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Por Michael Andrade, da redação de O Estopim Fonte: G1 | 12 de agosto de 2026
Nova modalidade permite a trabalhadores informais trocar dívidas por crédito com juros menores e cria condições específicas para estudantes e empresas ligados ao Fies; adesão exige bloqueio do CPF em plataformas de apostas por seis meses.

O Desenrola Adimplentes começou a funcionar na segunda-feira (10), com a proposta de oferecer condições de crédito mais favoráveis a trabalhadores informais que mantêm seus compromissos financeiros em dia ou com pequenos atrasos. O programa também contempla estudantes e empresas adimplentes com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
A iniciativa integra uma nova etapa do Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal em junho. Segundo o Ministério da Fazenda, a expectativa é que até 500 mil trabalhadores informais e 100 mil beneficiários do Fies procurem o programa.
Diferentemente de programas direcionados principalmente à regularização de pessoas inadimplentes, essa modalidade busca alcançar também quem continua pagando suas dívidas, mas possui contratos de crédito com juros mais elevados.
No início da operação, as linhas serão disponibilizadas pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Outras instituições financeiras poderão aderir posteriormente.
Quem pode participar entre os trabalhadores informais?
Para os trabalhadores informais, o Desenrola Adimplentes permite substituir uma dívida de crédito pessoal não consignado por uma nova operação com juros menores.
O público precisa trabalhar sem vínculo formal pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Servidores públicos, aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não estão incluídos nessa modalidade.
Também é necessário possuir uma operação de crédito pessoal não consignado ainda com saldo devedor e ter quitado pelo menos quatro parcelas do contrato.
A dívida deve estar em dia ou apresentar atraso máximo de 90 dias, considerando tanto a situação existente em 29 de junho de 2026 quanto a verificada no momento da contratação da nova operação.
Há ainda um limite financeiro: o saldo devedor não pode ultrapassar R$ 15 mil por instituição financeira.
Juros podem chegar a 1,99% ao mês
Quando a operação é aprovada, um novo crédito é contratado para quitar integralmente a dívida anterior. A taxa de juros dessa nova operação fica limitada a 1,99% ao mês.
O programa também estabelece que a nova prestação não poderá superar 90% do valor da parcela anterior. Na prática, além de reduzir os juros, a regra busca evitar que a renegociação resulte em uma prestação mensal maior para o trabalhador.
O prazo da nova operação parte do período que ainda faltava para quitar o contrato original, mas pode receber uma extensão.
Para dívidas com até seis meses restantes, poderá ser acrescentado até um mês. Quando faltarem mais de seis e até 12 meses, a extensão poderá chegar a dois meses.
Para contratos com mais de 12 e até 24 meses restantes, poderão ser adicionados até quatro meses. Acima de 24 meses, a ampliação poderá chegar a seis meses.
Trabalhador poderá receber dinheiro adicional
Outra possibilidade prevista é a liberação de um crédito adicional equivalente a até 50% do saldo devedor original.
Isso não significa, porém, que todo participante receberá automaticamente esse dinheiro. A concessão dependerá da análise da instituição financeira e deverá respeitar uma condição: mesmo com o valor adicional, a nova parcela não poderá ultrapassar 90% da prestação do contrato anterior.
As operações contam ainda com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO), mecanismo destinado a reduzir parte do risco assumido pelas instituições financeiras.
Como ficam os beneficiários do Fies?
O Desenrola Adimplentes também estabelece condições específicas para pessoas com contratos do Fies.
Estudantes com contratos celebrados até 2017, que estavam na fase de amortização em 4 de maio de 2026 e apresentavam atraso inferior a 90 dias naquela data, poderão obter desconto de 12% sobre o valor consolidado da dívida para pagamento à vista, incluindo o principal.
Além dessa possibilidade, o programa cria linhas de crédito destinadas a financiar atividades empreendedoras de pessoas que utilizaram o Fies.
Para ter acesso a esse crédito, o graduado deverá estar adimplente com o financiamento estudantil há pelo menos 36 meses e não poderá ter realizado renegociação da dívida.
Crédito para empreender pode chegar a R$ 180 mil
Para atividades empreendedoras, os juros poderão chegar a 11% ao ano, equivalentes a aproximadamente 0,87% ao mês.
Pessoas físicas poderão contratar até R$ 80 mil, com prazo máximo de 60 meses. Para pessoas jurídicas, o limite será de R$ 180 mil, com pagamento em até 96 meses.
A modalidade procura atender, entre outros públicos, profissionais que concluíram cursos superiores ligados a atividades autônomas e precisam de recursos para iniciar ou ampliar o próprio trabalho.
Como solicitar o Desenrola Adimplentes?
Inicialmente, trabalhadores informais interessados deverão procurar a Caixa ou o Banco do Brasil e solicitar uma análise de crédito.
Mesmo quem possui a dívida original em outro banco poderá procurar uma das duas instituições públicas. Nesse caso, será realizada uma nova análise para verificar se o cliente e a operação atendem aos critérios do programa.
A aprovação não é automática. O banco verificará a situação financeira do interessado, as características da dívida e o cumprimento das demais exigências antes de autorizar a contratação.
Beneficiários do Fies que possuem contrato pelo Banco do Brasil podem buscar a renegociação pelo aplicativo da instituição, na área destinada às soluções de dívidas e renegociações do Fies, ou procurar uma agência.
Na Caixa, a renegociação do Fies pode ser realizada pelo SIFESWEB ou presencialmente em uma agência. A previsão é que a opção também seja disponibilizada pelo aplicativo Fies.
Os estudantes terão até 31 de dezembro de 2026 para aderir às condições especiais destinadas ao financiamento estudantil.
Participante terá CPF bloqueado em sites de apostas
Uma das condições do Desenrola Adimplentes é específica: quem aderir ao programa deverá aceitar o bloqueio do próprio CPF em plataformas de apostas online durante seis meses.
Com o bloqueio, o beneficiário fica impedido de cadastrar ou utilizar contas de apostas vinculadas ao CPF durante esse período.
Segundo o governo, a medida busca impedir que recursos obtidos por meio de uma política de crédito com condições favorecidas sejam direcionados às apostas online.
De onde vem o dinheiro?
As regras de financiamento foram ajustadas antes do início do programa. Conforme a definição do Conselho Monetário Nacional (CMN), 30% dos recursos de cada operação deverão vir das próprias instituições financeiras participantes e 70% serão provenientes de recursos repassados pela União.
A alteração permitiu que os recursos públicos sejam combinados com capital dos bancos participantes, e não apenas do Banco do Brasil e da Caixa. O governo espera, dessa forma, ampliar a adesão de instituições financeiras ao programa.
Para o consumidor, a principal orientação é procurar exclusivamente os canais oficiais da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil nesta fase inicial. Não é necessário pagar intermediários para solicitar a análise, e ofertas recebidas por canais não oficiais devem ser tratadas com cautela.
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