025, foi homenageada pelo Prêmio Duarte Coelho em reconhecimento aos seus 40 anos de atuação na educação pública e na organização sindical.


A candidatura representa a passagem de uma liderança formada nas mobilizações de professores e servidores para a disputa direta por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco.


Na campanha, Ivete deverá procurar transformar reivindicações presentes nas negociações entre trabalhadores e governo em propostas legislativas. Entre os temas que podem ganhar destaque estão a valorização dos profissionais da educação, o financiamento das escolas públicas, os planos de carreira e as condições de trabalho.


Antes da convenção, Ivete já vinha percorrendo municípios e participando de encontros com lideranças políticas, professores, trabalhadores rurais, jovens e integrantes de movimentos sociais.


Em abril, a professora apresentou sua pré-candidatura durante uma reunião realizada em Arcoverde, no Sertão do Moxotó. Na ocasião, defendeu o fortalecimento da educação, da saúde pública, da assistência social, da cultura e das políticas voltadas à população do interior.


A presença em cidades fora da Região Metropolitana do Recife faz parte da tentativa de construir uma candidatura com alcance estadual. Ivete também integra a direção estadual do PT, conforme composição partidária divulgada anteriormente pela legenda.


Até a realização da convenção, o nome aparecia publicamente como pré-candidatura. Registros feitos durante o primeiro semestre apontavam a dirigente sindical entre os nomes preparados pelo PT para concorrer a uma vaga na Alepe com apoio da senadora Teresa Leitão.


A convenção é a instância partidária responsável por aprovar os nomes que participarão da eleição. Com a decisão desta segunda, Ivete passa a ser candidata escolhida pela federação, embora ainda dependa do registro perante a Justiça Eleitoral.


Essa diferença é importante. A pré-candidatura corresponde ao período de articulação interna, apresentação do nome e busca de apoio. A candidatura é aprovada na convenção. Já o registro eleitoral depende da entrega dos documentos e da análise das condições legais pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco.


Portanto, a candidatura de Ivete foi politicamente oficializada pela federação. O procedimento jurídico-eleitoral ainda seguirá o calendário definido para as eleições de outubro.


A Federação Brasil da Esperança chega à disputa proporcional reunindo parlamentares que buscarão a reeleição, dirigentes partidários e nomes vinculados a movimentos sociais.


A inclusão de Ivete reforça a estratégia de apresentar uma candidatura identificada com a educação pública, o sindicalismo e a defesa dos direitos trabalhistas.


A disputa para deputada estadual ocorre pelo sistema proporcional. Nesse modelo, os votos recebidos por todos os candidatos e pela legenda ajudam a definir o número de cadeiras conquistadas pelo partido ou pela federação. As vagas obtidas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro da chapa, conforme as regras eleitorais.


A candidatura de Ivete, portanto, terá uma dimensão individual e outra coletiva. Além de buscar votos para conquistar uma cadeira, seu desempenho contribuirá para a votação total da Federação Brasil da Esperança.


A confirmação da candidatura ocorre em um contexto de disputas frequentes entre os trabalhadores da educação e o Governo de Pernambuco sobre reajustes, carreiras e condições das escolas.


Em abril, profissionais da rede estadual ocuparam as galerias da Alepe durante a votação de uma proposta negociada pelo Sintepe com o governo estadual. Segundo o sindicato, o texto estabeleceu reajuste linear de 5,4% para os níveis da carreira.


O episódio mostrou a importância da Assembleia nas decisões que afetam professores, servidores administrativos e estudantes. Projetos relacionados à remuneração, ao orçamento e à organização da rede estadual precisam passar pelo Legislativo.


Ao disputar uma vaga na Alepe, Ivete pretende levar para o espaço parlamentar uma agenda construída no movimento sindical. O desafio será ampliar o diálogo para além da categoria e apresentar propostas para o conjunto da sociedade pernambucana.


A candidatura coloca uma mulher, professora e dirigente sindical na disputa pela representação estadual.


A confirmação também amplia a presença das pautas da educação e do trabalho na chapa da Federação Brasil da Esperança. Em Pernambuco, decisões sobre escolas, carreiras públicas, agricultura familiar, juventude e políticas destinadas às mulheres passam diretamente pelo orçamento e pela atuação da Assembleia Legislativa.


Para o PT e os demais partidos da federação, o nome de Ivete pode aproximar a campanha de profissionais da educação, servidores públicos, trabalhadores rurais e organizações sociais.


O que acontece agora?


Após a confirmação na convenção, a Federação Brasil da Esperança deverá encaminhar o pedido de registro da candidatura à Justiça Eleitoral.


O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco analisará a documentação, a filiação partidária, a quitação eleitoral e as condições de elegibilidade. Depois do registro, os dados da candidatura deverão aparecer no sistema oficial de divulgação da Justiça Eleitoral.


A campanha poderá apresentar propostas, mobilizar apoiadores e disputar votos dentro das regras e dos prazos previstos na legislação eleitoral.


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Mateus Ayres é jornalista e analista de política nacional e internacional. Escreve sobre conjuntura, democracia e justiça social, com atenção ao interesse público, ao contraditório e ao rigor documental.

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